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Dramatis Personæ

 
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DRAMATIS PERSONÆ

Era um enredo escrito a muitas mãos
Aquele que contavas para ti:
Um facto distorcido aqui ou ali
E todo um carnaval de sins e nãos.

Mil culpas carregadas; sonhos vãos…
Diálogos exaustivos vi e ouvi!
Ao coro das vestais me percebi
Contar da ampulheta os finos grãos.

A ti, protagonista inopinada,
Coube nos conduzir do nada ao nada,
Apesar dos vacilos caricatos.

E a mim restou apenas entender
Qual papel me compete empreender
Em nossa ópera-bufa de insensatos...

Betim - 06 01 2024


Ubi caritas est vera
Deus ibi est.


 
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RicardoC
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Enviado por Tópico
RicardoC
Publicado: 09/01/2024 15:02  Atualizado: 11/01/2024 19:34
Usuário desde: 29/01/2015
Localidade: Betim - Minas Gerais - Brasil
Mensagens: 4864
 Re: Dramatis Personæ
Prezado NelsonDN, quem escreve e publica está sempre sujeito a ser mal compreendido ou mesmo desgostado. Não me aborrece ver que não me aprecias e tenho certeza de que teus escritos têm valor, apesar de eu ter de admitir desconhecê-los completamente, por inépcia minha, confesso: Leio menos do que deveria os autores cá no Lusos... Eu não ter te lido ainda, portanto, não diminui em nada a tua obra.

Contudo, é necessário esclarecer alguns pontos em teu comentário:

1: DRAMATIS PERSONAE não é uma homenagem para ti ou para a tua obra. Saliento que jamais li nenhum texto publicado por ti e que não tinha em mente a tua pessoa quando escrevi esse "soneto". Se reparares bem, inclusive, verás que o eu-poético n'esse soneto se dirige a um tu feminino em suas colocações. Não é uma crítica a algo que publicaste ou tampouco uma caricatura de ti.

2- Eu, brasileiro de Minas Gerais, publico no Luso-Poemas desde janeiro de 2015. Jamais fui questionado por portugueses por fazê-lo e tenho certeza de não serem poucos os brasileiros que o fazem. Muito pelo contrário, há tantos brasileiros a publicar no Lusos que, a meu ver, este é antes um sítio de poesia e prosa em língua portuguesa do que um espaço para a publicação de autores portugueses. Eu realmente não entendi a tua observação n'esse sentido. Se tu já foste questionado n'este sentido, eu tenho a lamentá-lo: Não é o que vemos por aqui discriminar autores por serem brasileiros ou angolanos ou moçambicanos a publicar n'um sítio sediado em Portugal. Aliás, publico em sítios brasileiros sem jamais me preocupar se europeus ou africanos o fazem. A mim isso não me incomoda ou diz respeito.

3- Quanto a assumir-me poeta, talvez tenhas alguma razão. Minha frase em epígrafe é algo indecisa ou vaga. Vem da ideia de que o que faz algo ser considerado arte é antes o olhar de quem admira do que a pretensão de quem assina a obra. Para mim, sempre soou como algo humilde, pois, reconhece que uma experiência poética é sobretudo algo que se comunica a outrem. Todos somos capazes de momentos de enlevo e tentar fixá-los para a lembrança mediante as letras. Sem embargo, apenas quando o leitor se debruça sobre o texto e admira com sensibilidade é que, segundo a Teoria da Comunicação, algo que se possa chamar de literatura ou de poesia acontece. Um poema, obra de arte em letras, é a transmissão de ideias, sensações e sentimentos para leitores. Não te peço que concordes com tal ideia de obra de arte como mensagem, mas é a que mais me fala ao coração. Vago e indeciso, peço com humildade que me leiam e me julguem se lhes pareço um poeta ou não. De certo não sou para ti, mas compete tão-somente a mim procurar um público que veja sentido em me ler.

4- Jamais me ofendeste, Nelson. Até porque jamais te tinha lido antes. Jamais te critiquei e não costumo fazê-lo com ninguém n'este sítio. Ignoro totalmente d'onde tiraste a ideia de que te censurei o quer que fosse. Se me leste e não gostaste, está tudo bem. Não tenho essa alegada pretensão à mestria de que me acusas. Ao contrário, sou o primeiro a admitir que tenho pouco a ensinar e muito a aprender em matéria de língua e literatura. Não sou mestre em poesia ou coisa nenhuma. De modo semelhante, jamais quis ofender a ti com qualquer de meus textos e muito menos com este.

Concluindo, penso que projetaste em DRAMATIS PERSONAE algo que nada tem a ver contigo. Não precisas gostar do poema; ninguém precisa... O importante é deixar claro que não foi escrito para ti ou para te atingir indiretamente que fosse. Nada do que está escrito no soneto tem objetivo de descrever um relacionamento que não seja entre um homem e uma mulher que têm um romance em crise pelo excesso de drama.

É isso. Apenas isso.

Abraços, RicardoC.