Em profanação sinistra descri,
Neste olimpo de deuses apresados,
Onde em cegueira errei e me perdi,
Calquei mortais restos desenterrados.
Vi-te em fogos-fátuos de belos prados,
Eterna em tantos poemas que escrevi,
Nos que rasguei em sangrentos bocados,
Nas batalhas que perdendo venci.
A ressurreição, essa epifania,
Aos gentios da paixão, aos não crentes,
Aos perdidos e encontrados na crença…
Ergueste-te em luz, numa luz sombria,
Absurda e vã aos meus olhos reagentes,
Mística em inédita parecença.
25 de Setembro de 2025
Viriato Samora