Dessacralizei-te hoje eternamente,
Caíste sobre os campos do meu consolo,
Derramaste-te sobre mim e eu crente,
Negligente e bruta em gotas de dolo.
Curvado aos gumes da faca que amolo,
Alheado de mim e de ti indigente,
Refém deste tempo que não controlo,
Desces encarnada em chuva abluente.
Agora, em guisa de coisa perene,
Um despertar da morte que há-de vir,
Clarão do apocalipse onde resido…
A chaga, como terra que se drene,
Panaceia um sol que há-de refulgir,
Logro do sonho profano incumprido.
31 de Outubro de 2025
Viriato Samora