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Sunday Night

 
Sunday night
Descobri aleatoriamente zapeando no you tube, um filme divino que iluminou a minha fundida cuca – “Sacerdote do Amor” – os últimos anos do mestre D.H.Lawrence, autor de vários livros, entre eles os icônicos “Mulheres Apaixonadas” e o polemico e proibido “O Amante de Lady Chatterley” – escrito em 1928 em Florença, Itália. A interpretação impecável do ator Ian McKellen – nos mostra um vigoroso escritor que não se deixava abater pelas adversidades. Antes assistir “Sete anos no Tibet” um filme britânico dos anos 50, feitas com imagens do próprio autor com uma câmera que o próprio Dalai Lama lhe emprestou.
Monday morning
O sol já começava a incomodar o Sr. Com, sentado na estropiada cadeira esquelética com assento improvisado de madeira encostada na casinha, começara a reler “Mulheres Apaixonadas”. Descera ainda pouco até a quitanda de Gordinho no intuito de quitar seu debito parcialmente. Na Praça das Sete Palmeiras, Vila Embratel, um espetáculo digno de um cartão postal, quatro vacas agachadas no canteiro, ruminavam ao bel prazer enquanto banhavam-se ao sol. O poeta parou. Na parada debaixo da centenária mangueira recente podada, os passageiros alheios aguardavam ansiosamente o ônibus – uma cena banal para eles, um espetáculo para o poeta que não sabe porque lembrou-se do presépio natalino. Seu Raimundo, o octogenário da bicicleta, em pé apoiada nela, impaciente e zangado murmurava imprecações contra o sistema de abrir as barracas do mercado somente as oito horas – Barbudo, as vezes eu choro por essa desgraça – confessou ao poeta a sua indignação.
Caçulinha procrastinou a sua ida para agendar um exame de sangue numa clinica do Coroadinho para a próxima segunda. Motivo o dente caiu. A sra. Vince e a filha maior foram ao caixa eletrônico buscar seus proventos. Sr. Com muda de lugar, encostando a cadeira no muro oposto que ainda tinha sombra..
O poeta seguiu o seu roteiro, descendo a ladeira da avenida Sarney Filho – nenhum conhecido a vista. O lixo da lixeira de Lourival espalhado pela calçada. Para sua tristeza, a janela e o comercio fechados, sinal que Gordinho saíra. Deu meia volta e ao passar pela barbearia e ver Seu Costa e a companheira fazendo a faxina no salão, bateu no vidro da porta e quando este abriu deu-lhe uma cédula de vinte reais, pagando a tosquia completa do cabelo e a barba ‘nojenta’ na terça-feira passada.
- Isso é muito bom, Seu Constantino, receber de manhã cedo. Muito obrigado – agardeceu com sua voz fanhosa.
“Pronto, falta somente Gordinho e Ed Paul” – pensou com seus botões.
O encontro nada agradável, saindo da rua 19, o arquinimigo do meu amigo Lasierra, quase se esbarraram. Passou na Padaria Renascer e apanhou seus pães. As vacas de pé, sempre ruminado como quem masca fumo de rolo e então J.C.R, o xerife da praça aproximava-se com um cabo de vassoura para enxota-las.
Mais outra viagem debalde – Gordinho e Ed ainda fechados as nove horas de uma manhã ensolarada. A Praça das Sete Palmeiras cheirava a bosta das vacas, o odor nostálgico que anestesiava as narinas do poeta com lembranças de sua infância.
A loura, dona de uma das lojas no imóvel do barão, descia elegantemente de sua Hilux estacionada na rua 19 e a inspecionava dando volta ao seu redor.
- Que chic! – exclamou o poeta.
Do outro lado, seu Chico pedreiro aposentado, ajudava a esposa a sair da lotação estacionada em frente a autoescola, ela com uma bengala dobraram para a rua 19.



 
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efemero25
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