Ciclo
O candeeiro suavemente se apaga,
enquanto na janela o sol aguarda
a intensa fuligem dissipar-se no ar,
para o provável alvorecer recomeçar.
Discretamente o amanhecer desponta,
colorindo campos, matas e encantos.
Enquanto a incerteza nos confronta,
a esperança banha antigos prantos.
Desenvolvendo lustroso resplandecer,
o dia extrapola em matizes de cores,
até perder-se em lento esvanecer.
Surgem languidas manchas escarlates,
envolvendo o intenso azul-celeste,
como manto roto, verdade inconteste!
Este poema completa o ciclo aberto com o soneto “Idílico e lúgubre”.
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Época de reflexão
Imagem retirada da Google-Madeira no Natal
Da Janela olho
Luzes a brilhar
Em cada casa
Em cada lar
Em cada um
Uma história para contar
De amor, paixão
Desejo e emoção
Tudo começa e acaba
Tudo é ilusão
Mas algo permanece.
A morte, a alma
A perfeição
Nada fica imutável
Tudo nasce
Tudo morre
Tudo se aperfeiçoa
Que segredo é esse?
O que não sabemos?
O que se esconde
Em cada vida?
Em cada um de nós?
Mas isso que interessa?
É a vida, o amor
A paixão e a perfeição
É natal,
Época de reflexão
De junção e união
Num mundo nosso
Teu e meu
O tempo e a trilha
Minhas verdades:
Estátuas de areia sob o vento.
Sou sempre “outro”
À minha alegria
Ou sofrimento…
A vida é chuva que se faz
Gota a gota
Momento a momento.
Que nunca volta atrás
Ao meu remorso
Ou contentamento.
E assim,
Nessa vida
Escrita sob as linhas da imprevisibilidade,
Tudo que nos resta de verdade
É fazer escolhas.
E apesar das dúvidas e fracassos,
Sempre é preciso dar os passos
Nesse nosso caminhar irremediavelmente humano!
Minha solidão
A minha solidão
não quer compartilhar
de companhias vazias,
só para encher o lugar...
Minha solidão se incomoda
quando está numa roda
de gente vazia.
Ela sempre tem companhia:
Está com a imaginação,
está com a poesia,
está com meus “invisíveis”...
Está com coisas impossíveis
de qualquer um entender...
A minha solidão,
quando vem me ver,
vem para conversar comigo...
Quem tem uma solidão compreensiva,
não se sujeita a ter
“amizade” nociva.
A.J. Cardiais
Metade da Alma!
Hoje só metade da minha alma me habita,
E mesmo que a sinta e a pressinta,
Dispenso a outra metade,
A que fala a verdade…
Pois estou cheia de mim,
E farta de me ter aqui…
Neste corpo demente,
Outrora, feliz e contente.
Hoje só quero metade da minha alma,
Estilhaço por completo a outra parte,
Vivo separada do meu espaço,
Encaro-me de baixo, a solidão abraço…
Pois hoje não estou para mim,
Não me visto de branco, nem de cetim,
Apenas liberto parte da minha essência,
Para que fuja, e no limbo permaneça!
Hoje fico com apenas metade da minha alma,
Para saber quem sou, e pouco reconhecer,
Porque hoje digo e repito que de mim não quero saber,
Nem quero que me venham perceber, nem entender,
Pois não estou para ti,
Que aqui vens ler,
As mágoas e lembranças que vivi,
E as feridas que abri no meu Ser!
Hoje já nem sei se quero metade da alma,
É que já nem cabe, esta parte que me acalma,
Na carcaça farta e desgastada,
Da vida emprestada e outrora usada,
Pois hoje pedi à morte que o meu espírito ceifasse,
Que para longe a levasse,
E que Hoje nunca mais voltasse,
Pois foi para isso que hoje me suicidei, para que ninguém me amasse!
Marlene ( Ghost)
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Rumo ao destino
http://www.imeem.com/">
Enamorada" rel="nofollow">http://www.imeem.com/people/RAhN-y/mu ... oment/">Enamorada De Ti (Kai Millers Intimate Moment) - Monica Naranjo
Calmamente vagueio rumo ao destino
sem medos do misterioso futuro
A certeza penetra meu corpo vibrante
de maresia, de sol e de ansiedade
aquecendo de alento a alma carente
Flutuo na imensidão da espera
sem saber quanto tempo é o tempo
Ignoro ruelas ressequidas de aromas
numa firmeza determinada em querer
tatuado nas páginas do meu corpo
a realidade de ser e de ter
o perfume cálido da primavera
a fragrância afável da melopeia
dos doces sons exalados
das palavras pronunciadas sem temer
em toques sedosos de pétalas renascidas
A noite permanece impávida
a rotina instala-se na delonga
do tempo sem urgência em galgar
este tempo que já não é meu
num tempo que quero abraçar
Escrito a 22/03/09
Pelo buraco da chave
Ao contemplar a realidade
mediante ótica limitada,
perde-se a credibilidade,
pois, a certeza é eclipsada.
Preconceitos, pelas gretas,
são observados disformes
e, assim, odiosas facetas
são perdoadas incólumes.
Ao distorcer a verdade,
com tal visão bloqueada,
aceita-se vulgar insanidade,
como desculpa esfarrapada.
Esfaceladas, fluem hipocrisias,
através do buraco da chave,
que reforçam idiossincrasias,
sem ter a moral como lacre.
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PASSAGEM
PASSAGEM
Somos feitos de uma massa que perdura
Para além do tempo e do espaço
Integrados num todo, somos feitos
De tudo e do nada, aos pedaços
Somos alma e matéria misturados
Num intenso dilema existimos
Vivemos num cínico marasmo
Duma réstia de vida fugidia
Numa amálgama imensa nos tornamos
Mortais sofridos, pela dor
Somos carne e mente controlados
Pela guerra, pelo medo, pelo pavor
Somos réstia de tudo e de nada
Na passagem desta vida fugidia
Em pó e cinza nos tornamos
Na existência triste...da alegria.
Mário Margaride
A Criatura Falsa
Estou cansado de ouvir falsas palavras
Estou cansado de ouvir mentiras claras
Por que não mostram suas verdadeiras caras?
Pessoas reais neste mundo são raras
Pessoas falsas são ladras
Roubam tua confiança e ternura
Mas o que é essa criatura?
Entre nós ela se mistura
Age como qualquer outra, encarna na figura
Sua boca provoca queimadura
Nos deixa perdido, somos dela, que tortura
Para escaparmos dela, é necessário bravura
E agora, olhando para ela, tão pura
Aparentemente, é claro, ela está a procura
Para em mais um provocar uma fratura
Ela tem o poder de nos deixar na fissura
Me tornarei uma criatura a sua altura
Para ela não existe cura.
Alguns dizem que devo aprender a confiar
Um laço, conexão, com alguém devo criar
Para que, com essa pessoa, meus problemas contar
Chamá-la para meus segredos revelar
E quem sabe, ela poderá os remediar
Vejam pelo meu lado, desconfiar
E se essa pessoa, meus erros espiar
É algo além do meu entendimento,
Não atuo neste departamento
Desculpe, pessoal, mas não lamento
Desconfiar é o que reside em meu pensamento
Ainda não vivi o suficiente
Mas agora eu já me encontro ciente
Claro, sou um jovem inexperiente
Em formar versos, em formar rimas
Mas sim, elas serão minhas vítimas
Irei abusar das minhas rimas, deixá-las legítimas
Sei bem que elas são péssimas
Mas farei delas, belíssimas.
Meu funeral será pequeno, só eu e o coveiro
Que coisa fantástica, me enterrando pelo dinheiro
Faz bastante sentido afinal, ele é solteiro
Juntar suas economias e ser um coveiro baladeiro
Essa é nova, por que não?
Mas não se esqueça de fechar meu caixão
Bem, na verdade não importa, já estou no úmido chão
Jogue a terra logo e vá procurar sua paixão
Alguém com quem compartilharás teu coração
Só posso te desejar a felicidade, e afastar a solidão
Parto pensando nas pessoas que ajudei
E agora refletindo, penso que as incomodei.
Rock clássico
O Rock torna-se clássico,
o tempo doma rebeldias,
a fama rompe ideologias
e dilui o sarcasmo ácido.
Sensos, constructos vitais,
se perdem na jornada,
assim como jovens ideais
são contidos na calada.
As paredes derrubadas
ficaram pelo caminho,
mas as pressões listadas
continuam no escaninho.
Cabelos esbranquiçados,
esmaecidas vozes roucas
gritam refrões aguçados,
mas sussurram notas turvas.
Rock, abstraído, é eterno.
Tal abstrata longevidade,
para além de toda idade,
renasce após cada inverno.
Desagravo a Roger Waters, um dos fundadores da banda Pink Floyd.
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