Magna Carta
Chegou a noite,
meu doce amor,
há peixes dançando por dentro das estrelas;
há anjos nadando no fundo dos mares;
há pássaros correndo nas estradas de terra vermelha
e amantes flutuando no espaço.
é este o milagre da vida:
o poema que o Universo escreve em todas as eras.
e tu
e eu
com olhos de crianças que nasceram agora
apenas nos limitamos
a contemplar o girar da saia do mundo
num beijo
donde salta sublime
uma lua que se despiu
para que Deus lhe devolva o paraíso...
Luíz Sommerville Junior
A Luz Da Minha Vida
A Luz Da Minha Vida
Amor
apenas sei
escrever(te)
com dez estrelas
nas minhas mãos ...
mas há uma constelação
encravada na galáxia
destes meus dedos
sem luz ...
Luiz Sommerville Junior, 19 Outubro 2014, 22:12
Rendenção
.
Redenção
queima-me
quando eu for gelo
fura-me
quando eu for pedra
e...
dilacera-me
com o pecado
quando eu não for
tentação
- perdão...
LSJ, 061020140114
Inês de Portugal
..
Inês de Portugal - Nesse Lago Tão Quieto
Tu
que és tão grande
que eu não consigo ver-te
que és por cima
dum céu
vermelho de flores que chora
o verde vida das pétalas em ferida
neste silêncio
em que
"todos os barquinhos
cansaram de nadar"
dizes-me
por que dormes
eternamente
nesse lago tão quieto
por baixo
deste mar?
Luiz Sommerville Junior, in memorian
01 de Setembro 1929 - 04 Junho de 2013
Veleiros (que não voltam)
Meu gáudio jaz
No mais gélido dos mármores
Hoje, restou a poesia em meus dias
Que devem ser por poucos
porque não dá pra respirar
Sem teu amar.
Ray Nascimento
e partem ...
no verso pioneiro
"tão tristes os tristes"
despedindo-se de tão mal-fadado cancioneiro
"que nunca outros tão felizes vistes"
em barco que chegou, primeiro...
ancora no terreiro
e ainda que fosse
por que o seja, último!
sou este, de ti, aqui
ou veleiro
eleito
que te beija
ó mar, doce mar!
estrela marinha
vou cantar(te)
em verso guerreiro:
-amar é cegar para o nunca antes visto!
Luiz Sommerville Junior
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/ne ... ryid=279272#ixzz3EjIDfbDp
Do poema, basta-me, o último
que não escrevo , de súbito !
Amor Imortal - Incondicional
Hoje,
precisamente quando no relógio
o movimento assinala o meio-dia
na tua saia orlada de sonhos
que são infinitos a explodir nos meus
tão atormentados neurónios,
ó meu amor!
Hoje,
precisamente, quando a lágrima do amor eterno
que de tão terno quase me mata
nesta sinfonia d´emoção
que me rouba às mãos a firmeza
me rouba ao corpo a atracção, à terra !
sem gravidade para onde vão os meus pés?
ó meu mais sublime amor !
que de chorar em cortejos de sorrisos
me sinto tão pequenino , ó infância !
qual erva silvestre acabada de nascer
no seio de estrelas cor de todas as esperanças ...
Hoje, sim, hoje, oh ! minha querida ,
quando a tua saia em pureza desejada branca, noivada !
recebeu a hora, exactamente ao centro da meia-noite,
eu chorei, porque amar é sentir que o teu tecido é costurado
pela beleza grandiosa do universo
e então,
ainda ... hoje ...
sinto que posso morrer na ponta do fio matinal
que transporta tudo o que é visível até aos meus olhos
olhos tão cansados
por milhares d´anos vividos no encanto
de um dia na cruz duma estrada coberta pelos teus passos
todo o meu ser ficar vazado , impregnado
pelo magistral poema do teu respirar ...
ó meu amor,
que fazia tanto tempo que eu não escrevia
algo tão simples e sem explicação
sobre o amor que não sei escrever...
mas, ó vida de minh´alma!
vê, escuta, sente
lá longe como aqui ao perto
a benção do despertar na alvura
dum leito onde a roupa que nos conforta
tem lençóis de poemas cravados
em gravuras cujas carinhosas mãos
que à vida se dedicaram
exaltam o incenso purificador
dos minutos
nos quais um poderoso coral de violinos
soa para que os ouvidos jamais percam
a benção de serem a criação que nos torna bons, melhores
pela audição da arte suprema , ó música !
se eu estou surdo qual Beethoven
de joelhos imploro-te : perdoa-me !
porque sem ouvir-te
sou menos que um grão de areia numa praia sem crianças brincando ... [/size]
Luíz Sommerville Junior, aqui e agora*
050420140704
Relógio
.
Relógio
sonhaste-me
era a hora , o minuto e o segundo
de todo o dia
de ti
a força luminosa do sol surgia
no meio da dor o sorriso podia
mais de que tudo o que o grito dizia
algures no tempo que então vingava
um pequeno pontinho ,
poeira movimentando-se ,
carne e sangue que toda a terra sabia ,
acrescentava um quase nada
à infinitude da estrada
para que a data...
inserida no oceano dum búzio atmosférico
que um dia desta vida te levará
siga soprando ao vento - crianças !
neste teu filho que noutros filhos te cantará
em sonhos que são força na palma do relógio
e , de novo , no ventre que é ...
a mãe regressará
(muito antes
da invenção da prece e da escrita
já os oceanos oravam
em silêncio ...)
À Minha mãe
Luiz Sommerville Junior
Madrigal
Sommerville, 2608201021:10
Madrigal
Venham manhãs
embutidas nos tambores cardíacos
escorregando pelos montes das tuas saias
onde o comprimento d´onda
da luz cristalina do Sol
em saudações à tua glória
asparge reflexos d´orvalho
felicitando o meridiano
do teu sexo
Sommerville, 2608201021:10
O Rosto De Deus (II)
"A vida é um sopro...O sopro de Deus sobre a terra..."
(Daniele DallaVecchia)
O Rosto De Deus (II)
A vida é um sopro
e a vida é o sopro
e a vida É Sopro
- de Deus !
Indefinida
quando não sabemos bem
a cor dos nossos passos...
definida quando encontramos
os pés que é urgente seguir
e ... a vida é apenas
verbo e substantivo
do nome e título que gravo
na alma !
Deus nasce agora
aqui neste lugar
em que a minha cabeça
repousa ...
Ele sopra no meu travesseiro
pela primeira vez !
e eu ...ao virar-me ,
incrédulo , pergunto ao Sopro
- Quem és Tu ?
a ternura da vida respirada
responde-me com a mais doce brisa :
- o teu querido rosto , meu amor !
- pela primeira vez ! -
Insisto em agarrar "o evangelho"
do passado que constrói o presente :
- soprando beijos na tempestade! ...
E... quem nos sopra,
minha amada?
quem irrompe
no centro
do nosso uno plural?
quem ao eu somando o tu
multiplica a inseparável
terceira pessoa?
- ele , filho da paternidade !
luz da razão materna ,
outra vez ,
pela primeira vez!
Luis Sommerville Junior, 28052011
Destino
Se fossem flores
as lágrimas que me pendem nos cílios
imagina , meu amor ,
os jardins que sorririam nos teus olhos
se fossem poemas
as gotas que escorrem como rios na minha derme
imagina , meu amor ,
os livros que tuas queridas mãos receberiam
se fossem pássaros
as construções que me revolvem a mente
imagina , meu amor ,
os mundos onde os teus pés seriam (per)seguidos
se fossem músicas
os bafos sufocados que me (não) saem
imagina , meu amor ,
os instrumentos que te ensaiariam
se fossem peixes
as veias que me transportam o sangue
imagina , meu amor ,
os rios e oceanos que te vestiriam
se fossem joaninhas
os estremeceres deste meu corpo
imagina , meu amor ,
as plantas de boa colheita que te agraciariam
se fossem céus
os sorrisos que no meu rosto se revelam
imagina , meu amor ,
a eternidade que te (a)guardaria...
Mas ...
Estes se´s anulam o tanto que tu possas imaginar
condiconam(me) , aprisionando(nos) ...
Se eu puder libertar o condicional
e erguer o absoluto
então
incondicionalmente
meu amor , imagina ,
as horas soprando no relógio :
- acelerai ponteiros , acelerai !
e estancai , agora , exactamente,
neste preciso e precioso segundo
em que eu de parado
traço todos os caminhos que (me) conduzem
ao destino que escolhi e faço
aqui , onde nascem
os anjos que respiram a sagração do amor ...
Luiz Sommerville Junior , 11112010,02:32
Em Luso-Poemas,2010
Em Na Transversal do Meu Relógio, 11112010,02:32
Texto Do Livro A Madrugada das Flores
Edição Corpos, págs. 32,33,34