https://www.poetris.com/

Poemas, frases e mensagens de tiago_rilke

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de tiago_rilke

Karl Popper

 
Não contemples o horizonte
Esquece esse poeta antigo
Que vive nostálgico do infinito:
Não suporta a indecisão do finito.
Antes, a cada passo
olha a teu lado
Estende a mão
Agarra uma folha e oferece o aroma
Num ínfimo gesto
O infinito estremece
Porque só assim
És inteiro.
 
Karl Popper

sai.

 
O motor da minha vontade:
cilindrada incalculável.
Sai. só quero que saias. A minha única funcionalidade
é ser pura velocidade
é nas veias que me corre o combustível
e esta boca metálica vocifera
uma voragem de combustão
O único medo é a demora
e o risco não é o preço da vertigem:
é o sal.
é o único sustento
de uma alma que se alimenta
que se sacia
da própria fome.
 
sai.

Ser

 
Esta maçã nasceu
No instante preciso
Que o meu olhar a cruzou
O vermelho é a memória de Adão
E o sabor o saber da terra sem tempo

Tudo o que é mundo nasce no seio
do mito. A ficção infinita,
é a nossa única morada
 
Ser

O homem civilizado

 
O homem dito civilizado vive como um bárbaro na civilização. Faz uso das coisas quotidianas que formam a sua vida - do telemóvel à internet, do automóvel ao ar condicionado - sem as quais não saberia viver e se sentiria complemente perdido, como se essas coisas fossem dadas naturalmente.

O homem civilizado não entende os princípios da civilização, não sabe o mínimo sobre a sabedoria envolvida, sobre a genialidade e imponência criativa que lhe subjaz. Um selvagem pega na banana e come-a, sem se perguntar como é possível tal fruto. O homem civilizado faz o mesmo quando pega no telemóvel: como se fosse uma dádiva da natureza à qual tem um direito também natural.

O homem civilizado carrega nos botões para aceder a tudo o que foi concebido na sua vez e desse sentimento de poder chega a confundir “entender” com “manejar”. Porque entender genuinamente está tão fora dos seus intentos que nem a própria palavra entende.
 
O homem civilizado

Música vertigem

 
A música como
uma vertigem encantada
em acelaração contínua
para o êxtase sucessivamente adiado

uma imagem-som-imagem
segue-se inexorável a outra
imagem-som-imagem
com uma ambivalência perfeita:
quero no exacto momento que cedo
e cedo no exacto momento que quero

inexorabilidade impiedosa
que alucinada torna vertigem
o vórtice que invade
e arrasta a vontade num voo livre
ao encontro do sol cujo fogo
tudo consume.
Absolutamente tudo.
 
Música vertigem

Volúpia

 
O teu reboliço
Não nasce da sombra nem do sol
Se cria no puro girar estratosférico
Do inconformismo das estrelas
Um rebuliço donde não nasce uma tulipa
Nasce uma rosa vermelha rodopiando
E todo o teu corpo é uma pétala garrida
Que ampara as sombras fugidias que me formam.
Contudo
Loucura com loucura se paga
Uma volúpia louca
Poesia alienada
Uma chama molhada
Que acende no centro de ti
Verticalizando o meu desejo
Num ímpeto homérico
Penetrando completo o teu ser
Até tudo ser alucinação
Projectada no puro espaço
 
Volúpia

saudade

 
Como olhar agora o horizonte mar o sol
Agora se os teus olhos não seguem os meus?
Como dizer uma palavra poesia um som de pássaro
Agora se a tua boca não responde respirando a minha?
Como ouvir as gaivotas melodias sem tempo?
Agora se o teu ouvido não ouve os sussurros sigilosos
Como caminhar nesta estrada de areia brisa verão alto?
Se as tuas pernas suaves linhas perfeitas
Não caminham tropeçando nas minhas caindo
Abraçados na sombra a tua saia esvoçando fresca
num meio dia que nunca acabaria.
Até o luar ser tudo nós e a noite.
Que reina permanece na minha espera
 
saudade

A graça da seriedade

 
Esse rosto que se desenha
na imprevista cizudez
de um cinza circunspecto
Com o olhar que se preserva, profundo
Penetrante
Os lábios
não concedem
o sol do sorriso
e são uma lua sobre o mar.
Uma noite de poetas.
Lábios, ainda que ajuizados, sérios, juntos.
Apetece longamente
Lambiscar beijar provar e roubar
Esse sorriso que se oculta obstinado

na sua graciosa harmonia
que Apolo um dia criou.
 
A graça da seriedade

Volúpia

 
O teu reboliço
Não nasce da sombra nem do sol
Se cria no puro girar estratosférico
Do inconformismo das estrelas
Um rebuliço donde não nasce uma tulipa
Nasce uma rosa vermelha rodopiando
E todo o teu corpo é uma pétala garrida
Que ampara as sombras fugidias que me formam.
Contudo
Loucura com loucura se paga
Uma volúpia louca
Poesia alienada
Uma chama molhada
Que acende no centro de ti
Verticalizando o meu desejo
Num ímpeto homérico
Penetrando completo o teu ser
Até tudo ser alucinação
Projectada no puro espaço
 
Volúpia

MAX WEBER

 
Dos três tipos de poder
o carisma é a temível musa
As leis e a tradição
confortáveis domicílios  
onde brandamente acolhemos a resignação
Rasga essa folha com os itens
da tua vida cifrada
Esquece aquele jurássico tio
que ouviste de ouvir dizer que um dia 
alguém terá ouvido: já não fala.
ama os olhos que brilham
e enchem o teu corpo com um imenso não sei.
Segue-os e serás livre
 
MAX WEBER

revolução

 
Mudar o mundo?
E se olhasses o espelho
Esculpisses o pó
Donde a imagem surge?
Cara a cara
homem. rapaz. homem
A luz que o trespassa
Atravessa-te e chega aos antípodas
glaciares: daí nasce alguém
que mudou algo

Dentro do quente
Faz frio
Só o sentes quando dele te lembras.
Mas é inevitável, não te parece?
homem. rapaz. Homem
mudas o mundo

quando fores mundo
 
revolução