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Poemas, frases e mensagens de GabrielaSal

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de GabrielaSal

Emergência

 
Emergência
 
Emergência

Canso-me de andar essas avenidas, sem dobrar esquinas, parece que meus passos vão sozinhos, sem ao menos que eu os ensaie.
Preciso livrar-me do confortável, e tentar sentir-me um pouco fora do lugar, para deixar meus sentimentos crescerem.
Quando repetimos as mesmas coisas, e sentamos na poltrona
do conforto, não há nada mais para se ver. Já declaramos morte
de nós mesmos.
Ainda sou jovem para morrer. Esse morrer por dentro.
Tenho que começar a desbravar estradas mais tortuosas, com mais curvas,
mais subidas e descidas. suar um pouco, e avistar o desconhecido, sem ter medo dele.
Por que a resistência e o medo? Por que pensar que felicidade é estar sempre
na zona de conforto?
Preciso perder o medo do desconhecido. Abrir meu mundo para novas
oportunidades.
Vejo isso hoje – em mim – como uma emergência.

quero procurar além daquele horizonte
desbravar meus medos e seguir em frente
desnudar-me de antigos pensamentos
e mergulhar neste desejo emergente

olhar sem temer, nos olhos, o desconhecido
e se a dor vier, que venha tomando conta
quero fingir que a desconheço e ir mais fundo
mesmo sentindo que tudo me amedronta

embriagar-me do novo, sentir sangue puro e vivo
rasgar-me em pedaços, trocar uma pele nova
lançar-me de cabeça em projetos nunca vistos
beber em goles a dor pura, e sair dessa alcova

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Emergência

Encantamento

 
Encantamento
 
Encantamento

olhando para o céu aquela tarde
nossas mãos seguraram-se, apertando-se
cheias de certezas doces
um arrepio percorreu meu corpo
naquela identidade única
os poros, o suor, a quentura
em química de desejo puro
olhamo-nos os olhos
e roubei de sua boca entreaberta
aquele beijo brotado no silêncio
meus lábios mornos
desenharam carícias suaves nos seus
e você retribuindo, de olhos fechados,
bordou um universo de ternuras nos meus
tão viva ainda a sensação
do corpo em chamas, do libido
o desejo, a impossibilidade, o segredo,
e nossas mãos apertando-se tão íntimas
cheias de incertezas, transpirando medo

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi.♥
 
Encantamento

Nua

 
Nua
 
Nua

nua de vontades
vazia de sentimentos
como uma casca fina
uma folha a voar
ao sabor do vento

nua de esperanças
desses sonhos tolos
dos desejos tecidos
das saudades sofridas
num poço de solidão

nua de sílabas
no silêncio do sentimento
das palavras ao vento
de ansiedades e lágrimas
e passos perdidos

e hoje, no âmago da alma
nua...nua de um nada
 
Nua

Engasgo

 
Engasgo
 
Engasgo

As palavras não cabem na minha boca, nem no meu peito.
Enroscam-se nos sentidos, como se fossem espirais de fumaça, e saem assim como nada.
O modo que você me olha, e pega um cigarro, e nele expira todos meus sonhos...
Aquele jeito de sorrir de lado, que me deixa sempre a sensação de ter feito algo errado.
Afundo-me em minhas palavras, e minha língua sai para fora da boca, como um aceno de socorro.
Mas você nunca me salva.
Você fica a observar essa minha falta de palavras, e tira vantagem desse meu defeito.
Defeito? Não sei.
Fico pensando como seria bom encher minha boca, numa total circunferência, e dizer: "não!".
Você ficaria todo surpreendido, sem ação. A fumaça do seu cigarro talvez saísse pelas suas orelhas.
Mas você sempre tem meu sim, mesmo não dito. Se digo não, o sim está nos meus olhos.
Quero olhar para você com a mesma frieza que você me olha. E no entanto meus olhos soltam chispas de desejo.
Se eu pudesse dizer não, quando você me cala a boca com um beijo, acaricia meus cabelos com suas mãos suaves, descendo languidamente para dentro de minha blusa, tocando meus seios.
Se eu pudesse dizer não, quando você me deita, espalha meus cabelos no travesseiro e me beija todo o corpo, dizendo entre sussurros que nunca desejou ninguém assim...
E eu fechando os olhos, em transe, acredito em cada suspiro.
Se eu pudesse dizer não, quando me entrego sem pensar nesse espiral de emoções...olhando através de seu ombro, em puro êxtase, o balançar da cortina.
Preciso de um transplante de córnea... quero meus olhos frios, assim como esse tão ensaiado não de de minha boca.
Mesmo que o não fosse trêmulo, os olhos poderiam dar a você uma falsa impressão naquele pano de fundo.
 
Engasgo

Inevitável

 
Inevitável
 
Inevitável

Meu coração batia tanto... a emoção tão em alta!
Negar aquele sentimento e fazê-lo muito maior. Muito mais intenso.
E de repente ele chegaria, com aquele andar de quem não quer nada, e aquele sorriso de fim de quarta-feira.
A emoção transpirava pelas mãos frias e suadas. O corpo em transe, em dupla dose de adrenalina.
O que era isso? Como eu poderia explicar essa explosão dos sentidos, sem ao menos vê-lo? O corpo tremia. Engolia em seco.
Olhei no espelho do carro para checar o cabelo. Com a mão, dei um jeitinho na franja, esmaguei os lábios, espalhando o batom.
Fechei os olhos experimentando a sensação do amor a invadir todo meu ser, como uma onda morna e deliciosa.
Abri os olhos ... e um choque percorreu meu corpo. Ali ele estava, vindo na calçada, mãos nos bolsos da calça jeans, tênis, cabelo molhado, olhando dos lados...
Fixei na minha memória aquele momento. Olhei-o de longe, como se estivesse assistindo um filme de amor. O amor explodia em meu olhar, e o cobria de emoção. De longe, eu via, seu corpo cadenciado, a andar naquele passo tão dele...
Abri a porta do carro. Meus cabelos voaram com o vento, mas já não me importava estar tão perfeita. Eu queria mesmo era chegar perto, olhá-lo nos olhos. Senti-lo.
Fechei o carro e fui andando, os passos meio tontos pela beleza do dia, e a emoção do momento.
Meu cabelo ainda voava, assim como meu vestido. Aquela brisa morna, aquele cenário de sonho.
E então você me viu. Parou no meio da calçada, e sorriu. Aquele sorriso meigo, inteiro, doce, e entregou para mim, de longe, a emoção. Olhos nos olhos. Fluiu, bateu e voltou, numa intensidade absoluta.
E continuamos a andar, olhares fixos, sorrisos largos, emoção transbordante.
Seus braços se abriram e nele me encaixei, como aquela peça que estava faltando naquele quebra-cabeças.
E tudo ficou completo. Acariciei seus cabelos suavemente, com a cabeça em seus ombros.
E suas mãos desenharam caricias em meu rosto.
Era um final de tarde. E ainda me lembro do cheiro de sua colônia, entontecendo-me os sentidos.
E mais tarde no silêncio da noite, minhas mãos crispadas e meus olhos esgazeados - em tom de irrealidade.
 
Inevitável

Surto

 
Surto
 
Surto

Foi um gesto desmedido, , espontâneo, súbito, impensado.
Um olhar despercebido que atravessou rapidamente a claridade
do tempo, cortando distância e chegou de modo suave sem fazer alarde, de mansinho em um silencioso pouso de para sempre. (Sempre?)

Foi um olhar aturdido diante da beleza da cena! piscou várias vezes na incerteza entre realidade e sonho e entregou-se tão plenamente que sentiu a alma estremecer.
Como se seu corpo etéreo se moldasse dentro de uma forma de suspiros saídos do forno, brancos, doces, e perfeitos.

Foi um surpreender-se a cada minuto pela velocidade alcançada do nirvana, o tremor inevitável do possível, nos segundos de contemplação. Como um raio de luz cortando o céu em uma noite escura, sem estrelas.
Um meteoro partindo em mil pedaços a desilusão.

Foi um mergulho de cabeça, de olhos fechados nas águas profundas da minha solidão.
 
Surto

Rompante

 
Rompante
 
Rompante

e veio aquela ânsia
do absolutamente novo
abriu as mãos e soltou
no parapeito da janela
a amargura plena
e acompanhou-a despencar
como estrelas cadentes
com os olhos de sangue
mastigou a esperança
naquela boca
cansada de mentir
respirou fundo as verdades
expirando sonhos novinhos em folha
despiu-se do convencional
jogou a velha máscara
com sorriso fixo
para lembrar-se
que de corpo e alma
era livre – afinal!

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Rompante

Temporais

 
Temporais
 
Temporais

se acaso olho distraída
para dentro de mim
ora vejo luzes
ora vejo cinzas
das luzes - há o brilho cego
tão cintilantes e plenas
e as cinzas me trazem
certo conforto interior!
por elas existirem
houve um significado
elas ensinaram-me
lições importantes
que nunca vou esquecer
um momento breve
ou um gesto súbito
e ali ficaram as cinzas
vivas - dentro de mim
toda vez que as olho
fortaleço-me!
fizeram-me ser corajosa
a levantar novamente
as paredes do castelo
dar uma polida
nos vidros da janela
lavar as cortinas
com essência de esperança
e enxergar as flores no jardim
depois das nuvens negras e do temporal
o que sinto todas as vezes
é que as cinzas renascem
dentro de mim...

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Temporais

Brasil do ponto de vista de Olivier Teboul

 
Estou postando este texto, pois achei
muito interessante, e ri muito. Enxerguei-me em muitas dessas situações.

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi.♥

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O texto é o olhar francês sobre o brasileiro. Brasil do ponto de vista do simpático Olivier Teboul e o português é quaaaase perfeito - completamente perdoável!

"Aqui são umas das minhas observações, as vezes um pouco exageradas,
sobre o Brasil. Nada serio."

-Aqui no Brasil, tudo se organiza em fila: fila para pagar, fila para
pedir, fila para entrar, fila para sair e fila para esperar a próxima
fila. E duas pessoas ja bastam para constituir uma fila.

-Aqui no Brasil, o ano começa “depois do Carnaval”.

-Aqui no Brasil, não se pode tocar a comida com as mãos. No
MacDonalds, hamburger se come dentro de um guardanapo. Toda mesa de
bar, restaurante ou lanchonete tem um distribuidor de guardanapos e de
palitos. Mas esses guardanapos são quase de plastico, nada de suave ou
agradável. O objetivo não é de limpar suas mãos ou sua boca mas é de
pegar a comida com as mãos sem deixar papel nem na comida nem nas
mãos.

-Aqui no Brasil todo é gay (ou ‘viado’). Beber chá: e gay. Pedir um
coca zero: é gay. Jogar vólei: é gay. Beber vinho: é gay. Não gostar
de futebol: é gay. Ser francês: é gay, ser gaúcho: gay, ser mineiro:
gay. Prestar atenção em como se vestir: é gay. Não falar que algo e
gay : também é gay.

-Aqui no Brasil, os homens não sabem fazer nada das tarefas do dia a
dia: não sabem faxinar, nem usar uma maquina de lavar. Não sabem
cozinhar, nem a nível de sobrevivência: fazer arroz ou massa. Não
podem concertar um botão de camisa. Também não sabem coisas que estão
consideradas fora como extremamente masculinas como trocar uma roda de
carro. Fui realmente criado em outro mundo…

-Aqui no Brasil, sinais exterior de riqueza são muito comuns: carros
importados, restaurantes caríssimos em bairros chiques, clubes
seletivos cujos cotas atingem valores estratosféricas.

-Aqui no Brasil, os casais sentam um do lado do outro nos bares e
restaurantes como se eles estivessem dentro de um carro.

-Aqui no Brasil, os homens se vestem mal em geral ou seja não ligam.
Sapatos para correr se usam no dia a dia, sair de short, chinelos e
camiseta qualquer e comum. Comum também é sair de roupas de esportes
mas sem a intenção de praticar esporte. Se vestir bem também é meio
gay.

-Aqui no Brasil, o cliente não pede cerveja pro garção, o garção traz
a cerveja de qualquer jeito.

-Aqui no Brasil, todo mundo torce para um time, de perto ou de longe.

-Aqui no Brasil, sempre tem um padre falando na televisão ou na radio.

-Aqui no Brasil, a vida vai devagar. E normal estar preso no transito
o dia todo. Mas não durma no semáforo não. Ai tem que ser rápido e
sair ate antes do semáforo passar no verde. Não depende se tiver
muitas pessoas atrás, nem se estiverem atrasados. Também é normal
ficar 10 minutos na fila do supermercado embora que tenha só uma
pessoa na sua frente. Ai demora para passar os artigos, e muitas vezes
a pessoa da caixa tem que digitar os códigos de barra na mão ou pedir
ajuda para outro funcionário para achar o preço de um artigo. Mas, na
hora de retirar o cartão de credito, ai tem que ser rápido. Não é
brincadeira, se não retirar o cartão na hora, a mesma moça da caixa
que tomou 10 minutos para 10 artigos vai falar agressivamente para
você agilizar: “pode retirar o cartão!”.

-Aqui no Brasil, os chineses são japoneses.

-Aqui no Brasil, a música faz parte da vida. Qualquer lugar tem musica
ao vivo. Muitos brasileiros sabem tocar violão embora que não
consideram que toquem se perguntar pra eles. Tem músicos talentosos,
mas não tantos tocam as musicas deles. Bares estão cheios de bandas de
cover.

-Aqui no Brasil, a política não funciona só na dimensão esquerda –
direita. Brasil é um pais de esquerda em vários aspectos e de direita
em outros. Por exemplo, se pode perder seu emprego de um dia pra outro
quase sem aviso. Tem uma diferencia enorme entre os pobres e os ricos.
Ganhar vinte vezes o salario minimo é bastante comum, e ganhar o
salario minimo ainda mais. As crianças de classe media ou alta estudam
quase todos em escolas particulares, as igrejas tem um impacto muito
importante sobre decisões politicas. E de outro lado, existe um
sistema de saúde publico, o estado tem muitas empresas, tem muitos
funcionários públicos, tem bastante ajuda para erradicar a pobreza em
regiões menos desenvolvidas do país. O mesmo governo é uma mistura de
política conservadora, liberal e socialista.

-Aqui no Brasil, e comum de conhecer alguem, bater um papo, falar “a
gente se vê, vamos combinar, ta?”, e nem trocar telefone.

-Aqui no Brasil, a palavra “aparecer” em geral significa, “não
aparecer”. Exemplo: “Vou aparecer mais tarde” significa na pratica
“não vou não”.

-Aqui no Brasil, o clima é muito bom. Tem bastante sol, não esta frio,
todas as condicões estão reunidas para poder curtir atividades fora.
Porem, os domingos, se quiser encontrar uma alma viva no meio da
tarde, tem que ir pro shopping. As ruas estão as moscas, mas os
shopping estão lotados. Shopping é a coisa mais sem graça do Brasil.

-Aqui no Brasil, novela é mais importante do que cinema. Mas o cinema
nacional é bom.

-Aqui no Brasil, não falta espaço. Falam que o pais tem dimensões
continentais. E é verdade, daria para caber a humanidade inteira no
Brasil. Mas então se tiver tanto espaço, por que é que as garagens dos
prédios são tão estreitos? Porque existe até o conceito de vaga presa?

-Aqui no Brasil, comida salgada é muito salgada e comida dolce é muito
doce. Ate comida é muita comida.

-Aqui no Brasil, se produz o melhor café do mundo e em grandes
quantidades. Uma pena que em geral se prepare muito mal e cheio de
açúcar.

-Aqui no Brasil, praias bonitas não faltam. Porem, a maioria dos
brasileiros viajam todos para as mesmas praias, Búzios, Porto de
Galinhas, Jericoacoara, etc.

-Aqui no Brasil, futebol é quase religião e cada time uma capela.

-Aqui no Brasil, as pessoas acham que dirigir mal, ter transito, obras
com atraso, corrupção, burocracia, falta de educação, são conceitos
especificamente brasileiros. Mas nunca fui num pais onde as pessoas
dirigem bem, onde nunca tem transito, onde as obras terminam na data
prevista, onde corrupção é só uma teoria, onde não tem papelada para
tudo e onde tudo mundo é bem educado!

-Aqui no Brasil, esporte é ou academia ou futebol. Uma pena que só o
futebol seja olímpico.

-Aqui no Brasil, existe três padrões de tomadas. Vai entender porque…

-Aqui no Brasil, não se assuste se estiver convidado para uma festa de
aniversário de dois anos de uma criança. Vai ter mais adultos do que
crianças, e mais cerveja do que suco de laranja. Também não se assuste
se parece mais com a coroação de um imperador romano do que como o
aniversário de dois anos. E ‘normal’.

-Aqui no Brasil, nõ tem o conceito de refeição com entrada, prato
principal, queijo, e sobremesa separados. Em geral se faz um prato com
tudo: verdura, carne, queijo, arroz e feijão. Dai sempre acaba comer
uma mistura de todo.

-Aqui no Brasil, o Deus esta muito presente… pelo menos na linguagem:
‘vai com o Deus’, ‘se Deus quiser’, ‘Deus me livre’, ‘ai meu Deus’,
‘graças a Deus’, ‘pelo amor de Deus’. Ainda bem que ele é Brasileiro.

-Aqui no Brasil, cada vez que ouço a palavra ‘Blitz’, tenho a
impressão que a Alemanha vai invadir de novo. Reminiscência da
consciência coletiva francesa…

-Aqui no Brasil, pais com muita ascendência italiana, tem uma lei que
se chama ‘lei do silencio’. Que mau gosto! Parece que esqueceram que
la na Itália, a lei do silencio (também chamada de “omerta”) se refere
a uma pratica da mafia que se vinga das pessoas que denunciam suas
atividades criminais.

-Aqui no Brasil, se acha tudo tipo de nomes, e muitos nomes americanos
abrasileirados: Gilson, Rickson, Denilson, Maicon, etc.

-Aqui no Brasil, quando comprar tem que negociar.

-Aqui no Brasil, os homens se abraçam muito. Mas não é só um abraço:
se abraça, se toca os ombros, a barriga ou as costas. Mas nunca se
beija. Isso também é gay.

-Aqui no Brasil, o polegar erguido é sinal pra tudo : “Ta bom?”,
“obrigado”, “desculpa”.

-Aqui no Brasil, quando um filme passa na televisão, não passa uma vez
só. Se perder pode ficar tranquilo que vai passar mais umas dez outras
vezes nos próximos dias. Assim já vi “Hitch” umas quatro vezes sem
querer assistir nenhuma.

-Aqui no Brasil, tem um jeito estranho de falar coisas muito comuns.
Por exemplo, quando encontrar uma pessoa, pode falar “bom dia”, mas
também se fala “e ai?”. E ai o que? Parece uma frase abortada. Uma
resposta correta e comum a “obrigado” e “imagina”. Imagina o que?
Talvez eu quem falte de imaginação.

-Aqui no Brasil, todo mundo gosta de pipoca e de cachorro quente. Não entendo.

-Aqui no Brasil, quando você tem algo pra falar, é bom avisar que vai
falar antes de falar. Assim, se ouvi muito: “vou te falar uma coisa”,
“deixa te falar uma coisa”, “é o seguinte”, e até o meu preferido:
“olha só pra você ver”. Obrigado por me avisar, já tinha esquecido
para que tinha olhos.

-Aqui no Brasil, as lojas, o negócios e os lugares sempre acham um
jeito de se vender como o melhor. Já comi em em vários ‘melhor bufe da
cidade’ na mesma cidade. Outro superativo de cara de pau é ‘o maior da
-América latina’. Não costa nada e ninguém vai ir conferir.

-Aqui no Brasil, tem uma relação ambígua e assimétrica com a América
latina. A cultura do resto da América latina não entra no Brasil, mas
a cultura brasileira se exporta la. Poucos são os brasileiros que
conhecem artistas argentinos ou colombianos, poucos são os brasileiros
que vão de ferias na América latina (a não ser Buenos Aires ou o Machu
Pichu), mas eles em geral visitaram mais países europeus do que eu. O
Brasil as vezes parece uma ilha gigante na América latina, embora que
tenha uma fronteira com quase todos os outros países do continente.

-Aqui no Brasil, relacionamentos são codificados e cada etapa tem um
rótulo: peguete, ficante, namorada, noiva, esposa, (ex-mulher…). Amor
com rótulos.

-Aqui no Brasil, a comida é: arroz, feijão e mais alguma coisa.

-Aqui no Brasil, o povo é muito receptivo. E natural acolher alguem
novo no seu grupo de amigos. Isso faz a maior diferencia do mundo.
Obrigado brasileiros.

-Aqui no Brasil, o brasileiros acreditam pouco no Brasil. As coisas
não podem funcionar totalmente ou dar certo, porque aqui, é assim, é
Brasil. Tem um sentimento geral de inferioridade que é gritante.
Principalmente a respeito dos Estados Unidos. To esperando o dia
quando o Brasil vai abrir seus olhos.

-Aqui no Brasil, de vez em quando no vocabulário aparece uma palavra
francesa. Por exemplo ‘petit gâteau’. Mas para ser entendido, tem que
falar essas palavras com o sotaque local. Faz sentido mas não deixa de
ser esquisito.

-Aqui no Brasil, tem um organismo chamado o DETRAN. Nem quero falar
disso não, não saberia por onde começar…

-Aqui no Brasil, dentro dos carros, sempre tem uma sacola de tecido no
alavanca de mudança pra colocar o lixo.

-Aqui no Brasil, os brasileiros se escovam os dentes no escritório
depois do almoço.

-Aqui no Brasil, se limpa o chão com esse tipo de álcool que parece uma geleia.

-Aqui no Brasil, a versão digital de ‘fazer fila’ e ‘digitar codigos’.
No banco, pra tirar dinheiro tem dois códigos. No supermercado, o
leitor de código de barra estando funcionando mal tem que digitar os
códigos dos produtos. Mas os melhores são os boletos pra pagar na
internet: uns 50 dígitos. Sempre tem que errar um pelo menos. Demora.

-Aqui no Brasil, o sistema sempre ta “fora do ar”. Qualquer sistema,
principalmente os terminais de pagamento de cartão de credito.

-Aqui no Brasil, tem um lugar chamado cartório. Grande invenção para
ser roubado direito e perder seu tempo durante horas para tarefas como
certificar uma copia (que o funcionário nem vai olhar), o conferir que
sua firma é sua firma.

-Aqui no Brasil, parece que a profissão onde as pessoas são mais
felizes é coletor de lixo. Eles estão sempre empolgados, correndo
atrás do caminhão como se fosse um trilho do carnaval. Eles também são
atletas. Tens a energia de correr, jogar as sacolas, gritar, e ainda
falar com as mulheres passando na rua.

-Aqui no Brasil, pode pedir a metade da pizza de um sabor e a metade
de outro. Ideia simples e genial.

-Aqui no Brasil, no tem agua quente nas casas. Dai tem aquele sistema
muito esperto que é o chuveiro que aquece a agua. Só tem um porem. Ou
tem agua quente ou tem um débito bom. Tem que escolher porque não da
para ter os dois.

-Aqui no Brasil, as pessoas saem da casa dos pais quando casam. Assim
tem bastante pessoas de 30 anos ou mais morando com os pais.

-Aqui no Brasil, tem três palavras para mandioca: mandioca, aipim e
macaxeira. La na franca nem existe mandioca.

-Aqui no Brasil, tem o numero de telefone tem um DDD e também um
numero de operadora. Uma complicação a mais que pode virar a maior
confusão.

-Aqui no Brasil, quando encontrar com uma pessoa, se fala: “Beleza?” e
a resposta pode ser “Jóia”. Traduzindo numa outra língua, parece que
faz pouco sentido, ou parece um dialogo entre o Dalai-Lama e um
discípulo dele. Por exemplo em inglês: “The beauty? – The joy”. Como
se fosse um duelo filosófico de conceitos abstratos.

-Aqui no Brasil, a torneira sempre pinga.

-Aqui no Brasil, no taxi, nunca se paga o que esta escrito. Ou se
aproxima pra cima ou pra baixo.

-Aqui no Brasil, marcar um encontro as 20:00 significa as 21:00 ou
depois. Principalmente se tiver muitas pessoas envolvidas.

-Aqui em Belo Horizonte, e a menor cidade grande do mundo. 5 milhões
de habitantes, mas todo mundo conhece todo mundo. Por isso que se fala
que BH é um ovo. Eu diria que é um ovo frito. Assim fica mais mineiro.
 
Brasil do ponto de vista de Olivier Teboul

Cerejas vermelhas maduras

 
Cerejas vermelhas maduras
 
Hoje comprei cerejas. Aquelas que faziam parte de nossas noites de bacanal.
Trazem-me lembranças vadias. Com você não valia papos profundos.
Era tudo sexo. Até o respirar em frente da TV, assistindo filme, e sua mão quente a acariciar meus seios frios e arrepiados.
Ou seu corpo vagabundo jogado na cama, chamando o meu.
Havia algo em você que me puxava como uma correnteza, da qual eu era levada sem controle. Puro frenesi.
Naquele seu beijo chupado, agarrando meus cabelos como se fosse possivel escapar.
Do seu escorregar lento da cama para desfilar seu corpo de Eros pelo quarto.
Que venham as más lembranças, para que eu esqueça o gosto daquelas cerejas
vermelhas maduras em sua boca carnuda.
Em nossas noites de bacanal a dois. Nesse imundo desejo que agora me invade.
 
Cerejas vermelhas maduras

Impalpável

 
Impalpável
 
Impalpável

dispersou o olhar
fingindo-se de ausente
levantando a mão , manicure perfeita
olhou para as unhas vermelhas
e segurou a taça de vinho
em pose cinematográfica.
sentia-se invencível!
e gostava da sensação...
mergulhou a boca vermelha
na taça espumante
e dengosa, fez-se de vítima
bastou um instante
para transformar o frívolo
em profundo...
o céu tingia-se de rosa
a tarde caia lentamente
relaxou as pernas na cadeira
soltou os cabelos ao vento
e também os pensamentos
chorou alto até que as lágrimas
lavaram-lhe a alma
e torceram-lhe o coração
olhou a ferida exposta
e com determinada raiva
estancou o sangue com furor
poderosa levantou-se
impalpável!
equilibrando-se em sua dor...


.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Impalpável

Niilista

 
Niilista
 
Podia-se ver somente os olhos no negro buraco da noite. 
Sentimento fleumático de liberdade plena em seu
pequeno mundo  de  sanidade mental. 
Sentou-se no seu medo, cortou um generoso pedaço de felicidade.
Sorveu aquele doce paladar de vitória. 
A saliva desceu na garganta e percebeu que a fase do engolir seco 
havia acabado.
Respirou fundo e um ar gelado percorreu-lhe as narinas como se tivesse um
halls na boca. 
Mastigou um pouco de esperança cuspindo o excesso. 
Em busca da total liberdade, jogou-se do precipício abraçando nuvens.
Sem alsa delta.
 
Niilista

Em seus a(braços)

 
Em seus a(braços)
 
Em seus a(braços)

Quero seus braços enlaçados em meu corpo, assim, pele com pele, matando essa sede, essa saudade desvairada. Uma loucura por essa identidade de sentimentos, quando seu sorriso se une a minha
respiração entrecortada, e nossas mãos se atropelam quando mergulham juntas a procura do prazer.
Falamos a língua muda do desejo misturada com um oxigênio impuro,uma falta de ar...
A sua voz suspirada em meu ouvido, toca todas as notas da minha solidão.
Seu corpo se contorce nas ondas do desejo e mergulho no espiral de sua emoção.
Paro. Respiro fundo.
Sua alma lateja em meus sentidos de uma forma absoluta.
Minha pele se arrepia, e sorrio, um sorriso esmaecido de saudade.
Acabei de cobrir-me de nudez.
Vem, e veste-me com suas mãos, arrepia minha pele para que eu me vista de emoção.
Abraça-me bem apertado contra o seu peito, , esmaga-me.
Deixa que minhas palavras mudas escorram pelo seu peito. Colha meus beijos com suas mãos.
Depois, fica assim...sem se mexer,pele com pele, nesse nosso transe.
 
Em seus a(braços)

Infidelidade

 
Infidelidade
 
Infidelidade

pulou o muro alto
as meias ainda na mão
olhou dos lados
o sereno molhava o rosto
cuspiu o gosto
daquele beijo doce de pecado
limpou o pescoço
disfarçando o perfume adocicado
o corpo ainda vibrava
adrenalina pura nas veias
e aquele cheiro de orgasmo
no bolso alguns trocados
e pensou que um café forte
o acordaria da sensação de culpa
desceu as escadas e no bar ainda aberto
a penumbra acariciou-o dando-lhe conforto
e aquela mesinha de fundo
com toalha quadriculada
acolheu-o como velha amiga
segurou firme a xicara fumegando
sorveu um gole
queimou-lhe a garganta
na noite imunda e deserta
sentiu a alma suja e porca
e olhando para a escada, de esguelha
notou o mesmo par de pernas
e a porta ainda entreaberta
 
Infidelidade

Solidão

 
Solidão

Ilude-se ao pensar
que o mundo é seu
toma os momentos em suas mãos
e faz deles pontos infinitos
translúcidos e serenos
dissolve-os em seu olhar
como a madrugada
quando o sereno molha as folhas
e deixa aquele ar de sofreguidão
encara seus medos
e toma aquele líquido
gosmento e saboroso
da solidão

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Solidão

Certas dores...

 
Certas dores...
 
Andei sem rumo...aquela rua longa, comprida, que parecia não acabar mais... meus pés iam, iam, iam, rasgando as calçadas, tentando acalmar a tempestade dentro de mim.
Sempre andei muito, nos meus dias de angustia.
mas aquele dia, era diferente. parecia que nada, nada conseguiria acalmar dentro de mim aquele sentimento de perda.
Afinal, não ter mais a mãe, significava perder um ponto de referência.
Fiquei a pensar quantas vezes sua mão acariciou meus cabelos dizendo: “Vai tudo dar certo”.
Pois é mãe...deu certo, deu errado, deu certo de novo, e assim fui indo, não e?
Hoje entendo todas as vezes que você se calou diante das minhas certezas, sabendo que seria melhor assim.
Não possuem as mães algo meio mágico, um botão, que liga e desliga nas horas certas?
Hoje entendo que todas as vezes que você não tocou nesse botão, era porque você sabia que seria melhor assim.
Andei mãe, andei tanto...com tantos filmes passando na minha cabeça, repetecos de nossa vida juntas por um certo período de tempo.
Lembrei-me quando sai de casa, e você disse: “Filha, eu poderia dizer para você ficar, mas acho que você precisa experimentar esse ir...”
Olhou para mim com uma bondade tão grande, que senti-me como tocando o céu com aquele seu olhar.
Eu fui, mas sabia que ali você estava, meu porto seguro. As suas mãos sempre disponíveis para segurarem as minhas. Dar-me conforto.
Hoje mãe, sinto-me meio solta na vida. Como um balão a voar sem destino.
Passei hoje pela nossa antiga casa, e me pareceu vê-la no jardim a cuidar de suas rosas. De seus passos pequenos, miúdos, e de sua sabedoria tão imensa.
Do seu silêncio cheio de palavras. Do seu riso infantil, de seus segredos.

Ah mãe...não pensei que doesse tanto...viu?

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(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi.♥
 
Certas dores...

Sombras

 
Sombras
 
Sombras

sombras
que caminham à noite
em passos largos
no meu quarto
e acordam-me de madrugada
quando o sono é leve
como borboletas
abraçam-me forte
e quando tento desvencilhar-me
algemam minhas mãos
e meus pés
e fico à mercê de meus medos
sem escapatória
em silêncio, engulo seco
e nem consigo chorar
o medo é tanto
que adormece meus sentidos
nas sombras escuto
o som mudo da noite
tão alto em meus ouvidos
vencida pelo cansaço - adormeço
nessa luta intrínseca
entre eu e meus fantasmas...
quando a manhã chega
finjo a velha felicidade
deixo os pesadelos esquecidos
e resplandeço!

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(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Sombras

Veneno fatal

 
Veneno fatal
 
Veneno Fatal

como adrenalina pura
percorreu meu corpo
em um gélido caminho
embrulhando meu estômago
e dando-me aquela
tontura plena
do adeus definitivo
as pernas fracas
desmancharam-se no chão
como raízes mortas
e os braços soltos
pareciam por um momento sem destino
vomitei meus sonhos coloridos
na calçada da realidade
olhos mortos, rosto afogueado
mas levantei-me - impune!
seguindo sem olhar
para o passado

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(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Veneno fatal

Segredo

 
segredo

negou-me a palavra
trancou a alma
transpirei saudade
restos de sonho
pendurados no varal
movidos pelo vento
estancou o sangue
com panos sujos
chorou a lembrança
segredo trancado
à sete chaves
no coração silente

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(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi
 
Segredo

Delírio

 
Delírio
 
Delírio

Se você pudesse ver você,como eu o vejo esse mar de ternura
derramando de meus olhos em cachoeiras de sonhos.
Esse meu olhar platônico que borbulha lavas e derrama adrenalina
pura em meu sangue com esse seu toque inocente.
Seus olhos sorriem ingênuos e os meus se agitam em ondas de
vertigem diante do novo.
Esse estado de emergência de meu corpo, aquela quentura que atinge
que desperta o cio, quando desfaço-me em fantasias.
Moldo-me lânguida em seu abraço, querendo mais... e mais...
E dentro de minha retina de olhos fechados projeto-me nas
nuvens das suas carícias, oferecendo-lhe o sul de meu corpo, serpenteando
emergencia. Suas maos vem do norte lentamente sentido sul,
movendo em aridas e suaves caricias.
Caio em espiral e subo açulando o cume mais alto, enquanto voce me assiste.
Desfaço-me em sentidos, entontecida, entreabindo a boca e mordendo os lábios em sons de brisa, sussurrando beijos agradecidos.
 
Delírio

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(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi.♥