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Poemas, frases e mensagens de João Marino Delize

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de João Marino Delize

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Dúvidas

 
Dúvidas
 
Dúvidas

Agora eu peço aos meus amigos ateus
Que perdoem este ser tão imperfeito
Pois em vez em quando dou um jeito
E acabo pedindo a presença de Deus

Peço que não julguem a milha falha
Pois quando estou muito atribulado
Com o meu pensamento atordoado
Então imploro a Deus e jogo a toalha

Eu sei que um dia posso ser expulso
Do nosso grupo formado por ateus
Por eu precisar das ajudas de Deus

Peço desculpas para os meus irmãos
Que me perdoem toda esta fraqueza
E da ausência de fé não ter certeza.

Jmd/Maringá, 31.05.2016
 
Dúvidas

Templo

 
Templo
 
Templo

Vê-se que parece um templo sagrado
Com lindas paredes e fundação firme
Pela mão sublime é que foi levantado
Ao vê-lo todo o incrédulo se redime

Tem uma porta de um coral precioso
Suas luzes são claras como o sol puro
De cor verde-esmeralda e silencioso
Com pedras mais preciosas que ouro

Tem um super-telhado bem revestido
Onde o sol brilhante fica aí contido
Aquecendo quem entrar no recinto

Quem orar nesse templo com amor
Com certeza vai aliviar toda a sua dor
E isto está a exposto de modo sucinto.

Jmd/Maringá, 15-06-16
 
Templo

Ponte

 
Ponte
 
Ponte

Uma ponte encima do rio
Duas regiões há de ligar
Uma ponte sobre o destino
A outro lugar vai nos levar

As águas por sob a ponte
Passam e vão até ao mar
Nascendo no alto da fonte
Um dia voltam a esse lugar

Passam à noite e ao dia
Na estação quente ou fria
Com sol ou com nevoeiro

Quando chegam ao seu final
Sobem até o azul celestial
E vãoi cair em aguaceiro.

jmd/Maringá, 27.05.16
 
Ponte

Colchão de palha

 
Colchão de palha
 
Colchão de palha

Nos tempos de criança vejo a cena
Deitados em uma cama de madeira
Os travesseiros eram feitos de pena
Ou então com os frutos da paineira

O colchão que se dormia era de palha
O cobertor era chamado corta-febre
Às vezes o frio cortava como navalha
Pois havia frestas em nosso casebre

A minha mãe fazia tudo o que podia
Até com panos de colheita nos cobria
Para que nos proporcionasse o calor

Assim a gente enfrentava o desafio
Pois acho que Deus nos dava o frio
Conforme a espessura do cobertor.

Jmd/Maringá, 30.06.16
 
Colchão de palha

PORQUE HOJE É SÁBADO...

 
Porque hoje é sábado.

A moça saiu cedo do serviço... Porque hoje é sábado.
A moça que mora no sítio lavou a casa inteira... Porque hoje é sábado.
Por certo esta moça é trabalhadeira... Porque hoje é sábado.
Ela está esperando o namorado para sair... Porque hoje é sábado.
Com certeza esta noite vai se divertir... Porque hoje é sábado.
A empregada trabalhou até meio dia... Porque hoje é sábado.
Há uma semana ela não se divertia... Porque hoje é sabado.
A Noiva está esperando seu noivo em casa... Porque hoje é sábado.
Este ano ela acha que se casa... Porque hoje é sábado.
Na igreja há vários casamentos... Porque hoje é sábado.
Alguém vai ficar embriagado... Porque hoje é sábado.
E pode até voltar para casa carregado... Porque hoje é sábado.
O rapaz está lavando o carro... Porque hoje é sábado.
Passa alguém na rua e lhe tira "sarro"... Porque hoje é sábado.
A moça, para ir ao salão de beleza já pegou a trilha... Porque hoje é sabado.
Está querendo depilar até a virilha... Porque hoje é sabado.
A noite vai ter balada... Porque hoje é sábado.
A festa vai até madrugada... Porque hoje é sábado.
A adolescente diz que vai ver a amiga... Porque hoje é sábado.
Mas pode pegar até barriga... Porque hoje é sábado
Muitas adolescentes ficarão grávidas... Porque hoje é sábado.
Alguém vai adquirir o virus HIV... Porque hoje é sábado.
Mulheres vão apanhar de seus bêbados maridos ... Porque hoje é sabado.
No dia seguinte ficarão arrependidos... Porque hoje é sábado.
Hoje não haverá despedidas... Porque hoje é sábado.

jmd/Maringá, 13.09.08
 
PORQUE HOJE É SÁBADO...

Marina e seu gato

 
Marina e seu gato
 
Marina e seu gato*

Marina era uma estudiosa menina
Que nasceu com uma única sina
Que era cuidar bem dos animais
Quando da escola à tarde chegava
Com seu lindo gato ela conversava
E dava-lhe carinhos tão especiais

Mas eis que a estudiosa Marina
Pegou uma doença tão maligna
Que em seu quarto a aposentou
Mas o seu gato chamado faceiro
Deitava perto do seu travesseiro
Enquanto esse tempo se passou

Mas eis que uma noite sem sorte
Chegou a sombria e triste morte
E a pobre estudante então levou
Na manhã seguinte, lá no terreiro
Era um dia triste, o dia derradeiro
E o triste gato por aí então ficou

E todas as tardes ele ainda vinha
Miava bem perto de sua caminha
Como um grito dolorido e alterado
E daí se passaram só quinze dias
Que numa das manhãs mais frias
Amanheceu ali morto e esticado

E assim é que se deu essa história
Que não houve luta e nem vitoria
Como uma despedida lá no cais
Foi uma passagem de muita dor
Numa prova que há tanto amor
Nos corações do nossos animais.

jmd/Maringá, 13.05.16

* baseado em caso real.
 
Marina e seu gato

O nada

 
O nada

A vida que levamos é tão curta
E a morte vai chegar de repente
Quando não se espera ela furta
E leva a ilusão de nossa gente

Hoje se é pouco e talvez nada
Seremos daqui a poucos dias
Pois quando termina a jornada
Acaba-se tudo na campa fria

Naquele lugar não há vaidade
O rico e o pobre serão iguais
E nada ficará para eternidade

Velas poderão até se acender
Pedirão para a sua salvação
Mas nada disso você vai saber.

jmd/Maringá, 18.01.17
 
O nada

Pé-de-pilão

 
Pé-de-pilão
 
Pé de Pilão

Uma, duas angolinhas
Fincam os pés na pampolinha
E você que é gente minha
Vem pro jogo da argolinha!
E o rapaz que jogo faz?
Faz o jogo do Capão:
Tira, tira seu pezinho
Que lá vai um beliscão.
Conta bem Mané João,
Conta bem que vinte são.
Pega a mão-de-pilão
Soca com força na mão,
A Carne seca com feijão.
É de flim, flim, flim, flim.
É da cor do limão.
É da nossa senhora
Da Conceição.

Releitura da Parlenda
de domínio popular

-Pampolinha=argolinha
-Angolinha=qualquer pessoa, qualquer criança, um sentimento, galinha-d'Angola.
 
Pé-de-pilão

Quadrinhas

 
Quadrinhas
 
Quadrinhas

O Sol é muito branquinho
Mas o céu é sempre azul
Se o vento vier do Norte
A chuva chegará do Sul

O carro tem pé redondo
Mas faz o rastro comprido
O Peru vai tomar cachaça
Na véspera de ser cozido

No dia do meu casamento
Foi uma grande tortura
Levaram-nos ao cartório
Com polícia e viatura

Casei há mais de trinta anos
E nunca briguei com a Maria
Eu moro aqui no Paraná
E ela mora lá na Bahia

O jacaré carrega a serra
E nunca foi carpinteiro
O bode também tem barba
Mas nunca vai ao barbeiro

Há gato na iluminação
E também na TV a cabo
Quem vê os erros dos outros
Não olha para o seu rabo

No tempo a flor perde a cor
A gente perde a mocidade
Janeiros trazem a velhice
E a velhice traz saudade.

jmd/Maringá, 03-11-17
 
Quadrinhas

Repartindo um porco

 
Repartindo um porco
 
Repartindo um porco

Para quem vai a pacuera?
Vai pro pai do Zé Tapera.
Quem vai levar a costela?
É a comadre Manoela.
O carrê quem vai levar?
É o cunhado da Guiomar.
Quem fica com o bofe?
É o compadre do Onofre.
Quem vai levar a orelha?
É o Chico da ovelha.
Pra quem fica a panceta?
É pra comadre Julieta.
Quem vai levar o toicinho?
É o Tenório do moinho.
Pra quem vai a bisteca?
É encomenda do Zeca.
O que é feito do pernil?
Foi pra sogra do Gentil.
Pra quem fica o suã?
Pra comadre do Ivan.
E com o couro o que se faz?
Vai pro Mané do Tomás.
Quem vai fazer a linguiça?
É o marido da Clarissa.
E pra quem vai o codeguim?
Pra mulher do sr. Joaquim.
E o queijo de quem vai ser?
Pra quem gostar de comer.
E o que fazer com o rabo?
Cozinha-se com quiabo.
Com quem fica o chouriço?
Pra quem fez todo o serviço.

jmd/Maringá, 04.11.08
 
Repartindo um porco

Dia tenebroso

 
Dia tenebroso
 
Dia tenebroso

A manhã surgiu fria e tão nebulosa
Praticamente não houve alvorecer
A tarde também continuará chuvosa
E quase nada será possível se fazer

Não se verá abrir um botão de rosa
A natureza com frio vai se recolher
Melhor ler livro em verso ou prosa
Ou então sob os cobertores, aquecer

Dormir por certo nos fará muito bem
Já que sair de casa, não nos convém
Mas muitos aproveitam para beber

Talvez o domingo seja tão ensolarado
E a claridade seja do modo esperado
Para que alegres possamos esparecer

Maringá, 04.06.16
 
Dia tenebroso

Exaltação

 
Exaltação
 
Exaltação

Não conte as noites pela escuridão
Procure contá-las só pelas estrelas
Que devem trazer alegria ao coração
Toda vez que você possa vê-las

Não conte os dias pelas tempestades
Mas pelos dias claros de muita luz
Não conte as horas por dificuldades
Mas pelas felicidades que se produz

Não se exalte pregando a maldade
Seja um mensageiro da verdade
Não use alguém como a sua escada

Não puxe o tapete do seu irmão
Lute contra qualquer ingratidão
E terá sempre a sua vida exaltada.

Jmd/Maringá, 18.05.2016
 
Exaltação

Laparoscopia

 
Laparoscopia
 
Laparoscopia

Vou ter que fazer uma laparoscopia
Para extirpar a minha vesícula biliar
Tenho que me submeter a cirurgia
Apesar do medo que estou a passar

Tenho que fazer a referida operação
Pois na vesícula tenho muitos cálculos
Espero que tudo ocorra com correção
Para me ver livre desses obstáculos

Eu poderia passar sem a intervenção
Mas adiante pode haver complicação
Então é melhor correr o risco agora

Se tudo ocorrer do modo esperado
Este problema eu espero ver sanado
Pois tudo nesta vida tem a sua hora.

jmd/Maringá, 16.01.2016
 
Laparoscopia

Poema sem sentido

 
Poema sem sentido
 
Poema sem sentido

Um ninho de mafagafos*
Com sete mafagafinhos
Coitados dos mafagafos
Estavam todos sozinhos

Quando se inventou a roda
Muitos ficam a acreditar
Que ela já foi quadrada
E se arredondou ao rodar

Oh!Ciranda, Cirandinha
Meia volta vamos dar
Se girar a volta inteira
Volta no mesmo lugar

Há um pote de melado
Feito de Cana-caiana
Pra não ficar lambuzado
Só tomo caldo de cana

Eu vi o mourão da Cruz
Por lá eu não vou passar
Perdoe-me meu Bom Jesus
Há fantasmas no lugar

Escravos de um tal de Jó
Só jogavam Caxangá
Jó gostava desse jogo
E não via o tempo passar.

jmd/Maringá, 20.09.16

* Mafagafo é um ser desconhecido que se diz que come papel. Não há como comprovar a sua origem pois comeu todos os documentos sobre o assunto. Pode ser também aquilo que você não gosta como GOLPE, DITADURA, MENTIRA, TRAIÇÃO, TORTURA ETC.
 
Poema sem sentido

Brincar de ser feliz

 
Brincar de ser feliz
 
Brincar de ser feliz

Eu vou voltar ao lugar em que nasci
E armar arapuca em meio à palhada
Reviver momentos que não esqueci
E jogar futebol com aquela criançada

Brincar de se esconder lá no cafezal
Pegar vaga-lumes em noites escuras
Brincar de barata no grande quintal
Achar os amigos em longas procuras

Gritar no terreiro “vaga-lume tem-tem
Seu pai está aqui e sua mãe também”
E tudo era festa até a hora de dormir

Mas estes momentos ficaram pra trás
Esses tempos lindos não valtam mais
As alegrias da infância não vão repetir.

jmd/Maringá, 24.08.15
 
Brincar de ser feliz

Fado, vinho e bacalhau

 
Fado, vinho e bacalhau
 
Fado, vinho e bacalhau

Em uma taberna ouvia um velho fado
Com guitarras portuguesas tocando
Um casal sentado na mesa ao lado
Em tom baixinho estava conversando

Eles comiam uma porção de bacalhau
Que ao bom vinho tinto estava regado
Notei que o moço tinha cara de mau
E ela sorria da sua cara de estressado

Eu que estava ali só, fiquei pensando
Recebe muito e valor não está dando
Talvez não soubesse medir o agrado

Mas só em ouvir as guitarras tocando
Eu me contentava e estava gostando
Imagine se houvesse alguém ao lado.

jmd/Maringá, 02.02.18

https://www.facebook.com/Fados-e-Guitarras-1518341781819993/
 
Fado, vinho e bacalhau

Meus males

 
Meus males
 
Meus males

Tenho medo da noite e dos seus horrores
Visto que me apodera uma dor tão insana
E para que eu fuja desta crise desumana
Preciso tomar psicotrópicos destruidores

Dopado eu durmo até o dia amanhecer
Mesmo assim tenho diversos pesadelos
E nos sonhos, nada dá certo em fazê-los
Ao acordar, a agonia vem a desaparecer

Quando esse tempo terrível vai terminar
E a leveza venha a tomar conta de mim
Para acabar pra sempre esse meu penar

Mas com calma e resignação levo a vida
Pedindo que o amanhã possa ser melhor
E procurando andar de cabeça erguida.

Jmd/Maringá, 06.02.18
 
Meus males

Avó portuguesa

 
Avó portuguesa
 
imagem do google.
Avó portuguesa

Só tive uma avó de origem portuguesa
Nos domingos cozinhava como ninguém
Fazia bacalhoada que era uma beleza
E boa macarronada sabia fazer também

Mas ela era viúva e bastante nervosa
Que com seus netos vivia só brigando
Para nos dirigir um instante de prosa
Era raro e só ocorria de vez em quando

Mas um dia ela resolveu e foi embora
Foi para casa de um tio naquela hora
E nunca mais pude ver essa vovozinha

Daí uns anos soube que havia morrido
E que muito pobre ela havia falecido
Tendo trabalhado a sua vida inteirinha.

Jmd/Maringá, 10.02.2018
 
Avó portuguesa

Reforma agrária

 
Reforma agrária
 
Eu venho dos campos, me encontro nas filas.
Venho de fazendas estou morando em favelas.
Venho do Nordeste e me encontro nas vilas,
Sem nenhum saneamento, estou vivendo nelas.

Há no país centenas de latifúndios improdutivos
E poucas pessoas possuem milhões de hectares,
Sem objetivo social que é a função da terra
E se expulsa do campo milhões de lavradores.

Quem nunca foi pobre pode ser contra esta tese.
Só para quem não está incluso é que isto serve,
Mas quem está muito bem, em reformas nem fala.

Este mundo é mesmo assim, cada um pensa em si,
Com isto a criminalidade aumenta cada vez mais.
Sem enfrentar o problema, cava-se enorme vala.

Maringá, 13.03.08
 
Reforma agrária

Um passeio em criança

 
Um passeio em criança
 
Um passeio em criança

Em uma manhã de domingo tão ensolarada
Que eu e mais dois irmãos fomos à cidade
Um vento do norte com muita velocidade
Envergava as árvores na beira da estrada

Na volta deparamos com uma tempestade
Com granizo, chuva e bastante ventania
A tarde que era quente passou a ser fria
Molhados, passamos a tremer de verdade

Nesta ocasião ficamos bastante aflitos
Protegemo-nos embaixo dos eucaliptos
Até que esse temporal veio a se acalmar

Isso ocorreu há mais de cinquenta anos
E por Deus, não foram maiores os danos
Nos meus nove anos isso veio a se dar.

jmd/Maringá, 30.07.14
 
Um passeio em criança

verde