Poemas, frases e mensagens de veríssimo

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de veríssimo

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OBRIGADO A TODOS QUE FIZERAM O SEU PEDIDO

PERSEGUIÇÃO

 
Amor é vidro liso, vivo, escorregadio
Estrada livre: a gente passa na ida
Escorrega na volta e não se corta: volta
E amanhã a gente passa no mesmo caminho

Carrego o peso do verso não feito
O sabor de um beijo não dado
Sou aqueles segundos passados
Que marcaram tempo algum

Vou cheirando as esquinas
Procurando você – vou indo
Ando por toda a cidade
E não encontro nada

Quebro os ponteiros do relógio.
Desatinado durmo no espaço vazio
E não paro o tempo que corre louco
Dentro de mim e acordo com o dia:

Gritando seu nome!
 
PERSEGUIÇÃO

ENTRE O PASSADO E FUTURO

 
Fato sucedido e verídico
E a gente brinca de poesia
Tentando explicar essa viagem:

Foi lá pelas tantas que nem remela os olhos tinham
O poeta não dormiu, mais viu o movimento da turma
Galos cacarejavam, num poleiro improvisado no quintal
O falcão crocitava versos no alto da montanha
Águias, donas do céu, ruflavam descendo a montanha
Enquanto a gaivota pipilava sobre a água azul do mar
E uma juriti viúva soluçava num canto da serra,
Como fosse o canto de uma sala, onde o sol atravessava

E um palhaço pintava as manhãs e os donos dos carros
Os cacarecos dos trilhos levam os fandangos da cidade,
Pulando catracas e tangas, de uma batuta da minha idade
Não beijam a vidente, não pulam pinguelas e davam guela
Era a sina da minha pele como perebas sangrando do povo
E um sapo sem pernas, arrastava o sovaco pelas calçadas
Enquanto um casal se roçava entre fronhas e taças de vinho

Do outro lado corvejava o corvo, suas últimas notas do dia
E a cigarra apaixonada ziziava notas de um coito estranho
O cão esganiçava suas mágoas numa rua escura e vazia
O beija-flor conversa poeticamente com a amada parados no ar
E borboletas passeiam na minha mente com palavras coloridas
Abelha rainha, minha dona, zoava notas de amor pro meu coração
Enquanto a araponga bigorneava, acordando o povo do lugarejo

E assim, entre vozes, paixões e amores
Seguem a natureza e os homens
E foi lá pelas tantas naquela planície
Que dei conta que ainda tinha a minha voz!
 
ENTRE O PASSADO E FUTURO

BATE VIDA, BEM DEVAGAR

 
A carne cala
Calada chora
Como parede sem casa
Como ponto sem estrada

Onde a luz tece a escada
Por onde faço meu voar
Nos verbos sem almas
Peço a dura leveza da vida

Tenha calma comigo
Da saudade de anteontem
Faça seu meridiano

Me divida ao meio
Faça uma parte feliz
Vida, bate, mas bem devagar

Pra não arranhar
Pra não marcar
Pra não machucar
 
BATE VIDA, BEM DEVAGAR

PARA QUEM ME DEU OLHOS. . .

 
PARA QUEM ME DEU OLHOS. . .

alma rasgando a pele, borboleta me fascina
em tudo que se move
faz lembrar que certas coisas não tem fim

a pele é amor concebido, cria e corta forte
descansa o verbo

como sua saudade, aos poucos me alucina
na trapaça mais doce

me invento, me troco e não digo que é sorte
sorriso ou feitiço
é algo que se quebra
onde os rios não param

a forma essencial
acariciada por uma cor
com apenas um olhar
viro tom
de um azul mais azul
mais do que se vê em outro lugar
cá, dentro de mim
viro teu...

Veríssimo & Vania Lopez
 
PARA QUEM ME DEU OLHOS. . .

AINDA TRAGO DENTRO DE MIM

 
Ainda trago dentro de mim
Um tempo que coroe o aço
Uma tarde que fuça meu peito
Saudade pura queimando a alma
Calor do fogo que assa a massa
Saudade da pele simples de um colo
De um olhar buscando porto seguro

Enquanto,

O fio borda o filho no ventre da vida
Na tua boca palavras são musicas pra alma

Enquanto,

A abelha faz o filho e o mel da vida
Ensino-te amando-te e meus olhos se alegram com as cores
 
AINDA TRAGO DENTRO DE MIM

DA FELICIDADE - PENSNADO

 
“Felicidade poderia ser, lá pelas três da manhã, ver aquela mosca que perturbava seu sono, arriada no chão. Pode ser! – Veríssimo – Pensando felicidade”
 
DA FELICIDADE - PENSNADO

DIGA NÃO, DIGA SIM

 
Em qualquer roçado em durmo,
Se tem riacho livre tem água limpa;
Agüenta todo peito que a fome alimenta;
Faz medo: nem toda cama tem sono.

Não rimam o de baixo e o de cima;
Durmo no colo e não caio no chão,
Sem trinca, sem fenda, no ventre;
Tudo igual, sem emenda, coração!

Bebo na bica, na palma da mão, tua água;
Do monte vejo o infinito e dou um grito:
Acorda moço! Saia dessa ponte: corra!

Teu ponto foge de ti, escapa-te a sorte.
Se tens gosto de mamão de corda, liga não:
São iguais, sinta-se maçã, moça solteira.

Na beira da estrada, diga nada, diga não!
Se na cama, durma em silêncio, diga não!
Se a estrada é tua, faça segura, diga não!

Diga não! Diga não! Diga não!

Amores e corações se encontram, diga lá Caetano!
Tudo que é de bronze, bronzerá, diga não! Diga Djavan
Se é de paz, prazerá, trará agora teu ponto, diga sim!
 
DIGA NÃO, DIGA SIM

PEDRA CANÇÃO E VIDA

 
A pedra sabe
Da hora de ser dura
Senhora gente

Decifra livre
O sentido da alma
Senhora minha

No tempo há luz
A via pra gente passar
Dentro de te via

A terra gera
Feliz e grávida luz
Da vida seduz

Do outro lado
Êxtase pura nódoa
Fera amada

No mar amanhã
Amanhece louca dor
Velha barca nua

Da humana voz
Humanidade louca
Canção da vida
 
PEDRA CANÇÃO E VIDA

QUNDO SE PERDE UM PEDAÇO DA ALMA

 
A mãe que perde um filho
Mostra nos olhos o tamanho da dor
De tanto chorar não tem mais lágrimas
Permanece pasma, sofrendo, sem acreditar

Parece que Deus lhe arrancou um membro
Parece que a vida lhe furou os olhos
Parece que um punha lhe atravessou o coração
Parece que a morte lhe enterrou viva, na mesma cova

A mãe que perde um filho
Mostra no peito o tamanho da dor
Mesmo acreditando, chora pro resto da vida
Calada e sofrendo, seu filho ausente vai amar para sempre

A mãe que perde um filho aos doze anos
Talvez, nem sabia, o tamanho dessa missão
Só Deus sabe, quantos anos ele viveu
E essa mãe saberá,
Quando, lá frente, chegar seu dia!

É preciso ter fé para acreditar em Deus
É preciso trer fé para enxeragar
Mesmo com os olhos furados
É preciso ter fé para amar,
Mesmo com o coração sangrando

É Preciso ter fé para mesmo enterrada viva, continuar a viver

Nossos filhos não deveriam morrer.
 
QUNDO SE PERDE UM PEDAÇO DA ALMA

PEDINTES, CARENTES E MISERÁVES

 
O padre pede a fé, rezada
O político o voto, abençoado
O miserável o pão, faminto
O carente o amor, distante

O mundo pede a paz, urgente
A fábrica a guerra, calculada
A criança pede água, chorando
A justiça a calma e o tempo

A reta pede a curva, entalhada
A curva a reta, esticada
As asas pedem o voar, liberdade
A boca pede o beijo, apaixonada

O peito pede o abraço, suado
A terra a semente, molhada
O ventre pede o filho, gerando
O trilho o trem, deslizando

A Cássia pede a Eller e a rosa
A uva pede o vinho e o corpo
O trigo pede o pão, florindo
O homem pede Gandhi, sorrindo

Não tenho tempo, um segundo
Não tenho balas brotando, as palavras
Tenho filhos, tenho fome, temos sede
Pedintes, famintos, carentes e miseráveis
 
PEDINTES, CARENTES E MISERÁVES

COMO SE FOSSE EU

 
amo a dor que não me dói
divido a letra do que não escrevi
o deslumbramento não revelado
contempla-me olhar-te e ver-te
e se foges, finjo que, eu de ti fugi
jogo dados com o universo.

ando distraído, talvez na suavidade da ida
encontro-te minha, inocente e toda minha
desenhada pelo vento.
solidão sem solidão

quero-te flor minha em espigas de flores
com os olhos, teço uma cerca de perfume
na primeira diligência da primavera...

para ter-te, rasgo o infinito, num fogo frio
ressuscito-te o nome na garganta
junto um pedaço do mar ao pedaço teu
e dou-te inteirinha para minha metade fria
pra ter inicio que seja agora,
como se fosse eu, uma roupa amada, que vestes.
chega a ser azul, derramada sobre o tempo.

de onde tirais tanto azul?

Veríssimo & Vânia Lopez

PARCERIAS E POESIAS,
SÃO APAIXONANTES OS CAMINHOS POR ONDE ANDA A VÂNIA LOPEZ, ESTRELA DE PRIMEIRA GRANDEZA; ESTE TEXTO NÃO CONSIGO SABER O QUE É DE MINHA AUTORIA E O QUE É DELA, NUMA PERFEITA, A MAIS PERFEITA SOLDA QUE O ENGENHEIRO PROJETA E O SOLDADOR EXECUTOU, NÃO HÁ FENDA...NÃO HÁ TRINCA...OBRIGADO PPPPPAAAAAAAARRRRCCCCCCCCCCEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIRRRRRRRRRRRRAAAAAAAA
 
COMO SE FOSSE EU

ORAÇÃO POR UMA TARDE SEM FIM

 
Crava-me tuas garras afiadas ao saciar teus desejos
Atravessa-me com tuas sombras como salas frias
Marca-me com teu sangue, como ferro quente os bois
Goteja-me com teu suor, como corpos sedentos o amor

Não faça-te manhãs solitárias de cores claras e cruas
Sinta-te águas serpenteando o verde que são tuas
Transforma-te em almas prateadas que voam nuas
Beba-te cântaro garimpando serras perdidas e luas

Na calma dos ventres, broto em teu peito às claras
Que calam nos doces sinos roucos de dores raras
Capinando teus medos como teu corpo que encaras

Canto amores rebocados secando as virgens manhãs
Quando teus passos ruam na dor e na louca barganha
Cortando tuas unhas, soltando meus pedaços nas tuas entranhas
 
ORAÇÃO POR UMA TARDE SEM FIM

PARA TODAS AS CRIANÇAS QUE NÃO CONHECEM “SEUS” PAIS.

 
Pai,
Dessa vez não me deixastes marcas na areia
Sempre quis seguir teus passos e não os encontrei
Quis beijar teu rosto, mas não o encontrei
Precisei e quis teu abraço, mas não o encontrei

Pai,
Senti falta do teu colo, e não dormi, ainda sonhei contigo
Falei com Deus e Ele não te trouxe pra mim
Não entendi e nem aprendi sentir saudade sozinha
Não desisto de ti pai, não desista de mim, não tenho culpa

Pai,
Precisei da tua presença, da tua simples companhia e não tive
Ainda precisamos muito de ti, não desista de mim, não desista de nós
Precisei da tua mão me levando pra escola, pra igreja, pro jardim, pro circo, pro médico, pra sonhar como crianças sonham e tu não me destes a mão, oh Pai!

Pai,
Não tive culpa, não me ensinastes a hora de ir, nem a de voltar, que faço pai?
Tu és o pai da minha vida, sabes disso? Não me faça sentir inveja das amigas
Tu tens tudo que preciso, não deixes pra depois, nem pra amanhã. Agora pai.
Sabes de tudo que preciso, antes de saber de Deus, preciso saber de ti, pai.

Pai,
Teu sangue me aquece todos os dias, saudade que machuca, como dói,
Vou sim sem direção, acreditando que tu me amas e me queres,
Está difícil pai? Por onde andas? Contrate o vento e me mande um recado
Quem sabe pai, que é na direção do vento, que encontro teu cheiro. Pai!
 
PARA TODAS AS CRIANÇAS QUE NÃO CONHECEM “SEUS” PAIS.

O PEDREIRO, VIOLEIRO, CACHACEIRO E POETA

 
O pedreiro,
Do andaime joga a massa na parede
E a morena o corpo na rede
Na rede
Na parede

O violeiro
Do braço da viola, entorta o canto na corda
E a paixão o corpo no copo
No copo
No corpo

O cachaceiro
No canto do bar bebe a inquietação dos bêbados
E a sua amada experimenta um novo lençol
Dos bêbados
Dos desafinados

O poeta
Quer ver o sol, pegar no vento e quebra a janela
Enquanto ela de muitos amores, nem morre por ele
De muitos amores
De poucos poetas

Sem rimas
 
O PEDREIRO, VIOLEIRO, CACHACEIRO E POETA

PASSAROS E POESIAS

 
Numa briga de passarinhos,
O bem num golpe mortal,
Matou o mal

Rolaram montanhas abaixo
Sem pensar no bem
sem querer o mal

Rolaram abraçados e mudos
E sem um sorriso
Espalharam penas e poesias na floresta
Veio o sol
Veio a chuva
Veio a lua
e brotou uma floresta de amor
Nessa rua de nós dois
De nós muitos
 
PASSAROS E POESIAS

DA AMADA QUE NUNCA CAIU

 
DA AMADA QUE NUNCA CAIU

Cai a noite
Dentro de mim
Cai uma estrela
De um dia que caiu à noite

Cai o vaso
Dentro de um amor ardente
Cai raso
Lento como cai o presidente

Cai a idade
Da claridade que já saiu
Cai o pescador
Do barco que da cachoeira caiu

Cai a vida
Cai a paciência divina
Homem de pouca reza
Que da mão o terço caiu

No final da estrada
Cai o sinal
E sem sinal de nada
Encontra no final do tempo a amada, que nunca caiu
 
DA AMADA QUE NUNCA CAIU

PREDESTINACAO

 
Numa manhã normal
Minha me chamou
Acorda filho já é hora
O dia te espera na esquina

Já sabia que viria uma verdade
Parece até uma menina
De olhos azuis
São várias meninas o meu dia

Já sabia naquela hora
Que o amor iria descansar
Nos meus braços
Minha mãe estava certa

Ela pós na minha velha mala
Algumas palavras e olhares
Também pós o seu cheiro
Sua fé e esperança

Eu ainda não sabia dessas coisas
Escrevo chorando e dá uma saudade
Tem horas que a saudade machuca
Cheguei a acreditar que bastava o cheiro

Parece que minha mãe me ensinou
Que a gente precisa de um Deus diário
Pra capinar o quintal
Das nossas imagens
Essas que nos encostam na parede
Que rasgam a nossa rede
E descascam o nosso futuro
E descansam a nossa alma poética
 
PREDESTINACAO

LÁ PRAS BANDAS DO FAIÁ

 
A fé faia sim
Pega no canto da meeira
Quem faiô tamém
Do balaio pra tuia a colheita

Num é castigo
Nem vertige nem passage
É tosse pura, terra seca
Das boa estiage

Quem cura friage
É cachaça com carqueja
Se espirra o bode
Torce ocê dele bigode

Se pra missa vai à pé
Toca nele um rapé
Estrada de pura
Puera vermeia

Quem nem saudade dá
Menos nessas coisas de faiá
Deixa la pras bandas do faiá
Num cocho raso do seu emborná

O pau caiu a foia
Mas no chão moiado
Brotô a flore
No espigão do serrado

Faia na terra
Faia na serra
Faia no véu
Mas num faia no céu

Poema em construção
Pode faia moço!
 
LÁ PRAS BANDAS DO FAIÁ

A MULHER DE VESTIDO BRANCO

 
Cala-te um altar florido, cala-te tua própria voz
Diante de um tempo, teu passado te cospe a dor
E teu vestido esconde tua dor, teus novos medos
Atento o presente branco vai esculpindo teu corpo

Enquanto dura, o vento balança teu vestido no meu rosto
E teu vestido branco escreve a poesia do teu corpo
E veste teus desejos, nossos imortais desejos e encantos
O vento pára e cai o teu vestido branco em minha pele

Teu corpo e teu vestido se misturam em minha alma e acalmam
E no silêncio das bocas calam e num só calor se fundem em arte
E a sorte de quem ama veste branco, quem sabe as vozes revelam

Teus segredos infinitos que se escondiam em ti, enfim te deixam
E uma gaveta qualquer guarda teu vestido branco, na minha cidade
Rua onde volto sempre e desnudo a saudade, procurando por ti
 
A MULHER DE VESTIDO BRANCO

UNHAS COMPANHEIRA INSEPARÁVEL

 
Unhas que atravessam os anéis
E dosam as sentenças em noites iguais
Unhas nervosas que marcam os corpos
E furam as lágrimas nas tardes iguais

Unhas que cavam a terra e abrem os caminhos
Unhas que em cada dedo amam sozinhas
Unhas que não cometem crimes e vivem presas
Unhas que cravam as presas e ferem os animais

Unhas que furtam os mortais e escondem os crimes
Unhas que acertam os relógios e marcam os encontros
Unhas que escolhem as cartas e trocam os destinos

Unhas que acompanham os homens nas terras ricas
Unhas que deixam os homens ricos nas terras pobres
Unhas únicas e nunca unidas, de unhadas miseráveis

Unhas que criam as notas e tecem as canções
Unhas que nascem com os corpos e duram mais que os corpos
Unhas que cegam as leis e sentenciam os homens: unhas
 
UNHAS COMPANHEIRA INSEPARÁVEL

Veríssimo