CATADOR DE PAPÉIS.
Catador de Papéis.
Pelas ruas ele vive andando
Empurrando o seu velho carrinho
O papelão, papel sempre catando
É ouro jogados no caminho
Não tem chuva ou dia ruim
Enfrenta qualquer contratempo
As intempérias aguenta firme sim
Precisa ganhar o seu sustento.
Uma profissão que na verdade
Exige tanto e quase nada a ganhar
Mas tem muita força de vontade
Com um futuro melhor vive a sonhar.
São homens e mulheres que labutam
E juntos vieram para somar
Igual a tantos brasileiros que lutam
Esperando que um dia possa melhorar.
♫Carol Carolina
O Poema que tu mereces
Pensei escrever qualquer coisa...
para alguém.
Mas para quem?
Não tenho ninguém para quem escrever.
Os que coabitam comigo,
não gostam de ouvir aquilo que escrevo,
fogem quando lhes digo
que fiz de novo um poema
Não faz mal, escrevo para mim!
E agora, de que vou falar comigo mesma?
Não há assunto na minha cabeça que eu não conheça,
ou será que sou desconhecida de mim mesma?
Vou falar de flores, de como são belas.
Não posso, fico com alergia só de pensar nelas.
E se for do mar?
É melhor não que posso enjoar.
Então e de amor?
Já passei da idade
e já nem sequer ligo muito à vaidade
prefiro falar de ti, de amizade...
E porque as palavras são como as cerejas,
falemos de ti de como desejas
que olhe para ti e te dê atenção
te dê um abraço, um aperto de mão.
De como os afectos importam para ti,
tal como as palavras
que hoje escrevi,
já não são para mim,
porque, felizmente,
aprendi contigo,
Amigo "diferente"
que posso chamar-te
quando precisar
de alguém para me ouvir
e me confortar.
Não fechem as portas
aos meus sentimentos,
deixem-me gritá-los
com papel e tinta.
Para ti Milton Carlos,
sempre tão atento,
são os desabafos
e minhas palavras
de agradecimento
por me ensinares
o que é ser Amigo!
Menção Honrosa no XIII Concurso da APPACDM de Setúbal
Maria Fernanda Reis Esteves
48 anos
Natural: Setúbal
SILÊNCIO DOS INOCENTES
Silenciam as palavras
Que não dizem
Gritam um grito
De silêncio mudo
Sofrem calados,
A dor que não choram
Soltam lágrimas
Que falam de dor
Contidas em gritos silenciados,
Doridos…
Remetidos ao túmulo da indiferença
Da fome, da dor, do abandono
Da morte…
Pobres inocentes…!
Que sofrem em silêncio…
Gil Moura
Existem culpados ou é simples engano
Rolem as cabeças
pelo chão,
descubram quem
são os culpados,
mas deixem-se
de evasivas!...
Humilhar é a
tradição,
na justiça são
os réus escutados
e as certezas
não estão vivas!...
Não se opta
pela razão,
nem se escolhem
os destinados,
mas as pessoas
ficam cativas!...
Amorfos pela
insatisfação,
perdoam-se os
degenerados
e curvem-se
as mentes altivas!...
A vida é
simples ilusão,
para os que
são regrados
e apresentam
forças activas!...
Jamais se
encontra a solução,
os ânimos ficam
exaltados e
as sociedades
desprecavidas!
Afastado dos pontos fulcrais
Resguardei-me da origem insultuosa,
escondido em naufrágios da mente,
nódoas de vivência assaz dolorosa...
refugiado como simples penitente.
Leve repulsa, ténue e amargurada,
difundida por teses lacunares...
temor reflectido na porta repudiada
por lacónicos e débeis versejares.
Absorto, isolado e depauperado...
à margem do movimento social
e dos seus tópicos... saturado.
Refúgio de maltrapilho, desigual,
sem efeito de projecto superado
e conotado de selvagem animal!...
Confissões de uma Vítima de Violência Doméstica
Sou um corpo que deambula ao acaso,
Que vive com medo todo o dia.
Amostra de ser mal amado
Sem conhecer felicidade e alegria.
Uma mulher constantemente criticada
Que chora apenas escondida,
Consciente que não vale nada,
E a imagem totalmente denegrida.
Escondo os hematomas como sei.
Habituei-me há muito a mentir...
Vivo uma vida como nunca pensei,
Com a maior parte do tempo a fingir.
Esta mão, assim queimada, e a doer,
É porque sou tão distraída...
Meti-a numa panela a ferver
E fiquei tão arrependida.
Tapo as nódoas negras com roupa
De Inverno, mesmo no Verão.
Apenas porque sou meia louca
Passo a vida a cair ao chão.
A boca, assim cortada,
Foi apenas porque sorri...
Não sei estar calada...
Apanhei porque mereci.
Quando parti o braço direito,
Foi porque me maquilhei nesse dia.
Mas afinal, foi bem feito,
Porque parecia uma vadia.
O meu corpo está tão cansado
Não aprendo a me comportar
Para viver bem com meu amado,
Que tudo faz por me amar.
Farta dos meus erros e maldade
Subo até ao vigésimo andar!
Salto, enfim, para a liberdade,
E já sou feliz... a voar!
Este poema já foi publicado aqui, a 29/06/2007.
A pedido de uma amiga, volto a (re)publicar hoje.
Fana
Vou tentando perceber,
Que mensagem queres passar
Todo o dia em meu redor
Todo o dia a pedinchar...
Fana, Fana!
Tu tás bona?
Fana , Fana!
Como tás?
Dá-me um bolo!
Fana, Fana
Ou então, o que me dás?
Vai-te embora, Vera Lúcia,
Que eu preciso trabalhar!
Não te dou bolo nenhum,
Ficas gorda,
Faz-te mal!
Mas de novo, lá vem ela...
Toda muito redondinha,
Ar brejeiro e olhar doce
Com seu jeito de menina
Que vontade de apertar
A bochecha coradinha.
Fana, Fana!
Não te zangues,
Fico triste, vou chorar!
Não te zangues, Fana, Fana!
Que eu só te quero abraçar!
E ao sentir tanta ternura
Já consigo perceber
A razão porque tu estás
Presente na minha vida.
Foi para me ensinares,
Ou foi para eu aprender
Que uma amizade “diferente”
Tem raízes tão profundas
Que unem a Fana à Vera
Como se fossem só uma.
1º Prémio no Concurso de Poesia da APPACDM de Setúbal, ano de 2007 (Resultado da minha vivência e interacção diária com os utentes da APPACDM de Setúbal
Maria Fernanda Reis Esteves
48 anos
Natural: Setúbal
Construir o sonho
Este é um sonho diferente…
Juntando apoios e esforços
Vontades e persistência
Tijolo a tijolo
Sustenta-se a esperança
De alicerçar o futuro
De cidadãos especiais
Com materiais de amor
Segurança e estabilidade
Num abraço colectivo
Em troca de um sorriso
O sonho que é de todos
Será uma realidade!
Poema para a campanha a favor do sonho da APPACDM de Setúbal- a construção do novo Lar Residencial/Residência Autónoma/Apoio Domiciliário
Maria Fernanda Reis Esteves
48 anos
Natural: Setúbal
Index
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Index
Doíam-me os poemas
nas suas páginas em combustão
alastrava a raiva dum fogo posto
Para o qual não havia água
Que o abrandasse
Lacrimejava-me o olhar
De tanto verso incendiário
- Quem é que via o meu sangue a arder ?
E se me perguntares:
Qual a razão desse impulso ardente
Dir-te-ei:
-Nunca soube em que ponto cardeal
O poema se cruza com a sua estrela ! ...
Luíz Sommerville Junior, Eu Canto O Poema Mudo, 120320141607
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Sóbria de mim
Vá lá alguém fazer de si próprio confidente
Dar um voto de confiança à propria sombra
Há uma instância onde corre um grito infecto
alma ou comarca que atraiçoa toda uma esperança
Já me evadi, sou foragida, fora de lei
faço valer a minha voz aos quatro ventos
Essa sou eu, sem máscaras, sem subterfúgios
Resido só no vale da alegria e autenticidade
no respeito por mim mesma e pelo alheio
Se saio ilesa de tamanha mesquinharia
da subtileza das palavras vãs e amorfas
É porque não me importa a imagem que têm de mim
tudo o que eu quero, é ser sóbria de mim
e ler a paz nas alegações finais
Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos
natural: Setúbal