https://www.poetris.com/
 
Crónicas : 

Crescer (observando a árvore do fundo da minha casa)

 
Tags:  vida    natureza  
 
Estive observando a árvore do fundo da minha casa: ela cresce sozinha e se mantém firme por si só, como se soubesse como, quando e para onde crescer. E ela cresce, majestosa, sendo sua própria arquiteta. Nós também crescemos sem saber. Você sabe precisar o momento exato em que deixou de ser criança e se tornou um adulto? Você percebeu os traços do seu rosto mudando, até chegar a ter uma aparência adulta, ou só se deu conta quando já estava velho demais? Você pensa que é dono de algo neste mundo, mas nem sequer seu próprio corpo é comandado por você.

 
Autor
DomCervantes
 
Texto
Data
Leituras
1621
Favoritos
1
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
15 pontos
5
1
1
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 29/07/2013 19:46  Atualizado: 29/07/2013 19:46
 Re: Crescer (observando a árvore do fundo da minha casa)
eu discordo. somos donos de nós enquanto vida que nos impulsiona. somos donos de nossas vontades, embora não as usemos sempre em nosso "próprio" benefício. somos lado e frente quando quisermos, assim ser. somos as pernas, os braços, os olhos e toda a extensão que arbitrar em nosso corpo, e.. claro que nos vemos crescer! tão claro como a luz que nos acorda os olhos, temos a estes quais testemunhas de nossa passagem por este mundo, ou..

..por acaso, nunca olhou-se ao espelho mais de uma vez ao dia, em toda a extensão(também) da sua vida?

Enviado por Tópico
sendoluzmaior
Publicado: 29/07/2013 19:52  Atualizado: 29/07/2013 19:55
Subscritor
Usuário desde: 01/05/2012
Localidade:
Mensagens: 4518
 Re: Crescer (observando a árvore do fundo da minha casa)
Você pensa que é dono de algo neste mundo, mas nem sequer seu próprio corpo é comandado por você.

Absolutamente correto.
Abraço de luz
Até as arvores se vergam na direção da luz.
Favoritei

Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 13/03/2019 18:40  Atualizado: 13/03/2019 18:57
Colaborador
Usuário desde: 17/07/2018
Localidade:
Mensagens: 657
 Re: Crescer (observando a árvore do fundo da minha casa)
linda arvore esta, nem sei onde fica mas é linda


Open in new window

ANTIODE À TRISTEZA
Montevidéu , 1962
Ó enfermeira sem som do olhar sem cor
Que refletida ao último infinito
Pela lúcida insânia dos espelhos
Passeias pelo imenso corredor
Desta antiga Irmandade! Ó sonolenta
Irmã-sem-Caridade, que vagueias
Com tuas leves sandálias de silêncio
Cuidando com desvelo da saudade
E dos males de amor de cada enfermo!
Ó guardiã do ermo, provedora
De langor, que pelo imenso corredor
Deste hospital sem termo, te comprazes
Em deitar éter sobre o sofrimento
Dos que querem viver, e dar morfina
Aos que morrem de amor! Ó freira louca
Irmã-sem-Fé, a desfiar, ausente
Teu rosário sem fim de contas ocas!
Ó trânsfuga da vida, esmaecida
Monja: o que queres mais de mim?
Já não te dei meus dias, minhas noites
E até minhas auroras, não te dei?
Já te mandei embora? Não fui sempre
Teu melhor paciente, e o mais antigo?
Não fui amigo teu, mesmo doente
De ti, não fui, Madre desoladora?
Pois agora te digo: vai-te embora!
Afasta-te de mim! não mais te quero
Irmã-sem-Esperança, confessora
Sem perdão, de quem mais nada espero
Senão vazio e angústia. Irmã-sem-Dor
Com teu rosário e teu burel de cinzas
A empoeirar de tédio as minhas horas.
Vai predicar além, predicadora
Da voz ausente, vai! que se me voltas
Eu grito nomes feios, eu te espanco
Ou te enforco em teu terço de mil voltas
Ou caio na risada, ou te exorcizo
Com um gigantesco crucifixo branco
Onde, transverberando luz do flanco
Resplende o corpo nu da minha amada!