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POR ARMA DE FOGO

 
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POR ARMA DE FOGO

Porque armas não fazem distinção:
Ferem tanto culpados e inocentes.
Máquinas de matar que, indiferentes,
Fazem valer do estúpido a razão.

Os que fazem das armas profissão
Não se têm por violentos, sim valentes.
Exigindo atenuantes e excludentes
Para as ilicitudes do esquadrão...

Danos colaterais, baixas civis...
Enquanto homens de bem e malfeitores
Mal se distinguem pelas acções vis.

Milícias competindo por horrores
Têm tudo dominado em todo país
Sob a lei dos mais fortes e maiores.

Betim - 12 12 2019


Ubi caritas est vera
Deus ibi est.


 
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RicardoC
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Enviado por Tópico
João Marino Delize
Publicado: 13/12/2019 13:42  Atualizado: 13/12/2019 13:42
Colaborador
Usuário desde: 29/01/2008
Localidade: Maringá-
Mensagens: 2836
 Re: POR ARMA DE FOGO
Quando se ouve que alguém morreu porque trocou tiros com a polícia se vê o morto cravado de balas, mas nunca se vê a viatura com marcas de tiros...


Enviado por Tópico
JorgeSantos
Publicado: 25/12/2019 17:19  Atualizado: 25/12/2019 17:22
Da casa!
Usuário desde: 28/06/2019
Localidade:
Mensagens: 419
 POR falar em ARMA DE FOGO
devaneios da própria máquina de escrever (episódio #47)

25/12/2019

aqueles sim eram os tempos difíceis. & não estou a falar dos 1950/60/70, estou a falar dos anos 1980, no brasil. as roupas coloridas, a lambada, o electro-brega, os táxis da volkswagen, o punk rock tardio, o futebol da seleção que encantava & nunca ganhava a copa do mundo, a democracia de fachada, o José Sarney, moças & rapazes com cabelos tipo ninho de pombão. na quadra residencial onde morávamos em Brasília as pessoas começaram a se jogar dos prédios porque o estado estava a bloquear/congelar a conta bancária de toda a gente. era só ouvir o barulho dos automóveis dos bombeiros que meu pai, deitado no quarto assistindo à corrida de fórmula 1, perguntava para a minha mãe quem tinha se suicidado desta vez. a palavra suicídio na nossa família nunca foi tabu, papai pronunciava-na como se pedisse um sorvete, ou algo assim. às vezes saíam os dois, papá & mamã, para ver o que tinha acontecido. eu & meus irmãos ficávamos dentro do apartamento com a nossa babá, rosinha. ela tinha 13 anos, de forma que ninguém sabia ao certo quem cuidava de quem, se rosinha de nós ou se nós de rosinha. para ser justo com os meus pais, a mãe de rosinha, uma mulher adulta, fazia a nossa comida. mas ela só aparecia caso alguém começasse a chorar. do contrário, éramos só nós & rosinha — enquanto meus pais estavam lá em baixo a ver de quem era o corpo estraçalhado na calçada. sim, aqueles eram os tempos realmente difíceis.





p. r. cunha



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