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Poemas : 

Livro das Ofensas VIII

 
Conspurcaste a palavra no esgar desse ódio
A quem rasgaste lentamente o útero
Num sacrifício doentio e asqueroso
Encheste de orgulho num nefasto gáudio
Esse ego estúpido, senil, adúltero
E no final, sorriste com ar de gozo

Lembra a palavra que não pode morrer só
E que o seu poema jamais será órfão
Será declamado a uma só voz
Renascerá de ti, das cinzas, do pó
Terá pai, mãe, outro irmão
Serás tu entre todos nós

Conspurcaste do teu corpo o silêncio nu
O saber da tua própria ignorância
És palavra que já não sabes ter
Olhar só, cego e cru
Carregada intolerância
Sombra que quer morrer


A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma

 
Autor
Alemtagus
Autor
 
Texto
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Enviado por Tópico
Jorge Santos
Publicado: 08/12/2022 10:40  Atualizado: 08/12/2022 12:31
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 Livro das Ofensas VIII

Gostei da força, as palavras como arvores, folhas são aves









As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

ruy belo





Enviado por Tópico
Jorge Santos
Publicado: 08/12/2022 10:40  Atualizado: 08/12/2022 10:57
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 Livro das Ofensas VIII




Pra dizer que gostei da força, as palavras são como arvores, as folhas são aves duplicadas , complicadas aves tb nós outros




Enviado por Tópico
Valdevinoxis
Publicado: 08/12/2022 19:49  Atualizado: 08/12/2022 19:49
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 Re: Livro das Ofensas VIII
Bem vindo, desaparecido. Fazes falta... tu, os que cá estão e os que queremos que cá voltem.

Quanto ao texto, tem uma composição, a nível vocabular, forte.
Quanto ao sentido, é fácil, mediante a interpretação de cada um, colocá-lo em vários contextos. Isto é bom porque significa que o leitor se consegue a apropriar do texto e transportá-lo para realidades suas.

Em suma, é um trabalho que está de acordo com a tua linha de construção literária.