
logo ali,
desistimos,
menos o destino…
um dia, sem sabermos,
segurámo-nos
a um fio de sol,
para beijar
as águas
com os pés
descalços.
dois atores secundários,
tentando ser principais
naquele cenário…
e, por menos de um fio de azar,
embatemos
de frente com
a ternura latente
de sempre…
por instantes,
reavemos
a esperança
de amar.
nossos olhos
replicaram o mesmo brilho
naquele cruzar de anseios e vontades.
contudo,
adiámos
mais uma vez
a coragem dos dizeres,
tapando a boca do coração
com as mãos da timidez.
hoje,
no mesmo areal,
vejo-me ator principal,
com a mudez da alma,
sem o brilho do olhar,
com a sensação
de ter deixado
muito tempo,
o tempo sozinho
e desamparado…
o tempo dos sonhos,
o tempo certo
para lutarmos,
para desnublar
os passos…
na única direção luminosa:
a nossa.
“Acredito que o céu pode ser realidade, mas levarei flores para o pai - Erotides ”