Uma vez
em minha vida,
pensei
em ser poderoso,
e para isso
imaginei:
vou subir
na montanha
mais alta
que há
em todo mundo,
e me tornarei
conhecido,
e vou dominar
a natureza
e o seu poder.
Me preparei
para o grande dia.
Estava comigo
muitas pessoas,
e me davam
confiança,
e me desejavam
boa sorte.
E lá estava eu,
caminhando
em direção
à minha glória.
Enquanto caminhava,
olhava,
de vez em quando,
para trás,
e as pessoas
iam ficando
ao longe.
Ali eu estava
deixando para trás
a minha humanidade.
E a cada passo
que eu dava,
percebi
o medo
me abraçar,
pois tudo
em minha frente
era novo
e estranho
aos meus olhos.
Caminhei
até chegar
o primeiro
pôr do sol.
Me preparei
para descansar,
me alimentei,
e quando me deitei,
senti
um calafrio estranho.
Mas não era
o frio do tempo,
era o frio
da solidão.
E pensei:
às vezes,
mesmo não imaginando,
criamos
nossa própria solidão
por escolher
sem pensar.
Passou a noite,
e veio o dia.
Olhei adiante,
e vi
aquela montanha
poderosa,
e vi
a minha glória
me chamar.
E a cada passo
que eu dava,
vinha
em meu pensamento
um sentimento
que nunca
havia sentido
em toda
a minha vida.
E caminhei,
caminhei
dias e noites,
e só pensava
em subir
aquela montanha,
pois era ela
que iria dar
um sentido
em minha vida.
Era o poder.
Eu tinha
que conseguir.
E depois
de caminhar
durante anos,
eu consegui.
Estava bem
no alto
dessa montanha.
E lá
não havia
outra pessoa,
a não ser eu.
Eu consegui.
Sou o maior
de todos.
E olhei
o mundo
em minha frente,
e não havia
pessoa
para compartilhar
a minha glória.
E comecei
a lembrar
de tudo
que eu deixei
para trás
em minha vida
para ter
o poder
e minha glória.
E percebi
que eu estava
sozinho,
eu
e minha glória.
E que,
ainda mesmo
estando lá em cima
daquela enorme
montanha,
eu continuava
ainda
pequeno.