NÃO ESQUECE
Não me olhe como se fosse a última vez
Já cansei de despedidas
Olhe-me com certezas de um até breve
Como uma promessa selada mesmo com um tímido sorriso
Acolha meus sonhos em caixas douradas
Nas gavetas do seu coração
Que eu possa ser uma gota talvez, mas preciosa
Como a última num deserto de sal
Ou a fresta de luz de um quarto sem janelas.
Vá, mas não esquece que eu sei amar
intensamente
E isso não foi esquecido
Que mesmo o amor não germinado
Pode viver como semente aguardando a propícia estação...
Sonho de lua cheia
Fogem-me os olhos pelo dia
e perco-os uma e outra vez
na demanda p'lo teu sorriso
ou da marca que ele me fez
e de que tanto preciso...
Deito os olhos sobre a almofada
numa tentativa de tranquilidade
como se a noite traiçoeira
me trouxesse a felicidade
há muito por ti roubada...
Por fim, cansada escuto a água
corrente do rio da vida
mas o meu corpo é da tristeza frágua
mordendo a pele da despedida...
Um dia sonharei o teu rosto
nas minhas mãos ternurentas
e na boca sentirás o gosto
da vontade que sustentas
E sonolenta acordarei a noite temperada
de lua tão cheia e, no entanto, baça
e nos teus braços, minha madrugada,
sentirei a minha pele abraçada
como a minha vontade...anseia
Não apagarei o rasto do meus passos ...
...deixarei como recados , desejando que o mar os guarde …
Chegou a hora de despedir o rosto
Depois das lágrimas secadas
Depois dos vestígio de dor
Semeados na praia…
Quis dar voz á dor deste olhar
Mais alcance ao seu grito
Uma tentativa desajeitada
De doar espaço a sua alma
Dilacerada
Misturei o egoísmo e a solidariedade
A ilusão e o anonimato …
A mágoa emprestada de ser fado
Acabei por assustar o azul da praia negra
Através de um ego ácido
Me desculpem
Um abraço a todos
Voltarei, mas agora sem os sapatos altos
Só com os pés de areia, para não deixar rasto …
Game Over - Final Countdown
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Game Over - Final Countdown
Sonho
e no entanto vivo encharcado
que de tant'água espraiada in mote adverso
deste meu desperto, deserto!
de tantos ditos,ditados!
que são chuva secando na nascente
tempestade por dentro dos vermelhos,fios!
que são rios onde cada gotícula,preciosa!
clama pela análise desta sedimentação,
tensão - alta!
baixa - tensão!
extremos duma só ponta
coração!
e custa-me tanto aceitar...
que...
um...
dia...
este sangue que se me vai...
sofrerá a última observação...
ou uma lágrima , perdida...
rolando à despedida ...
Apagar...
(S)im ou (N)ão ?
LSJ , 281220101631 - (c) Távola De Estrelas
como podes tu compreender o sucedido?
é difícil este controle sobre os pássaros
inquietos fogem das mãos aos bandos
a tua tristeza submissa desfaz a chuva
nas ruas abandonadas pelos miúdos descalços
um sangue coalhado na árvore que se dissolve
nas palavras que partiram num dado momento
voltas de novo para a despedida
tantas vezes por ti já sofrida num adeus de partida
um momento findo tantas vezes começado
num tempo que ainda faz sofrer este tempo
um olhar de renuncia entregue à fantasia
de um sonho de procura do ser desaparecido
avança a duvida desta incoerência da vida
as folhagens abanam sem que se faça sentir vento
e a paisagem que deveria lá estar desaparece
este lugar inóspito de imagens inúteis
torna-se mais irreal quanto mais real é
como podes tu compreender o sucedido?
Carta de Amor Número 12
Belém, 28 de janeiro de 2024.
Amado meu,
Passados e pesados anos de um amor morto, que ressuscita a cada cisão do meu ser, eu venho dar-te mais uma vez adeus.
Vês essas mãos já sulcadas? Cansaram de adular-te em preces e afagos. O olhar cego, a girar na orbita da tua aura, sol sem luz nem calor, já há muito perdido da minha direção.
Despeço-me da loucura dessa vida de esperanças e perdas diárias. Do dia após outro... Longas voltas por dentro das saudades. Do que eu fui e me tornei nesse seguir-te ao vento das vontades.
Quero-me longe. Lugar protegido de qualquer ponto onde possas me achar; dentro ou fora da tua mente, esse totem de inconstâncias, a honrar um tempo ido, na entrada da oca vazia que me tornei.
Não sei o que se faz dentro de mim. Esse desejo de estar sempre a despedir-me. Como se não fosse cada instante dessa vida uma despedida. Talvez meu desejo de ir encontro ao desconhecido, seja menor que a coragem do conforto desse cais.
Assim, eu passo várias vezes do meu dia, a olhar do alto do meu aquário particular, o rio Guamá, as ilhas...o movimento das águas, chuvas e embarcações. E a cada pôr do sol pintado sobre toda essa paisagem sempre tão diferente, eu acabo deixando para além da vontade o derradeiro adeus...
Beijos,
Betha Mendonça
despedida (opportune tempore... in fine)
hoje despedi-me de ti
ainda que o não saibas
quis olhar-te nos olhos
uma última vez
aconteceste-me um dia
e milhares deles contigo dividi
quis olhar-te nos olhos uma vez mais
- a derradeira
e vi o baço fulgor nos teus olhos
inexoravelmente rutilantes
a culpa pérfida e muda
volitando em teu redor
no teu rosto vislumbrei
esboços imprecisos das criminações
com que me mimoseaste
certezas convictas
bebidas em cálices envenenados
taças negras
erigidas no fundo do mar da vida
todo o teu corpo inquieto
denunciava a renúncia
exalava horrores quiméricos
gritava conluio cônscio
que letal veneno voluntariamente ingeriste!
milhares de instantes partilhados
bordados de sorrisos uns
outros de lágrimas deslustrados
roseirais de ilimitadas cores
e de espinhos mil aguçados
falhámos no caminho
outros - brilhantes - nos aguardam
assim saibamos merecê-los
sem mágoas nem melindres
hoje despedi-me de ti
e há um templo de memórias
que comigo habita
hoje
amanhã
sempre
S.
Esse aperto é saudade
Este aperto no coração é saudade
Pensei em você
Lembrei nossos momentos
Amor de almas
Foi assim nosso casamento
Sinto um vazio
Um aperto no coração
Que hoje descobri que é saudade
Não vamos nos dar as mãos
Nunca mais…
Ler num olhar cúmplice
Um amor sem metades
Choro simplesmente
Lágrimas contidas
Quando você vem a minha mente
Sempre sorridente
Não houve despedida
Esse aperto é saudade
Muita vontade
De ver você
De amar você
De ser feliz
Do nosso jeito
Lado a lado
No nosso compasso
Desejo seu abraço
Amor para sempre
Pra toda eternidade
Esse aperto é saudade
Mariaw
19/01/22
Espera, Chegada e Partida
Espera, Chegada e Partida
by Betha Mendonça
Era pura emoção a tua chegada,
E cada instante da espera por ela,
Como uma chuva de flores a janela,
Despertava-me ansiedade inusitada.
Delicada música me enlevava,
Quando mais próximo o momento,
Do desejado encontro chegava,
Menor o vazio e maior encantamento...
Aos sorrisos adentravas a sala,
O sol do verão apossava-se da casa,
A iluminar e aquecê-la ala por ala.
Até que a felicidade bateu asas,
Vozes perderem da garganta a fala,
E dos corações apagaram-se as brasas...
Sal das minhas lagrimas-Neila Costa
Soneto,formatação de video,narração:Neila Costa