O silêncio
O silêncio
Ouvi o silêncio a minha alma acorda
os meus sentimentos mais apurados.
Nessa quietude sou influenciada, moral
e fisicamente a momentos, passados.
Olho magoada, sinto a dor e amargura
de tempos doridos e inquietude ansiosa
de uma esperança, de engano desfeita
ante a impotência, sempre caprichosa.
Uma vida repartida que foi tão gostosa
desde embrião a florir e depois começa
a crescer, linha trémula e curva desastrosa.
Caminho de pedras, de lágrimas regado
que pisamos escondendo em falsos risos,
o dia da tua entrega a Deus, já esperado.
Helena
SE CHAMA SAUDADE...
Passados anos
E na memória foi ontem...
Onde caminhei seguindo teus passos
Nos tantos dias que o calendário derramava
Foi ontem quando teu sorriso tímido
Deixou sua marca registrada
Não tem como esquecer...
Guardo os teus tantos papéis, beijo tua letra
Borrando os traços com minhas lágrimas
Se é amor não sei,
Só sei que se chama saudade...
Acordou em mim lembranças
ACORDOU EM MIM LEMBRANÇAS
O dia hoje recolheu cedo
Ficou em poucas horas encolhido
Pardacento, apareceu a medo
Lentamente se foi sem se fazer ouvido.
Acordou em mim lembranças
Nas dobras do meu coração escondidas
Meu momento ficou prenhe de esperanças
Fugi de mim, fiquei-me nas horas perdida.
Minha memória o dia desafiou
Levou-me até à minha aldeia amada
Nos fins de tardes invernosas, me deixou
Ao pé de minha mãe fazendo marmelada.
Meu mundo era ali, não precisava de mais nada
Ali se rezava o terço, se teciam conversas sigilosas.
E o Mundo desconhecido, lá fora
Bem longe dali, distante
E sem querer saber da hora!?
Saltei a lareira num instante.
Aninhei-me de mansinho no meu canto
Espevitei o lume que ainda ardia p'ra meu espanto.
Depois, depois tive direito à minha tijela
De café com broa de milho esfarelada
E açucar mexido com colher singela
Ouvi o ranger das telhas, era a trovoada.
A luz da vela tremia
P'la chaminé entrou o vento
Mas ouvi a mesma melodia
Ainda a ouço agora, neste momento.
Acabou o dia, hoje recolheu cedo
Cinzento chorando, sentindo como eu o medo
Amanhã voltará, talvez com mais alegria
E eu lhe contarei a história da minha alma vazia.
rosafogo
Rio navegado pelos olhos que não se revelam no leito do amor
---É eu e você ---
Tudo se reflete, se pensa, se imagina ---
Desvanece os sentimentos naquelas manhãs que as marés choram
Silêncio que grita, nuvens que cai dos ventos,,
\\ Regados pelas vertentes das ondas que gemem /,,
Rio navegado pelos olhos que não se revelam no leito do amor ,./
´´Nós ´´
Sublinham-se as metáforas, candeia-se os estímulos que se faz ::
\\ Lábios que se beijam nas bocas da solidão \\
´´Beijos enfurecidos climatizando os desejos de uma desilusão /
// “Áticos, se solvei-a a nossa paixão “
Os meus sentidos eu não sei por onde vão ;;;
[ Somos ]
Algo saindo dos olhos, vem dos cantos aquilo...
\ Escondem-se as penumbras ///
=\ Sinto essas ondas de tristezas me invadindo, não se quebra\ _
A saudade já não é mais a mesma, aquela que chora ,,,
{Onde esta você eu te procuro nesse mar da vida}
Vivo uma amargura contínua, uma dor que aos poucos.
Me assassina
Autor: martisns
José Carlos Ribeiro
19.10.2015
http://24.media.tumblr.com/tumblr_lnspqlVaVx1qeondvo1_500.jpg
Abraça-me
Abraça-me
Amor, dá-me um abraço
sinto falta de carinho
quando te ausentas
sinto mágoa, vem o frio,
fico só e sem ter ninho.
As tuas mãos afagando
são a seda, que me vestem
e teus olhos são o espelho
vejo-me neles brilhar
e os meus, se reflectem.
Conto horas e minutos
que nos fazem separar
e invento coisas loucas
chamo ao tempo preguiçoso
só por não te ver chegar.
Cantarolo umas canções
para chamar a alegria
mas acabam por soar
letras de paixão e dor
que me dão melancolia.
Vou esperar-te à janela
e o cabelo esvoaça-me
num instante bate a porta
corro de braços abertos
beija-me amor, abraça-me!
Arabesco
Arabesco
Comecei um arabesco
tinha um lápis na mão
comecei riscando à toa
sem atinar a razão.
O lápis tinha uma cor
que nem sei bem definir
mas o tom era o da rosa,
comecei a distinguir.
Ele riscava, subia e descia
deslizava simplesmente
às vezes dava umas curvas
que saiam docemente.
Olhava compenetrada
sem querer compreendi
era o teu rosto suave
que eu desenhava, ali
Então, aperfeiçoei
teu sorriso encantador
que tens na fase rosada
meiga e cheia de rubor.
Achei a chave escondida
dentro do meu pensamento
sinto tanto a tua falta
e aqui estás neste momento!
Vólena
O balanço
Em uma árvore no alto da colina
Tinha um balanço que hoje é lembrança.
Lá ficaram os sonhos da menina
Se balançando em fantasias de criança.
A menina até no céu cantarolava
E sua voz se espalhava na colina
Quanto mais o balanço balançava
Mais alto cantava a menina
A menina não sabia o q' era dores
Apenas se entretinha a balançar
Cantava sorrindo para as flores
E só com flores vivia a sonhar
Um dia deixou de ser criança
Mas não matou dentro del' a menina
Quer retornar pro balanço que balança
Quando o balanço já não está mais na colina.
Bons tempos
Bons tempos
Bons tempos que já lá vão,
mas gosto de recordar
aquela fase juvenil
em que era bom, fantasiar!
Eramos umas miúdas
pacatas, envergonhadas,
mas os piropos surgiam
fomos muito requestadas.
As meninas coqueluche
sainha pelo joelho
casaquinho de peluche.
Os sapatos de salto alto
que nos davam tanto dano
nos buracos do asfalto.
O chapéu a condizer
as malas a tiracolo
e as luvas, nem esquecer!
Sempre de cara lavada
o cabelo bem escovado,
pintura não era usada.
Mas tínhamos boa cor
que a comida era outra
e tinha outro sabor.
E lembrar com atitude
como é bom e é saudável
ter ainda juventude.
Vólena
tenho sede de tempo...
tenho sede de tempo,
cai a tarde
como fruta madura
e à distância cantam os pinhais
o sol já não arde,
tocam os sinos dando sinais
e eu aqui oculta pela bruma
lembrando tudo,
tanta coisa uma a uma.
lembro o caminho da nascente,
com os risos de então
lembrança sempre presente
que não rejeito...não!
quero ser criatura
de alegria,
trazer à minha noite o luar
e eu e tu ser um só rio
a desaguar no mar...
extingue-se mais um dia
entre matizes amarelos
tenho sede de tempo
dum tempo primaveril
aquele que me vestia
a alma
e não este, que é prisão
e me corrói o rosto,
e esvazia o coração.
dá-me a mão,
vamos caminhar mais agéis
viver mais intensamente
onde o limite seja o céu
só tu e eu.
por algum tempo havemos de ignorar
o que de nós se perdeu
vivamos mais outro dia,
antes que a noite venha perturbar
ergamos nossa rebeldia
e quando a morte vier
num outro dia qualquer
pairando como um gavião,
sobre nós,
dá-me a tua mão
quando já nada haja para crer,
resta em mim a credulidade...
ainda assim vou sentir a doçura
da tua mão
na minha mão,
e levarei dela saudade.
natália nuno
rosafogo
Não olhes mais o retrato
NÂO OLHES MAIS O RETRATO
Não olhes mais o retrato
Deixa-o longe do teu olhar
Se o olho a chorar desato
E não são horas de chorar.
Tens-me aqui de corpo inteiro
O retrato, pouca importância tem
Tens meu perfume, meu cheiro.
Deixa-o ficar!?
Na moldura como refém.
Ele tem o que me falta a mim
Eu tenho o que lhe falta a ele?!
Mas se me quiseres assim!
Com jeitinho?!
Verás não perdi o mel.
Esquece a do retrato formosa!?
Vem até mim e me estreita
Já vi murchar muita rosa
Mudando a àgua, se ajeita...
Volta a ser flor mimosa!
Se estivermos em harmonia?!
Esqueces que ela existiu já
Nesse papel, ela é fria?!
Deixa-a!?
Vem caminhando p'ra cá.
rosafogo
É uma das primeiras poesias, mas é levezinha,
que triste já trouxe o soneto.