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Poemas, frases e mensagens de Mr.Sergius

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Mr.Sergius

Da dor de ser poeta

 
Se existe algo de justo na vida, todo poema deve ser lido
Vagarosamente, saboreando as palavras repetidas vezes
Cada verso pede um suspiro, que se guarde um certo ar
Para o verso seguinte. Cada verso pode ser um universo
Mas pode doer como dói o mundo certos dias cinzentos
Um poema pode ser profundo ou raso, banal ou efêmero
Pode ser efusivo e transbordante, qual um abraço amigo
Podemos erguer uns muros para nos escondermos da dor
Podemos construir nossa própria história de um paraíso
E os paraísos são tão fugazes, às vezes, tal qual um que li
O poema pode ser árido como há dias sinto dentro de mim
Correndo entre areias sem, desastrosamente, algum oásis
Como tentar uma inútil fuga, pois não se pode fugir de si
O poema pode ser um drama ou pode fazer pessoas rirem
Já nem sei qual destes amanheço para escrever e eu gosto
Sim escrever pode doer, quando fala das perdas e feridas
Mas temos que escrever, dar vida à poesia e só assim, viver
 
Da dor de ser poeta

Janelas

 
O falso brilho das promessas é o perfeito retrato do que é ilusão
Nossos sentidos se lançam a acreditar que tudo será como dito
Os corredores e cômodos silenciosos e vazios são a prova disso
A janela aberta da casa, ao vento, imita asas, mas não há o voar
E o que restou para sonhar do desejo de viver novos horizontes
É cais varrido pelo aferro das águas de tantas e tantas partidas

O sol inclemente cresta o chão à margem do rio de fato distante
Mas não há o porto a ancorar nestes tempos tão ermos e áridos
Olhar afora dos batentes da janela pode trazer uma ideia fugaz
Um pensamento, por certo irreal, de que haver-se-ia a liberdade
De se lançar noutro voo às cegas e afastar o que não contenta
Na quimera de que o horizonte tão ansiado poderia ser logo ali

Mas é tudo tão remoto e já não se sente a textura das estações
E não há o conhecimento que te dê à mente os milhões de asas
Que são hábeis a reafirmar que o amor existe e é quanto basta
Nem a esperança que insiste ficar pela crença que deve resistir
Tal esperança nada mais é além de um tecido puído pelo tempo
Estendido no caminho de tanto tropeço nas dores da revelação

A vida cobre-se de equações mal resolvidas, de flores efêmeras
A vida é uma primavera de pétalas caídas, de adeuses precoces
Por isso sigo em meu desterro, sem sorrisos, atrás desta muralha
Mas aguardo o milagre que um som de violino trazido pelo vento
dissolva o silêncio e permita que a minha mão toque a tua e que
À sombra dos girassóis nos mostre o caminho de volta ao amanhã
 
Janelas

Vejam-me assim

 
Caros poetas vejam-me assim:
Sou uma pessoa apaixonada
Que vive essa paixão e é fiel
Que apesar de ser feliz assim
Tive um passado de muita dor
De procuras inúteis e vãs
De erros por medo e coragem
Mas nunca escolhi ser falso
Nem escolhi mentir ou enganar
Escrevo para quem sente dor
Como quem lhe estenda a mão
Ou ofereça o ombro de amigo
Acredito ser parte do divino
E que em tudo há uma razão
Que por vezes, não sabemos ver
Sou pequenino naquilo que sei
Grande para aceitar todo saber
Se vires assim, serás meu amigo
E eu serei amigo teu e te ouvirei
Não me fales mal de outra pessoa
Pois, sei que não saberei entender
Mas, escrevas um poema sentido
Que chorarei ou rirei ao teu lado
Por fim, dos meus defeitos o maior
Foi fazê-los pensar que também sou poeta.
 
Vejam-me assim

Transformação

 
Vive dentro de mim um poeta enlouquecido pelas tragédias
Em luta com demônios, creia-me estão aí, a destruir o amor
Entre amores não vividos, sofrimentos, e sua própria tolice
Não lhe pode avaliar o cotidiano ordinário dos transeuntes
Que passam abstratos à sua vida real, feita de amor pujante
Todavia invisível aos olhos que escrevem na lousa do normal
Há dias ocos de palavras, de vozes mortas, em coro desigual
Há desejos reprimidos que me ferem tão na carne e na alma
Aceno com meus gestos inglórios de aflições mal ordenadas
Sem jamais perder a ética por um qualquer encontro fugaz
Semeio violetas, mesmo a temer não as farei colher, amiúde
Sinto ter encontrado em ti o sonho que a vida fez concreto
Que afinal vai começando a amanhecer num enredo surreal
Tua silhueta nua, a me sussurrar no ouvido tudo o que calas
Não é hora para arrependimentos tardios, nunca amei tanto
Se fosse chorar até sumir o coração, ainda teria tanto amor
Mesmo que o amanhã, entre suspiros, anuncie a tempestade
Não haverá mais enganos, sombras ou dúvidas a conjecturar
Eu te amarei por mil vidas, pois te amar recompôs o infinito
 
Transformação

Quando o destino decide que somos apenas peças de um jogo de xadrez.

 
Ele tinha suor nas mãos ao chegar na festa onde era, por assim dizer, o convidado de honra, pelo que estava um pouco mais ansioso do que poderia admitir.
Era novato e já havia vencido uma dura prova.
Nos lugares que frequentava, sempre fôra o que passava mais despercebido de seu grupo de amigos, dada sua timidez, que foi criada e exacerbada pelo rigor das exigências de sua mãe.
Rigorosa e castradora, ela nunca permitiu que ele brilhasse, ainda que fosse o melhor de sua sala de aula. Com medo de ser repreendido sempre com veemência, tornara-se um tanto introspectivo.
Assim, nunca sonhou em participar de uma corrida de carros, mas sabemos que todos os garotos em algum momento, nas brincadeiras com carrinhos imagina-se o vencedor.
Agora, um jovem adulto, de uma brincadeira num autódromo, as coisas foram se sucedendo sem que na verdade ele as impulsionasse ou que as impedisse de acontecer, até o momento que a adrenalina inundou suas veias e o contaminou pelo desejo de vencer.
Ele frequentara uma escola de pilotagem onde os alunos foram gentilmente desafiados pelos organizadores a participarem de uma prova entre eles.
Na solidão do cockpit ele se sentiu, afinal, livre do jugo de sua mãe, à espera dos intermináveis segundos que separavam da largada, pela primeira vez decidiu que não precisaria se anular e quando a bandeira desceu, acelerou.
Acelerou tanto que quando a corrida terminou foi convidado a correr de novo, desta vez não como brincadeira no final de um curso de direção. Ia correr entre os leões. Isso fôra há duas corridas atrás e agora venceu, sem deixar margem para dizerem que foi sorte ou comentários negativos.
Ao passar pela entrada da festa, foi imediatamente levado ao organizador, entre acenos e tapinhas nas costas. Ele nunca se sentira assim, mas sabia que era isso o que sempre quis.
O patrocinador falava de seus planos para o futuro e dava instruções às pessoas para a homenagem, dizendo que algo breve, o que para ele seria significativo em seus primeiros dias de ‘alforria’.
O lugar era elegante e o salão ficava um nível abaixo da entrada que se dava por uma escadaria de uns poucos degraus. Ele observava o local e quando olhou para o alto da escada, um tanto distraído pois ainda não estava acostumado a isso, notou que lá vinha ela descendo os degraus com seu porte único.
Seus cabelos loiros, ligeiramente ondulados balançavam como o pêndulo do hipnotizador prendendo o olhar dele. Ele estava dois passos adiante do grupo dos patrocinadores em relação a ela. Ela caminhava firmemente em sua direção e um nó se fazia na garganta dele: ela vinha resoluta na sua direção.
Olhos verdes, traços delicados, um quê de inocência e outro de serpente no rosto. Um sorriso semi-oculto completava o quadro. Ela esboçou esse sorriso ao passar direto por ele, deixando apenas seu perfume envolvente no ar.
Despertado do sonho de acreditar que ela vinha na sua direção ele olhou para trás e a viu abraçar seu patrocinador: “Tolo – disse como se fosse a voz da consciência em 3a pessoa, advertindo a si mesmo - acreditou mesmo que ela vinha falar contigo?”
Mas antes de prosseguir em sua autocrítica, ouviu o chefe dizer: “Filha, que bom você veio, sua mãe está onde?"
Entre o alívio de um vexame interior e a certeza que ela seria alguém distante de seu alcance, seu patrocinador o chamou e a apresentou: - "Esta é minha filha"; a ela disse - "Este é nosso novo campeão" Ele estendeu-lhe a mão – um tanto indeciso, como sempre fora obrigado a se comportar pelas regras de sua mãe – mas ela ofereceu-lhe o rosto para cumprimentar com um beijo.
Ao se aproximar sentiu mais o perfume envolvente que ela usava e ao tocar rosto a rosto foi uma vibração que não se pode explicar com palavras.
Seu chefe e patrocinador puxou-o pelo braço para irem falar com algum figurão do esporte e disse à sua filha que já voltaria. Ele foi mecanicamente levado, enquanto ela se afastava na direção de uma das mesas.
Ele voltou a pensar em termos de tornar-se um corredor, devia conectar-se a outros possíveis patrocinadores e por isso não a viu mais naquele dia.
Os dias se passaram, ele estava em uma aula de anatomia na faculdade, onde os alunos – todos em pé – observam os professores darem os nomes dos ossos de um esqueleto de algum doador, montado com arames.
Deu um passo para trás para ver melhor e esbarrou em alguém, virando-se de imediato para pedir desculpas. Ficou frente a frente com ela, reconhecendo-a prontamente. Antes que pudesse imaginar se ela o reconheceria, ela disse: - “Olá, que surpresa, não sabia que você era desta classe”.
A conversa mal iniciada, encerrou-se pela advertência do professor: - "Vamos fazer silêncio?"
Ao final da aula voltaram a conversar e ele, de forma absolutamente não usual disse a ela: - “Puxa, parece que não querem que a gente converse, primeiro seu pai me arrasta a falar com os empresários, agora, mal abrimos a boca e já levamos uma bronca do professor...” – e continuou – “Vamos tomar algo no ‘Amarelo’ (Amarelo era o nome de uma lanchonete perto da faculdade) está muito calor..!?"
A noite já avançava pela madrugada quando a moça da lanchonete disse que eles estavam fechando. Haviam ficado lá por horas e nem notaram o tempo passar. Notaram muito menos, quando sentados no banco da praça o céu começou a dar ares do dia nascer.
Meio sem vontade e sem jeito, decidiram ir embora e ele a acompanhou até a porta da pensão onde ela morava. Ela novamente ofereceu-lhe o rosto para um beijo de despedida, mas quando ele se aproximou, ela virou-se de frente e beijaram-se calorosamente.
Não esqueçamos que isso acontecia em 1975.
A relação entre eles evoluiu rapidamente e com a mesma velocidade recebeu a desaprovação da mãe dela que sonhava em casá-la com um pretendente rico que orbitava a casa dela na Capital.
Ela repugnava a insistência do rapaz, a quem já declarara não haver a correspondência de sentimentos, mas ele não desistia com o apoio de quem desejava fosse sua futura sogra.
Indiferentes a tais pretensões, eles viviam uma vida de sonho: ele seguia vencendo provas e isso lhe rendia recursos, convites, viagens. Ela tinha os mesmos gostos dele: música, comida, lugares. Conversavam longamente por horas, estudavam juntos, riam juntos. Viajaram por toda a América do Sul. Mas, o que eles de melhor e tinham em comum, era terem decidido que iam ficar juntos, começar uma família e viver a vida que tivessem pela frente, juntos.
Já havia se passado quase 2 anos e naquele sábado ela tinha um casamento de alguém da família e ele foi convidado a acompanhá-la. Ele tinha um compromisso mais cedo e viria de onde estava para buscá-la e irem juntos. Mas o destino disse que o compromisso dele ia demorar uns minutos além do previsto.
Não era fácil comunicar um pequeno atraso na época, nada de celulares ou redes sociais, apenas o velho telefone fixo.
Ele ligou para avisar que se atrasaria, talvez quinze minutos, porém iria busca-la mesmo assim, mas quem atendeu foi a mãe dela. Essa recebeu o recado e “gentilmente” se propôs a avisar.
Era a oportunidade que uma mãe que queria interferir em um relacionamento esperava. Disse à filha que ele ligou para avisar que a encontraria na igreja, mas o ‘rapaz’ as levaria em seu carro. Ela relutou, mas não conseguiu falar com ele e acabou aceitando.
Ele havia acabado de passar na casa dela e a empregada contara o que se passou, estava nervoso, irritado com aquelas atitudes, esperava que ficassem juntos de vez e tudo aquilo acabasse.
O trânsito no cruzamento à frente estava totalmente congestionado e ele não teria a chance de desviar e tentar outro caminho. Passaram umas pessoas do lado do carro dele que vinham do cruzamento e ele as indagou o que estava acontecendo.
“Um acidente horrível” uma delas respondeu. E ele pensou que era só o que faltava. Iria se atrasar muito mesmo. Muitos minutos depois chegava próximo ao cruzamento. Havia um ônibus e um carro quase sob o coletivo.
Mais alguns metros e ele pôde ver o carro e seu sangue gelou.
Era o carro do pretendente. Ele abandonou o seu e correu lá, sendo tomado pelo desespero quando viu o corpo dela entre as ferragens. Ele atirou-se entre os vidros que lhe cortaram fundo, mas isso não importava, só queria tirá-la de lá ou nem precisava sair.
Os bombeiros só conseguiram contê-lo, pois já faltavam as forças de tanto sangue que ele perdera. Foi sedado e levado ao hospital. Quando acordou e teve alta do hospital ela já havia sido sepultada.
Durante muito tempo ele acreditou que a vida tinha acabado, não foi fácil chegar à aceitação que a vida, mesmo muito dura e triste, deve continuar. Depois de mais algum tempo, para ajudar a enfrentar a dor, ele resolveu escrever poemas.

Este conto é baseado em uma história real.
 
Quando o destino decide que somos apenas peças de um jogo de xadrez.

Longe

 
Longe
 
De cabeça baixa estavas e parecia que me fitavas
Teus seios afloravam da renda do vestido de festa
Na parte entreaberta sobre o teu ombro esquerdo
Nessa última imagem que vi de ti já não tinhas vida
A dor me trespassa o peito, já nem consigo chorar
Estendo a mão com tremor, alcanço teu braço nu
Tento te imaginar como há horas atrás e te cobrir

Palavras tínhamos dito, decisões seguras e rápidas
Decidimos com leveza as direções de nossas vidas
Pois sabíamos toda luta que teríamos a enfrentar
Para reunir nossas vidas e esperanças num futuro
Volto a nossa noite passada. Foi algo inesquecível
Cada uma era sempre como se fora a primeira vez
Mas esta não. É a última vez, jamais vais retornar

Sinto-me em um deserto de areias negras sob o sol
Elevo os olhos aos céus para buscar por respostas
Mas não vejo nada, não há uma luz, não há nem ar
Privado de ti me quedo vencido em meio a sangue
Porque queria te seguir, te rever dizendo que sim
Mas não tenho essa graça. É só silêncio e angústia
Não há um mínimo alívio para aplacar essas dores
Já nem vejo mais, escurece, ouço sirenes ao longe

Sabes quanto eu quis te tirar dali, trocar de lugar
Nas profundas chagas que eu mesmo abri em mim
Pensei que assim iria te seguir, te amar pelos céus
Estaríamos num espaço azul e anjos nos sorririam
Trazendo a ti de volta para meus braços refeitos
Mas tudo que encontrei foram somente sombras
De tanta tristeza esse meu coração quase morto
Vai revivendo solitário o ar quente daquela manhã

Este o retrato do mais triste episódio da minha vida. Éramos jovens, belos, invejados... Mas um lampejo do destino e ela se foi para sempre, num estúpido acidente de trânsito, causado por alguém que queria tomar meu lugar...
 
Longe

Limites

 
Viro os olhos para o céu e não há no alto nenhum horizonte
Caminho sozinho na cidade e seus limites febris de concreto
A paisagem acima é cortada como o bisturi corta um câncer
Por isso é que tanto amo os horizontes sem limites da poesia
No coração acelerado, mal exercito-me, são apenas lágrimas
Nem vejo mais, nas esquinas, as flores brancas da esperança
Que um dia decoravam meu ir e vir entre nuvens de algodão
Que lá do alto iam derramando as gotas de chuva brilhantes
Nestes dias de pânico e angústia, a vida abriu-se à escuridão
E lá estão as flores arrancadas, traídas pelas palavras tão vãs
Quedadas sem voz, apenas num suspiro demasiadamente pífio
Um agravo ausente, uma frase aflita ou dolorosamente tardia
Ouço passos dos que se distanciam pelo corredor do hospital
Penso nesta vida e grito para pulsarem flores, sonhos e versos
 
Limites

Encontro

 
Encontro
 
Ele caminhava pela rua em meio ao movimento vespertino no retorno das pessoas de seus trabalhos. Mãos nos bolsos para afugentar o frio úmido que se refletia na calçada, ainda molhada pelas ultimas gotas de chuva, caída meia hora atrás. Seguia em frente, olhando à sua volta os rostos apressados, olhares distraídos e narizes apontados para o horizonte.
Seus pensamentos vagam, pois ele não tem destino naquele momento. Apenas caminha para se distrair, tomar um ar e mudar a rotina dos dias que passou fechado em casa.
Ela voltava pela última vez daquele trabalho, estava cansada de sua rotina e desejava mudar. Caminhando na direção do metrô, olhava as pequenas poças d'água que ainda resistiam pelo caminho e pensava agradecida pela chuva ter parado - não levara o guarda-chuvas quando foi, pois tinha algumas coisas para trazer. Tinha a cabeça cheia de planos e dúvidas, já que as coisas estão bastante diferentes.
O destino sempre move as peças sobre o tabuleiro, nos seus intrincados desígnios como num campeonato de ases do xadrez que admiramos sem entender. É assim na maioria das vezes quando tudo vai se sucedendo e parece agir contra as impossibilidades.
O moleque que vendia balas em meio à multidão correu para atender o cliente habitual que o chamava diante da Casa de Sucos da Esquina. O chão escorregadio contribuiu para que o garoto esbarrasse nela, fazendo com que a caixa que carregava as balas caísse no chão. Destino igual tiveram os envelopes que ela carregava.
Ele se abaixou de pronto para recolher os envelopes caídos e os pacotes de balas. Como agiu por impulso e estava ainda distraído, ameaçou entregar um e outro trocados, mas rapidamente corrigiu o movimento, tirando sorrisos dos presentes.
Ambos trocaram sorrisos com uma leveza inusitada para o momento que cada um deles estava passando. Nenhum deles estava em uma situação emocional confortável e, para dizer a verdade, não tinham muitos motivos sinceros para sorrir com desprendimento nos últimos meses. - "Obrigado tio" ressoava a voz infantil enquanto o garoto ia se afastando para enfim vender um pacote de balas. Quase eles não ouviram, pois seus olhares - além dos sorrisos - também acabavam de se cruzar.
- "Obrigada" - ela disse a ele.
Ela não precisou erguer muito o rosto para olhá-lo nos olhos, eles eram quase da mesma altura.
- "Não necessita agradecer" - respondeu ele. "Não fiz nada".
- "Oh, sim. Foi gentil, ajudou-me e ao garoto".
- "Você não sabe como fazer algo útil, afinal, me fez bem, depois de tantos dias com tão pouco a fazer" - acrescentou ele.
E continuando, ainda juntou: - "Talvez, eu que deva agradecer, foi providencial parar aqui porque estou querendo tomar um suco, aceita"?
- "Sim". Ela aceitou sem demorar muito para responder. Estava estressada e tomar um suco seria uma boa sugestão para desanuviar. Conversar um pouco sem compromisso, falar do tempo e de coisas amenas antes de voltar para casa e para as conjecturas indispensáveis ao novo projeto.
Não foi coincidência ambos pedirem um mesmo suco.
Ele que costumava ter os cabelos cortados curtos, os tinha bem mais longos, pois não tinha ido cortá-los por causa das restrições de movimentação. Tinha os olhos de uma cor enigmática que oscilava entre o castanho claro e o verde dependendo da iluminação do ambiente.
Os olhos dela eram castanhos e vivos, embora não fossem grandes. Seus cabelos dourados emolduravam uma face harmoniosa e simpática que mesmo nesse momento de preocupação não se fazia transparecer.
Poucos minutos de conversa bastaram para suas afinidades se apresentarem e agigantarem. Gostavam, faziam e tinham expectativas semelhantes. Tinham alguns objetos idênticos e estiveram muitas vezes nos mesmos lugares e horas. Passaram por situações onde certamente era impossível que não tinham se visto. Mas não era o momento, não ficariam juntos, pois cada um tinha seu compromisso.
Agora era diferente, nenhum dos dois tinha compromissos pessoais e é aí que a maestria da jogada do destino se faz mostrar: Se não se viram em todas as vezes anteriores, e certamente já estiveram na mesma sala, foi porque não era a hora de se encontrarem.
Percebo que a esta altura, todos já devem ter compreendido o alcance dos atos do senhor destino.
Foram feitos um para o outro e cruzaram seus caminhos por diversas vezes, mas por motivos outros não adiantaria se encontrarem. Então seus olhares foram desviados, mas não hoje, não agora, não desta vez.
Bastou-lhes um olhar para se reconhecerem como almas gêmeas e terem a certeza que suas vidas, de fato, começariam a mudar.
Não viram o tempo passar, mas ao sair, seguiram juntos, de mãos dadas, bem depois que o movimento de pessoas já tinha acabado. Para selar seu encontro, decidiram dançar um tango, mesmo na rua, agora deserta, enquanto deixavam suas sombras, felizes, deslizarem refletidas no chão.
 
Encontro

Pérolas à porca

 
De que adiantaram as considerações
Se fugistes às tuas próprias conclusões
De que serviram tantas explicações
Se de fato não querias compreender
Para que tanta escolha das palavras
Se sequer ao menos pretendias ouvir
De que serviu que eu fosse compreensivo
Se não considerastes tuas próprias ações
De que valeu a busca pela verdade
Se só prevaleceu o que mais convinha
Porque tanto pedistes para nunca te deixar
Se abrir a porta e sair foi tão fácil para ti
Porque tentei manter aquilo que prometi
Se para ti promessas não valiam nada

Abri mão de uma possível paixão, te fui fiel
Pouco tempo depois, tu decidistes partir
Foram pérolas devoradas meio ao farelo.
 
Pérolas à porca

Setembro à espera da Primavera...

 
Quero de tudo para este setembro, do que seja encanto floral
Quero alucinar-me nas mãos juvenis dessa mulher e declarar
Meu amor, na presença matutina, como nunca tivesse amado
Quero amar nesta primavera, mais que em todos os invernos
Quero ouvir vozes e cantos dos pássaros pelos amanheceres
Pois essa é como a voz da paixão, que é delicada e complexa
Quero o teu corpo e braços, onde guardarei todos os abraços
Quero as ruas da cidade à beira mar iluminada ao sol poente
O vermelho tomar conta do azul, riscando uma linha no mar
Quero tudo invulgar para setembro, toda forma de ser gentil
Quero estar à luz da tarde ao lado da namorada perfumada
Pois o amor é a luz e a rosa, a rima que meus versos não têm
 
Setembro à espera da Primavera...

Jardins

 
Agora que o inverno derrubará as folhas
avermelhadas pelo outono que se retira,
Agora que o verde das colinas é apenas
uma lembrança qual o trilar dos pássaros,
Já ouço o chamar cinzento das nuvens
à chuva fina que esmaece todas cores.
Caminho à beira das casas, despercebido,
enquanto meus lobos correm nas planuras.
Livres pelos campos onde certamente estás
Ainda sinto em mim o toque de tuas mãos
vívidas a ansiar pelo encontro das minhas
Sigo andando e meu pensamento é distante
Como os jardins floridos da adolescência.
Recordações assíduas de cada dia sem sol
Na distância de teus olhos, doces e vivos
De tua voz mansa e quente a me chamar.
Cada detalhe de tua existência vive em mim
Prossigo, em silêncio com a voz embargada
Meus versos partidos numa poesia inacabada
Na tua ausência o inverno jamais me deixará.
 
Jardins

Vida Provisória

 
Nasço todas as noites nas luzes naufragadas em águas límpidas
Nesta terra amarga de lamentos, dezembro não é mais tão vivo
A noite avança e a lua se perde lenta em seu reflexo nos canais
Escondi meu velho coração detrás de muros que eu fiz erguer
Para ter a certeza que já estás demasiadamente longe de tudo
Que não mais te verei nas planuras onde soprou o nosso vento
Que balançava os cachos de teus cabelos e as flores do campo
Afastei-me de todos amigos para ficar só, somente recordar-te
Afinal, estás mais longe que a lua que nasce, mas te sinto aqui
No ar o cheiro verde do musgo e sobre as pedras ecoa o trotar
Dos cavalos selvagens, com longas crinas oblíquas tremulantes
O vento esmaece os vestígios de seus cascos deixadas no areal
Sou uma alma antiga, eivada de rancores cinzentos mal digestos
Deito as sílabas por folhas despenhadas sobre a relva do prado
Onde germinam os poemas desenraizados das sombras lúgubres
Nesta minha vida provisória, sou sobrevivente, sou eco da terra
 
Vida Provisória

Honestidade

 
Tudo que se pode chamar de ternura, ficou no passado
Sob um céu de vinho tinto cor de veludo na noite turva
Ah, é tudo tão longe! É uma estrada só de acumular pó
Sobre minha história de ave de arribação mal explicada
Pela insônia tresnoitada dos pedaços de vida não vivida

A aurora rescende a rostos cheirando água de colônia
Lembrança de tantas ausências, de minutos esquecidos
A taça com um resto de vinho permanece no aparador
Simbolizando tudo aquilo que poderia ser e se esqueceu
Ou que a dor antiga confundiu fazendo não mais desejar

Onde foram os sonhos em que deitamos nossa esperança
Quais desvios que aceitamos no caminho sem o perceber
Sob quantas camadas secretas que se oculta a felicidade
Haverá alguma promessa que um dia se fará para cumprir
Um dia deixaremos de dizer coisas que podem machucar?

Saiba que depositei minha franca confiança no que dizias
Mas foram só mentiras que usaste apenas para me afastar
Porém nós sabemos que mentir trará um preço a ser pago
E eu devo te contar que esse preço é sempre alto demais
Queria te fazer feliz, mas fostes escravizada pela solidão

Sou poeta e todo poeta pode ter algo de triste, mas nunca infeliz
Morre-se à noite, se renasce na intransferível dimensão da manhã
 
Honestidade

Inexplicadamente (*)

 
Os ácidos versos da vida seguem opacos quando
pelas águas tépidas e transparentes dos dias
Por mares de esquecimento o cristal clama novos
cantares sem o que a palavra cala as ideias
Onde estará o alento do sopro cálido que comunica
em verso a aproximação um novo tempo
Mas a resposta ao enigma ainda dista um tanto
dos segredos confessos ao papel pelas penas

As linhas do poema não trazem a revelação
e nem vão precipitar as respostas à sina do existir
Tudo é feito de ciclos, uma sucessão de momentos,
a soma de instantes de cada início ao fim
Em sua gênese de fragmentos o tempo se revela
indivisível, a um único ato íntegro e disperso
Remanesce a certeza que somos muito mais que
a imagem que nos revela o aço dos espelhos.

Não será a mera certeza de alguma sublime
definição que afluirá para a libertação do espírito
Tampouco o silêncio que submete as palavras,
mas a limitante mesmice tardia que aceitamos
Conceitos talhados em duro mármore ocultam
inverdades recônditas e fugazes a reger a vida
Urge os sonhos reinventar intangíveis e etéreos
que a tudo descrevam, mas a nada expliquem

Face ao milagre da vida nos cumpre reescrever
o destino tal artesão que faz do barro o cântaro
Saiba-se que são iguais os gritos, os sussurros e as
confissões feitas na quase mudez à meia luz
Importa a percepção silenciosa do que diz o coração,
abdicando às frias explicações aritméticas
A pena e a voz do poeta mergulham no arco íris para
dizer inexplicadamente frases nunca ditas.

(*) Antes que algum perfeccionista o diga, eu sei que o correto é inexplicavelmente.
 
Inexplicadamente (*)

Perfeição

 
Neste teu dia, queria escrever um poema que te descrevesse
Mas, temo não atinar palavras tão belas que te façam justiça
Para que estes versos não pareçam desertos diante do que és
Pois és a semente de tudo que germina, és a fonte que inspira
Porque tens os olhos profundos que versam mesmo que cales
Mas se não calas, tua voz é o alento que já gravei nos ouvidos
E se te faço sorrir, sinto-me como Deus na sua melhor criação
Pois teu sorriso ilumina as trevas da angústia e restaura a vida
Hoje sei que quando as flores foram criadas, pensaram em ti
Mas não sei fazer flores e tão menos descrever a flor que és
Contudo, posso reconhecer teu perfume em qualquer jardim
Se eu pudesse te escrever um poema, poderia recriar o mundo
O ouro imitaria a cor de teus cabelos que eu quero acariciar
Eu inventaria a brisa nas tardes de verão para vê-los esvoaçar
Inventaria também o céu e colocaria estrelas pra te ver sorrir
A lua não, pois viveria escondida nas nuvens, com inveja de ti
Deitaria ao teu lado para contar as estrelas e histórias da vida
Porém não sei escrever um poema que te seja justo, bem o sei
Mas, sei que te amo e que te desejo tão feliz qual sonho bom
Quero estar ao teu lado e cada ano constatar que vales mais
E dizer apenas teu nome, quando quiser explicar a perfeição
 
Perfeição

Tarde demais para mudar

 
Podia-se dizer que todos os seus dias eram iguais: levantava à mesma hora ao som de um despertador tão eficiente quanto incômodo que ficava sobre o criado mudo. Parecia uma serpente - não em forma, mas em atitude - que estava pronta para o bote quando a melhor hora de sono se aproximava. Picado pela campainha estridente, abria os olhos e sentava na cama.
Permanecia sentado longos instantes antes de se levantar, pois lera em algum lugar que a maioria dos acidentes no quarto se dava justamente ao acordar. Diziam que a ocorrência de vertigens era bastante usual para aqueles que se levantavam rapidamente e dai para o acidente não haveria distância.
Depois desses minutos, vestia os chinelos e punha-se em pé olhando à sua volta e reconhecendo os traços de sua já conhecida mobília. Traçava mentalmente seu caminho até o banheiro, embora a mais crua verdade poderia afirmar que isso não seria necessário por todas as repetições cotidianas que ele fazia.
Mas ele acreditava que tudo deveria seguir um método, uma repetição de fases inalterada pelos anos a fio.
O sanitário, a pia, a escova de dentes e o pente a repor alguma ordem nos cabelos em desalinho, que estavam mais compridos que o normal.
Daí à cozinha para fazer o café da manhã. Café forte sem açúcar, bolachas, manteiga com sal. Eventualmente um pão passado na chapa com uma rica camada untada ou uma modesta fatia de algum tipo de bolo.
E assim a vida se desenrolava monotonamente repetida, na presumida segurança de seus métodos assinalados pelas regras que ele criou ao longo dos dias de sua vida.
Mas não hoje.
O despertador - aquele com duas campainhas e um martelete entre elas - mal iniciou seu tilintar e foi projetado na maior distância diagonal que o tamanho do quarto permitiu.
Ele ergueu os braços contra a cabeceira da cama para esticar-se que rangeu um rangido de surpresa com aquela inusitada posição. O móvel mal teria tempo de se recompor e num salto único, elegante como uma gazela, mas másculo como um touro, ele quedou-se em pé, ignorando os chinelos que receberam mesmo um olhar de desprezo antes do primeiro passo descalço.
Apontou o nariz ao horizonte e, sem cogitar a diagramação das coisas à sua volta, partiu em direção ao banheiro. Lá apenas borrifou poucas gotas de água com as mãos no rosto que mal sentiu o frio líquido; esfregou displicente, sem se observar, as pontas dos dedos no couro cabeludo, como se isso fosse o bastante para acreditar que fazia um penteado jovial.
Pensou num copo d'água como sendo o bastante para aquela manhã. Não às gorduras, aos farináceos e os megatons de cafeína absorvida (ou não) logo nos primeiros minutos de cada dia.
Sentiu-se feliz com a decisão e ao passar pela cômoda com o espelho antigo que pertencera à sua avó, não viu sua usual imagem refletir-se alí.
Antes de chegar na sala, ouviu vozes familiares, mas tão lamentosas que o fizeram recuar e assim pode ver o papel sobre a cômoda do espelho. Seu ímpeto já ia arrefecendo e murchou quando leu seu nome escrito à máquina no papel com um brasão cabeçalho e, logo abaixo, nem conseguiu terminar de soletrar C - e - r - t - i - d - ã - o d - e - Ó - b - i ...
 
Tarde demais para mudar

Ode a Augusto dos Anjos

 
Dos Anjos o dizia que era como hospital
Em que o triunfo não assistia aos doentes
Ah, Augusto ouso te dizer que não é assim
Coração de poeta é o esteio de quem sofre
E te posso afirmar que já foi tanto que sofri
Nele transborda o poema, seu fruto nativo
Que não cabe no peito e derrama no papel
É antes o nascedouro de toda esperança
Porto seguro onde o mal não nos alcança
Vê em quase tudo um brilho e luz própria
O coração do poeta não é o vilão da dor
Antes, sabe que sofrer de amor não mata
Portanto faz amigas as cicatrizes que o ferem
Faz de cada uma, a linha onde deita o verso
 
Ode a Augusto dos Anjos

Antes que seja tarde

 
As palavras tardias são como as palavras ausentes
São o grito de liberdade que se franqueou não vir
Essa fala cogente que restou retirada da garganta
Estrelas que apagam, arrastam a luz da esperança
Folhas a cair secas alquebradas ao chão de poeira
O silêncio assim exercita sua tirania e arrogância
E todas alvoradas restam vilmente tintas de cinza

Acontece quando se ama mas não revela esse amor
Por isso que hoje quero dizer do meu amor por ti
Sentimento que por vezes faz que tudo se ilumine
Por vezes canta e outras sangra, mas sempre vive
E vivo não se cala, se eterniza para além do tempo
Como o arrepio que percorre o corpo sem porquê
Assim faz com que eu queira escrever que te amo

Sim eu te amo, ainda que isso não descreva o todo
Nem o farão todas frases perdidas no baú da mente
Quais eu já tenha pronunciado nesta ou outra vida
Sim, eu te amo e por isso não se cala o meu pensar
Em te dar e querer de ti o que for o melhor de nós
Para celebrar na chama que acalmou o frio inverno
E que nos trouxe o perfume de uma nova primavera
 
Antes que seja tarde

Indiferença

 
Para alguns são pássaros, uns enormes
Que passeiam desprendidos de instintos
Entre pessoas cotidianamente distraídas
No turbilhão de uma segunda feira qualquer
Nutrem-se dessas distrações assombradas
E lá se vai um atropelado no branco da manhã
Nem causa pânico, tornou costumeiro assim
É apenas mais uma ausência logo esquecida
Vagando insciente quando a rua ficar vazia
E sua alma que nem saberá o que a atingiu

Para mim, e meus olhos bastante atentos,
São vampiros de asas por demais negras
Revoando a serviço do mal na multidão
Os demais seguem indiferentes ao perigo
Que os sobrevoa em círculos estreitos
Para despertar o que há de pior por dentro
Que é a indiferença à dor que toca o outro
Nesse teatro moderno de virar o rosto
E nem querer ver, algo tão inocultável
De fazer-se solitário quase por ofício

Aos poucos distanciar-se vai sendo normal
Não só ao físico, mas abandonar a empatia
Os olhos riscam a irmandade do léxico
Pois importa o que vem atrás do umbigo
E na cidade fria, cada qual tem seu umbigo
Invulneráveis ao drama que não sentem
Espectadores sem expressão frente à vida
Que salvar-se apenas a si, é seu ideal
Se querem que me acostume ao novo normal
Deviam me resetar, recriando sem o coração

Na maior crise vivida pela humanidade nestes tempos modernos, vemos pessoas se aproveitando da dor alheia, das necessidades alheias para lucrar: dinheiro, prestígio, poder não importando os corpos que ficam pelo caminho. Muitos aprenderão e outros irão ignorar o que o Criador, com isso, tenta nos ensinar...
 
Indiferença

O Livro dos Poemas (Ode ao poeta que reluta imprimir suas poesias)

 
Vai, ignora as dificuldades e dá algum passo
Longas jornadas iniciam-se com um passo
Os poemas não foram escritos para esconder
O livro é como filho, aguarda a gestação
Não importa se vão compra-lo ou não
Sabes que teus escritos tocam muitas almas
Tocarão muitas mais, folha após folha.
Escrever é teu ofício e o lume de teus dias
Reparte-o pois, há corações no aguardo
Quando teu filho o tomar entre as mãos
Apresentando-o aos amigos com orgulho
“Este livro foi meu pai que escreveu”
Nenhum outro valor terá importância
Dá teu passo e ignora tudo o mais
Tira os escritos das gavetas e os traga à luz

As folhas um dia amarelecidas, serão o testemunho de tua passagem nesta terra.
 
O Livro dos Poemas (Ode ao poeta que reluta imprimir suas poesias)

Dor e angústia protagonizam o show
Quando a noite vem, a mágica se faz
Nasce o poema das entranhas feridas
Então, abro as asas e voo ao infinito.