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Poemas, frases e mensagens de Mr.Sergius

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Mr.Sergius

Da dor de ser poeta

 
Se existe algo de justo na vida, todo poema deve ser lido
Vagarosamente, saboreando as palavras repetidas vezes
Cada verso pede um suspiro, que se guarde um certo ar
Para o verso seguinte. Cada verso pode ser um universo
Mas pode doer como dói o mundo certos dias cinzentos
Um poema pode ser profundo ou raso, banal ou efêmero
Pode ser efusivo e transbordante, qual um abraço amigo
Podemos erguer uns muros para nos escondermos da dor
Podemos construir nossa própria história de um paraíso
E os paraísos são tão fugazes, às vezes, tal qual um que li
O poema pode ser árido como há dias sinto dentro de mim
Correndo entre areias sem, desastrosamente, algum oásis
Como tentar uma inútil fuga, pois não se pode fugir de si
O poema pode ser um drama ou pode fazer pessoas rirem
Já nem sei qual destes amanheço para escrever e eu gosto
Sim escrever pode doer, quando fala das perdas e feridas
Mas temos que escrever, dar vida à poesia e só assim, viver
 
Da dor de ser poeta

Rastro

 
A noite emoldurada de trevas deixa seu rastro de serpente
Seu som, gritos negros, arremedos de austeras lamentações
Rompe o silêncio sob o céu no azul profundo da madrugada
Imagens tintas de sonho ao brilho espectral dos relâmpagos
Inquietos, mas que trazem o encanto e clamor da primavera
Com seus olhares secretos, seu hálito floral dourado de sol
E o poema se faz leve como pássaros nas árvores da palavra
Feito de seus corpos de cristal, a refletir os brilhos celestes
O poeta afogado em tantas estrelas, perquire o firmamento
Alçado no véu noturno e o verso brota em sua mão trêmula
Para despertar da quimera um som de carro vem da estrada
Tão veloz reverbera na sua pressa e mal devolve a realidade
Que já sua presença apressada, logo se perdeu na distância
São qual sombras aceleradas a passar pelo asfalto das horas
Linhas não escritas que se desenrolam dos carretéis da vida
 
Rastro

O último trem

 
Tênues imagens respiram no ar rarefeito da minha memória
Que conspiram silenciosamente a parecer que de fato as vejo
Não como miragens ou ficções que são, mas reais e presentes
Tudo acontece categoricamente contra uma nova distância
De seres que nunca estiveram presentes, todavia são um só
No outro lado da rua as pessoas transitam, inscientes a tudo
Na gare da imaginação o trem já embarcou seus passageiros
Os trilhos dessa estrada de ferro seguem a direção dos olhos
Fixos no sonho adiante, mansos, perdidos na distância azul
Todos os viajantes cada um sentado no seu lugar, soa o apito
A música toca suave nos vagões preenchendo-os de nostalgia
As horas impulsionam, discretas, os ponteiros de meu relógio
E a lua, completando o cenário, traça seu arco no céu noturno
Brancas nuvens leves que imitam ovelhas sob a prata do luar
As frases que nunca foram ditas amordaçam minha coragem
Desembarco na estação da desesperança com todas as malas
Meu trem segue deixando um rastro de fumaça branca no ar
Minhas imagens e miragens se vão com ele sem dar um aceno
Aos poucos calam no silêncio dessa plataforma sempre vazia
Quantos trens haverão de partir até ter meu coração de volta
Prendo a respiração e as lágrimas. A sina do poeta é ser assim.
 
O último trem

Estranha Alma

 
Sou uma alma desnuda quando escrevo meus versos
Minhas mãos cheiram a alfazema e assim vão morrer
Quando o inverno chegar, usarei minhas meias de lã
Irei recordar o cheiro perfumado destas flores lilás

Sou uma alma que desconhece limite, sangue quente
‘Oriundi’, corre em minhas veias mescla com tropical
Mas nem por isso, se possível, vir perder a elegância
Tenho apenas um coração para tanta dor que sinto

Sou uma alma que gosta do verão, outono demora-te
Quisera fosse um lírio ou uma violeta, alma inquieta
Não gosto de dormir, mas durmo facilmente também
Adaptei-me ao mar, sou da terra, campo ou montanha

Sou uma alma que nada sabe, não tosca, porém, singela
Gosto de carícias e afagos, gosto dos ventos do campo
Penso um tanto nos sabores, nos suspiros e fragrâncias
Há vezes sou sequioso comigo e minha pena não calará

O corpo morrerá, a alma seguirá a escrever seus versos.
 
Estranha Alma

Vida Provisória

 
Nasço todas as noites nas luzes naufragadas em águas límpidas
Nesta terra amarga de lamentos, dezembro não é mais tão vivo
A noite avança e a lua se perde lenta em seu reflexo nos canais
Escondi meu velho coração detrás de muros que eu fiz erguer
Para ter a certeza que já estás demasiadamente longe de tudo
Que não mais te verei nas planuras onde soprou o nosso vento
Que balançava os cachos de teus cabelos e as flores do campo
Afastei-me de todos amigos para ficar só, somente recordar-te
Afinal, estás mais longe que a lua que nasce, mas te sinto aqui
No ar o cheiro verde do musgo e sobre as pedras ecoa o trotar
Dos cavalos selvagens, com longas crinas oblíquas tremulantes
O vento esmaece os vestígios de seus cascos deixadas no areal
Sou uma alma antiga, eivada de rancores cinzentos mal digestos
Deito as sílabas por folhas despenhadas sobre a relva do prado
Onde germinam os poemas desenraizados das sombras lúgubres
Nesta minha vida provisória, sou sobrevivente, sou eco da terra
 
Vida Provisória

Honestidade

 
Tudo que se pode chamar de ternura, ficou no passado
Sob um céu de vinho tinto cor de veludo na noite turva
Ah, é tudo tão longe! É uma estrada só de acumular pó
Sobre minha história de ave de arribação mal explicada
Pela insônia tresnoitada dos pedaços de vida não vivida

A aurora rescende a rostos cheirando água de colônia
Lembrança de tantas ausências, de minutos esquecidos
A taça com um resto de vinho permanece no aparador
Simbolizando tudo aquilo que poderia ser e se esqueceu
Ou que a dor antiga confundiu fazendo não mais desejar

Onde foram os sonhos em que deitamos nossa esperança
Quais desvios que aceitamos no caminho sem o perceber
Sob quantas camadas secretas que se oculta a felicidade
Haverá alguma promessa que um dia se fará para cumprir
Um dia deixaremos de dizer coisas que podem machucar?

Saiba que depositei minha franca confiança no que dizias
Foram só mentiras que usaste apenas para me afastar
Porém nós sabemos que mentir trará um preço a ser pago
E eu devo te contar que esse preço é sempre alto demais
Queria te fazer feliz e fostes escravizada pela solidão

Sou poeta e todo poeta pode ter algo de triste, mas nunca infeliz
Morre-se à noite, se renasce na intransferível dimensão da manhã
 
Honestidade

Ode a meu pai.

 
Ele tinha o rosto em silêncio como pedra viva
A boca fina e esquiva não trazia sorrisos fáceis
O cabelo era fino e claro, cheirava a gomalina
Com a navalha tinha a barba sempre bem-feita
Eu o achava tão alto quanto eu gostaria de ser
Quando sentava no sofá, cachimbo e chinelos
O cachorro deitava-lhe sobre os pés em ritual
O rádio de ondas curtas chiava e dava assobios
O locutor falava espanhol e ele compenetrado
Ia decodificando o mundo, sorrindo enigmático
Vez ou outra olhava para o vazio, onde estaria?
Não tive tempo de compreendê-lo mais a fundo
Muitos anos passaram desde quando ele se foi
Quando eu descobri o porquê de ouvir noticias
Também descobri que o tempo não volta nunca
Tinha tanta coisa que eu queria poder lhe dizer
Eu queria mostrar-lhe estes traços tão sumários
Cuja inspiração o teve como emblema silencioso
Queria ter dito que o compreendo, mas é tarde
Só sobraram memórias a me assaltar o raciocínio
Que a vida é tão curta para tanto que há a saber
Não dos livros, das línguas ou das enciclopédias
Mas da própria vida, misteriosa a cada esquina
A cada volta, parecendo nos ensinar, a vida dá
Meu velho, deixo o que te devia desde sempre
O reconhecimento que a minha rebeldia inata
Nasceu foi de ti. As respostas um dia as terei.
 
Ode a meu pai.

Tempo (***)

 
 
O ano corre feito de dias repletos de momentos sem graça
Nós esbanjamos tempo e desperdiçamos horas inutilmente
Vamos de um lado para outro no que chamam de nossa terra
Não sabemos aonde ir e aguardamos que alguém nos indique
Achamos que há muito tempo para ser gasto dessa maneira
Seja debaixo do sol, ou em casa, assistindo a chuva que cai
Afinal somos jovens e achamos que a vida é bem mais longa
Mas, um dia nos olhamos no espelho, vemos cabelos brancos
Então achamos que temos, de repente, fazer algo pela vida
Assim corremos a buscar o que julgamos, mas o dia termina
E antes que nos dêmos conta o novo dia já iniciou sem aviso
O novo dia é justamente igual só que nós somos mais velhos
A cada ano que passa, nós estamos mais próximos de morrer
E cada um deles parece passar mais depressa, mais efêmero
Olhamos à volta, nosso maior poema é só meia página escrita

Ao longe, do outro lado desta vida, ouço os sinos das igrejas
Chamando fiéis a se ajoelharem e ouvir suas mentiras sutis

*** Poema escrito inspirado na música Time do Pink Floyd, sensibilizado pela mensagem que convida a pensar sobre a passagem do tempo. Letra traduzida e Adaptada.
 
Tempo (***)

Sonho de uma noite de verão

 
Era verão, era uma praia de areias quentes e brancas
Em meio à alegria ascendente e a profunda quietude
Olho-a contrastando a noite com seu vestido branco
E seus olhos suaves tão verdes como o mar profundo
O sol há muito se pôs eu me desdobro para alcançá-la
Ela caminhava como fosse o próprio verão no paraíso
Sua imagem a única verdade que eu gravava na retina
Sua boca bem moldada, como feita a golpes de cinzel
Escolhi um melhor sorriso, algo entre xerife e palhaço
Queria parecer-lhe inusitado, invulgar, não como ator
A desempenhar, por paradoxo, um papel de si próprio
Em meio à minha confusão ela olhou, tão-só me sorriu
E o mundo ao redor apenas desapareceu como o vento
O barulho do mar transformou em tilintares de prata
E toda a sombra se fez um oásis para esta ave cansada
Eu lhe falei como quem fala a uma imagem d’um sonho
Ela se aproximou suave como uma borboleta de cristal
Então fomos um, juntos no sonho, amantes à beira-mar
Passamos a nos encontrar, todos dias, no mesmo lugar
Compartilhamos versos, devolvemos as conchas ao mar
Eu contei que a terra é redonda, ela que a tia é bruxa
Partimos sem adeus, sem rancor, como a maré e a areia
 
Sonho de uma noite de verão

Conversas para boi acordar

 
Recordo-me do tempo que quando eu vinha para escrever meus textos trazia blocos de papel pautado, sem margem, daqueles que a abertura da capa de dava para cima e a dobrávamos para trás.
Não podia faltar meu tinteiro, pouco importava a marca, menos aqueles chineses, pois não tinha a cor azul turquesa. Eu sempre escrevi com a minha caneta tinteiro favorita (uma Montblanc) e a tinta de cor azul turquesa. Desde a escola eu olhava de longe e identificava aquele azul cheio de vida. As provas corrigidas que o professor punha sobre sua mesa vinham na ordem da maior nota para a menor, e assim, eu sabia se tirara boa nota quando via traços azul turquesa logo em cima da pilha de provas.
No começo uma professora de francês queria implicar comigo: Jeune Dizioli, cette couleur de stylo ne peut! Meu pai era um homem culto e elegante, ele me dera a Montblanc, assim minha mãe o mandou na escola falar com o diretor e a francesa... "Não pode o caralho... a tinta obrigatória das canetas não é o azul? Que porra de cor é essa? Ah é azul? Então, com licença, vamos filho... Madame Manon Moreau (MMM) quase teve uma síncope, suas bochechas ficaram tão vermelhas que parecia que iam sangrar. Ela nunca mais falou da cor da tinta da minha caneta. Bem, mas ai chegou o "pescoço" que eu esperava com ansiedade... "Le cou" deveria ter dito eu... Acho que 'sem querer' eu possa ter dito "Le cul".
Ok, ok, fui expulso da classe de francês... e daí? Passei para turma de inglês (britânico) e Mr. Hammersmith nos apresentou a Sympathy for the Devil: "...Pleased to meet you/Hope you guess my name..." Eu descobri uma parte de mim ao descobrir os Rolling Stones... não que eu goste deles. Mas foi da música, do ritmo irreverente, aquilo era apenas rock'n'roll... but I liked: "If I could stick my pen in my heart...", voltaram a dizer os Stones... Mr. Hammersmith no final de uma aula me disse Mr. Sergius se você quiser ir para Los Angeles, inscreva-se e ganhe o concurso do American Fields...
Sim era isso... para aprender outra língua eu tinha que saber bem a minha... "espetar a caneta no coração" - disse Jagger... isso era sinônimo de ser poeta. Só os poetas podem abastecer sua pena diretamente no coração. Eu seria um poeta! Ali nasceu Mr. Sergius, ali nasceu o poeta em mim. Antes de viajar, não me permiti esquecer de colocar dois blocos de papel pautado na mala, dois tinteiros azul turquesa e a minha inseparável Montblanc Meisterstück Black Gold LeGrand. Los Angeles não saia daí que eu estou indo!
 
Conversas para boi acordar

Lamento

 
Lamento muito que um bom lugar
Permita a um canalha vir estragar
Manterei a esta flor e fita de luto
Até expulsarem de vez esse puto

A foto decorre da inércia de permitirem um desgraçado sem caráter no nosso meio.
Sinto-me como se os donos do galinheiro fossem amigos da raposa.
 
Lamento

Jardins

 
Agora que o inverno derrubará as folhas
avermelhadas pelo outono que se retira,
Agora que o verde das colinas é apenas
uma lembrança qual o trilar dos pássaros,
Já ouço o chamar cinzento das nuvens
à chuva fina que esmaece todas cores.
Caminho à beira das casas, despercebido,
enquanto meus lobos correm nas planuras.
Livres pelos campos onde certamente estás
Ainda sinto em mim o toque de tuas mãos
vívidas a ansiar pelo encontro das minhas
Sigo andando e meu pensamento é distante
Como os jardins floridos da adolescência.
Recordações assíduas de cada dia sem sol
Na distância de teus olhos, doces e vivos
De tua voz mansa e quente a me chamar.
Cada detalhe de tua existência vive em mim
Prossigo, em silêncio com a voz embargada
Meus versos partidos numa poesia inacabada
Na tua ausência o inverno jamais me deixará.
 
Jardins

A todos luso-poetas

 
Poucas vezes estive em lugares onde pude ser 'eu' de verdade. Não que eu seja uma pessoa fácil de lidar, um primor de atitudes. Mas ao sentar-me e escrever, parece que incomodei as pessoas um tanto mais. Fui criticado e minha pretensão de escrever um livro adjetivada de absurda (hoje já caminho para completar o terceiro).
Também me senti incômodo por pintar e porque para pintar tinha que deixar meu cavalete montado no meu escritório de casa por vários dias. Não sou um pintor proficiente, estudado, formado... sou um autodidata que se arrisca às formas.
Aqui tenho podido ser eu, deitar às linhas versos que brincam com a minha querida língua portuguesa, ler versos formidáveis de poetas maravilhosos, sentir-me entre pares.
Com a aproximação do Dia Mundial da Poesia [21 de março] quero antecipadamente deixar aqui minha homenagem a todos os escritores e poetas que fazem deste lugar, um ótimo lugar para se estar. Grato a todos pela sua leitura de meus escritos e por permitirem que eu cresça lendo o que você escrevem.
Salve Luso Poetas, lusitanos ou brasileiros, pouco importa. Salve a todos!
 
A todos luso-poetas

Janelas

 
O falso brilho das promessas é o perfeito retrato do que é ilusão
Nossos sentidos se lançam a acreditar que tudo será como dito
Os corredores e cômodos silenciosos e vazios são a prova disso
A janela aberta da casa, ao vento, imita asas, mas não há o voar
E o que restou para sonhar do desejo de viver novos horizontes
É cais varrido pelo aferro das águas de tantas e tantas partidas

O sol inclemente cresta o chão à margem do rio de fato distante
Mas não há o porto a ancorar nestes tempos tão ermos e áridos
Olhar afora dos batentes da janela pode trazer uma ideia fugaz
Um pensamento, por certo irreal, de que haver-se-ia a liberdade
De se lançar noutro voo às cegas e afastar o que não contenta
Na quimera de que o horizonte tão ansiado poderia ser logo ali

Mas é tudo tão remoto e já não se sente a textura das estações
E não há o conhecimento que te dê à mente os milhões de asas
Que são hábeis a reafirmar que o amor existe e é quanto basta
Nem a esperança que insiste ficar pela crença que deve resistir
Tal esperança nada mais é além de um tecido puído pelo tempo
Estendido no caminho de tanto tropeço nas dores da revelação

A vida cobre-se de equações mal resolvidas, de flores efêmeras
A vida é uma primavera de pétalas caídas, de adeuses precoces
Por isso sigo em meu desterro, sem sorrisos, atrás desta muralha
Mas aguardo o milagre que um som de violino trazido pelo vento
dissolva o silêncio e permita que a minha mão toque a tua e que
À sombra dos girassóis nos mostre o caminho de volta ao amanhã
 
Janelas

Oceanos

 
A
𝕊𝕠𝕦 𝕒 𝕟𝕒𝕦 𝕢𝕦𝕖 𝕤𝕚𝕟𝕘𝕣𝕒 𝕠𝕤 𝕞𝕒𝕣𝕖𝕤 𝕖𝕞 𝕓𝕦𝕤𝕔𝕒 𝕕𝕠 𝕔𝕒𝕚𝕤, 𝕦𝕞 𝕒𝕓𝕣𝕚𝕘𝕠
𝕄𝕒𝕤 𝕟𝕒̃𝕠 𝕙𝕒́ 𝕥𝕖𝕣𝕣𝕒 𝕒̀ 𝕧𝕚𝕤𝕥𝕒, 𝕒𝕡𝕖𝕟𝕒𝕤 𝕠 𝕤𝕠𝕝𝕚𝕥𝕒́𝕣𝕚𝕠 𝕒𝕫𝕦𝕝 𝕕𝕖𝕤𝕤𝕖 𝕔𝕖́𝕦
𝔸𝕤 𝕘𝕒𝕚𝕧𝕠𝕥𝕒𝕤 𝕟𝕒 𝕒𝕝𝕘𝕒𝕫𝕒𝕣𝕣𝕒 𝕖𝕞 𝕓𝕒𝕟𝕕𝕠 𝕡𝕒𝕤𝕤𝕒𝕞 𝕔𝕖́𝕝𝕖𝕣𝕖𝕤 𝕡𝕠𝕣 𝕞𝕚𝕞
𝕊𝕖𝕘𝕦𝕖𝕞 𝕠 𝕔𝕒𝕞𝕚𝕟𝕙𝕠 𝕢𝕦𝕖 𝕤𝕠́ 𝕖𝕝𝕒𝕤 𝕔𝕠𝕟𝕙𝕖𝕔𝕖𝕞 𝕣𝕦𝕞𝕠 𝕒 𝕦𝕞 𝕡𝕠𝕣𝕥𝕠
ℂ𝕒𝕣𝕣𝕖𝕘𝕠 𝕟𝕠𝕤 𝕡𝕠𝕣𝕠̃𝕖𝕤 𝕥𝕣𝕚𝕤𝕥𝕖𝕫𝕒𝕤 𝕠𝕔𝕦𝕝𝕥𝕒𝕤, 𝕢𝕦𝕖 𝕒𝕤 𝕒𝕧𝕖𝕤 𝕟𝕒̃𝕠 𝕧𝕖̂𝕞
𝔼 𝕟𝕠 𝕙𝕠𝕣𝕚𝕫𝕠𝕟𝕥𝕖 𝕒𝕤 𝕟𝕦𝕧𝕖𝕟𝕤 𝕣𝕦𝕘𝕖𝕞 𝕒𝕟𝕦𝕟𝕔𝕚𝕒𝕟𝕕𝕠 𝕒 𝕥𝕖𝕞𝕡𝕖𝕤𝕥𝕒𝕕𝕖
𝕃𝕠𝕘𝕠 𝕔𝕙𝕖𝕘𝕒𝕣𝕒́ 𝕒 𝕔𝕙𝕦𝕧𝕒, 𝕡𝕣𝕠𝕗𝕦𝕤𝕒, 𝕤𝕚𝕟𝕒𝕝 𝕢𝕦𝕖 𝕠 𝕠𝕦𝕥𝕠𝕟𝕠 𝕛𝕒́ 𝕧𝕖𝕞
𝔸𝕘𝕚𝕘𝕒𝕟𝕥𝕒𝕞-𝕤𝕖 𝕒𝕤 𝕠𝕟𝕕𝕒𝕤 𝕔𝕠𝕟𝕥𝕣𝕒 𝕠 𝕔𝕒𝕤𝕔𝕠 𝕟𝕖𝕤𝕥𝕖 𝕞𝕦𝕟𝕕𝕠 𝕥𝕚𝕣𝕒𝕟𝕠
𝔻𝕖 𝕗𝕠𝕣𝕞𝕒 𝕚𝕟𝕖𝕩𝕠𝕣𝕒́𝕧𝕖𝕝, 𝕤𝕠𝕡𝕣𝕒𝕞 𝕠𝕤 𝕧𝕖𝕟𝕥𝕠𝕤 𝕚𝕟𝕤𝕚𝕕𝕚𝕠𝕤𝕠𝕤 𝕕𝕠 𝕖𝕩𝕚𝕤𝕥𝕚𝕣
ℕ𝕠𝕤 𝕡𝕒𝕣𝕒𝕕𝕠𝕩𝕠𝕤 𝕕𝕒 𝕧𝕚𝕕𝕒 𝕔𝕠𝕥𝕚𝕕𝕚𝕒𝕟𝕒, 𝕔𝕠𝕟𝕥𝕚́𝕟𝕦𝕒 𝕖 𝕔𝕠𝕟𝕥𝕣𝕒𝕕𝕚𝕥𝕠́𝕣𝕚𝕒
𝕁𝕒́ 𝕟𝕖𝕞 𝕤𝕖𝕚 𝕠𝕟𝕕𝕖 𝕞𝕒𝕚𝕤 𝕟𝕠𝕤 𝕖𝕟𝕔𝕒𝕚𝕩𝕒𝕞𝕠𝕤 𝕟𝕖𝕤𝕤𝕒 𝕤𝕦𝕣𝕣𝕖𝕒𝕝 𝕙𝕚𝕤𝕥𝕠́𝕣𝕚𝕒
ℕ𝕦𝕞 𝕒𝕘𝕠𝕣𝕒 𝕢𝕦𝕖 𝕟𝕒̃𝕠 𝕖́ 𝕤𝕠𝕟𝕙𝕠, 𝕞𝕒𝕤 𝕥𝕒𝕞𝕓𝕖́𝕞 𝕟𝕒̃𝕠 𝕖́ 𝕧𝕖𝕣𝕕𝕒𝕕𝕖𝕚𝕣𝕠
𝕊𝕖𝕣𝕒́ 𝕡𝕒𝕣𝕥𝕖 𝕕𝕖 𝕦𝕞 𝕞𝕠𝕞𝕖𝕟𝕥𝕠 𝕗𝕚𝕔𝕥𝕚́𝕔𝕚𝕠 𝕠𝕦 𝕖𝕤𝕥𝕒́ 𝕤𝕠𝕓 𝕞𝕚𝕟𝕙𝕒 𝕡𝕖𝕝𝕖
ℕ𝕒 𝕞𝕚𝕟𝕙𝕒 𝕔𝕒𝕣𝕟𝕖 𝕕𝕖 𝕣𝕖𝕒𝕝𝕚𝕕𝕒𝕕𝕖 𝕚𝕟𝕕𝕖𝕝𝕖́𝕧𝕖𝕝 𝕔𝕠𝕞𝕠 𝕦𝕞𝕒 𝕥𝕒𝕥𝕦𝕒𝕘𝕖𝕞
𝔸𝕘𝕠𝕣𝕒 𝕟𝕖𝕤𝕥𝕒 𝕓𝕦𝕤𝕔𝕒 𝕚𝕟𝕥𝕖𝕣𝕞𝕚𝕟𝕒́𝕧𝕖𝕝, 𝕟𝕒𝕕𝕒 𝕡𝕒𝕣𝕖𝕔𝕖 𝕗𝕒𝕫𝕖𝕣 𝕤𝕖𝕟𝕥𝕚𝕕𝕠
𝕊𝕠́ 𝕧𝕚𝕧𝕖𝕣 𝕖𝕞 𝕝𝕦𝕥𝕒 𝕔𝕠𝕞 𝕦𝕞 𝕡𝕒𝕤𝕤𝕒𝕕𝕠 𝕢𝕦𝕖 𝕛𝕒𝕞𝕒𝕚𝕤 𝕤𝕖𝕣𝕒́ 𝕖𝕤𝕢𝕦𝕖𝕔𝕚𝕕𝕠
ℂ𝕠𝕞𝕠 𝕦𝕞 𝕣𝕖𝕥𝕣𝕒𝕥𝕠 𝕟𝕒 𝕞𝕖𝕞𝕠́𝕣𝕚𝕒 𝕢𝕦𝕖 𝕤𝕖 𝕡𝕒𝕣𝕥𝕚𝕦 𝕖𝕞 𝕞𝕚𝕝 𝕡𝕖𝕕𝕒𝕔̧𝕠𝕤
𝕆𝕦 𝕒 𝕞𝕦́𝕤𝕚𝕔𝕒 𝕥𝕣𝕚𝕤𝕥𝕖 𝕒 𝕥𝕠𝕔𝕒𝕣, 𝕢𝕦𝕖 𝕚𝕟𝕕𝕒 𝕖𝕔𝕠𝕒 𝕟𝕠𝕤 𝕞𝕖𝕦𝕤 𝕠𝕦𝕧𝕚𝕕𝕠𝕤
𝔽𝕠𝕚 𝕒𝕤𝕤𝕚𝕞 𝕢𝕦𝕖 𝕡𝕒𝕣𝕥𝕚𝕞𝕠𝕤 𝕖𝕞 𝕤𝕚𝕝𝕖̂𝕟𝕔𝕚𝕠 𝕟𝕒 𝕓𝕦𝕤𝕔𝕒 𝕕𝕖 𝕟𝕠́𝕤 𝕞𝕖𝕤𝕞𝕠𝕤
𝕄𝕖𝕕𝕠𝕤, 𝕒𝕞𝕠𝕣𝕖𝕤, 𝕣𝕖𝕔𝕖𝕚𝕠𝕤 𝕖 𝕓𝕖𝕚𝕛𝕠𝕤... 𝕗𝕠𝕚 𝕞𝕦𝕚𝕥𝕒 𝕔𝕠𝕚𝕤𝕒 𝕖𝕟𝕥𝕣𝕖 𝕟𝕠́𝕤
ℍ𝕠𝕛𝕖 𝕒 𝕕𝕚𝕤𝕥𝕒̂𝕟𝕔𝕚𝕒 𝕖́ 𝕥𝕒𝕟𝕥𝕒, 𝕢𝕦𝕖 𝕟𝕖𝕞 𝕠 𝕠𝕔𝕖𝕒𝕟𝕠 𝕗𝕠𝕚 𝕔𝕒𝕡𝕒𝕫 𝕕𝕖 𝕤𝕖𝕣
𝔸 𝕟𝕠𝕚𝕥𝕖 𝕒𝕔𝕒𝕓𝕒, 𝕒 𝕙𝕚𝕤𝕥𝕠́𝕣𝕚𝕒 𝕥𝕖𝕣𝕞𝕚𝕟𝕒. 𝔼𝕤𝕤𝕒 𝕔𝕙𝕦𝕧𝕒 𝕛𝕒́ 𝕧𝕚𝕣𝕠𝕦 𝕣𝕠𝕥𝕚𝕟𝕒
𝕆 𝕙𝕠𝕞𝕖𝕞 𝕕𝕖 𝕥𝕖𝕣𝕟𝕠 𝕔𝕚𝕟𝕫𝕒 𝕠𝕝𝕙𝕒 𝕠 𝕔𝕖́𝕦 𝕖 𝕒𝕓𝕣𝕖 𝕠 𝕘𝕦𝕒𝕣𝕕𝕒-𝕔𝕙𝕦𝕧𝕒𝕤
 
Oceanos

Vejam-me assim

 
Caros poetas vejam-me assim:
Sou uma pessoa apaixonada
Que vive essa paixão e é fiel
Que apesar de ser feliz assim
Tive um passado de muita dor
De procuras inúteis e vãs
De erros por medo e coragem
Mas nunca escolhi ser falso
Nem escolhi mentir ou enganar
Escrevo para quem sente dor
Como quem lhe estenda a mão
Ou ofereça o ombro de amigo
Acredito ser parte do divino
E que em tudo há uma razão
Que por vezes, não sabemos ver
Sou pequenino naquilo que sei
Grande para aceitar todo saber
Se vires assim, serás meu amigo
E eu serei amigo teu e te ouvirei
Não me fales mal de outra pessoa
Pois, sei que não saberei entender
Mas, escrevas um poema sentido
Que chorarei ou rirei ao teu lado
Por fim, dos meus defeitos o maior
Foi fazê-los pensar que também sou poeta.
 
Vejam-me assim

Quase noturno 6.5.1

 
O poema perdido na tarde eterniza o verso na palavra jamais escrita
O que os lábios feridos pronunciam ao vento triste não mais voltará
Nessa calma angustiada o que era murmúrio fez-se um duro silêncio
Como as pedras sobre as quais o sol bate, intenso, sob o fogo do dia
As recordações dos gestos de teu corpo despertam grandes lágrimas
Então, ouço os trinidos das flautas e inspiro o perfume dos gerânios
Que ficou esquecido nos rumores de um tempo lá detrás na estrada

Na ordem das coisas, breve, a luz diminuirá para a chegada da noite
É na noite que germina o poema e assim incendeia sombrios segredos
Que não se podem confessar na luz do dia, quase branca, tua nudez
Que em si é um poema, que navega graciosa em meu sonho mais vivo
O poema me sussurra ao ouvido tantos nomes, anônimos esquecidos
Ah estes versos que me contam histórias de uma infância longínqua
Mas tão interminável que ainda agora chego a duvidar chegue ao fim

Há momentos que chego a chorar por saber que a luz da aurora virá
Com sua luminosidade que devolverá o coração à sua dura realidade
Que renasce a cada amanhecer não importa se o céu é cinza ou azul
Porém, vou te esconder ao longo deste março de águas e de lágrimas
Para te rever radiante em minh’alma com a chegada de um novo abril
Devo te contar que juntos, somos uma espécie de eternidade juvenil
Sem espaço para a tristeza nas palavras no grato balanço das sílabas

Há 6 anos atrás, em 11 de março poderia ter sido meu ultimo dia na terra, mas Deus quis que não e assim comemoro meu sexto ano da nova vida,
 
Quase noturno 6.5.1

Quais horas

 
Como saber da hora assinalada no terrível escuro lá fora
Que pudéssemos atravessar a rua na certeza que não há
Por cima de nosso ombro esquerdo o espreitar da morte

Como saber a hora que fora dos relógios ou calendários
Nos desse salvo-conduto para cruzar na agrura dos dias
Para viver livre dessa dor incurável que veio da infância

Como saber qual é dessas horas que restou nas manhãs
Onde se desfez no negro veludo noturno o que era amor
Para ser apenas a angústia, um silêncio, um vazio abissal

Como saber qual seria a hora de resgatar um quê de azul
E a memória inda guarde o bálsamo do campo e do vinho
Sorvido na avidez amarga da vida sonhada, mas não vivida

Como saber qual a hora no turvo espelho que nos reflete
Que ainda guarde um brilho antigo ainda que já distante
Entre os rudes rastros que o tempo nos acumula na face?

O amor não dorme ou se disfarça: ou reina ou não existe!
É como o vento da tarde que sopra um perfume no rosto
Momentos anônimos residentes de uma breve esperança
Estilhas recolhidas da vida secreta de quando se era alado
Mas tudo passa, mesmo a noite e seus incêndios de amor
E todas as promessas serão esquecidas na face das horas
Um dia olharás para trás e só restou a certeza que é tarde
Nessa hora virão as lágrimas perdidas a trilhar pelo rosto
Cobrar pelo amor que se jurou, mas não se permitiu viver
Pelo carinho negado e ter preferido ter razão que ser feliz

É que para amar por um segundo, na mais plena verdade,
a vida, nessa hora, te requer a entrega de uma eternidade!
 
Quais horas

Os poetas não morrem

 
Os poetas não morrem jamais pois que a poesia os eterniza
Em sua luz fundam uma linha de esperança, mesmo áspera
Como ásperos são os caminhos do rio entre tantas pedras
Pedras entre as quais a água desliza livremente como seda
E preenche todas frestas como a palavra preenche a noite
Numa voz lúcida que não se sabe vem da alma ou do corpo
Mas é a brisa fresca que socorre o coração meio ao verão
Quando a vida nos queda solos o poema é o beijo da amada
Vem na madrugada chuvosa sob o céu sem vento e estrelas
Que a rua brilha a refletir as lâmpadas lá fora das vidraças
O poema é alento, o copo meio cheio, o perfume de flores
Além dessa densa fumaça metálica dos carros transeuntes
Que desfaz a melancolia e o esquecimento do mar interior
O som desse barco a navegar o mundo no azul das manhãs
Vencendo a tantas intempéries tristes qual o gris do sono
O poema é o grito dos mutilados, a nossa dor mais anônima
Que reinventa nosso alimento acima e adiante da angústia
O fluir do tempo invade o existir nas suas pétalas de horas
Entre sentimentos esfarelados e os fantasmas subjugados
Os poetas não morrem quando durar o clamor de escrever
Que, louco, vive nos subúrbios de nós, sob o calor da vida
 
Os poetas não morrem

Transformação

 
Vive dentro de mim um poeta enlouquecido pelas tragédias
Em luta com demônios, creia-me estão aí, a destruir o amor
Entre amores não vividos, sofrimentos, e sua própria tolice
Não lhe pode avaliar o cotidiano ordinário dos transeuntes
Que passam abstratos à sua vida real, feita de amor pujante
Todavia invisível aos olhos que escrevem na lousa do normal
Há dias ocos de palavras, de vozes mortas, em coro desigual
Há desejos reprimidos que me ferem tão na carne e na alma
Aceno com meus gestos inglórios de aflições mal ordenadas
Sem jamais perder a ética por um qualquer encontro fugaz
Semeio violetas, mesmo a temer não as farei colher, amiúde
Sinto ter encontrado em ti o sonho que a vida fez concreto
Que afinal vai começando a amanhecer num enredo surreal
Tua silhueta nua, a me sussurrar no ouvido tudo o que calas
Não é hora para arrependimentos tardios, nunca amei tanto
Se fosse chorar até sumir o coração, ainda teria tanto amor
Mesmo que o amanhã, entre suspiros, anuncie a tempestade
Não haverá mais enganos, sombras ou dúvidas a conjecturar
Eu te amarei por mil vidas, pois te amar recompôs o infinito
 
Transformação

Dor e angústia protagonizam o show
Quando a noite vem, a mágica se faz
Nasce o poema das entranhas feridas
Então, abro as asas e voo ao infinito.