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Poemas, frases e mensagens de CarlosFélixRodrigues

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de CarlosFélixRodrigues

Devaneio do pensar

 
Devaneio do pensar

Sentado.
Caminho pelas estradas tormentosas do pensar,tento não me afogar em mares agitados e marés velhacas que me enganam no agir, corro em pânico pelas florestas pardacentas da memória, e tu...que surges lá bem no fundo meio enublada, meio estranha, meio distorcida, meio tu...e voltam as estradas, mais compridas, mais esguias, volta o mar que se brande cada vez mais e me esbofeta sem pudor, sem pena. As florestas cada vez mais opacas, as copas mais altas, as pedras mais afiadas, o vento mais frio.
Chego ao pé de ti, de pés feridos, olhos empolados, de roupa molhada,vencido pelo álcool. Vencido pela fraqueza. Vencido por tudo.
Continuas meio tu. Ao menos, ainda és tu.
 
Devaneio do pensar

Onde é que estás?

 
Não lhes faltes, não os deixes,
Não os desapontes, não os esqueças.
Não os repreendas, nada lhes negues,
Dão-te o respeito, todo o amor que mereças.
Mas porque é que os vejo em pranto,
E nas suas caras vejo sofrimento?
Mesmo quando de Ti esperam tanto,
E se agarram a Ti como sustento?
Não preciso que de mim cuides, se os vejo como os sinto,
Larga-me da mão e toma-os pelos braços.
Se disser que não preciso minto,
Mas prefiro manter vivos estes laços.
Aparece, manifesta-Te, fala, grita, bate!
Surge, acolhe, toca, sussurra …
E leva de mim toda a força, mesmo que isso me mate!
E reparte por eles, a minha alegria, a minha ternura.
Não é fácil tentar iluminar uma casa que agora é escombro,
Mas é tão fácil dar-lhes um sorriso ou um obrigado.
Não é fácil suster uma lágrima quando tantas se dissipam no meu ombro,
Mas é tão fácil ter a força de mil homens e dar o ânimo que nem eu sequer tenho guardado.
Dá-lhes tudo, tudo sem excepção. Mas onde é que estás?
Não me questiono se existes,
Apenas me questiono onde é que Tu estás?

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Como amar alguém não se limita a um casamento, a uma relação, a um namoro, este dedico-o, com todo o amor, toda a estima e força que em mim existe aos meus pais.
 
Onde é que estás?

Nas planicies calmas da eternidade

 
É tão recente o luto,
Como a noticia da tua partida,
Com 17 anos terminou, assim tão curta tua vida.
Em silêncio, de casa vazia,
Apenas podemos gritar bem alto,
Porque raio não morre má gente, mas sim tu,
de mota no asfalto.
Com tudo para viver, tudo para aproveitar,
Com tudo para tocar e para sentir…
Tanta coisa para querer, tanta gente para amar,
Tanta coisa para fazer e para construir…
Que fosse de outro jeito, noutro dia, mais tarde.
Descansa assim meu querido amigo,
Nas planícies calmas da eternidade.

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Partilhaste o espirito do grupo, que descanse agora o teu, em paz. Rui Pedro Duarte (1991-2008)
 
Nas planicies calmas da eternidade

Transformações incompatíveis

 
Transformações incompatíveis p/ Carlos F. R.

Transformei-me em saco de boxe sem pugilista
Num ringue sem espectadores,
Transformei-me em moto sem pista
Num ruído sem motores.
Transformei-me em árvore sem fruto
Num sumo sem sabor,
Transformei-me em roubo sem furto
Numa agressão sem dor.
Transformei-me em barco sem mar
Num veleiro sem vela,
Transformei-me em desculpa sem perdoar
Num prisioneiro sem cela.
Transformei-me em memória sem consciência
Num cérebro sem maça encefálica,
Transformei-me em drogado sem dependência
Numa seringa sem ponta metálica.
Transformar-me-ei em qualquer coisa incompatível
Sempre que o meu mundo não se transforme no teu,
Tudo o resto para mim se tornará desprezível
Até que para sempre te transformes em algo meu.
 
Transformações incompatíveis

Ter não tendo...

 
Tenho vontade de fumar.
Toma um filtro, uma mortalha, tabaco, saliva e lume.
Tenho fome.
Toma uma sandes, uma bebida e uma peça de fruta.
Tenho desejo de um café.
Toma café moído, agua fervida, uma chávena e açúcar.
Tenho frio.
Toma um gorro, umas luvas, uma camisa e um casaco.
Tenho sono.
Toma um quarto, um pijama, uma almofada e uma cama.
Tenho saudades tuas.
 
Ter não tendo...

Versos Simples

 
"Versos Simples" - Chimarruts
Composição: Cassiane Silva

Sabe, já faz tempo,
Que eu queria te falar
Das coisas que trago no peito

Saudade,
Já não sei se é a palavra certa para usar
Ainda, lembro do seu jeito

Não te trago ouro,
Porque ele não entra no céu
E nenhuma riqueza deste mundo
Não te trago flores,
Porque elas secam e caem ao chão
Te trago os meus versos simples,
Mas que fiz de coração.

Para além de ser um dos meus grupos de eleição brasileiros, esta letra reflecte um pouco aquilo que nós (poetas) fazemos...versos simples, o nosso verdadeiro ouro, as nossas verdadeiras flores! Fica então o meu tributo.
Música e todos os direitos pertencem a Chimaruts.
 
Versos Simples

Desperta um sentido, dois e três...

 
Desperta um sentido, dois e três...p/ Carlos F. R.

Anseio por uma noite especial
Em que despertes em mim todos os sentidos,
Nesse momento fenomenal
Em que todos os que nos rodeiam são esquecidos.
Primeiro aproxima-te
Desperta o meu olfacto,
Esse teu perfume natural fascina-me
Deixa-me estupefacto.
Desperta a minha audição
Com palavras indiscretas e provocantes,
Deixas-me sem reacção
Com esses teus sussurros ofegantes.
Deixa-me sentir o teu tacto,
Toca o corpo que te pertence
Fico assim para ti, estático
Possui-me insaciavelmente.
Desperta a minha visão
Mostra-me o teu corpo divino,
Sente em todo ele a minha mão
Num toque repentino.
Desperta o meu paladar
Com o doce aroma dos teus lábios tão sensuais,
Possuindo-te sem sequer pensar
Apenas desejando nunca parar, ter sempre mais, mais e mais!

E assim me estreio na publicação dos meus poemas, dos meus textos. Espero que seja do vosso agrado, que vos dê tanto prazer a ler como me deu a escrever, é sinal que cheguei até vós por mais longe que estejamos. Bem haja a todos.

P.S- Aproveito para fazer um agradecimento público à Professora Luísa Gouveia,minha professora de Português na Escola Secundária de Palmela. Se escrevo, em grande, a ela devo.
 
Desperta um sentido, dois e três...

Escreve-te

 
Escreve-te p/ Carlos F. R.
Exprime em palavras o que deveras sentes e não o que queres sentir por ser gracioso. Escreve o teu pensamento, relata o teu raciocínio, conta a estória do teu espírito.
Se nada te ocorre mais vale nada escreveres, pois por mais que escrevas, nada será dito. Busca assim a verdadeira essência do ser e terás a leveza e destreza de te escreveres como nunca na tua folha de papel em branco, a genialidade de cada um...
 
Escreve-te

Assim é o amor

 
Assim é o amor

Passageira
volátil
Fervorosa e infantil
Imatura
frágil
efémera e versátil.

Assim é a paixão.

Tudo.

Assim é o amor.
 
Assim é o amor

Que noite, que mulher!

 
De noite, espero-te à tua porta. Apareces...
Momentos assim deveriam surgir diante de mim em câmara lenta, bem devagar. Sinto-me egoísta, quero parar o tempo para que possa absorver cada passo teu, cada jeito do teu vestido em cada movimento do teu andar.
E o teu sorriso. Esse teu sorriso...Bem que a lua se podia multiplicar por mil que não iluminava a minha noite como o teu sorriso. Fechas a porta. Cheiras a mar em dia de Inverno, perfumas o ambiente, a minha roupa e o meu corpo também.
Pelo caminho, contas-me como foi o teu dia, ris em voz alta, sem inibições e sinto-te alegre, alimentas-me a alma a cada gargalhada.
Saímos, jantamos, conversamos mais um pouco.
E volta de novo, o egoísmo apudera-se de mim em mais um momento em que quero que tudo páre e só tu, apenas tu, dances junto a mim. Voltam a ser os teus cabelos que rodam, os teus olhos que brilham por entre as luzes, o teu corpo que desliza, que me toca, que me provoca e dás-me sem qualquer aviso ou permissão a banda sonóra de uma vida, o som do teu beijo...música nos meus ouvidos.
Já de volta, à porta de tua casa páras diante de mim. Tocas-me o rosto e com um sorriso de satisfação, com um brilho no olhar, focas os meus olhos como quem foca uma mira e dizes-me num tom tão doce quanto sincero: "Que noite. Obrigada"; e voltas para casa, com a mesma graça com que saíste, em camâra lenta. De volta a minha casa, recosto-me no banco do jardim e suspiro fundo. Tento absorver toda uma noite num só momento.
Qual lua, qual perfume, qual jantar ou qual dança...Apenas tu, que noite, que mulher. Obrigado eu.
 
Que noite, que mulher!

Não interessa o que sou, interessa que existo p/ Carlos F.R.

 
Não interessa o que sou, interessa que existo p/ Carlos F. R.

Não estou bem, não estou correcto, não estou são, não estou certo.
Entendo agora que procuro nos outros a minha paz, escondo neles o meu desconforto,
É como que tentar esquecer o mal que ficou para trás, como quem esquece um aborto.
Desejar que aquilo que sabe bem agora, seja esquecido amanha por estar mal,
Aquele momento que se goza sem consciência, sem sentido, sem o essencial.
Mas é entre copos, filmes, mais copos, almofadas e mais copos que toda essa merda se prolonga e se esquece, e se prolonga e apodrece como num conto de fadas.
Esses contos…que seja a verdade que tudo no fim acaba bem e com um sorriso estampado, que não é como o fim de uma noite de discussões, no terraço pedrado.
Não tenho desculpas, não peço desculpas, não sou desculpa…tenho a culpa, sim sou culpado, assumo os meus erros mesmo sendo cada um deles pecado.
O mais estúpido de tudo é que quando tento ser certo, me agarro a algo com aquela força que surge sabe-se lá de onde mas que nos agarra a alguém de um modo tão forte mas tão fácil, de um modo tão bom, onde sei que sou hábil.
Mas e se afinal não sou? Se dou mais do que aquilo que alguém realmente deseja, se dou mais do que alguém merece? Se calhar nem sou quem penso que seja, se calhar sou do tipo “de identidade ele padece”.
Pouco importa, tenho de aprender a lidar com aquilo que sou, ou naquilo que me quero tornar. Se tudo à minha volta não mudou porque serei eu a ter de me sacrificar?
Pensando agora em tudo isto, em todo o bem e todo o mal, apesar de antes não o ter visto, esta é a minha conclusão final:
Agora estou bem, agora estou correcto, agora estou são, agora estou certo.
 
Não interessa o que sou, interessa que existo p/ Carlos F.R.

Tudo por Nada

 
Tudo por Nada p/ Carlos F. R.Parece tudo correr bem,
Tudo como simplesmente desejo e espero,
Nada me incomoda nem ninguém,
Nada é ruim nem sequer severo.
Parece que estou com sorte,
Nada me corre mal,
Tudo é bom quando o amor é forte,
E tudo o que era inútil parece agora especial.
Mas de tudo o que parece nada é especifico,
E nada do que contém parece verdadeiro,
Foi apenas irreal o sacrifício,
Foi apenas a realidade de um sonho momentâneo.
Esquecer-te talvez seja o mais apropriado,
Lembrar-te será mais uma tortura,
Querer-te torna-se agora errado,
E não te querer longe, uma loucura.
De tudo tentei e nada consegui,
E por nada conseguir vi que por nada lutei,
Em nenhuma etapa deste sentimento venci,
Apenas me magoei, me perdi.
Quero que tudo se esqueça,
Desejo apagar tudo aquilo que na minha memoria ainda está,
Afinal só tenho que te tirar da cabeça,
Impossível de fazê-lo não será.
Possível é dizer-te isto com certeza,
Que um dia este coração e corpo a terra comerá,
Levará nele o teu nome, a minha tristeza,
O amor de alguém que ficou por cá.
 
Tudo por Nada

Restam partes de ti

 
Restam marcas gráceis no chão daquele som que outrora era o do teu andar
Resta uma brisa amena daquele cheiro que outrora era o do teu perfume.
Resta um reflexo ténue daquele contemplo que outrora era o teu olhar
Resta uma impotência penosa daquele sentimento que outrora era ciúme.
Resta um arrepio desalentado daquele que outrora era o teu toque
Resta uma saudade espinhosa daquela nostalgia que outrora era a tua presença.
Resta uma pobreza desmesurada daquele tesouro que outrora era a tua posse
Resta uma lágrima insuprível daquela verdade que agora é minha sentença.
Resto-me a mim daquele que outrora era eu, que outrora era teu.

Carlos Félix Rodrigues
 
Restam partes de ti

Melhor que tu, que eu, que alguém

 
Melhor que tu, que eu, que alguém

E aqui estou como tu também estás,
De modos diferentes mas ambos existimos.
Claro que agora se lembra o que ficou para trás,
Todos os carinhos ou vezes que discutimos.
Andei que nem um cão perdido,
Aceitando tudo aquilo que me davas ou não,
Até por vezes era esquecido
Sempre a dar-me desculpas, sempre um senão.
Foi pena ter aberto os olhos um pouco tarde,
Não perceber que se calhar entendemos o amor de forma diferente,
Eu nunca cedi sem ser por ti nem fiz de ti cobarde,
Não mudo nem mudarei de atitude para ser aceite simplesmente.
Muita coisa já se passou,
Também muitas coisas boas não o escondo,
Lembrança que na secundaria e verão ficou,
Que com o tempo sofreu um negativo tombo.
Escolheste a tua dor, a tua solidão e tristeza,
Acabou por ser tudo isso meu também.
Não preciso de uma pessoa a fazer o que tu fazes com destreza
Mereço alguém melhor que tu, melhor que ninguém.
 
Melhor que tu, que eu, que alguém

Tão simples como ter medo

 
Tão simples como ter medo p/ Carlos F. R.

Tenho medo de um dia não ver,
De não falar ou de não ouvir,
De não gritar ou sequer escrever,
De não chorar ou simplesmente rir.
Tenho medo de não sentir amor ou dor,
De não me mover ou saltar.
De não sentir frio ou calor,
De não correr, de não andar.
Sim. Talvez tenha medo de isto tudo,
Mas nada posso fazer para isto tudo mudar,
E se mudar será porque os meus medos se tornaram realidade,
E eu? Já não vou cá estar para vos explicar.
 
Tão simples como ter medo

Esqueci-me

 
Ausentei-me. Deixei-me levar pela loucura do dia-a-dia, do tempo que escasseia, de tudo ser feito à pressa, ser mal feito, mal interpretado, mal sentido, mal valorizado...pensar somente. Guardar tudo fechado no pensamento. Gritar pra dentro, ser demente. Chorar de olhos secos, fingir o sofrimento. Esqueci-me. Esqueci-me de como em tinta se transformam sensações, de como no papel se marcam sentimentos e ilusões, de como se materializam saudades em sebentas, de como se exprimem tempestades em tormentas...É simples na realidade, saber a razão de tal fatalidade.
Esqueci-me de escrever. Esqueci-me de mim.
 
Esqueci-me

Lembras-me

 
Lembras-me p/ Carlos F. R.
Estava ela deitada sobre o meu peito e perguntou-me se a lembrava quando estava longe. Eu sorri , beijei-a no rosto e disse:
“Tu lembras-me o sol e o seu calor que me aquece, a luz que me ilumina. Lembras-me a lua que de noite me protege, que enquanto durmo me observa. Lembras-me o mar que da margem vislumbro, tranquilizante o seu temperamento. Lembras-me uma festa, sentimento de alegria, de amizade, um local aprazível e que não se quer deixar. Lembras-me uma carta escrita com cuidado, com carinho, um poema de amor…Lembras-me uma vela que com tão pequena a sua chama, tão fino o seu pavio, tem a força e a luz para iluminar um quarto. Lembro-me de ti, meu sol, minha lua, meu mar…a festa que é a minha vida, a carta que é a tua metade, a vela que é o teu amor, o quarto que é o meu coração”. Depois de absorver as minhas palavras
levantou-se devagar, sorriu e beijou-me. Sou feliz.
 
Lembras-me

Essa fonte, minha lembrança

 
Essa fonte, minha lembrança

Conheci uma velha fonte cujas lendas remontam à monarquia,
Fica perto de um belo monte
Que se estende até a pequena ria.
Velhos que lá bebem
A agua santa que dali brota,
Em cada balde cheio que erguem
Recordam mais uma derrota.
Numa vida de trabalho
Em que o descanso desconhecem,
Sem que o esforço fosse recompensado
Assim todos os reconhecem.
E já de noite todos se juntam
Numa taberna animada,
Populares bebem e cantam
Esquecendo a vida enublada.
E eu retiro-me...
Em passos lentos pela calçada gasta
Tento esquecer aquela gente que invejo,
Porque para mim nada basta
E eles apenas se contentam com o desejo.
Esse desejo de um dia voltar ao poço
E relembrar os momentos difíceis que lá passaram,
Quando eram crianças ou simples moços
Que lá se banharam e brincaram.
Quero ser como vós simples trabalhador
Soar com um sorriso no rosto,
Ter cales nas mãos e feridas sem dor
Trabalhar desde a manhã até ao sol-posto...
E de noite adormecer junto ao rebanho
Ou numa cave junto ao forno,
Pois vontade disso eu tenho
Ser um simples homem sem dono.
Sem desejos materialistas
Sem eternos sonhos ou ilusões,
Ser um simples realista,
Ser feliz com alguns tostões.

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Aos meus avós.
 
Essa fonte, minha lembrança

Teus cabelos

 
Teus cabelos

Senti o cheiro.
Cheirou-me a Jasmim, a pradaria
Soube-me bem, estava relaxado.
Talvez seja tambem alecrim
Que bom é, inspirar assim deitado.
Oh doce aroma neste campo...
e que textura essa que o acompanha?
Cheia de vida, de encanto
Tão sem inibições, de liberdade estranha.
Não são mais que sonhos, que reflexos dourados,
São eles preciosos, valiosos,
Teus cabelos encaraculados.
 
Teus cabelos

Me toma

 
Me toma

São palavras que me faltam
como as atitudes que não tomo.
São as frases que não escrevo
como a esperança que não tomo.
São versos que não se materializam
como a força que não tomo.
São letras que não se conjugam
como a verdade que não tomo.
São prosas que não se completam
como a sensibilidade que não tomo.
São folhas que não se marcam
como a verdade que não tomo.
São cadernos que não se guardam
como a lembrança que não tomo.
São momentos que não se apagam
como a saudade que não tomo.
São coisas.São minhas.
Sou eu, que já não sou.
Toma.
 
Me toma