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Poemas : 

Narciso, O Escultor

 
Sou um famoso escultor
Por toda parte conhecido
Tenho milhares de amigos
Crio maravilhas com suor.

Represento em arte, a vida...
Invento formas em esculturas
Em manifestações artísticas
Descascando a penha bruta...

Queria mostrar o meu talento
Que tinha punhos encantados
Eu iria criar em uma sala escura
Iria esculpir pelo sentimento
E apenas nas frias noites de lua...

Assim foi surgindo minha criação.
O mundo todo aguardava o momento
De o pano branco vir ao pó do chão...

Batido do martelo e corte do cinzel
Pelas noites gélidas e na solidão
Tendo a companhia da lua no céu
Esculpindo na mais absoluta escuridão...

Chegou o grande dia da inauguração
Da estátua que fiz em noites encantadas...
Todo mundo assistindo pela televisão...
Caiu o pano branco pelo solo da sala...

Um grito de horror!...Quanta decepção!
A escultura era o meu próprio espelho!
Era uma estátua horrenda e deformada
De mim mesmo!




Gyl Ferrys

 
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Gyl
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 23/10/2010 10:47  Atualizado: 23/10/2010 10:47
 Re: Narciso, O Escultor
Ola Gyl, Dorian Gray guardava a 7 chaves um retrato seu que exibia todos os seus defeitos de caracter e as rugas do envelhecimento (um retrato da sua alma)! Gostei do teu poema, que terminou com um final inesperado! Abracos!


Enviado por Tópico
GeMuniz
Publicado: 23/10/2010 19:39  Atualizado: 23/10/2010 19:39
Colaborador
Usuário desde: 11/08/2010
Localidade: Brasil
Mensagens: 7283
 Re: Narciso, O Escultor
Fala amigo. Nunca poderemos fazer um retrato de nós mesmos com isenção. E por vezes o que achamos bonito e interessante em nós é pura deformação do entendimento e funcionamento de si... Conseguimos ver os defeitos nos outros com muita facilidade e isso é natural. Mas quando se trata dos próprios...rs. Todos somos assim.

Abraço amigo. Até a próxima!