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Poemas : 

ALTAR DE PAPEL

 
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Estou no topo de um cume
de onde vejo terra e asfalto,
devia ter, de mim, ciúmes
por ter chegado tão alto.

Ainda chamam por mim.

Quem sofre a pior vez
e nunca acreditou.
Quem perdeu o bem que amou.
Quem pecou e se confessou.

Mas...

Meu filho nunca ressuscitou,
se alguém chegou a santo,
não fui eu quem o levou.
É melhor colocar meu manto
sobre tudo o que se passou.

Começa agora meu triunfo.

Ouçam-me agora meus fiéis:
lutem pelo que interessa,
se não forem os papéis
não há nada que vos impeça.

É oriundo do fundo
este grito que vos largo,
meu desgosto é profundo
mas não chega a ser amargo.

Também não chega a ser doce
a forma como vos vejo,
minha mente tornou precoce
a maneira como vos praguejo.

Desço então do pedestal
em que vós me colocais
e transformo-me no mortal
que vós sempre ignorais.
 
Autor
GDS
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