https://www.poetris.com/
 
Textos : 

Balada das letras inspiradas que fogem ao papel e à memória

 
Tags:  25/01/2008  
 
Soube pelas canções do espelho que era como era, novo e velho, de pranto e espera em lados diferentes... o de cá e o de lá. É assim que se vê aparecerem-me raízes nos ramos para evitar a terra seca, ressequida, dos dias que fogem quando tento crescer no passado. Raízes? Raízes! Deveriam ser rebentos e são raízes.
Nas letras das canções falo de baladas e poemas sobre pescadores e furacões reflectidos no mar, de escadas para o céu, da música e da cura para a liberdade que me vê sempre num reflexo feito de praias de areia polida... tão loura e polida que se exige à imaginação a absolvição do hediondo crime da secura.
Haverá neste desejo sem corpo uma aproximação entre mim e a assombração? Talvez, em cantes de terras distantes que aceitem raízes na sua forma mais natural.
E lá me fogem os dias... fogem sim! Fogem desarvorados, em corridas desalmadas, idas, fugidas que se sentem na carne... essa já pendente e dependente.
Tudo isto se passa à volta do sol, que se cobre e encobre por cantares espelhados entretidos a perseguir as estrelas da noite. São flores vivas e convivas que vão sempre morrer um dia destes. São sempre cores derretidas e escorridas à procura de um leito liso que não as absorva. São lágrimas sem sal que se desviam da cara que as deixa passar.
Diria um dia ou direi ontem ou disse amanhã, que já não sei nada de construção e, assim, opto pela desconstrução, pura, das canções que me choram o choro como se damas madalenas fossem.
E inverto a música.

Valdevinoxis


Nas troikas não há camaradas e da camaradagem não nascem troikas.


 
Autor
Valdevinoxis
 
Texto
Data
Leituras
754
Favoritos
1
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
14 pontos
6
0
1
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
varenka
Publicado: 15/10/2011 23:39  Atualizado: 15/10/2011 23:39
Colaborador
Usuário desde: 10/12/2009
Localidade:
Mensagens: 4211
 Re: Balada das letras inspiradas que fogem ao papel e à m...
Emocionante! Quase chorei.Até


Enviado por Tópico
Amora
Publicado: 15/10/2011 23:46  Atualizado: 15/10/2011 23:46
Colaborador
Usuário desde: 08/02/2008
Localidade: Brasil
Mensagens: 4763
 Re: Balada das letras inspiradas que fogem ao papel e à m...
Olá, Val,sempre um satisfação acompanhar o que escreves.
Com toda as iluminações que por aqui andam, sobre comentários, leituras e tal, vejo que não tenho técnica alguma para expor meu olhar quando ele cai, derretido, sobre um poema assim como esse teu. Encantada, feliz pela oportunidade de deliciar-me com letras que valem muito. É bem o caso aqui.

Ainda, quanto mais o leio no forum mais sustento a minha vontade de estar aqui.

Um abraço.


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 16/10/2011 12:46  Atualizado: 16/10/2011 12:46
 Re: Balada das letras inspiradas que fogem ao papel e à m...
O meu amigo continua igual a si próprio, com uma diferença: escreve cada vez melhor.
Sou honesto consigo, não gosto muito quando se perde em lirismos de «ferro e fogo», gosto bem mais quando deixa que sejam as palavras a fazê-lo poeta.
E você tem essa capacidade: De ser delas um filho.