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Poemas : 

Radicais livres na sintaxe de uma cultura abandonada ao tempo

 



Já não rego plantas de enfeitar em vasos instalados no meu alpendre virado para o sul. Cultivo planuras desgastadas pelas intempéries banhadas por um suor descarregado em exercícios iterativos de plena inércia. No fundo da lua amarela de fins de estações percebe se um não sei quê de sementeira por mondar e o escaravelho corrói as folhas no viço da verdura fresca. Sento me nas ervas altas e aprofundo a maturação deleitosa da cumplicidade das coisas por definir. O porvir desaparece em cada movimentação incandescente dos lavores fornecidos desde o nascente róseo ao poente rubro. As tardes envelhecem nos meus olhos cansados embalados pelo som de umas estrelas que teimam em serem pontuais na formação do coro gradativo de uma chamada por ordem alfabética. Nos meus ouvidos a suavidade adormece cantos dolentes entranhados na pele da penumbra errante das horas que fenecem. Fecho me na cúpula do ser que me germina no outro lado do reflexo que bate nas palavras calcorreadas pelos limites das margens. São as raízes que me despontam.


 
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uersus
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 22/11/2012 00:03  Atualizado: 22/11/2012 00:03
 Re: Radicais livres na sintaxe de uma cultura abandonada ...
há um conhecido cansaço na orientação dos pontos que acabei por abandonar... tolhiam-me... prendiam-me olho-me no céu... solto-me ao vento... não sinto terra embora a rosa dos ventos me siga ... e espero sem muito procurar ... procurar pode desencontrar-me e depois de tantos sim recusados e não certos fico atenta sem falar não vá o vento passar sem se deixar ver

e depois do teu, do meu escrito, quero um Sorriso daqueles que nos quase fecham os olhos

Obrigada pelas palavras que orientaram as minhas e te ocuparam este espaço

com Alma