Sonetos : 

CANTIGAS

 
Tags:  SONETOS 1996  
 
CANTIGAS

Eu te amar, querida, me tem sido
Uma alegria pura e insuspeitada.
Guarda tu para mim a asa quebrada,
Visto eu arcanjo em sombras decaído…

Se canto ao alaúde enternecido
Cantigas que deixei em minha estrada,
É antes porque a lua serenada
Me obriga a te velar o sonho havido:

Dorme, meu bem-querer, em dó menor.
Não cuides já se a noite s'estender
N'essa pequena morte que é o amor.

Permite que me achegue a te fazer
Doce acalanto, até teu trovador
Ao fim, junto de ti, adormecer.

Betim - 12 02 1996


Ubi caritas est vera
Deus ibi est.


 
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RicardoC
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