CANTIGAS
Eu te amar, querida, me tem sido
Uma alegria pura e insuspeitada.
Guarda tu para mim a asa quebrada,
Visto eu arcanjo em sombras decaído…
Se canto ao alaúde enternecido
Cantigas que deixei em minha estrada,
É antes porque a lua serenada
Me obriga a te velar o sonho havido:
Dorme, meu bem-querer, em dó menor.
Não cuides já se a noite s'estender
N'essa pequena morte que é o amor.
Permite que me achegue a te fazer
Doce acalanto, até teu trovador
Ao fim, junto de ti, adormecer.
Betim - 12 02 1996
Ubi caritas est vera
Deus ibi est.