Eu te guardo no peito, feito um grito,
Quando tu vais, a noite é sem fim;
A voz quebra em dor, sinto algo ruim;
E o teu nome em minh'alma segue escrito.
És sombra de ilusão, sol de verão;
E a falta acende em mim tanta tortura;
Há por fora um riso falso, e sem cura;
que, para não cair, eu finjo ser o chão.
E, quando me olhas, algo em mim pressente;
Transforma em silêncio, cresce em ardor;
Vagueio o caminho. Ainda sigo em frente;
De que me vale saber tanto amar?
Devolve em recuo, sempre sem cor.
Qual valor do amor que não sabe dar?
Souza Cruz