grão a grão
como água em debandada
foi-se a minha alegria
lágrimas à beira do vazio
nos confins sem tempo
vai a minha estrada...
e eu tão só na nostalgia,
simples o resumo da vida
que voou entre meus dedos
intensa, dizem as linhas da mão
ora oásis, ora deserto
- grão a grão, sem medos.
ouvindo o sangue à distância
na janela de par em par aberta
do coração de criança, sempre
alerta...
como água em debandada
agora mais negra, mais cansada
-vida é só já, chapinhar!
com desolada luz me alucina o olhar
já não sou a menina, trago dedos
de solidão e a saudade
que floresce feita obstinação.
natalia nuno
"Sou"
"Sou"
Sou do mar, sou sol e sou chuva fresca.
Elucubrações no silencio das horas tecidas.
Sou o hiato das palavras amordaçadas.
O valor de tantas lembranças vividas
Como ondas que movem à vastidão do mar.
Que tomam e conduzem as frações do ser.
Tal como conchas ocas, vazias de pérolas.
Os sentimentos se abrem na ânsia de ser.
Das incertezas que se avolumam em ciclone.
Escrevo na areia os murmúrios das sílabas
Crio minha aventura de vida, oscilando.
Entre dor e delicia, com facilidade absurda.
Como alga flutuo, incólume, transparente.
Embora às vezes me arrebente nas pedras.
Vou grafitando esse mundo de lente cinzenta.
Definitivamente sou da estrada tépida.
Glória Salles
PARA TER MUITA PRESSA
Inspirado em poema sem nome de Paulo Leminsky do seu Livro Póstumo "La Vie en Close".
PARA TER MUITA PRESSA
parto sempre muito cedo
para poder ter toda pressa
na santa paz dos meus erros
divago em passos por toda parte
sem bem precisar chegar
(saber nunca aportar é uma nobre arte...)
estrada aberta que te leva
suor fresco que te alisa
só deves ter muita pressa
se de pressa não precisas...
OLFATO
Meu coração me manda ir por um rumo incerto.
Manda-me prosseguir por uma escura estrada.
Vou e me guio apenas pelo olfato.
Manda-me pisar no barro da incerteza
E eu caminho na segurança do empirismo.
Tortura-se quando sigo para o certo.
Aperta-se no peito, doído, ferimento aberto.
Meu coração, esse louco,
Insiste para que eu caminhe no escuro.
Abro as narinas atento...
...Sigo.
Frederico Salvo.
O fim do tempo
O fim do tempo
Sinto-me como alguém a beira da estrada
A espera de algo que jamais vai chegar
E pensa que já está a procura do nada
Ou talvez na utopia do seu tempo parar
Passam crianças em caravanas brincando
Ninguém sequer olha para a sua tristeza
Lembra-se quando pertenceu a esse bando
E agora em sua vida só resta a incerteza
Assim é a ilusão deste mundo tão louco
Tanto faz se ter muito ou se ter tão pouco
Que o tempo nos leva ao mesmo caminho
No final desta vida a gente para de lutar
Aí que se nota que os bens que amontoar
Não vão poder mudar o nosso destino.
jmd/Maringá, 11.09.14
Minha estrada
Há tantas palavras que calo
Tantas e tão importantes
Como por exemplo, dizer que te amo
Calo, pois creio que se você as ouvir,
pensará que é simples carência o que falo
Ledo engano!
Alguns falam com palavras bordadas
E as admiro, muitas são belas
Eu, sigo apenas o coração e seus fados
Aceito o destino, sigo minha estrada
Mesmo calado, nunca me esqueço de ti
Nunca me perco nela.
Solidão
Solidão
Nesse quarto de saudades
Essa solidão me apavora
Não tenho mais felicidades
Como no tempo d'outrora
Tristes sentimentos meus
Nesta noite de amargura
Eu recordo o seu adeus
Que ainda hoje me tortura
Desde o dia que foi embora
E pôs os seus pés para fora
Aqui nunca mais voltou
Nesse dia foi minha vida
Por uma estrada dolorida
O que foi bom tudo acabou
jmd/Maringá, 09.04.19
Poeta de estrada...
Em tudo o que digo, intento
Desmembro, atiro areia para os olhos
Em altos gemidos
Outras, arrepio caminho
Foi Deus que me deu o condão
De escrever
Cabe a ti a interpretação
Ao ler
Coitados dos burros
Se fossem só ``burros``
Felizes dos espertos
Se não fossem incertos
Bem-aventurados os loucos
Dormem tranquilos
Malfadados os coitadinhos
Tem falta de coragem
Como vês escrevo
Com uma leviandade muito minha
Com vaidade e arrogância
Com carinho e muita dor
De merda, até de flor
Escrevo de olhos fechados
O que desconheces é que falo de ti
Ao escrever de mim
Que falo do medo
Que eu não tenho
Falo de pobres e dos ricos
Aos pobres levo esperança
Aos pindéricos dou a facada
Ou não fosse eu poeta de estrada
Aquela, que corta este país
Onde homens e mulheres
Escrevem o que te desdiz.
E no amanhã, outro que não tu interpreta
Enquanto tu passaste… tão SÓ…
Poesia de Antónia Ruivo
http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/
http://www.calameo.com/read/003383504c2b1a97d22a5
Dos andarilhos
Em meio ao desespero, continuamos...
Na estrada dos andarilhos em júbilo
Pelos corredores obscuros e vazios do caminho
Atravessando faixas de luz e ósculos
Que teimam em ressurgir por encostas.
E os latentes ventos do Sul
Ganharam força demasiada
Ao longínquo avistam-se os seus afluentes
Corriqueiros andarilhos em júbilo
Que percorrem trilhas em aberto
De sutilezas humildes da gratidão
Perfazem o perfil das multidões.
E em meio ao desespero, continuamos.
E continuaremos...
Ao som da orquestra dos mecanismos.
E ainda assim continuaremos
Na estrada dos andarilhos em júbilo.
26/07/07
Rio Branco.
É VERÃO, VAMOS DEVAGAR PARA CHEGAR DEPRESSA
Ora aí está o verão!
Bate bate o coração
A pensar no areal.
Amigo, não tenha pressa
Desejo que não se esqueça
Que o esperam em Portugal.
Fazer férias, é fazer festa
Descansar, fazer a sesta
Á sombra de um bom chaparro.
Á sua familia tenha amor
Protegendo-a do calor
Também protege o seu carro.
E quando chega a noite
Descanse, não se afoite
A guiar sem reposo.
Chegar à terra fresquinho
Com o carro inteirinho
É isso que nos dá goso.
E toda a familia festeja!
Chegaram!... bendito seja,
Vamos lá matar saúdades.
Juntos, bebam um verdinho
Mas jámais pelo caminho
Evite a fatalidade.
Vamos, vamos, vamos,
Vamos lá guiar
Vamos lá levar
A familia em segurança.
Vamos, vamos, vamos
Pela estrada fora
A 80 à hora
Cheinhos de esperança.
A. da fonseca