A natureza morta em tela vive
É gente de olhar negro viciada
Pela nudez da neblina púrpura
O chão d'Ismael não se revive
Sangra como sangrou sagrada
Mão que lhe ergueu alma pura
No horizonte deflagra um grito
Ecoa por tantas fomes e sedes
Da voz criança sem esperança
A raça desse ser humano aflito
Dorme num chão sem paredes
Algemada à sua negra herança
Aquela cegueira muda olha-me
O tempo só e inerte sepulta-se
Embrulhado em sangue e fogo
O passado sem futuro leva-me
A cor da minha pele suicida-se
No surdo fôlego do último jogo
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma