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Poemas : 

,algures, tardiamente

 
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,que o tempo não pare, nem deixe de parir tempos!

(I)

,e eu abrando,
repetem-se cenas, visões, nenhures imaginados,
criações sem nuvens em redor, ou alfazemas do campo
agarradas à terra seca, gretada,

,e eu abrando,

,o amar torna-se ridículo,
quando regressam os odores conhecidos,
como se à tarde existisse sempre, sempre
um esconder do sol,

,ou um poema por ler.

(II)

,transmuda-se a pele em escamas,
pela viagem sem partida, sem gestos,

mímica que os nevoeiros escondem,
tapam,
,lenços brancos esvoaçam símiles a bandos
de pássaros em migração constante, sem tino,
sem rota,
loucos.

(III)

,quantos os loucos.

(IIII)

,um dia abate-se o céu pelo peso das estrelas,

,eu, abrandar-me-ei,

agitando esse pó que me cobrirá
inexoravelmente,
implacável o ondear sem reflexo, nexo,

figuras, sombras, pessoas,

uma amálgama que se debaterá então.

,o tempo parará a loucura,
,as aves morrerão em pelo voo, suspensas,
acamadas nos cirros estáticos, eternizados,
enraizados no parir dos tempos.

(IIIII)

,e eu repetirei-me-ei,
,sem pejo, impedimento;

“-As amendoeiras renasceram em flor, algures, tardiamente.”





"Forfante de incha e de maninconia,
gualdido parafusa testaçudo.
Mas trefo e sengo nos vindima tudo
focinho rechaçando e galasia.
Anadiómena Afrodite? Não:"

("Afrodite? Não" Jorge de Sena)






Textos de Francisco Duarte
 
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F.Duarte
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Enviado por Tópico
Vania Lopez
Publicado: 30/01/2013 03:05  Atualizado: 30/01/2013 03:05
Colaborador
Usuário desde: 25/01/2009
Localidade: Pouso Alegre - MG
Mensagens: 17658
 Re: ,algures, tardiamente
E porque não dizer que é favorito desde já?!
Obrigada. bjs


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 30/01/2013 12:10  Atualizado: 30/01/2013 12:10
 Re: ,algures, tardiamente
A sua escrita é de uma profundidade abissal, nunca encontra o fundo. É uma prazer a leitura do texto, que prende a atenção e acorda a emoção num fruir imediato... e positivo.

Gostei muito, agradeço a partilha. Meus parabéns!

Um abraço e minha admiração.

ALICE