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Poemas : 

Tudo é Silêncio

 
Quero do fruto proibido
a desordem natural
espero a vida num labirinto
mas não vejo a entrada
não vislumbro uma saída

Bebo da fonte
todas as vontades
sacio o meu desejo impuro
mato a minha sede agreste

O extermínio
é a força dominadora
ouve-se o último tinir do vento
na revolta do meu corpo
não sinto a minha alma

O frio é agora um manto seco
agruras de outros tempos
a sua incompleta figura
calou-me
amortalhou-me
sufocou-me

Segui numa eterna procura
fui calamidade na noite
agora tudo é folhagem dispersa
tudo é silêncio
tudo é nada

A madrugada chega flamejante
e com ela
andrajo
pedinte
andarilho pelo tempo

Pinta grafitis nas paredes
agitam-se sombras loucamente
inicia-se a fuga
junto ao ventre imaturo

O desejo escorre
como restos de pingos de chuva nas vidraças

No rio afogou-se o último suspiro da noite

Dolores Marques
 
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ÔNIX
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Enviado por Tópico
Daras
Publicado: 15/07/2016 00:31  Atualizado: 15/07/2016 00:32
Muito Participativo
Usuário desde: 01/07/2016
Localidade:
Mensagens: 85
 Re: Tudo é Silêncio
Extraordinário o que e o quanto imprimes no mover das palavras, como se corressem céleres por entre as emoções, escalando alturas, tocando ventos, abrindo portas, como espalha em direções vividas...
O que um dia dispersa-se n'outro reuni-se em total harmonia e vice-versa e meditar sob esse ângulo de uma forma insurgente faz todo o sentido por é isso mesmo.

Obrigada Dolores por esse momento sem igual.

Um abraço