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Poemas, frases e mensagens sobre família

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre família

O Violino

 
No tempo que nasci,
Encontrei apenas um VIOLINO. ….
Já envelhecido,
Apenas o distinguia como um “L”.
As notas eram de vento
No seu filamento, o som era puro,
Palavras sagradas voavam
Sobre mim…
Ensinavam-me tudo o que uma criança pode saber…
Assim cresci.
Um dia, o VIOLINO calou-se.
Aprendi a chorar,
Mas eu multipliquei-me.
A magia voltou,
O VIOLINO voltou a tocar,
As notas ao princípio, eram apenas uma brisa.
Mas dia após dia, também elas voaram.
Elas e eles cresciam,
Tanto esplendor…
Afinal, eu também tocava.
As minhas notas também voavam…
Descobri que criança é toda igual,
E eu também lá estava…
Invisível.
Também as minhas iriam descobrir,
Que cada nota de nada vale…
Só juntas fazem milagres.
Fazem melodias,
Fazem famílias de notas,
Onde o som não é tudo.
Haverá dias, que o som se tornará apenas num toque,
E o amor será o seu guia
Onde apenas o belo tem som.
Mas eles crescem…
Cada dia são menos meus.
Como ensinar tudo?
Falar dos Deuses?
Ulisses,
Ele também ouviu notas falsas,
Mas o mar ainda é o mesmo.
Mas “estes marinheiros” ,
São meus…
Navegando em naus de BONDADE,
As cordas são notas da minha vida.
Passadas fio a fio com o saber do passado,
Experiências sempre entrelaçadas com o AMAR,
Serão elas capazes de resistir em continuar a navegar?
É tarde para mudar de oceano…
Resta-me que guardem o VIOLINO,
As notas continuam a ser de vento.
Serão sempre notas livres,
Terão lágrimas de SANGUE e SUOR,
Onde os “homens” que eu vi crescer,
Possam sem vergonha oferecê-las dizendo:
– São notas de família.
– São notas LIVRES e BELAS,
E de dentro do seu interior,
Todas as notas soarão a BELO.
Eu, poderei então colocar lá no alto uma cruz.
Também ela BELA,
E com palavras BELAS deixo escrito:
- Aqui, viveu um VIOLINO…
Com ele, aprendi a chorar em silêncio,
Mas de dentro dele,
Saíram todas as palavras belas
Que transformaram gerações de palavra em palavra.
Hoje, poderei partir em paz.
Hoje tudo será BELO.

(Todos os dias me esforço para que os meus filhos não tenham medo das palavras, que amem todos os dias intensamente, que gostem do belo e o possam dizer todos os dias em voz alta sem medos nem mitos.)
 
O Violino

“Dentro de ti habita o meu coração”

 
“Dentro de ti habita o meu coração”

Aquieto-me dentro do teu abraço
suspiro a felicidade que me dás
no calor que emana da tua pele
e na suavidade de me poder largar

Nesse perfume doce que me enebria
sob o céu espelhado em teu olhar
pestanejo-te faíscas provocatórias
finges que não percebes e beijas-me

Olho para cima e vejo o teu sorriso maroto
bonito, suave e encantador a desarmar-me
enquanto deslisas até ao meu nível sinto
nos teus braços aquele enlace tão gostoso

Lá longe miro a linha do horizonte
em busca de uma estrela que passe
o silêncio faz-se demasiado presente
olho para ti e vejo que adormeceste

Dedico-me então a admirar-te
o teu semblante de menino pequeno
apesar das barbas a tua pele é macia
e olhar-te tornou-se uma mania

Corro com o olhar todos os detalhes
do teu querido rosto assim desarmado
e sem que o saibas vou-te amando
mais um pouco do que tu saberás

Contemplar-te é um assombro feliz
poder mirar-te, dá-me vontade de rir
enquanto tu dormes profundamente
por vezes falas alto enquanto sonhas

E, divertida brinco contigo ao acordares
claro, que negas sempre ter adormecido
como se fosse possível eu estar enganada
e, como crianças muito nos rimos por isso

Mas que importa o que negas inconsequente
se apenas eu saberei o que de ti já vi e vivi
meu doce amor, cofre onde repousa o meu coração
que faz o meu corpo funcionar e muito te amar

Meu querido, meu senhor, meu amor, amar-te-ei sempre.

Maria, 24 Abril 2017
 
“Dentro de ti habita o meu coração”

Adopções de Amor e Piedade

 
No seguimento da leitura feita hoje à partilha do poeta Correia - " E amanhã um anjo" venho partilhar, um poema infantil já guardado há dois anos atrás.

Adopções de Amor e Piedade
Capítulo Um – Manuel, o gato cantor

Era uma vez um gato chamado Manuel
assim baptizado por sua mãe adoptiva
pois que era um nome muito comum e
por essa razão, assim se deveria chamar

Manuel era um gatinho calmo e meigo
Que adorava mimos e outras ternuras
Não fora ele um derretido que se dava
Todinho nos colos dos pais e em turras

Manuel era um belo gato pardo cinzento
De focinho redondo e olhos verdes

Manelinho tinha mais cinco irmãos
E sabia que o afecto que recebia
Era igual para todos os manos
E assim era, apesar dele ser o meloso mor

De noite, subia à cama de sua mãe
E se aninhava suavemente a seu lado
De vez em quando, mamãe acordava
Cheia de cócegas que os seus bigodes
lhe faziam, porque Manelinho gostava
de ronronar em volta do rosto da mãe.

A mãe do Manelinho era esquisita
Depois de ser acordava, ela não se zangava
Acendia a luz da mesinha de cabeceira
Sorria para o Manelinho e abraçava-o
Depositando-lhe mutios beijos na testa
Aninhando-se, logo de seguida com ele
a dormir com um sorriso imenso na face

Manelinho gostava muito de cantar
Subia aos móveis para ficar mais alto
E dali miava bem alto suas cantorias
Mamãe sempre dizia: “ ainda me hás-de
Ajudar a pagar as contas com essa vozinha”
E ele ficava pensando“ ela é mesmo esquisita”

Cantava, mas cantava tanto, que os irmãos
Faziam uma grande galhofa gozando com ele
É que os irmãos gostavam mais de brincadeiras
desafiando-o constantemente para as correrias

Manuel descansava a voz e nem sempre queria brincar
O que originava algumas zangas bem sonoras
A que sua mãe assistia rindo a bom rir
E lá ficava ele pensando “ ela é mesmo esquisita
Nem se importa com as nossas zangas”

Numa casa grande toda disponibilizada para ele
Manelinho vivia feliz com todos os manos e os pais
E naquela casa a vida era boa e muito tranquila
como o deveria ser para todos os outros seres vivos
longe da crueldade e da insensibilidade humana.

O gato Manuel nasceu em 08/06/2009 e foi registado no Municipio de Lisboa com o nome de “Egas Manelinho”

Eureka, 04.09.2016
 
Adopções de Amor e Piedade

Saudade que fica

 
Saudade que fica
 
Noite
Insone
Me
Consome
As
Pálpebras
Não
Querem
Adormecer

Sofro
De
Saudade
Tanto
Tempo com
Você
Sei que
Vou
Chorar
Sempre
Que
Lembrar
Dos momentos
Felizes
Ou tristes
Mas
Prazeroso
O tempo
Vai
Entender.
Aos poucos
Fica
A saudade
Desses
Dias
Na tua
Companhia.

Mary Jun
19 mar 17
 
Saudade que fica

Princesa Sara

 
Princesa Sara
 
Era primavera quando então
Senti uma indivisível emoção
A espera de um rebento botão
Em flor minha imaginação (mil).
Desta vez pareceu-me, mais
Forte, já cantava uma canção
De ninar no coração arfante
Tão feliz como antes infantil...
O sol já adormecia quando
Minha netinha princesa Sara
Chegou para brilhar encantar
Com seu esplendor multicor
Uma estrelinha brilhava ...
Naquele bercinho mas,
Parecia um pedacinho do céu.
Agradeci a Deus e coloquei
No colo e pus-me a sorrir
Pois ali estava uma estrela
A reluzir e o meu mundo colorir...

Mary Jun – 16/09/2016
 
Princesa Sara

Poesia partilhada entre duas almas

 
 
Há quem construa muralhas para proteger as suas flores…
Há quem resguarde a emoção nos bastidores de um sorriso …
Nós fazemos tudo isso, protegendo o amor com íntimo,
Fazendo do coração um jardim florido de Deus filho …

Acho o tempo para aproveitar cada segundo
no aperfeiçoamento
da palavra amar…

Quero-me despir de amor
nas linhas do teu corpo e
simplificar o verbo
no plural dos teus régios lábios …

Inventar-me contigo num novo verso.

Deixar de ser para existir em ti
como trecho do nosso íntimo emparelhado
sem a necessidade da rima para soar a belo.
 
Poesia partilhada entre duas almas

A vida é bela

 
A vida é bela
 
Naquele dia minha alma amanheceu nublada.
Frente ao que estava por vir!
Um negrume então, instalou-se,
Senti-me como nuvens carregadas preste a cair.
Diante da saudade que já sentia tomada de uma
Tristeza profunda! Quão difícil de explicar!
Nada, nada me acalmava. Tudo, tudo muito visceral!
Por alguns instantes tentei segurar às lágrimas,
Mas foi em vão. Elas saltaram de minhas pupilas;
Revelando por inteiro meu desespero!
Não, não estou reclamando da vida;
A vida é bela. Mas tem suas trajetórias...
Que creio eu, para alguma finalidade.
Às vezes pensamos: que somos tão fortes;
Mas não é bem assim. De repente desabamos
Como um barranco devido ao forte temporal.
Mas que num outro dia vem uma nova história.
Embora os escombros estejam ali.
O sol desponta, brilhando majestoso
Aquecendo e secando tudo; Inclusive às lágrimas.
Um lindo sinal de Deus, Preclaro Celestial!
Nessa hora, passa coisas mil na cabeça daquele
Que se não fosse ele. Não teria graça alguma escrever.
“Você leitor”! O que me deixou assim....?
Foi uma bagagem cheia de saudades de minha mãe.
Mas por quê? Se sempre faço esta ponte área;
Duas, três vezes ao ano. São Paulo/Recife vice-versa.
É que desta vez, ela está doente;
Passei dias com ela tornei-me uma alça de sustentação.
Mas como tudo na vida continua tive que retornar.
Quão dorida à partida. Logo, logo ela se torna leve,
Mas não deixará de existir. Existem momentos na vida...
Voando de Recife para Guarulhos!

Mary Jun
22/03/17

Imagem Google
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A vida é bela

A RESPEITO DA FAMÍLIA DE ONTEM E DE HOJE

 
Tornou-se uma raridade aquela avó acolhedora que cuidava dos netos quando os pais iam trabalhar. Aquela avó, que era quase uma ou às vezes até mais que a mãe para seus netos. Aquela avó que além de cuidar, fazia todo tipo de vontades com um sorriso de dar inveja. Mas, os tempos são outros, quando a avó não tem ocupações de diversos tipos, mora longe; hoje é comum que as “modernas avós” não tenham muito tempo para os netos, como não tiveram para os filhos; são comuns avós profissionais liberais, empresárias e por aí vai. Não existem mais as avós dos nossos sonhos, ficaram num tempo que ninguém quer de volta. Só querem, de volta por estranho que pareça, aquela avozona, tudo presta, só não prestam as avós modernas... A vida contemporânea exige de todos um distanciamento físico, os filhos partem para destinos distantes, um mora em Deus me livre, outro na Groelândia, o caçula casou e mora não sei onde. Partem para onde existem melhores oportunidades de ganhar a vida. Os pais modernos, também, quase não participam da vida dos filhos, que são criados em creches ou por empregados. Aquele pai que almoça e janta com os filhos, é exceção ao que o mundo vem exigindo de todos. São raros indivíduos, que podem trazer de volta, um pouco desse mundo antigo. Filhos premiados são esses com certeza! Conheço uma família que conseguiu essa proeza! Houve a opção de não deixar ir embora essa parte boa da vida. Filhos pais e avós vivem numa cidade de aproximadamente 300 mil habitantes, a família não se desfez, pelo contrário aumentou com os agregados, netos, etc. Os que estudaram fora preferiram voltar e exercer suas profissões, médicos, engenheiros, empresários, por perto. São raros os dias em que não ocorrem almoços familiares, com a balbúrdia costumeira Três gerações diariamente no almoço, um sonho para muitos, ali é comum. Mas, quase todos tiveram oportunidade de partir atrás de ocupações com melhores remunerações. Existiu a opção por ficar ganhando menos e ter realmente uma família. Para muita gente” moderna” isso é falta de ambição ou outras besteiras de quem só pensa em ganhar mais. É claro que a opção de ficar perto da família, de morar perto do trabalho, nem sempre é possível, todavia tem muita gente que pode fazer essa opção, mas prefere a modernidade, prefere ver os filhos crescerem sem os pais, aceitam que avós sejam apenas visitadores dos netos. Ser “moderno” ou ultrapassado, como sempre, eis a questão.
 
A RESPEITO DA FAMÍLIA DE ONTEM E DE HOJE

ENSAIO ADOLESCENTE... (Parte I)

 
ENSAIO ADOLESCENTE... (Parte I)

Em meados do século passado, num casario entre um aglomerado de montes, havia um vale... Daqueles com riachos, mulheres lavando roupas entre pernas acocoradas, decotes generosos muito próprios ao ato da amamentação... Aqui, acolá um filho às costas, ou pertinho do busto e mais ainda do coração, nas horas em que precisava da proteção contra os raios do sol.

Ouvia-se cantorias, entre as batidas dos panos nas pedras. Às vezes ouvia-se choro de criança, risos de mães e filhos, conversas em rodas de amizades, às vezes aconteciam brigas, conflitos de disse-me-disse, mas eram muito raros. As roupas eram secadas ali mesmo entre as moitas de arbustos ou sobre a pedreira, aqui, acolá espalhada em ambas as margens, naquelas águas rasas, em constante corredeira.

E no fim do dia, aquelas personagens subiam os morros em direção ao aconchego de seus lares. Seguiam a passos miúdos, trouxas na cabeça, filhos acompanhando de perto. No coração uma sensação de alivio, e realização despertado pelo cheirinho de limpeza vindo da roupa lavada, naquela rua-riachinho, fraternalmente compartilhada.

Entre aquelas pessoas Rosa e seus irmãos, retornavam também. Agora a etapa seguinte, seria dar banho nas crianças e preparar o jantar. Ela era filha mais velha aparentava uns 14 anos, mas só tinha quase dez... Assumiria as tarefas com os irmãos e os preparativos para o jantar, enquanto esperavam pela chegada da mãe, que tinha saído para trabalhar.

O pai daquela família, não chegaria para a reunião no final do dia. Vivia longe, muito longe, numa cidade distante. Aquela menina-moça já ouvira falar, era São Paulo (Brasil), um lugar onde os trabalhadores ficavam ricos. Talvez um dia ele voltasse, trazendo muita riqueza...

Naquele enquanto a primogênita assumira seus irmãos e os deveres de casa, para a mãe angariar o seu sustento, posto que do pai nenhuma ajuda teria chegado, nem sequer uma noticia teriam recebido. Nesse interim, Rosa crescia e estudava... Revezando entre o serviço de casa e a lida na escola, a professora Isaura seguia seu dia-a-dia, enquanto sua filha Rosa se esforçava em cuidar de tudo na sua ausência.

Rosa tinha cabelos longos, muito escuros, a altura da cintura, sempre dispostos em duas tranças enroladas à nuca. Olhos cor de mel, um riso sempre nos lábios, deixando entrever dentes branquinhos, dando um toque de harmonia aquele sorriso doce. Tinha ainda um olhar profundo e inquiridor... Um olhar de curiosidade, sempre a procura de detalhes. Detalhes que descobria, fixava e apreendia. Uma mente prodigamente iluminada.

Izaura era uma jovem senhora, dedicada a profissão. Alfabetizava com muita eficiência e era muito respeitada pelos resultados de seu trabalho. Morena clara, não usava pinturas nem tinha vaidade, mas na sua aparência simples escondia uma beleza latente, carente de se revelar. A jovem professora por viver afastada de seu esposo, não dava asas a extravagâncias, para se preservar, e evitar olhares de cobiça.

A casa era muito simples, com uma vasta escadaria no quintal. Rosa subia e descia aquelas escadas, acompanhada de seu irmão Norberto, que ela chamava de Beto, e Fernanda, que ela chamava de Nanda. Eles ajudavam a encher a jarra e mover a bomba manual. Apenas Rosa conseguia pressionar a bomba no sentido de conseguir água jorrando. Os outros irmãos tinham que pular na manivela, passo a passo para obter o mesmo resultado. Assim enquanto Rosa subia as escadas, com uma lata d'agua na cabeça, os outros irmãos se esforçavam em conseguir encher a lata seguinte.Enquanto isso, o irmão caçula Eraldo, ainda bebezinho, dormia num berço de rede. Artefato têxtil improvisado, com um pau enrolado em cada extremidade, mas muito seguro, porque dava a rede uma profundidade semelhante a um bercinho, e ainda balançava ao vento, bem fresquinho.

A jarra era muito grande, quase do tamanho de Rosa e muito maior do que Beto e Nanda, mas eles conseguiam encher de água, pelo menos, até a metade, contudo para derramar a lata de água Rosa tinha que subir em dois tijolos. A fornalha funcionava com lenha ou carvão, e  para alcançar as panelas também era necessário subir um tijolo, estrategicamente colocado para aquela finalidade.

Rosa sabia fazer arroz, feijão com carne dentro, salada crua e arroz doce. Também sabia fazer o leite de Eraldo, que era dissolvido em um prato fundo e batido com um garfo. Eraldo chorava pela mamadeira mas quando escutava Rosa a bater no prato, já ficava quietinho, porque entendia que logo estaria mamando.

Rosa já mocinha, tinha corpo de mulher, uma precocidade incrível. Sentia desejos inquietantes... Os seios fartos para sua idade, chamavam atenção pela delicadeza sensual que davam a sua figura inocente.

Mas a sensibilidade de Rosa era à flor-da-pele... Todas as vezes que ia dar a mamadeira a Eraldo, antes lhe oferecia um seio e se ele soltava ela oferecia o outro. Imaginava que ele era seu bonequinho, só que ao vivo, e ainda lhe passava toda aquela energia... Aquela eletricidade...

Sempre ficava gelada e quase derrubava o irmãozinho, com o vigor da emoção que a invadia, quando lhe oferecia seus seios de ninfeta... Paralisava... Simplesmente. Um dia descobriu que seria melhor se deitasse enquanto provava aquela sensação, era mais seguro para Eraldo...

Sempre que ia dar a mamadeira para seu 'bonequinho', Rosa fechava a porta do único quarto da casa, e pedia aos seus irmãos que não fizessem barulho para que Eraldo conseguisse dormir, e assim eles teriam um pouco mais de liberdade, poderiam brincar um pouquinho até que Izaura chegasse.

A menina Rosa fazia aquele ato absolutamente às escondidas porque, já desconfiara que sentir o que sentia era algo estranhamente proibido. Mas não deixava de contar, tais experiências, para suas amigas na escola... Em troca recebia mais informações que, curiosa, sempre encontraria uma forma de testar no seu dia a dia...

(Continua...)

Ibernise.
Indiara (Goiás\Brasil), 15.08.2009.
Núcleo Temático Educativo.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.
 
ENSAIO ADOLESCENTE... (Parte I)

Portas abertas para receber crianças

 
Aos sessenta anos, percebendo que ainda havia muito amor e carinho para dar e nem um filhinho pequeno para receber, Evinha abre as portas da sua casa acolhendo crianças para cuidar.
Era uma nova profissão que demorou para alcança-la, mas que lhe revelou seus verdadeiros dons.
No dia 18 de janeiro de 1978, ela recebe a primeira criança para cuidar, de nome Brenda, tinha a cabeça bem carequinha, olhos pretinhos e bem esperta.
Conquistou toda a família, vindo a se tornar o centro das atenções, o "xodó" da casa.
Apegou-se tanto a sua filha Mônica, que começou a chama-la de mãe, fato que se repete até os dias de hoje (1984).
Brendinha foi a primeira, depois dela várias outras crianças chegaram e encontraram a porta do coração de Evinha aberta ao amor puro de Mãe.
Foram muitas trocas de emoções, que a gratificou muito, por tê-la deixado mais feliz neste contínuo movimento de dar e receber amor, carinho, amizade, companheirismo.
Ela que sempre quis a casa cheia, além das crianças tinha os pais, mães, irmãos, madrinhas, que lhe ampliaram os laços de amizades.
Apesar de ser um trabalho cheio de alegrias e emoções, não era nada fácil, pela grande responsabilidade que é ser a educadora de várias crianças.
Com uma carga horária que às vezes lhe ocupava dezessete horas/dia, pois tudo se ajustava às necessidades das mães, começava a receber a primeira criança às seis horas e entregava a última às 23 horas, pois os horários eram variados.
Como todo ser humano ela mescla momentos de alegria com tristeza, talvez normal para uma pessoa que teve uma família tão unida, hoje tê-los espalhados.
As vezes pensa que a desunião entre as famílias mais abastadas, deve-se ao fato de cada um ter seu próprio quarto, sua televisão, seu celular, seu computador; isso tira aquele contato familiar de se ter a opinião dos pais e irmãos, nas questões da vida.

A auto biografia mais linda que li, onde tive a oportunidade de ajudar a transformar um sonho em realidade.
 
 Portas abertas para receber crianças

“Nosso Carinho”

 
“Nosso Carinho”

Meu corpo,
O museu de todo o teu carinho
Embalado em mel de rosmaninho
Sempre presente enquanto viveres,

Teu corpo,
O museu desse meu carinho
A guardar-me mil oferendas
De várias décadas de amor,

Teus olhos
Todo o meu céu límpido
A brilhar a luz que me alumia
Nessa terra àrida e infeliz,

Nos teus lábios
Todos os meus beijos preferidos
Beijo agora e mais tarde ao deitar
Adormecendo na tua conchinha,

Coisa doce, mais terna e bonita
Existindo assim em minha vida
Como se a eternidade já ganha
E gravada em nossos corações,

Nos salvasse dos dragões
E de todas as libelinhas
E dos palhaços ricos dessa vida,

E num trapézio alto nós dois a voar
Coração apertado ligeirinho pelo ar
De cá para lá e de lá para cá.

Amor e vida completa nessa bendita magia.

Lisboa, 24 de Março de 2017
Maria
 
“Nosso  Carinho”

A dedicatória mais perfeita...entre pai e filho!

 
 
Francisco ,queremos que cresças saudavelmente e que sejas aquilo que desejas ser, por isso vamos-te dar o nosso melhor (amor, segurança do cuidar, alegria, responsabilidade) ….

Ao som da lua cheia mudaste a hora da tua estreia …
Apressaste a chegada ao mundo, arriscando a tua vida,
Agora lutas para te ajustares à realidade, no ventre acrílico da maternidade …
És mais doce que o açúcar, mas os médicos dizem que tens falta dele …
Por isso tens os pés cada vez mais gigantes, a cada picada que sentes …

Sabes “Coraçanito”, precisas de te alimentar, para cresceres como o pai no futuro …
Não podes desistir de ser feliz, agora que mudaste o mundo …

Eu e a tua mãe te amamos muito …
Por teres ocupado o lugar do sol,
Por seres o testemunho mais genuíno do nosso amor,
Por seres a homenagem mais bonita que conhecemos da vida…

Força mensageiro do céu,
Não deixes escurecer as estrelas,
Brilha como elas na terra …
Pois já és a orientação exclusiva do nosso coração… — com Luis David.(Pai)

Esta dedicatória foi escrita pelo meu marido , no dia em que o nosso filho Francisco nasceu. Eu ainda a recuperar de um parto difícil e o nosso filho a lutar na incubadora...! Momentos difíceis mas onde o amor e a fé nos ajudaram a vencer!
 
A dedicatória mais perfeita...entre pai e filho!

Poema para Heloise

 
Poema para Heloise
 
Bem que te vi; na varanda o bem-te-vi!
Sim. Seus olhos claros, ainda embaçados...
Mas eu via que prestavas atenção.
Na expressão rubra do seu rosto rosado,
Parada ouvia calma não pensava em nada
A princesa na varanda nos braços da vovó...
Logo ao amanhecer, um olor delicioso vindo...
Das flores juntava-se ao suave frescor de Heloise
Saudada por bem-te-vis e um solitário colibri!
Bateram asas e voaram, voaram no azul infinito.
Não demorou o sol despontou lentamente,
Beijando sua tez, quanto me satisfez tê-la...
Em meus braços naquela manhã de verão!

09/02/2016
 
Poema para Heloise

ENVELHECI, NÃO TEVE OUTRO JEITO

 
ENVELHECI, NÃO TEVE OUTRO JEITO
 
Envelheci.
Não foi escolha, aconteceu.
Creminhos, dietinhas, chazinhos, e mil jeitinhos.
Uma melhorinha aqui outra acolá, mas tudo enganação.
Não tem pra onde ir.
Os anos de levam, e nunca te trazem,
E te enchem a bagagem de rugas, flacidez, e tantos remédios.
E aí para alguns que se casam como rende a família!
Netos, bisnetos e ultimamente tataranetos,
Rendem tanto como os livros na estante que vamos comprando depois que aposentamos.
Um clã e tanto somos capazes de produzir.
Mas não tive escolha, muito menos planejamento, e assim eu me tornei um monte de gente.
Outra coisa que percebi é o tanto que mudamos o pensamento
Quando menina tinha certeza que velha eu não ia ficar. Hoje também estou cheia de certezas: moça eu também não vou ficar.
Mas teimo diante do espelho, pura ilusão ou burrice mesmo.
Bem, há quem diga que tenho que ser positiva.
“ Com a velhice vem a madureza”...
Conversa pra boi dormir.
Ótimo, sei tanto quanto eu tinha 18 anos,
E a madureza que aprendi foi a de desconfiar.
Acho que é isso, não nos precipitamos, desconfiamos mesmo antes de agir.
Vejam só, meu neto de 7 anos consegue pagar minhas contas na internet, fez um email pra mim mas ainda não sei abrir. Sabe como funciona meu celular, o GPS do carro do pai, e ainda dá palpite na política do país. Eu com 7 anos conhecia banco pra se sentar e não pra guardar dinheiro.
Hoje, com tempo de sobra, preencho as horas passeando em livrarias, tricotando ou conversando sobre o rol de enfermidades que vão aparecendo, e claro trocando dicas de tratamentos com tantas amigas senis.
Não sou daquelas que amam as plásticas, mas confesso que cogitei.
Então, achei melhor não, meus filhos, todos do contra é claro, acharam-me sensata.
Mal sabem eles que foi a tal desconfiança misturada com medo mesmo. Porque vergonha a gente com a idade vai perdendo, e mostrar minhas pelancas para um cirurgião já não me deixariam constrangida. Porque constrangimento mesmo é com 18 anos ter que enfrentar um baile com uma espinha no rosto.
Bem, há suas vantagens, nem tudo neste corpo mais vivido é desgraça.
Tenho vagas no estacionamento privilegiadas e não enfrento filas, se bem que as filas da terceira idade estão ficando cada vez maiores.
Pacotes de viajem, faculdades, teatros, tudo com mais descontos.
Mas, a disposição também fica com mais descontos.
Bem, não foi minha escolha ficar assim,
Mas se fiquei vou até o fim.
Saber no que dá a gente já faz uma idéia.
Enquanto isso, vou escrevendo algumas bobagens e deixando por aí, quem sabe alguém resolve ler.
Assim acho que vou envelhecendo mais disfarçadamente, e com menos tempo de olhar no espelho...
 
ENVELHECI, NÃO TEVE OUTRO JEITO

Pai

 
Na poltrona da sala,
Tu te sentavas
Como se num trono.
No teu rosto pétreo,
Não havia sonho,
Não havia beijo,
Havia um cetro
Sobre meu ser e desejo,
O medo de encarar-te a face,
A ordem para que eu não me deitasse.

Assistias à TV sério.
Não confabulavas
E o teu silêncio
Preenchia toda a casa
Com um ar severo.

A impassível estante
Repleta de livros
Não deixava entrever,
Na sala, sequer
Um choro furtivo,
Apenas a ameaça
De homens e gigantes.

Sem saber, como tu,
Lutar, calar, reinar,
Largava-me no sofá
Sem ousar desafiar
Teu reino e tabu.

Mas, vieram as Eríneas,
Furiosas, cansadas
De cozinhar e fiar.

Atormentaram-me,
Seduziram-me,
Consangüíneas,
Até me insurgir
E cuspir-te.

Hoje, a estante está nua
E, nos fundos da casa,
Senta-se a privada
Para ver tua terra devastada,
O fim dos livros
E a revolta dos teus filhos.

Hoje, ponho anel,
Ponho relógio,
Cala em mim o teu fel,
Teu necrológio,
Enquanto assisto,
Deitado no sofá,
Ao fim de um apogeu,
Ao crepúsculo de um deus.
 
Pai

Você e o nosso universo

 
A janela bate com violência.
Ecoam os gritos da ventania lá fora.
Mesmo assim tenho que sair.

E fui à busca de quem eu sou.

Mas não seria tão simples,
Como realmente é,
Se você não estivesse aqui.
Provavelmente sucumbiria ao frio,
Ao medo,
A impotência.
No entanto, muitas vezes,
Seus olhos disseram o que eu precisava ouvir,
De mim mesmo,
Mas eu só poderia dizer
Quando aprendesse o nosso idioma.

Exercitamos a fala pura dos anjos
Sem dissimulações,
Sem protecionismos,
Sem barreiras.

Nem sempre foi fácil
Mas estamos acertando a pronúncia.

E saímos...
E fizemos nosso abrigo
E a ventania bate...
Porém os alicerces são firmes

E dentro do nosso abrigo
Ignoramos o mundo
Demos de ombros a nevasca
E nas noites mais frias
Brincamos sobre o tabuleiro da vida
Sabotamos o jogo sujo do destino
Plantamos nosso jardim de luz
E regamos com carinho
as flores que talvez um dia morressem

Criamos um universo próprio
E moldamos nossas estrelas.
Em suma,
Materializamos o infinito
Quando "coisificamos" nossas sensações
Em dois frutos de carinho
Cobertos da aura mais pura de amor.

Esse poema foi assinado com algumas lágrimas.

Trata do meu casamento, das dificuldades de iniciar uma vida a dois com apenas 18 anos e um filho (que depois se tornam dois, como o fim do poema mostra). Na verdade os cépticos também amam.
 
Você e o nosso universo

MUNDO REAL

 
Nos caminhos da vida,
Feito de observação.
Comparando a vida real.
Com a da televisão.
Meu Deus! Tanta confusão.
Valores distorcidos.
Degradação da família.
É o fim... Destruição.
Não vacile... Preste atenção.
Não acredite no que parece ser.
Pode ser uma ilusão.
Leia, pesquise, reflita.
Faça ponderação.
Saia do virtual.
Desligue a televisão.
Venha para o mundo real.
Abrace, ame, ande, fale, sinta.
Este contato com a vida.
Faz bem ao coração.
 
MUNDO REAL

Inigualável amor de pais!

 
Há 23 anos atrás
Um casal de namorados resolveu casar
Na esperança de serem felizes
De nunca se virem a separar!
Depois de se casarem
Em ter um filho começaram a pensar
Trataram de resolver o assunto
Para a futura mãe engravidar!
Ao longo da gravidez
Deram asas à imaginação
Imaginavam um filho rapaz
Imaginavam um belo rapagão!
Ao fim de nove meses
Já estava a mãe a sofrer
Entrou em trabalho de parto
O seu filho estava prestes a nascer!
Mas qual é o seu espanto
Quando a parteira lhe diz:
“É uma linda menina,
Espero que esteja feliz!”
Feliz ela ficou
Por uma filha saudável ter
Iria amá-la para sempre
Para sempre até morrer!
Toda a família esperava ansiosa
Principalmente o jovem papã
Que olhava para a incubadora através do vidro
Para aquela criança sã!
Desde o início
Aquela criança sempre amaram
Mesmo estando à espera de um rapaz
Nunca a desampararam!
Foi crescendo e crescendo
Esta menina muito amada
Rodeada de toda a família
A quem ela muito admirava!
Entrou para a escola, para a secundária
E logo depois para a faculdade entrou
Foi crescendo em todos os sentidos
E numa grande amiga se tornou!
Os pais sempre com sacrifício
Por ela sempre tudo fizeram
Hoje ela agradece do fundo do coração
Todo o amor que têm tido e tiveram!
Esta menina agora tem 22 anos
E muitas vezes para trás olhou
Mas quero agradecer principalmente aos meus pais
Por hoje ser tudo o que sou!
 
Inigualável amor de pais!

ANALÚ

 
Analú nasceu bela, pela alva, olhos muito azuis, e um chumaço de cabelo loiro que refletia o brilho do sol. Crescendo, veio despertando em toda a família grande alegria por esta menininha tão meiga e carinhosa. Nasceu numa bela casa, cheia de conforto e amor.

Com o passar dos anos, ela crescia e descobria coisas novas, e nunca deixava de prestar atenção a tudo em sua volta. Nos modos singelos, formava-se uma mocinha muito delicada. Mesmo sendo pequena criança, cuidava com primor do seu quarto, da casa, e ainda se divertia em olhar os livros de receitas da mãe, buscando novos sabores com o prazer de agradar os outros.
Já moça, despertava olhares de muitos, pois se tornara bela e atraente, e sempre sabia dar um sorriso cativante. Mas havia algo mais belo em Analú que seu corpo, era a pessoa no seu intimo, que era meiga, e ternamente amiga de todos. Disposta a ajudar e contribuir.

Mas, algo dentro de sua mente, começou a tomar conta como gangrena ou um vírus devastador. Rápido e sem piedade, veio um brotando um espírito egoísta, que veio a banalizar toda uma criação. A cada dia, ela deixava de dar sua opinião quanto ao que era mau ou bom, e ficava cada vez mais introspectiva. Era um comportamento novo, confundido com uma falsa maturidade. Mas, Analú depois de novos amigos, com o passar dos meses, ficou distante dos familiares. Nada de culpas, de criação errada, de mimos excessivos, apenas, um comportamento inesperado e ofensivo começou a aflorar nesta moça.

Analú veio a conhecer sua primeira paixão, entregou-se incondicionalmente a um homem que mal conhecia. Fora engodada pelo toque, carinho que desperta desejos, e momentos passageiros de diversão barata.
Toda uma família sentiu profundamente o novo comportamento degradante, em lágrimas e grandes decepções passaram a vivenciar seus dias. A moça se recusou a ouvir qualquer pessoa que se mostrasse contra suas novas atitudes e amigos.

Texto corrigido

Entrincheirou-se de orgulho e relutância. E repudiou a todos que tanto a amaram e dedicaram tanto de suas vidas.
Não havia mais compromisso, obrigações, cumplicidade para com sua família. Para ela, todos passaram a serem um estorvo. Então não importava mais em agredir, quer em palavras ou comportamento.

Passou a vestir-se de forma provocante e vulgar, a se embriagar e dormir fora de casa. Seu corpo começou a decair e seu intimo a transformar-se numa sombra obscura, intransponível. Recuava de conselhos. Ninguém conseguiu impedi-la. A reprovação de muitos levou a uma chuva de conselhos e alertas, sempre havia alguém que antes a conhecia e admirava e não suportava ver a transformação maléfica de Analú. A mudança era drástica, e não havia quem não espantasse ou sentisse pesar. Ela tinha apenas ouvidos para seus novos amigos. E em arrogância e dureza de coração desprezou a todos, ofendia, injuriava, humilhava quem tentasse impedi-la.

A moça endurecia cada vez mais, recusando-se a ouvir as suplicas dos pais e seus amigos. Passou a difamar mãe e pai como cruéis, insensíveis, retrógrados, colocando-se como vitima oprimida, angariando assim a amizade de outros jovens sem caráter e responsabilidade, gente revoltada, sem limites, que mais desrespeito e crueldade plantaram no coração de Analu. Nesta convivência, sentia-se diferente, independente, livre, sem compromisso com ninguém ou com o mundo. Chegou a ser presa algumas vezes por arruaças, e seu pai sempre a livrava da cadeia. Afinal, o lema era curtir a vida, e não fazer nada, apenas o que o desejo mandasse. Festas, bebida, sexo, e madrugadas acordada. Isso era felicidade pra Analu. Uma falsa felicidade.

Um dia, seus pais, cansados dos furtos e afrontas da filha, tolerando a casa cheia de vadios, seu pai tentou mais uma vez argumentar, mas foi inútil. Culminando tudo numa troca de palavras ofensivas, uma grande briga, Analú empurra sua mãe pela escada, onde resultou de a mesma vir a ficar dois dias internada num hospital. Não havia mais o que se fazer para tentar fazer Analú a reconhecer o amor que ambos sentiam por ela.

Decidiram então arrumar todas as coisas da filha e quando ela chegou a casa, seu disse que seria melhor ela morar com o homem que ela dizia tanto amar. Mas, em tom sarcástico, ela riu debochadamente e disse que não via a hora de se ver livre das garras dos seus pais, disse que vivia sufocada por eles, e que sairia de casa pra nunca mais voltar a vê-los. E assim, começou a arrumar suas coisas.

O pai com o peito doído, mas decidido, colocou tudo no carro, e a deixou com seus pertences na porta do casebre malcheiroso de seu namorado que ficava em outro município. Não conseguiu ficar ali para mais uma troca inútil de palavras, apenas entrou no carro, sem dizer mais nada. Veio um olhar marejado de pena, fruto de um coração cheio de dor e ingratidão.

Antes que o carro partisse Analú esbravejou: Graças que me deixaram em paz agora vou ser feliz. Não suportava vocês, e nem morar mais naquela casa. Não me importunem mais, sumam da minha vida!! Chega de uma vida medíocre e patética que vocês me deram. Não me procurem mais, nunca mais!!!

Bem, quando Analu bateu à porta, aparece seu namorado, com a cara de quem estava dormindo, todo amassado e com a barba por fazer, vestindo uma calça suja e desabotoada. Arregala os olhos e sem nenhuma demonstração de carinho espanta-se com ela e todas aquelas caixas e malas. Afligiu-se e disse que não podia ficar com ela. Tamanha surpresa! Forçosamente e em desespero, Analú invade a casa e joga as malas no pequeno quarto imundo e fétido. E impôs-se ali, sabendo que não tinha pra onde ir.

Os dias se passaram e ela, provou a miséria, a sujeira, o desconforto, e pior, o desprezo do homem que julgava lhe amar.
Nesse meio tempo seus pais tiraram férias e foram para longe tentando esquecer tamanho sofrimento. Não informaram pra onde. E neste lugar pra onde foram, tomaram uma decisão para tentar amenizar a dor que sentiam, sabiam que tinham feito tudo, mas foram desprezados pela única filha, então ali, decidiram fixar moradia, deixando pra trás as más lembranças que sua antiga casa trazia. E semanas mais tarde a mudança dos pais seguiu para este lugar que ficava distante de onde viviam.

Por volta de uns seis meses, Analu acordou com o corpo muito dolorido, e olhou-se num caco de espelho que havia num bancada perto do seu colchão. Estava com o olho roxo e ensangüentado da surra que ganhara na noite anterior, mais uma de tantas que agora experimentava. Decidiu arrumar suas coisas e voltar para a casa dos pais. Conseguiu furtar um trocado esquecido num bolso da calça do seu homem. E fatalmente teve que encarar a realidade de sua miserável vida. Pegou um ônibus e viajou pra cidade de seus pais, para a bela casa onde havia sido criada. Lá chegando viu outras pessoas, rostos estranhos. Perguntou pelos moradores antigos, e ficou sabendo que estes se foram e que não tinham deixado endereço, já fazia alguns meses. Tal notícia desceu como pedra no seu estômago. Bem, lembrou-se de seus antigos amigos, e foi procurá-los, e um a um escusou-se de ajudar Analu, mil desculpas deram e outros a desprezaram sem remorsos, até mesmo rindo de sua nova condição. Analu viu que não havia amigos de verdade.

Sentou numa sarjeta e começou a chorar profundamente. Lamentou-se de tudo que jogara fora e da forma tão ingrata que tratou sua família. Perambulou por vários dias pelas ruas, esperava anoitecer para ir às lixeiras vasculhar o lixo para encontrar algo pra comer. Dormia debaixo de marquises de lojas, passava frio. Ninguém soube informar o paradeiro de seus pais.

Passaram-se muitos anos... E as sementes plantadas deram seus frutos. Analú passou a viajar de cidade em cidade quando arranjava uma carona, até que veio parar num lugar bem longe de onde nascera, mas nunca mais encontrou seus pais ou notícias deles. Hoje ela é aquela velha cheia de trapos e sacos cheios de lixo que dorme debaixo da abertura de um esgoto, numa fenda do terreno onde ela encontrou pra morar. Cata comida no lixo até hoje. Levanta suspiros de pena em alguns transeuntes, que nada sabem da moça dura e orgulhosa que fora no passado. Hoje, seus pais não existem mais, e nem aqueles que lhe queriam tão bem. Não adiantou mais lamentar, apenas tentar sobreviver nas ruas.
Suas memórias lhe condenam todos os dias, e o tempo não curou o sofrimento diário. Pelos anos passados, seus pais deveriam estar mortos. Seu rosto enrugado ficou como máscara que esconde a princesa que ela um dia foi, e sua vida miserável não veio como castigo, mas como fruto por ela plantado.
Quando perguntam a ela por que ela mora nas ruas, ela diz: eu escolhi.

Caros poetas, este é um longo texto, mas a historia embora fora criada, tive como inspiração uma personagem que conheci realmente, e tem algumas semelhanças com o descrito aqui.
 
ANALÚ

Professor, Soldado & Mentor

 
Professor, Soldado & Mentor
 
O tanto que me mostrou
O tanto que já sacrificou
Me educou para ser, um dia, um homem feito
Tudo bem que ele tinha seu próprio jeito
Um pouco mal humorado, zangado e estressado
Mas sempre esteve do meu lado
Até mesmo quando me encontrava em péssimo estado
Estava comigo quando fiquei internado
Quando fui hospitalizado, ele ficou preocupado
Ele é uma das figuras que tento me espelhar
E, mesmo analfabeto, soube me ensinar
E, mesmo não muito ágil, nunca se mostrou frágil
Agora se encontra naquele tal estágio
Onde sua coluna doí a cada passo
Refletindo os anos acumulados
Torno-me então um tanto quanto alarmado
Ainda não estou preparado para dar-lhe adeus
Por isso aproveito enquanto possuo esses momentos meus.

Ele nunca teve condições de me presentear com objetos caros
Mas humildes ele me deu vários
Porém quando nos tornamos adultos, queremos é companhia
Pois de repente vivemos uma vida sozinha
Mas essa minha família é o presente que eu queria
Certo que ele perdeu sua filha, mas faz parte da vida
Não procurou uma saída alternativa
Sua cria mais nova ainda respira
E aqui hoje dedica, agradecendo essa grande dívida
E tornar-se um alguém exemplar transforma-se em uma sina
Objetivo é ser um pai presente, assim como ele foi comigo.

"Agradeço tanto
E falarei do senhor para o meu filho".

Ah, e aquela tal dívida citada acima
Que se iniciou no surgimento da semente pequenina
Foi ele quem me apontou a direção
Foi ele quem sempre segurou a minha mão
Também teve momentos que me levantou do chão
Preste bem atenção, poema feito pelo coração
E meu único desejo para com o senhor
É que eu não seja uma decepção
Que não valorize suas lições e sermões.

O "querer que sinta orgulho" eu possuo
Quem sabe vir me dizer que estou pronto para o mundo
Que eu conseguirei ultrapassar os espinhos
Que me olhe e diga, "-Este é meu filho"
E, quando este texto for lido, que seja compreendido
Infelizmente não sou tão bom para deixá-lo lindo
Mas isso tudo não imagino, eu sinto
E, à meia-noite estou escrevendo neste livro
Estou escrevendo este poeminha com apenas um pensamento
Separando este momento, aproveitando o tempo
Para dizer como sou grato
Ele está marcado, presente em várias fotos e retratos
Não sabes como que por mim és admirado
Idolatrado, não como herói, e sim como um soldado
Aqui deixo algumas palavras, obrigado por ter me ensinado
O que é certo e o que é errado
Pai dedicado, pai amado.
 
Professor, Soldado & Mentor