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Poemas, frases e mensagens de Joanad'Arc

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Joanad'Arc

COMUNICAR PHODAVONY

 
Um suave comentário
A quem não sente o que diz;
Quando diz, de modo vário,
Diz a coisa e o seu contrário,
Sempre dum jeito infeliz!

É que, para dizer da arte,
Há que ter arte a dizer...
Senão vá àquela parte
Ou então vá-se esconder.
Um conselho a reter:

Imagine que não leu...
Não sentirá que perdeu;
Pois a sua mente lerda,
Não irá sentir a perda
De esquecer o que aprendeu.

Pire-se, zarpe, baze;
Não lhe serve de catarse
É melhor se escapulir;
Mas não comente mais nada...
outro conselho a seguir;

Não se dê a essa maçada;
Vá abraçar uma almofada
E finja que vai dormir.

Mas se acaso adormecer
E acordar com tremeliques,
Saberá o que fazer:
Ponha os dedos a mexer
em cima dos apliques.

De Orléans, com amor

joana
 
COMUNICAR PHODAVONY

Garrafinha de mau cheiro

 
DEDICADA A UM PEDREGULHO AMORFO, ARVORADO EM ESTRELA COM PRETENSÕES A CEFEIDA, A QUE NÃO FALTA GRAVITANDO UMA CHUSMA DE PLANETAS SUBMISSOS, CUJA ESTERILIDADE É INVERSAMENTE PROPORCIONAL À LUZ QUE RECEBEM.
Um dia, Sophia de Mello Breyner Andresen, analisando o que pretendia ser um poema, do seu filho, Miguel de Sousa Tavares, disse: - Olha, meu filho, escreve o que quiseres, mas não escrevas poesia. Não tens jeito nenhum para isto.
- Conselho de mãe é para valer. o rapaz, nunca mais se meteu nisso...
Olhe o jeito que lhe faria, Srª pedregulho amorfo, ter mãe tripeira de ascendência escandinava!...
Resta-nos João de Deus, para a dissuadir:
...Você não escreve um chavelho!
«...Faça outra cousa: que em suma
não fazer coisa nenhuma,
também lhe não aconselho,
mas "poesia" não caia nessa
olhe que a gente começa
às vezes por brincadeira,
mas depois se se habitua,
já não tem vontade sua,»
e "fá-la", só diz asneira!

uma espadeirada
Joana d'Arc
 
Garrafinha de mau cheiro

Singularidades

 
Não é no eu que eu mais sinto,
que me sinto completa;
È naquele eu com que minto
se me sinto descoberta...

Quando alguém se deslumbrar
no plural do que é seu,
nesse seu eu singular,
encontrar-se, digo eu,
não será mérito seu;
É pura sorte ou azar.
 
Singularidades

Varoufakis, grande Varoufakis

 
(Gil Garcia. segundo Bocage e Joana D'Arc)

Varoufakis, grande Varoufakis, quão semelhante
Acho teu traje ao meu, quando os cotejo!
Tu no Mar Egeu e eu no Tejo,
A suportar provocação constante;

Aqui estou, junto ao Tejo sussurrante,
com Joana cruel, no horror me vejo;
Como tu, poderes vãos, que em vão desejo,
apesar do meu anseio, que é bastante.

Infortúnios, como tu, já tenho rol
Meu fito demando ao Céu, pela certeza
que o meu passo, não ultrapassa o caracol

Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!...
Se te imito no traje do cachecol,
Não te imito nos dons da Natureza.

Joana D'Arc
 
Varoufakis, grande Varoufakis

Porto

 
Pensei que não se aportasse na cidade
Por falta de amarras ou de molhe
Às vezes o preconceito que nos tolhe
Também nos turva a vista e a vontade

Afinal, há molhe e amarras; E há mais:
Há um cais que se estende; Porto sem fim!...
Do tamanho dos remorsos que há em mim
Porque todos os remorsos são iguais

Um dia hei-de chorar... chorar contigo...
(Ainda que inundemos a Ribeira)
À proa dum rabelo sem abrigo,

de coração partido e alma inteira
Eis um desígnio mais, e que eu persigo,
Até aportar no cais à tua beira.
 
Porto

Altair

 
Dentre toda a amizade conquistada,
Incontornável afecto se bastante,
A que mais finjo insípida e ignorada,
Na verdade... se revela mais constante.
Assumo esta incoerência inusitada,

Conquanto não perturbe de insolente.
Observo a condição subliminada
Revestida de sentido inteligente
Respeito que se deve à coisa amada.
E não sendo demasiado indulgente,
Inda assim, indulgência observada.
Amo o que sinto de ti em toda a gente
 
Altair

cuanto

 
Si Dios, es omnipresente, tiene la propiedad de cualquiera partícula elemental; estando en varios sitios a la vez, su ubicación queda pendiente del observador...Tratandose de Dios, el observador, ve tanto más resplandeciente cuanto menos esclarecido esté de la cosa observada.

joana
 
cuanto

Aveiro

 
Aveiro é o grito matinal duma gaivota,
troando têmporas e o sentido intemporal;
Que, mais que o sol de Agosto, é derrota
de qualquer neblina matinal...

Fogo de Santelmo, anuncia:
- Arauto que vem de novo -
Dizendo o que se previa,
pelo silêncio da Ria,
pelo murmúrio do povo

A brancura da salina,
como a vela dum veleiro,
é filigrana em prata fina
no decote de menina...
à proa de um moliceiro

Suavidade ao jeito
de (a)braço de mar que me acalma
é como um amor perfeiro:
Uma fragrância na alma

Aveiro do meu moliço
fertilizante da vida
perco-me em tí... e é por isso
que não me sinto perdida

joana D'Arc

«A primeira coisa a fazer para sermos gente é extrair o medo dos corações dos portugueses, fazendo deles homens generosos e fortes, libertos da grilheta da mais aviltante das escravidões»
Frase atribuída a Bento de Jesus Caraça, que a actriz Maria Barroso, pretendeu citar no III congresso de Aveiro, mas que foi censurada pela PIDE/DGS
Aveiro, 7 de Abril de 1973

https://youtu.be/c1oxr3PUXr0Aveiro
 
Aveiro

"Aty"

 
A menina, ainda não sabe
que o seu jeito suave
não é só por fora não...
Mas sabe que tem escondida
a chave que abre p'rá vida
as portas do coração
 
"Aty"

ComunicaSãoRock

 
Apenas estouvanada na aparência
Como boa filha de Lisboa
É clara a marca sã de gente boa
Com alto pendor p'ra irreverência

Quem a vê passar (a)segura
Dirá que é só alegria
Não saberá por ventura
(Nem no jeito desconfia)
Que num gesto de loucura
Distorce toda a'margua
Nos seus olhos-nostalgia

Finge alegrias no olhar
Se a tristeza subsiste
Qual angústia que consiste
Nuns versos por acabar...

Joana D'Arc
 
ComunicaSãoRock

plagia-me, meu amor

 
Se a minha escrita pudesse
cultivar quem me plagia
festejava se soubesse
aos saltinhos de alegria

sem me importar, que, dum salto
saltasse p'rás bocas do mundo...
se ao menos lessem por alto
o que eu dissesse no fundo

Sterea/joana
 
plagia-me, meu amor

poetisa inibida

 
Quando a poetisa se inibe
acha sempre na razão
um não sei quê que a proíbe
de favorecer o coração
Se a poetisa se inibe
porque tem mais que fazer
faz da alma um canto livre
p'ra quem se deixar prender
pensando ser seu dever
mais parece que não vive
tal é o afã de viver
 
poetisa inibida

"banho de humildade"

 
Com que voz se pede desculpa, quando há que pedir desculpa? Qual a sonoridade pretendida, se nos precatamos que não há câmara acústica que nos suavize a voz? E se persiste em nós, o ruído imenso de nos sentirmos sós, com que voz?...
 
"banho de humildade"

o último saber

 
O pressentimento da «morte apercebida»
É como se fosse a última parcela do saber:
Que consiste em abrir mão de estar na vida
Evitando assim a consciência de morrer
 
o último saber

BARCO RABELO

 
Barco que navega mundos
sem navegar um poema
não fundeia dois segundos
no bico da minha pena;
A não ser que seja um barco
com uma História original;
velhinha!... com ou sem arco;
conquanto que seja um marco
na História de Portugal
 
 BARCO RABELO

O Predador

 
Intriguista com cara de tritão,
Justo padrão de marialva altivo;
Bronco, hediondo, agressivo;
Vaidoso, caprichoso, parvalhão.

Faz do jogo sórdido, sedução;
Até um ar sofrido vê lascivo;
Tudo ao seu redor lhe é cativo;
Predador sem pudor... Um furacão!

Assim, frente ao seu espelho colorido,
Cuja imagem, Narciso, colhe e segue,
Não terá a noção de ter morrido,

No vórtice da vaidade, que o persegue.
Auguro-lhe castigo bem merecido,
Visto que a Natureza não prescreve.

Joana D'Arc
 
O Predador

OS TEUS OLHOS E O MAR «É PRECISO NAVEGAR»

 
OS TEUS OLHOS E O MAR
«É PRECISO NAVEGAR»

«É preciso navegar»
No teu mar alto e sereno
Caravela de sonhar
Navegando a todo pano
No sagrado e no profano
Da eternidade do mar

«É preciso navegar»
No segredo dos teus olhos
No Horizonte do olhar
Onde se afogam desejos
Na sede de querer beijar
Trocando sonhos por beijos
Desejos de naufragar!...

«É preciso navegar»
Porque desse mar profundo
saem sons que todo mundo
Gostaria de entoar

«É preciso navegar»
É preciso ir ao fundo
É preciso naufragar

Joana D'Arc

Para ti,
com toda a maresia da minha alma
 
OS TEUS OLHOS E O MAR «É PRECISO NAVEGAR»

espectro

 
Ayer hice un paseo en mí;
Es que me sentí grande y bonita.
fue tanto lo sentir,
que me sentí
asi, como decir?
casi infinita.
Despues salí de mí,
caminé al revés
para me hallar
en otra esquina,.
Ahí me asusté!...
Nunca me imaginé
tan chiquitina
 
espectro

Laços

 
Saber que andas esparzida
em ditosa conjuntura
(que o laço do amor (a)segura)
porventura em tempo e espaço...
E a dar espaço a outra vida,
que é a extensão da ternura!...
É o raciocínio que faço
quando fico acometida
da amplitude do laço...

Joana
 
Laços

Prece

 
Peço ao Céu muito alento
p'rá tarefa de escrever
na esperança de receber,
por engano, algum talento
e, com sorte, mais saber.

Áh! do que eu me havia esquecer!...
peço também lucidez
e, mesmo que não mereça,
que faça com que aconteça
poesia desta vez

Num jeito bem esclarecido,
envolvente e até profundo,
profundamente sentido,
cujo elemento de fundo
seja seta de cupido
que atravesse todo mundo.

Óh! se essa graça não vier
(que é o mais certo acontecer)
não é o Céu que não quer!...
eu é que não sei fazer.

Sem alento nem talento
o que se pode prever?
talvez um surto de pranto,
p'ra meu maior desencanto;
Mas seja o que deus quiser
 
Prece