Em minha vida,
eu sempre tive a esperança
de lhe falar que eu te amo,
guardada no silêncio de uma noite
em que o coração falou mais alto
do que a coragem que me faltava.
Eu te via nos detalhes simples,
no tempo que passava devagar,
em cada palavra que eu não dizia
por medo de perder
o pouco que eu imaginava ter.
E que você poderia também,
no meio de minha esperança,
me amar,
como quem chega sem aviso
e fica sem prometer nada.
Pois os dias em minha vida foram passando,
e com o tempo a minha esperança foi aumentando,
enquanto o tempo, em silêncio,
me ensinava a esperar demais.
E o meu amor por ti virou angustia,
quando amar deixou de ser sonho
e passou a ser peso no peito,
uma pergunta sem resposta
todas as noites.
E você, em minha vida,
eu só tive no meio da esperança,
nunca nas minhas mãos,
nunca no agora.
E por tanto á esperar,
eu a perdi para o tempo de uma esperança,
no dia em que percebi
que o tempo não espera
quem só sabe sonhar.
Pois eu sempre ti amei,
mais por tanto esperar,
eu não a conquistei,
e hoje entendo, em silêncio,
que amar também é aprender
a deixar ir.