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Crónicas : 

A transmutação da água ao vinho

 
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Acho que custou mas parece que o visitante entendeu o espírito da coisa. A água era tão cristalina e fresca que centenas de ovelhas desgarram-se do rebanho e passaram a caminhar por si mesmas, à procura de dinheiro. Uma delas conseguira atravessar o oceano e chegar em Nova Deli, mas deixou o cartão de pessoa física na cabine do navio. Voltou para o transatlântico quando o governo já havia decretada a falência do banco. Foi assim que não pode sequer deixar o motel outra vez sem vestir um xale branco, indumentária comum a todos os imigrantes recém chegados pelo mar. Ademais, não custava que, ao sair, desse uns trocados para um cafezinho ao faquir refestelado na cama de pregos, embalando uma naja ao som de gaita de fole.
Mas estava com sorte naquela noite. A hospitalidade dos anfitriões foi além das expectativas. Sempre ouvira falar que aquele pais tinha uma gente sem educação e agressiva. Ficou satisfeita por ter recebido tantas ofertas de emprego quanto foram as promessas de casamento. Era a vida que gostaria de ter. Poderia ser uma bobagem, coisas de somenos importância, mas naquele exato momento o corpo começou a dar sinais de cansaço, exigindo mais que um bom prato de macarrão parafuso ao alho e óleo. Por isso que todos ali sabiam que para melhor crescimento e desenvolvimento das mudas,o substrato deveria conter uma boa porção de areia lavada.
Aquelas cenas que passavam por seus olhos pasmados não foram inventadas, nem tecidas por fértil imaginação. Tudo se passou como sempre passa, considerando que até as uvas passam nos moinhos dos lagares para num ato de transmutação se tornarem o mais precioso vinho. Nem todos, é claro. Se é que me entendem...




 
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FilamposKanoziro
 
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