Sonetos : 

DESASSOSSEGO

 
Tags:  SONETOS 1996  
 
DESASSOSSEGO

Atrás de lentes foscas, olhos vagos;
Um coração sangrando malferido...
Na névoa a envolver o acontecido,
Vou recolhendo os restos dos estragos.

Nada senão o vão de vãos oragos
A me profetizar qualquer sentido!
Vasculharia as sombras sós d'Olvido,
Não fossem os amores fundos lagos.

Por horas de total desassossego,
N'um niilismo banal me desapego,
Indiferente aos males habituais

Desnortea, afinal, outro fracasso.
Fragmento o ser, pedaço por pedaço…
Eu sobrevivo a mim uma vez mais.

Belo Horizonte – 23 05 1996


Ubi caritas est vera
Deus ibi est.


 
Autor
RicardoC
Autor
 
Texto
Data
Leituras
740
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
4 pontos
4
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Lusitâniamaria
Publicado: 21/11/2016 00:51  Atualizado: 21/11/2016 00:51
Super Participativo
Usuário desde: 19/11/2016
Localidade:
Mensagens: 142
 Re: DESASSOSSEGO
Bonito. Gosto de sonetos.


Enviado por Tópico
MaryFioratti
Publicado: 21/11/2016 11:21  Atualizado: 21/11/2016 11:21
Membro de honra
Usuário desde: 09/02/2014
Localidade:
Mensagens: 2420
 Re: DESASSOSSEGO
Ricardo,

Essa sensacao de fracasso deve ser muito forte e ruim, mas acho que todo fim tem um comeco "de nos mesmos", o resgate da nossa lucidez, alem do que um pouco de nos mesmos.

Numa relacao, entregamos muito, e ficamos sem um pedaco de nos. Quando ela vale a pena, a gente se sacrifica por esse pedaco, e nem sente muito. Mas quando nao vale a pena, esse pedaco faz uma grande falta.

Abracos!

*Mary Fioratti*

Links patrocinados