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Poemas : 

é dom do mar a liberdade

 








Peito com lonjura
no eterno escafandro.
À tona, o mar guarda a proa.
Nas fontes,
a vontade da terra
jorra azul.
Vai
como as aves,
zarpar na madrugada
a inocência.

Entre os abismos, o mar acordar
a ferocidade.
Nas veias do sol,
na vibração do vento,
as águas lavram geografias e quimeras.
A liberdade.
é dom do mar.

No fundo, sombras em metamorfose,
dormem pretéritos.
Entoam bravuras.
Sob o ouro das estrelas
nascem liras e pensamentos
de cidades idas.
Crescem mitos e labirintos,
nas rochas amadurecidas
sem tempo.

Volante das águas,
a lua
talha a face do universo.
Na viagem
abre gargantas extáticas,
moldadas nas altas torres frias.
Sob o sol
arde o gelo,
cortado pelo gume do fogo.

Quase aéreo,
o mundo permanece
preso à espinha da raiz.
Mais próxima da alma
ficam as estações.
São como mulheres
pelo lado de dentro,
levam no regaço
o voo
do êxodo.

O mar
cresce de véspera no fundo.
Cresce em vertigem sobre as dunas.
A água rachada,
não ofende o leme.
Vai
nu o barco,
no horizonte.
É dom do mar
a liberdade.














Zita Viegas















 
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atizviegas68
 
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Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 11/02/2019 19:38  Atualizado: 14/02/2019 12:43
Colaborador
Usuário desde: 17/07/2018
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 A vontade na Terra











A vontade na Terra, tem tamanho do amor, tem a liberdade sabor a mar, a sal e a ar...















Enviado por Tópico
boxer
Publicado: 12/02/2019 07:51  Atualizado: 12/02/2019 07:51
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Mensagens: 701
 Re: é dom do mar a liberdade
.
Na semana passada, o poeta Tolentino de Mendonça, na sua coluna do Expresso, falava do poema que transcrevo em baixo.
Espero que goste.

O INFINITO, de Giacomo Leopardi

Sempre cara me foi esta erma altura
Com esta sebe que por tanta parte
Do último horizonte a visão exclui.
Sentado aqui, e olhando, intermináveis
Espaços para além, e sobre-humanos
Silêncios, e profunda quietude,
Eu no pensar evoco; onde por pouco
O coração não treme. E como o vento
Ouço gemer nas ervas, eu àquele
Infinito silêncio esta voz
Vou comparando: e sobrevem-me o eterno,
E as idades já mortas, e a presente
E viva, e seu ruído... Assim, por esta
Imensidade a minha ideia desce:
E o naufragar me é doce neste mar.