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Poemas, frases e mensagens de Gyl

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Gyl

Ode Aos Doidos

 
Sinto perto de mim uma sombra
Que pouco a pouco me envolve;
Confesso que isso me assombra
Pois algo me furta e não devolve.

Talvez corrompa a minha alma
Ou quem sabe me leve o sonho.
Sei é que ando a perder a calma
Por isso eu tresdobro, tristonho.

Sinto esvair-se minha ingenuidade
Quando interajo com suínos e símios,
Com certos muares (de verdade)
Que acham os próprios relinchos exímios.

Talvez eu seja o culpado pelos tormentos,
Pelos copos que se enchem e transbordam.
Plantei tempestades, hoje colho os ventos
Dos tecidos cosidos por mãos que não bordam.

Mas nem por isso deixarei de dar os meus recados,
De gritar para aqueles pobres que não tem juízo:
Que Alá escolheu aqueles que não teriam pecados;
Por isso os doido terão lugares certos... No Paraíso.
 
Ode Aos Doidos

"No Inverno Fica Tarde Mais Cedo"

 
Sou parte arte
Parte todo
Em toda parte
Parto todo
Sou parto
Partido
tido
ido
do
i
ao
Par
Parido
Parcela
Sou cela
Sou ela
Sou Soul
Sou Ex
Sou Jazz...

Sendo parte
Arte
Parte
Todo
Acabo sendo
Sereno
Rio pequeno
Rumo ao mar
Huno sem lar
Pária ariano
Dó sem lá...

Sendo todo
fazendo parte
Da arte
Que imponho
Do sono
Que sonho
Que invade
O vate
O tolo
Sinto
Que
minto
Que finjo
Quando
Parte
Do todo
Passa
A ser
Um jogo
De palavras
Cortantes
Picantes
Num dia
De sol
Escaldante...

Sei que sou parte
Da arte de um todo
Onde a parte que
Me cabe
Não cabe a todos
Não me cabe
Mesmo que se abre
Todo.
Sou parte
Sou arte
Sou todo
Tolo
Metade
De um bolo
com mofo...
E arde
No inferno
Do medo.
"No Inverno
Ficar tarde
Mais cedo..."
 
"No Inverno Fica Tarde Mais Cedo"

Poema Para Ti, Luís

 
Ah, meu poeta preferido!
Como te abraçou negro destino?
Deixaste uma ferida aberta,
Uma porta e um aviso de alerta.

Como ousou tocar-te o dedo
Da "indesejada das gentes"
Deixando-nos descontentes
Com tamanha perda e medo?

Ah, meu amigo querido!
Como decantar-te em poesia
Se a tua era perfeita e magia
Com vocábulos resbuscados...

Que eram encantos e formosuras
Arte decantada em linhas puras
Causa de espanto e admiração
Pela preciosa turba e multidão?

Pregaste em ti uma peça, teu coração,
Deixando órfãos os teus admiradores
Que nem sequer te cantam uma canção
Para não dizer que não falei das flores.

Tão cedo nos abandonaste. Partiste.
Mãos concheadas nos olhos... Mareja
Uma estrela no céu. Finda a centelha.
Ah, Luís! Hoje estou tão triste! Tão triste!
 
Poema Para Ti, Luís

Tinha Dois Doidos No Meu Caminho

 
Tinha dois doidos no meu caminho
-Era uma estrada de pedras amarelas-
Um deles vociferava palavras sozinho
O outro ficava contando as estrelas.

Talvez fossem dois bêbados de vinho
- Com os cérebros cheios de sequelas-
Um parecia carente de muito carinho
O outro parecia carente de querelas.

Estranho de ver os dois discutindo política,
Cada um achando que era o senhor da razão,
Rabiscando conclusões em Fóruns e Murais.

Eu, que nunca entendi nada de metafísica,
Fiquei atônito assistindo tamanha confusão:
Um tinha um neurônio de menos. O outro? A mais!
 
Tinha Dois Doidos No Meu Caminho

Poesia

 
Se não te quero parte, nem metade
Também eu não te quero corpo, enredo
Eu quero parte toda, só verdade
Um misto bom de sonho nunca quedo.

Te quero e quero toda eternidade
Eu não te quero como um vil brinquedo
Quebrado, triste e velho pela idade
Te quero Amor. Eu não te quero Medo.

Assim serão desejos meus insanos
Na ânsia do querer-te por inteiro
Querer-te muito bem, e bem, por dia

Durante todos dias, todos anos
A fio, tido amor fiel, primeiro
Amor que tenho a ti, a ti... Poesia!
 
Poesia

Quando eu "poemo"

 
Quando eu "poemo"
Eu me disfarço,
Finjo o que faço
E tento Ser Supremo.

Quando o poema teço,
O texto refaço;
Metade, um terço,
São flores de aço.

Quando eu "poemo"
Crio um laço,
Acolho o abraço
Do outro ao extremo.

Então, leitor, me leia
Seja a serpente
Que me volteia
Desvende minha mente
Constringe-me
Dispa minha roupa
Envolva-me
Até que eu abra a boca
Para que pingue em mim
O lúdico e liberto veneno.

Que o poema seja
O Não-Cale-se.
Que ele seja
A aliança entre nós.
O poema é meu corpo
Que é dado para vós
Meu sangue é o vinho
As palavras o caminho
que me leva até a ti.

Venha de qualquer jeito
Venha! É o que importa.
Está aberta a porta
Que trago dentro do peito
Devora-me!
Desvenda-me!
Deixe-me nu
Sejas eu
Que serei
Tu!
 
Quando eu "poemo"

Sophia*

 
Busquei-te na madrugada insana
Durante dias, meses, por um ano,
Quando vi-te imperfeita, humana
Percebi o tamanho do meu engano.

Eu que queria-te em primeiro plano
Como o rei Alexandre queria Roxana
Como o vinho tinto pedia por cinzano
Igual ao Henrique pela Bolena, Ana.

Mas não te encontrei nas ruas e vielas
Nem um traço teu nas minhas andanças
Pelos países, pelos Andes onde andei.

Então chorei igual as famélicas crianças
Que vivem pelas palafitas, vias e favelas;
Aprendi que sou pequeno e que nada sei.

*Sabedoria.
 
Sophia*

Fascínio

 
Queria muito saber teus segredos
O que te diferencia entre a turba
Por que escorre entre meus dedos
O que te deixa assim tão insegura.

Queria muito saber dos teus medos
Depor tuas armas, tirar tua armadura
Alçar um a um os teus sonhos quedos
Para que alcance vertiginosa altura.

Mas quanto mais me aproximo de ti
Mais sinto que você de mim se afasta
Como uma fera que não tenho domínio.

Talvez seja a minha prole, a minha casta
Ou a fonte d`água donde um dia eu bebi
Mas mesmo assim você me causa... Fascínio!
 
Fascínio

Quando Você Vem

 
Sempre quando você vem
Estou por aqui, a seu dispor,
Mesmo que venha sem pudor
Pois sem pudor eu fico também.

Entretanto existe um só porém:
Quando vem exala cheiro de flor
Desperta em mim desejo e calor
Vontade de saber o sabor que tem.

Quando você vai embora, parte,
Meu coração fica partido no meio
Minha boca sussurra que te ama...

Aí entendo que na saudade tem arte,
Bate forte aquilo que trago no peito
Toda vez que você vem e me... Chama!
 
Quando Você Vem

Casa de Papelão

 
A minha casa parecia uma casa de pensão
[Assim de gente...]
As paredes apareciam em forma de refrão
[ Literalmente]
Prosas e poesias esparramadas pelo chão
[ Por toda parte]
Rimas ricas e nobres cozinhando no fogão
[ Cheirando a arte]

Na minha casa eram de versos os ladrilhos
As portas e venezianas eram outras retóricas
Dos adjetivos mais lindos eram os estribilhos
Os poemas concebidos de formas periódicas.

No jardim eu tinha Branca Rosa e de Fogo
A atmosfera era mais fera e de um Ar(lindo)
Poet(Iza) Feliz e Bela de alma e de corpo
Na minha casa todo dia era dia de domingo.

Na minha casa
Cega era a navalha
Tudo era fantasia
O fogo não era de palha
Sancho tinha uma ilha
Tudo era maravilha
E todo santo dia
A poesia
Sorria...

Na minha casa não tinha problema nenhum
Situava-se no meio do Céu e do Inferno
Parecia muito com o coração materno
Onde sempre, sempre cabia mais um...

Veio um vento do norte arrotando revolução
Num dia qualquer do mês do Maio ou de Abril
Assoprou tanto que minha pobre casa ruiu:
Minha casa era feita de retalhos de papelão!
 
Casa de Papelão

Ode à Anta

 
Quanto mais eu rezo
Mais me assombro e me atormento.
Já fiz de tudo: Mandinga, simpatia,
Joguei letrinhas num dia de vento
E nada disso me adianta.

Por exemplo:
Persegue-me gente pequena,
Uma lenta e pesada Anta,
Uma amálgama de Hiena,
De Verme e de Jumento.

Sei que é só um Sancho Pança,
Um cérebro retardado de criança,
Cérbero ladrando, vigiando o portão
Dos infernos,
(Olha que anda a Anta a fazer versos)

A proteger uma nanica Torre
Já quase tombada
Onde uma bruxa má e podre,
Exalando vis vapores fétidos,
Vive rosnando, de mãos dadas
Com uma senhora decante,

Uma mal-cheirosa Harpia,
Ser horrendo de afiadas unhas e dentes,
Criatura velhaca de mamas pendentes,
Metida a ser a escriba mais sábia,
Cheia de semântica e de sintaxes.

Porém onde toca o seu dedo da mão,
Faz mais mal do que o cavalo de Átila
Que, diziam, onde tocavam suas patas
Não nascia mais relva no chão.

Recado para a gorducha Anta Quadrada
Que vale também para Hiena Fedida:
Vão lá vê se estou na esquina
E vê se tomam vergonha na cara.

Despeço-me com a alma ferida,
(Chega-me correr uma lágrima rara)
Daqui, do topo dessas árvores,
Dos possíveis... Covardes.

Ass: Macaco das Araras.

Para melhor compreensão do texto.

Anta:

A anta ou tapir, maior mamífero da América do Sul, é no entanto muito menor que seus parentes da África e da Ásia. Teorias recentes buscam a explicação para este fenômeno na última glaciação, quando a América teria secado demais para permitir a sobrevivência de animais de grande porte.

A anta chega a pesar 300 kg. Tem três dedos nos pés traseiros e um adicional, bem menor, nos dianteiros. Tem uma tromba flexível, preênsil e com pêlos que sente cheiros e umidade. Vive perto de florestas úmidas e rios: toma freqüentemente banhos de água e lama para se livrar de carrapatos, moscas e outros parasitas.

Herbívora monogástrica seletiva, come folhas, frutos, brotos, ramos, plantas aquáticas, grama e pasto. Pode ser vista se alimentando até em plantações de cana-de-açúcar, arroz, milho, cacau e melão. Passa quase 10 horas por dia forrageando em busca de alimento. De hábitos noturnos, esconde-se de dia na mata, saindo à noite para pastar.

De hábitos solitários, são encontrados juntos apenas durante o acasalamento e a amamentação. A fêmea tem geralmente apenas um filhote, e o casal se separa logo após o acasalamento. A gestação dura de 335 a 439 dias. Os machos marcam território urinando sempre no mesmo lugar. Além disso, a anta tem glândulas faciais que deixam rastro.

Cérbero:

A descrição da morfologia de Cérbero nem sempre é a mesma, havendo variações. Mas uma coisa que em todas as fontes está presente é que Cérbero era um cão que guardava as portas do Tártaro, não impedindo a entrada e sim a saída. Quando alguém chegava, Cérbero fazia festa, era uma criatura adorável. Mas quando a pessoa queria ir embora, ele a impedia; tornando-se um cão feroz e temido por todos. Os únicos que conseguiram passar por Cérbero saindo vivos do submundo foram Héracles, Orfeu, Enéias e Psiquê.

Cérbero era um cão com várias cabeças, não se têm um número certo, mas na maioria das vezes é descrito como tricéfalo (três cabeças). Sua cauda também não é sempre descrita da mesma forma, às vezes como de dragão, como de cobra ou mesmo de cão. Às vezes, junto com sua cabeça são encontradas serpentes cuspidoras de fogo saindo de seu pescoço, e até mesmo de seu tronco.

Harpia:

As harpias (em grego, ἅρπυιαι) são criaturas da mitologia grega, frequentemente representadas como aves de rapina com rosto de mulher e seios[1]. Na história de Jasão, as harpias foram enviadas para punir o cego rei trácio Fineu, roubando-lhe a comida em todas as refeições[2]. Os argonautas Zetes e Calais, filhos de Bóreas e Orítia, libertaram Fineu das hárpias, que, em agradecimento, mostrou a Jasão e os argonautas o caminho para passar pelas Simplégades[2]. Enéias e seus companheiros, depois da queda de Tróia, na viagem em direção à Itália, pararam na ilha das Harpias; mataram animais dos rebanhos delas, as atacaram quando elas roubaram as carnes, e ouviram de uma das Harpias terríveis profecias a respeito do restante de sua viagem. [3]

Segundo Hesíodo, as harpias eram irmãs de Íris, filhas de Taumante e a oceânide Electra, e seus nomes eram Aelo (a borrasca) e Ocípete (a rápida no vôo)[4]. Higino lista os filhos de Taumante e Electra como Íris e as hárpias, Celeno, Ocípete e Aelo[5], mas, logo depois, dá as hárpias como filhas de Taumante e Oxomene[1].

Átila:

Átila, o Huno (406–453), também conhecido como Praga de Deus ou Flagelo de Deus,[1][2] foi o último e mais poderoso rei dos hunos. Governou o maior império europeu de seu tempo desde 434 até sua morte. Suas possessões se estendiam da Europa Central até o Mar Negro, e desde o Danúbio até o Báltico. Durante seu reinado foi um dos maiores inimigos dos Impérios romanos Oriental e Ocidental: invadiu duas vezes os Bálcãs, esteve a ponto de tomar a cidade de Roma e chegou a sitiar Constantinopla na segunda ocasião. Marchou através da França até chegar a Orleães, antes que lhe obrigassem a retroceder na batalha dos Campos Cataláunicos (Châlons-sur-Marne) e, em 452, conseguiu fazer o imperador Valentiniano III fugir de sua capital, Ravenna.
 
Ode à Anta

Amanhece

 
Na boca da noite estrelaram astros
Que cospem cometas pelo empíreo
Para tormentos de uns deuses doentes
Que temem cair em Terra arrasada.

No ventre do dia uma lágrima corre
A procura de um lugar, uma lagoa
Onde as brumas sonham ser nascidas
Ou em piscinas de risos escondidos.

No peito do monte mora um ermitão,
Um eremita que dormita entre rochas
Entre tochas carregadas de vapores
Sem valores mito ou arqueológicos.

Uma gota que um dia foi tempestade
Aguarda ansiosa por se tornar oceano.
Um grão de areia que um dia foi furor
Espera que uma rosa faça raiz em si.

Lá longe, entre o meu e o teu horizonte
Há uma prece não dita, beijo não dado
Sonho não sonhado, abraço não recebido
Do meu provável inimigo.

Entre unhas e travesseiros há cor
E o som bom do silêncio que impera
Tende a ser um grito hirto de mudez
De nudez enérgica, de eficiência poética.

Tudo que eu te digo ou transmito
Por mais que eu rasgue a crisálida
Eu sempre vestirei a indumentária
De um velho dromedário australiano.

Por mais que eu minta ou que mate
Aquilo que renasce mais forte todo o dia
Hidra hercúlea do sul da América do Sul,
Pois, de repente, sou serpente esfíngica e latina e devota que ora, que te abomina , que te lambe e te devora.

Sou o tear que madrugadas tece.
O vapor tenebroso que advém do aço.
Sou muito mais do que digo ou faço
Sou a mão que bate e que em ti... Amanhece.
 
Amanhece

O Dedo Do Destino

 
Chegaste no dia em que parto.
Que maldade nos fez a Natura!
Como o dedo do Destino é ingrato!
Unir duas tão distintas criaturas!

Pela janela já vejo caindo a neve
Polvilhando o relvado lá de fora.
Tudo me parece tão suave e leve
Justo agora que vou-me embora.

Tu tens ainda toda uma primavera
A tua espera lá fora para ser curtida
Feito borboleta volteando no bosque.

Sinta dos meus lábios o último toque
Estarei em algum recanto a tua espera:
Agora cálice a minha voz e a minha vida.
 
O Dedo Do Destino

O Clown De Shakespeare

 
Sempre ácido, cáustico, azedo
No semblante, feio nos costumes,
Uma mistura de fel com estrumes
Que acha que a outros mete medo.

Tristes orates! Clown inglês quedo!
Os odores dos marroquinos curtumes
Acompanham-no na sua sina de levedo
Cheios dos seus rancores e azedumes!

Que um raio caia e lhe parta ao meio!
Que sua língua se encha de brotoejas!
Que o fígado intumescido, fique obeso...

Acho que o defeito vem desde o seio
Materno donde bebeu Rivotril e cervejas
Baratas que deixaram seu cérebro... Leso!

Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais pode não ser uma mera coincidência.
 
O Clown De Shakespeare

A Menina Na Janela

 
Atormenta-me um certo tédio
Todas as tardes, feito triste sina.
Levanto o meu olhar para arriba.
Busco uma janela no outro prédio.

Fico a observar a vidraça lisa e nua
Alvejada por uma espessa cortina.
O sol já se foi, no céu já sobe a lua
E não aparece na janela a menina...

Fico taciturno, sisudo, chato e sério.
Automóveis homem-guiados na rua.
Para minha cura só tem um remédio.
Mas não é todo mal que existe cura.

Então o inesperado (tão esperado) acontece:
Acende-se a luz do quarto que me alucina.
A vidraça, em um passe de mágica, se despe.
Do nada ela aparece: Nua da cintura pra cima!
 
A Menina Na Janela

Oh! Amor!

 
Oh! Amor, louco amor!... Quase enlouqueço
ao imaginar-te de mim distante!
Dilacera-se o pobre peito arfante
e, oh! Pobre de mim! De mim esqueço.

Oh! Amor, louco amor!... Por favor!... Peço
que nunca falte amor ao teu amante
que por ti tem, Amor, amor e apreço,
pois amor vale mais que diamante.

Se um dia partires for, forte Amor,
não me abandones ao sabor da sorte;
Não deixes a minh'alma mal ferida

Talvez eu não suporte tanta dor
Tanta dor, Amor, que desejo a morte
Do que viver sem ti essa pobre vida!
 
Oh! Amor!

O Perfume Das Rosas

 
Trazia contigo os aromas das rosas
Junto com os frescores das auroras,
Constelações ocultas nos olhos seus...
Boca de onde brotam poesias e prosas
Veludos de volúpias dos lábios meus...

No frenesi dos movimentos pélvicos
Corpos se salgando e beijos de doçuras,
Gritos e gemidos em chamas dos infernos,
Chamas dançarinas em mares de loucuras
Pelas gigantescas e vermelhas labaredas
Da libido das línguas de incríveis envergaduras,
Alimentos das almas em lenhas acesas...

No V da virilha, uma caixinha de surpresa,
Um baú secreto de perigoso e bom tesouro
Onde posso fazer desenhos com os dedos,
Fazendo-te arder em delírios no momento crucial do gozo.

Nos seios tem uma via láctea de ouro,
As vagas do mar nos seus olhos fazem morada,
As aves do céu em seus ombros repousam,
Em seus cabelos jorram estrelas em cascatas,
Borboletas mágicas o seu corpo de flores adornam,
Alumia sua tez uma luz de lua de prata furtada...

Chegou mansa como vento sul em suave verão
Adentrando os poros do meu cicatrizado corpo,
Secando o sal de lâminas que dilacerava o rosto,
Tornando o meu território espacial, o "Aqui",
Fazendo o meu tempo surreal, o "Agora"
Complementando o que trazia em minhas mãos

( Nuvens dos sonhos que nunca se vão embora...)
 
O Perfume Das Rosas

Dentro de Nós Mesmos

 
Buscando por um amor efetivo e ideal
Fui pelo mundo afora levando a viola,
Imitando o poeta das "Flores do Mal"
Levei meu sonhos e fantasias na sacola.

Crendo que o meu sentimento era leal...
Ah! O mundo é mesmo a melhor escola!
Como senti me tocar o dedo doído do real!
Virei um maltrapilho pedinte de esmola!

Assim são os homens e seus sonhos fugazes,
Esperam em outros recantos a tal felicidade
Procurando pelos amores, às cegas, a esmo...

Tudo na vida é fluído, efêmero feito os lilases
Que se dissipam ao despertar da nossa idade
E morremos (e o mundo) dentro de nós mesmos!
 
Dentro de Nós Mesmos

O Lamento De Outro Jó

 
Andava ébrio, girando, tonto;
Estrelas pululando ao seu redor
Achando-se do mundo o maior
Que era o centro do céu, o ponto.

Ninguém se encantava com o canto
Com suas lamúrias, (fingimento-mor)
Sabia o Alcorão e o Evangelho de cor
Que o frio era de acordo com o manto.

Pobre de "marré-de-si"! Novo pobre Jó!
O cérebro se derreteu com tanta "bobiça"
Que fica contando estrelas no firmamento!

Tudo e todos somos e voltaremos para o pó!
Nada somos! Somos apenas fétida carniça!
Nem mesmo as pedras ouvem o seu lamento!
 
O Lamento De Outro Jó

Dois Rios De Libido

 
Os olhos eram de cores indistintas.
A boca vermelha feito um coração.
O vestido pintado de todas as tintas
Trazia em si toda uma constelação.

A tez era pálida e salpicada de pintas.
Os longos cabelos tinham cor de chão,
Vermelhos iguais as terras de Minas,
Macios tal qual o mais refinado algodão.

Os dedos eram mui longos e mui finos.
Também eram assim a textura das mãos.
Os seios eram dois montes diamantinos,
Dois rios de libido vindo em minha direção.

A cintura curvilínea parecia um violão.
As pernas eram Niágaras de mel e doçura
Deixando muito feliz esta pobre e vil criatura
Que resolveu te decantar nesta singela... Canção!
 
Dois Rios De Libido

Gyl Ferrys