Poemas : 

Brumas, feiticeiras brumas

 


Se os meus olhos salgam nuvens
em dias que o sol não vem
mar de vida, são as chuvas
que do fundo dos meus versos
arrastam ventos e areias
grãos de morte que eu disperso
numa praia de ninguém.

Bruma ainda, e o dia faz-se
sempre à flor do oriente
onde, dizem, a luz nasce –
dorso d’águas, travessia
sedutoras luas cheias
iludindo a maresia
em véus de brisa inocente.

Deixem-me ser caravela
rasgo de voz, aventura
se por dentro sou procela
à pele sou descobrimento -
quem me impede que nas veias
traga gumes de aço e vento
que me ajudem na procura

doutros mares, doutras verdades
curvas fáceis, contornâncias
em crescente claridade
sopros de luz emergente
incendiando as ameias
da bruma que me faz frente...?
Que é a luz, senão distância?

Que é do mar, sem as sereias
e sem sal que o alimente?

(pP)

 
Autor
Propoesia
Autor
 
Texto
Data
Leituras
352
Favoritos
3
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
34 pontos
2
4
3
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 16/09/2023 00:45  Atualizado: 16/09/2023 00:45
Usuário desde: 03/09/2012
Localidade:
Mensagens: 18165
 Re: Brumas, feiticeiras brumas
Poeta
Encantada com essas brumas feiticeiras!
Feliz com seu retorno!
Parabéns!
Abraço!
Janna

Enviado por Tópico
HorrorisCausa
Publicado: 19/09/2023 15:42  Atualizado: 19/09/2023 15:42
Administrador
Usuário desde: 15/02/2007
Localidade: Porto
Mensagens: 3708
 Re: Brumas, feiticeiras brumas / pP
olá pP

o evoluir da narrativa em paralelo do eu.poético ao contemplarem seus próprios sentimentos em busca de algo mais amplo e desconhecido como " dorso d águas fáceis, contornâncias e crscente claridade" contribuem para o evocativo do poema. estimula e enriquece a experiência de leitura, deixando muitas questões em aberto... sem dúvida, marcas de uma poesia maior

atenciosamente
HC