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O Mais Lindo Poema Do Zé Silveira

 
o ‘olho d'água’ cessara, mas,
ainda chovia feito escumilha
em rajadas frias e constantes.
gotas imaculadas enxaguavam
os musgos das telhas de mão,
escorriam pouco ruidosas
pelas velhas calhas acobreadas,
caindo em golfadas, espalhando-se
sonolentas pela alameda e jardins
do antigo casario hospedagem.
deixei o olhar no correr das águas...
aprendera, analgésico natural
pra enganar a dor previsível,
manifestada, pelos espasmos
ao assistir de longe uns restos
de palavras sujas soltas no ar,
valorada talvez aos que as usavam...
absorto, tenso, rabiscara no papel
algumas letras sem nexo, dispersas;
era o mesmo que num papel vazio,
desgraçadamente desvalorizado...
veio-me então uma sensação
estranha, de sentir as mãos sujas,
demoníacas, deformando versos...
e num vórtice sem fim vi a poesia
sendo arrastada, tragada,
violentada bem ao lado de mim...
saio da escrivaninha atormentado;
circunspecto, triste semblante.
debruço-me meio corpo pra fora
do parapeito da janela, quase em
pêndulo, e ainda deu para eu ver
beirando a linha das telhas úmidas
a lua esconder–se envergonhada;
as estrelas, opacas, dependuradas
no final da linha do varal do céu...
o poema, cabisbaixo me acompanhara
e ao meu lado, próximo à janela; chorava...


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Gyl Ferrys

 
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