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Poemas, frases e mensagens de MyrellaCasav

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de MyrellaCasav

A geometria dos escombros

 
Ensurdecedor se levanta o pó
e a cidade cega tateia em desespero.
Janelas envidraçadas se entregam
de peito aberto até que o ar
se encha de chuva
de estilhaço.
Alguns pilares resistem à vibração
do ar, como soldados suicidas,
enfrentam explosões
da temperatura hedionda
e vão trepidando e se quebrando
antes da desconstrução fatal.
Por alguns minutos, cinzas
sufocam gemidos e estes sucumbem
ao silencio.
Alguns gritos chegam com o vento;
balburdias da correria
pós conflitos
depois que a poeira senta
e a cinza se cola em alguns
bravos monumentos,
escombros revelam ao mundo
suas geometrias
e a dor calada em cada fotografia
 
A geometria dos escombros

eco

 
"Os poderosos podem matar uma, duas, três flores, mas jamais poderão deter a primavera."

O grito foi empurrado pro silencio.
Foi lutador enquanto ecoou e, agora, herói para aqueles que não se recusam a continuar ouvindo gritos da luta que foram, covardemente, enclausurados.
 
eco

O trem, o trilho e as paisagens

 
O trem, o trilho e as paisagens
 
Que seja longo o trilho
do trem que virá me pegar.

Que eu possa, sem pressa,
caminhar beirando paisagens q' ele atravessar,
até encontrar a estação onde irei me acomodar

e a locomotiva, enfim, encontrará
passageiro pacificamente satisfeito,
para nela adentrar.
 
O trem, o trilho e as paisagens

vida em vida

 
Quando amarga as vezes vem
insistindo colorida
nas mãos trazendo
cheia taça de sonhos
prometendo alguma
alegria
até finjo que
não sinto
amargo travo na boca
de prazer suspirado
minto
mas de sorriso cheio não
vou
vou
faminto
 
vida em vida

violinos de inverno

 
em mim passou janeiro
deixando rastro de chuva
e aquela esperança de vê -lo retornando
com o sol nos olhos
e nas mãos transbordando a vontade
de sentir-me inteira entrega.

neste tempo

(quando maresias
também no ar
se quebram)

pro silencio
vão as tempestades

vem o vento
ser lamento
varrendo o calor
que insistiu ficar
na pele

nela se adere
o sopro
como apertado abraço
me repassa
friorenta vestimenta de saudade
 
violinos de inverno

a ética dos corvos

 
Saudade da humana idade

das tardes de pipas e pássaros e das
algazarra das praças.

dos tempos de baixos telhados alaranjados
cobertos pela opulencia das sombras das árvores

do cheiro do café
desinibido adentrando nas janelas todo tempo abertas e indiscretas.

saudade do tempo de corvos rapinando carnes mortas... porque hoje a vida é descarnada andando e apodrece antes da morte.

da humana
idade, ai que dor
de saudade.
 
a ética dos corvos

A pátria amada idolatrada, salvem, salvem! !

 
Eis que há espadas florescendo entre
flores e sangue
concorrendo
com rios

Como cuidar das
flores, sem ferir-se...
Como mergulhar
nos rios sem no sangue se manchar?

como enxergar
o lado de fora
sem deixar cego
o lado de dentro?

Não, não "podeis,
a pátria, filhos,
ver contente a
mãe gentil..."
 
A pátria amada idolatrada, salvem, salvem! !

Alhures

 
Em algum lugar deve existir o mar.
Não esse mar de água
que se espalha só pra molhar;
Não esse mar de vida
que balança e contagia
e que às vezes doa ânsia de vomitar.
Esse que tem face alegre
e que de repente entristece engolindo
rios de euforia.
Falo daquele que m'água não abalroa
levando navegante a se afogar.
Falo daquele mar que se pode,
definitivamente, chamar de lar.
 
Alhures

Ser.tão faminto

 
Eram dois olhos opacos gigantes na face magra.
Quatro galhos secos imitavam pernas e braços.
Pequeno ser cortando vento; vulto bambo, trôpego nos passos.

- Mãe, o que tem ele? Por que só geme e não responde? Por que sua pele não tem viço...Por que não dá nem um passo?

- É porque dentro dele a fome encontrou espaço.
 
Ser.tão faminto

Reprimidas

 
Todas as vozes que fogem
da multidão no âmago,
deixo morrer na ponta da língua.
Quem poderia entender as incoerências
articuladas das intempéries do coração?
 
Reprimidas

Até qUe peRcEbeu qUe nÃo Era flOr - microconto

 
Até qUe peRcEbeu qUe nÃo Era flOr - microconto
 
Então ela teve a ideia de esperar
pelo amor e o tempo veio mas não trouxe
nenhum beija-flor
 
Até qUe peRcEbeu qUe nÃo Era flOr - microconto

Vertical em desalinho

 
Vertical em desalinho
 
O vento revira fazendo levitar
por segundos, folhas coloridas
que antes, sobre pés, se amontoavam...

Outonicamente despida,
de galhos erguidos,
altiva
por saber-se
logo estará vestida,
árvore não é

De ramagens, ninhos e floradas,
desconstituída e de olhos fixos.
Na pele a queixa ardida
de quem vê partir
quem vestia-lhe a vida,
envolta em folhas agora
paralisada, solitária, nua

... no entanto, erguida.
 
Vertical em desalinho

O ADEUS DISSE SIM

 
O ADEUS DISSE SIM
 
Poeticamente entristecido



cobriu-me as cinzas de um dia de partida.
em tudo há tremor e vejo
que é de outros dias rindo inabaláveis
com o tempo escuro sobre eu
derramado.
distanciadas ficam alegorias das cores
no comboio da alegria.
órfão de margens, trilho solitário
indeciso branco amarrotado
em pensamentos rotos.
inteiros maciços aconteceres mais que
sonhos deveriam atravessar
os dias com a valentia de um pássaro
cruzando o vácuo azul-fantasia.
viajante mártir nas asas
do adeus imposto entrego ao
tempo o lapidar das sombras
véus do meu rosto.
 
O ADEUS DISSE SIM

encontra apenas as palavras

 
Queres sair por aí
sem do teu lugar se afastar, escolhe
as palavras que te
farão viajar pelo
ar, chão ou mar
mas não te esqueces
de levar teus sentimentos
seja amor, raiva
ou amargura,
conhecimento, alegria ou lamento,
quem sabe até aquela
saudade que se
senta do teu lado
ou aquele pecado
que te faz morder
os lábios. ..
Se não quiser
levar sentimentos
por pesarem em demasia
leva tão somente
a poesia
que toda carga
que vier
levitará com
primazia.

deixo - me ir no colo da poesia
 
encontra apenas as palavras

vida em vida

 
Quando amarga as vezes vem
insistindo colorida
nas mãos trazendo
cheia taça de sonhos
prometendo alguma
alegria
até finjo que
não sinto
amargo travo na boca
de prazer suspirado
minto
mas de sorriso cheio não
vou
vou
faminto
 
vida em vida

beirando um mar infinito