Poemas, frases e mensagens sobre memória

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre memória

Falo de coisas simples

 
Falo de coisas simples
 
FALO DE COISAS SIMPLES

Minha memória é livre
Recordar depende dela não de mim
E é nesta liberdade
Que despertam recordações sem fim.
Surgem sempre trazendo saudade
Repetem-se sem aviso,
até à exaustão.
E sempre que é preciso
Surge lembrança que parecia enterrada,
na raiva dum grito, calada.
E é maior a solidão!

Um rumor já ouvido
Um odor já respirado
E nem o coração ouve o pedido
Do meu espírito cansado.

Trepa o sol pela parede
Sonho eu com a idade dourada
Assim mato minha sede
A dormir ou acordada.
Falo de coisas simples...
Das aves que sempre regressam do mar
Trago os olhos cheios de poesia
E nesta noite escura sem luar!?
Ergo a voz a um novo dia.

Falo das rãs que coaxam canções de amor
Dos pássaros soltando trinados
E se a lembrança me causa dor?!
Ficam meus sonhos desarvorados.

Vivo ao sabor da corrente
Já não me imponho à maré
Nascida dum pobre ventre
Dele mesmo trouxe fé.
Sou flor da maresia
Meu nome é rosmaninho
Cresço de noite e de dia
Meu destino é este caminho.

rosafogo
 
Falo de coisas simples

"Protagonista" - Soneto

 
"Protagonista" - Soneto
 
"Protagonista" - Soneto

Parece ouvir a voz do meu corpo que chama
Entra no meu cenário, protagoniza a história
Acorda meus desejos, revive cada molécula
Depois se vai, deixando rastros de memória

Nesses lençóis que guardam nossos segredos
Nessa taça de vinho marcada pelo meu batom
No eco das suas palavras de amor sussurradas
No meu corpo, agora dolente, meio fora de tom

Só quero esse amor intenso, profundo, passional
Que não determina prazos, datas, terno, atemporal
É vento que me arrasta ao apogeu num instante

Quero esse amor que ignora minhas imperfeições
Que me ama de um jeito, que não tem definições
E das suas madrugadas, me faz desejada amante.

Glória Salles
 
"Protagonista" - Soneto

Por entre os dedos

 
Por entre os dedos
 
POR ENTRE OS DEDOS

Volto teimosamente ao passado
Deixo-me entre os olivais
e a vinha
Neste amor sempre arrebatado
de suspiros e de ais
E de saudade que é minha.

Piso uvas no lagar
Escuto do sino as badaladas
São seis horas há que rezar
O terço com mãos encardidas e descarnadas.

Que importa se nada esqueço!?
Nem a foice nem a enxada
À seara de trigo regresso
Vejo-a ao vento agitada.

Há-de à memória chegar-me
Voz d'outros ventos segredar-me
Que tudo já teve um fim
Prefiro que não me digam nada
Que tenho o pavor em mim
Da lucidez desafinada.

Mas choro, choro porque sou sobrevivente
E recordação tudo o mais...
Da minha terra da minha gente?!
Só a lembrança, eles partiram
E já partiram meus pais.

Já não vejo outra saída
A vida por entre os dedos, desnorteada!
Só não sei p'ra quando a despedida
Prefiro que não me digam nada.

rosafogo
 
Por entre os dedos

Reminiscências

 
Reminiscências
 
Há um pulsar a contratempo na reminiscência do marulhar
Abrupta a onda das memórias enaltecidas em rebentação
De cada vez que o homem se embrenha no lodo da desilusão
Há um paradigma, padrão dos descobrimentos, um imenso mar

Tamanha é a simbologia desta força, um remar contra a inércia
Um oceano de aventuras, o desbravar de novos horizontes
Novas culturas, suas gentes, seus idiomas, suas fontes
Tudo o que um olhar cativo seduz, implora e denuncia

Faz-se a montante o devir ecuménico de um fado
A esperança por dobrar, morte em forma de naufrágio
Em terra o choro, cumpriu-se o sonho imaculado

Corre a jusante o refluxo de outras eras, outras glórias
Naus de uma história, Nação dilecta, heróis do mar
Caravelas, a marca de um povo coroado de vitórias

Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos
natural: Setúbal
 
Reminiscências

"Não me Digam que Não Falei" do 25 de Abril

 
 
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"Não me Digam que Não Falei" do 25 de Abril

foi ainda ontem
nesse ontem que já não existe
que um passado vago esmaeceu até ao nada
esvaziando em diluição simultânea
todos os sonhos que quase foram realidade...
o sangue arterial..., dela !,
em vermelho e verde ... escorria
como um manto gritante
onde a flor de laranjeira se agitava
em busca da vida que, tristemente, lhe escapava ...
e ... ainda... assim ...
o monumento onde ecoava a insana risada
via-a sentada , perfumada de laranjas ,
com um cravo vermelho na lapela da alma
agora, também ela, ó ironia!,censurada !
e que queixa jovem a poetisa reclamava ?
"um espelho e um canivete" ?
mátria podia ser o nome daquela revolução
em tempo de - acabaram-se os panfletos !
mas quem conhecia melhor do que ela
o poder da palavra portuguesa ?
quem sabia melhor do que ela
espelhar toda a geografia literária
desta terra lusa ?
ai ! ...
foi ... ainda ... ontem
que a morte transbordou e vazou
para o dia de hoje
seja lá como for
ó terra leva para qualquer flor
o perfume dos corações despedaçados

(enquanto o tempo espera pela grandiosa
colecção de emoções que se revoltarão ...)

Luíz Sommerville Junior, 26042014,21:56

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"Não me Digam que Não Falei" do 25 de Abril

Lágrima (Poema de uma Só)

 
 
Poema de uma Só Lágrima
Poesia de mil palavras
Encadeadas, vestida
De rima simples, sonante.
São letras juntas que gravas
Numa lágrima vertida
No coração dum amante.

Lágrimas num só poema
São gemidos duma folha
Dilacerada pela pena
Do poeta em dilema;
Ou se virgem, que recolha
A gotícula tão pequena.

Tua essa lágrima só,
Poema meu, pobre Job,
No lajeado do rosto
Esculpido de desgosto.

Poema de pergaminho
Escrito no sal da dor,
Tua lágrima acarinho
E a sorvo, qual beija-flor.

À memória de uma amiga sincera e querida Poetisa.
Poema que lhe foi dedicado ainda em vida e, hoje, reedito, com saudade.
Em tua memória, Maria Montez.
Descansa em Paz.
João, teu
(Triste Poeta)
 
Lágrima (Poema de uma Só)

Meditação

 
Meditação
 
MEDITAÇÃO

Não dei conta, de que quase noite já era.
Olhava os girassóis, virados ao sol poente
Tudo o resto me esquecera!?
Até a àgua da nascente, pura,transparente.
Meus pensamentos me levaram longe daqui
Estranha a sensação de reviver a infância
Parecendo sonho, sómente o que vivi
Quando dei por mim, já tudo ía à distância.

Hoje as palavras surgem com dificuldade
Servem para esconder o vazio
Supérfluas para dizer da saudade
Que corre em mim como um rio.

Falo comigo numa língua silenciosa
Detalhes, insignificantes da memória
Dos anos vividos duma forma vertiginosa
Capítulos vários da minha história.
Meu rosto se ilumina de espiritualidade
Enquanto o sol faz a sua desaparição no Céu
No meu coração, encontrei respostas e até um pouco de felicidade!?
Enquanto olhava os girassóis... tudo isto aconteceu.

rosafogo
 
Meditação

“Sem respostas” – Soneto

 
“Sem respostas” – Soneto
 
“Sem respostas” – Soneto

Avaliar porque falhou aquele instante
Fragmentar resquícios de memória
É como fugir sem endereço, meio errante
Buscar explicação, nos pedaços da historia

O sonho irrealizado, as palavras não ditas
Perderam-se nos labirintos do nosso universo
Inescrutáveis momentos, lembranças distintas
Deixadas ou perdidas nas frases de cada verso

Tentar entender o vazio esquecido em cada vão
É num corpo desprovido de alma, procurar calor
E nesta casta ambigüidade, reformular a dor

Muito menos doloroso seria não buscar razão
Ou esquecer num canto, os detalhes de nós
Sigo sem respostas, vendo o brilho da lua, a sós...

Glória Salles

Flórida Pt
No meu cantinho...
 
“Sem respostas” – Soneto

O Dia Em Que As Estrelas Choraram

 
O Dia Em Que As Estrelas Choraram
 
Prólogo

Daquele solene minuto
que marcou os anjos nas suas asas
milhões de seres em perfeita normalidade, sonhavam ...
beijavam a bendita dádiva da madrugada
do dia que da vida a criança embalava
na doçura dos lençóis
os seres abraçados nos sóis entrelaçados
que no interior do calor a cintilar
germinavam nos ventres em cruz rosados
a perpetuar através dum instante
beijos d´ar nos poros a rasgar
as flores que no amor glorificam
o eternizar

Requiem

Mas , inesperadamente
como um ladrão violando a morada
no céu alastrou o fogo
que nos corpos a carne vaporizou
a chaga hedionda que gravou
fantasmas nas pedras da calçada
e , para quem não acredita
que o inferno é a Terra quando não amada
eis que o diabo naquele dia triunfou
duma só assentada
eis que suas chamas de laranja em implosão
rasgaram rios de sangue que secaram na barbárie
do leito profanado pela ciência ao comando
dos homens ao serviço do mais vil demando

De rastos , a verter pedaços do ser , - a desaparecer ! -
ele ainda tentou alcançá-la na janela
instantes antes de flores adornada
mas quando olhou - seus olhos queimavam por dentro do cérebro -
ainda vislumbrou entre o horror a sombra da sua amada
e num esforço descomunal murmurou, a falecer de dor :

- Hiroshima meu amor ...

Luiz Sommerville Junior , 080720111951

Há 66 anos atrás o mundo assistiu, e uma parcela da nossa Terra quase desapareceu,
ao lançamento da primeira bomba atómica, ironicamente baptizada de Little Boy,
(Hiroshima,Japão 6 de agosto de 1945). Dois dias depois o crime repetia-se em Nagasaki, Japão, 8 de Agosto de 1945.
Quando campeiam por aí os mais estranhos
devaneios acerca do ano 2012 e simultaneamente pouco ou nada se esclarece sobre
“a teoria de conspiração” , urge não esquecer as chagas históricas que se encontram
muito longe de serem sanadas. A ferida ainda sangra, a seiva escorre, o golpe desferido
na árvore da vida foi demasiado profundo para que o esqueçamos …
Recordo o ponto crucial que joga aos nossos olhos a barbárie que o Homem quando ignorante do amor;
quando ausente do amor inteligente, provoca em toda a humanidade .

Meditando ...

Luíz Sommerville Junior, Julho 2011
 
O Dia Em Que As Estrelas Choraram

Viajante no tempo

 
Conduzir-me há no tempo o que sei e sou,
Sinfonia amalgamada do alfabeto a erudição
Fonte rutilante de aurorais memórias e gratidão,
Que no verniz de polida imagem o saber cumulou.

Conduzir-me há no tempo a luta que não findou,
Na vertente do cansaço e das derrotas do coração,
Não por frágil que fosse e sim pelos afrontados “não”
No pretérito desposar da felicidade que falhou.

Conduzir-me há no tempo os acordes da canção
Da fé desfalecida na fragilidade dos membros
E acolhida na residente têmpera do espírito,
Transudada em vigorosa couraça e proteção

Conduzir-me há no tempo a coragem restante
De voltar a crer no amor, o fiel do destino,
Que descura a glória e acura o níveo toque d’um sino,
Como esponja dos desatinos do infiel errante.

Conduzir-me há no tempo o arguto olhar d’um vigilante,
Ainda que, deste Santo tempo, o mais infiel viajante.
 
Viajante no tempo

Há-de restar uma centelha viva

 
HÁ-DE RESTAR UMA CENTELHA VIVA!

Falo dum sonho que é lenha p'ra me aquecer
Falo dum tempo que se está a escapar
Falo da memória que mantém vivo meu querer
E falo do meu querer que é lume a crepitar.
Há-de restar uma centelha viva!
E na lembrança aquela última vez
Por mais que a Vida se faça altiva?!
Eu não me humilho e mostro altivez.

Em meu peito trago ainda vontade
Trago saudade,o sonho dentro de mim.
Trago inquietude, quero a paz alcançar,
e não deixo meu ânimo abalar.
Quero ir assim até ao fim!
Levanto-me abandono meus dias vãos
Traço o presente com minhas mãos!
Dentro de mim há-de atinar aquilo que é
o futuro... presente que há-de vir?
- Quero sentir,
uma parcela de felicidade
Quero ser brasa ateada, não carvão!?
Adormecer docemente a saudade
E deixar falar alto meu coração.

rosafogo
 
Há-de restar uma centelha viva

“Quem sabe... amanhã” - Soneto

 
“Quem sabe... amanhã” - Soneto
 
“Quem sabe... amanhã” -Soneto

Às vezes penso, nasci na contramão da vida
Quando o desencontro abissal toma minha razão
Meu invólucro, expõe esse deserto sem guarida
E na memória dos meus olhos, tanta explosão

Explosão de sentimentos, quase uma vibração
Memória de momentos estéreis, jamais vividos
Estático, meu corpo permanece, ante a visão
De provar um futuro, agora talvez permitido

Nesse ciclo diário, maçante que vai e vem
Quase nem percebo, tão apressada e alheia
No fio da navalha, a envolver-me essa teia

Momentos intermináveis de viagem ao alem
De dentro de mim, renasce sempre um querer
Renovação do ciclo, que insiste em não morrer.

Glória Salles
 
“Quem sabe... amanhã” - Soneto

Encontro Acidental

 
"Não te preocupes" - digo lhe em pensamento.
A tua memória anda vive em mim...
não por vontade ou esforço imenso,
mas porque o destino quis assim.

Vejo-a na rua a vaguear
levando consigo as compras do dia,
mal sabe que leva também o meu olhar
eu, a memória que a reconhecia...

E num cruzar lento, frente a frente,
reparo um brilho nos teus olhos espantados
aquele momento, de repente,
em que me reconheceste dos tempos já passados.

Repito então o mandamento,
enquanto revejo as memórias sem fim.
Não as esqueço, nem tento,
porque afinal foi o destino que o quis assim.
 
Encontro Acidental

Irrequieta memória

 
Irrequieta memória
 
IRREQUIETA MEMÓRIA

Qual pedra que vem destroçar
O vidro da minha janela
É relampago p'ra me atentar
Vivemos na mesma pégada, eu e ela.
Lembra-me o que quero esquecer
Faz esquecer o que quero lembrar
Se me ausento sem querer
Do meu silêncio me quer arrastar.

Trepando as muralhas da nostalgia
Logo me desarruma o pensamento
Me deixa triste, só, vazia
E a inquietação se faz tormento.

Me tira o sono quando me deito
Às vezes até me fere a alma
Deixa os olhos marejados a dor no peito
Mas quando amigas ela me acalma.
Memória cheia de ruas
Onde sempre me procuro
Grito aos quatro ventos às luas
Quando não me deixa no escuro.

Trazes-me do rio o murmurar
E cada beco da aldeia
Nas àguas doces, lá estou a mergulhar
E a remergulhar, volta e meia!
Dizes-me coisas ao ouvido
Que nem me atrevo a escrevê-las
Desse nosso mundo já perdido
Mas que não quero esquecê-las.

Quero pedir que não me mintas
Agarra-me bem sempre à verdade
E quando a morrer te sintas!?
Memória!? Choremos as duas antes...a saudade.

rosafogo
 
Irrequieta memória

Tudo Azul ao Norte

 
Tudo Azul ao Norte
by Betha Mendonça

Passou a tempestade. Calmo o norte.

Serenidade e ócio no céu sem nuvens,
Mar tépido, sem vagas de ferir a pele,
Banheira de espumas ao final da tarde,
Em sais de verão a temperar o sol.

Guardo as sensações desse momento:
Maresia a impregnar a memória olfativa,
Arrepio nos poros ao despudor dos ventos,
E na retina o azul encontro d'água e céu.

Ah! Nada sul: tudo azul ao norte.
 
Tudo Azul ao Norte

Memória Afetiva

 
Memória Afetiva
by Betha M. Costa

Já não me recordo quando,
Eu comecei a te esquecer,
Se na asa do vento brando,
Num frio céu do amanhecer,
Ou nas tuas mãos abanando,
Num grande e feio entardecer...

Essas mãos fartas de gestos,
Hoje não tecem carinhos
Entre meus cantos secretos,
Nem os dedos fazem ninhos,
Nem laços e fios de afetos,
De linhos em torvelinhos.

Sem uma marca na ponta,
O fio da meada se perdeu,
Não fui uma Ariadne de monta,
Nem tu foste bom Teseu...
Eu não passo de uma tonta,
Que de esquecer, se esqueceu...

**Ariadne e Teseu - relativo a mitologia grega.
 
Memória Afetiva

O SOM DO AMOR (Silêncio, minha mãe está sorrindo)

 
O SOM DO AMOR (Silêncio, minha mãe está sorrindo)
 
O som do amor
Elen de Moraes Kochman

Silêncio!
Minha mãe está sorrindo.

Som celestial!
Coro de vozes de arcanjos
derrama melodia
sobre seu sorriso lindo,
vivifica
a divina paz do seu semblante,
com a ternura usual
do seu olhar de anjo.
Que nenhum ruído abafe
esse som contagiante;
que sofrimento não turve
no seu rosto, a alegria;
que nuvens não encubram
esse seu deslumbramento
de aconchegar-se à vida,
com sublime maestria.

Silêncio!
Minha mãe está sorrindo,

sem temores,
para um amanhã incerto.
Esperança,
nesse tímido sorriso aberto
é a mola que a encoraja a viver,
transpor limites,
e entre nós permanecer.
Nesse enfrentamento,
dissabores são detalhes
esquecidos, certamente,
pelas esquinas do tempo.
Rugas, no seu rosto,
são primorosos entalhes
esculpidos, suavemente,
por sábio envelhecimento.

Silêncio!
Minha mãe está sorrindo,

placidamente,
para os meus sombrios medos...
Lágrimas que brotam
nos meus olhos,
por suas mãos enxugadas,
amorosamente,
quando em seu colo
reencontro meu abrigo,
trazem cheiro de infância,
num eco saudosista.
Deposito, confiante,
em seus braços, minha fadiga.
Removo os meus escolhos
e descanso...
no santuário do seu regaço de amiga.

Silêncio!
Minha mãe está dormindo!
18/01/1919 - 21/02/2016
 
O SOM DO AMOR (Silêncio, minha mãe está sorrindo)

Emoções profundas

 
Emoções profundas
 
EMOÇÕES PROFUNDAS

A minha memória tem um longo caminho
Nela vagueio entre o presente e o passado
Com pés de veludo me desloco com jeitinho
Às primaveras, estios e outonos com cuidado.

E com os pés perdidos à distância a criança a assomar
Sempre descubro mel real que me dá felicidade
Tudo está por perto com a memória a ajudar
E o que fica depois do tempo é a saudade.

E até as coisas que pareciam esquecidas!?
Se revelam ainda que às vezes já furtivamente
Mas logo a recordação se aviva, não as querendo perdidas
E revivem-se de novo agora profundamente.

Estas lembranças se apoderam de mim e me enebriam
E a minha poesia surge como um vendaval volta e meia
São como estrelas d'alva que me alumiam
Ou água potável que se bebe à ceia.

Trazem do pão o aroma fresco e forte
A cada manhã, rente ao portão
E são como benção que recebo com sorte
Harmonia entre a memória e o coração.

rosafogo
 
Emoções profundas

Lembro

 
LEMBRO

Tudo na minha memória
Onde o Outono já gasta os dias
Lembro as tardes de chuva.Sombrias!?
Também as nuvens do teu Céu!
Tudo lembro, quando o teu sol era o meu.

Agora que o tempo cansa!?
E o coração é como um velho soalho!
Só a memória ainda alcança
Tuas madrugadas de orvalho.

Tudo na minha memória
No tempo já um pouco perdida!
O crepitar do lume, o vagar das horas.
As gentes cansadas do duro da Vida!
Na memória vives, no meu coração moras!

Poesia dedicada à minha aldeia, saíu no jornal «O Almonda» na semana que passou.

rosafogo
 
Lembro

Aos capoeiristas.(o dom de dançar)

 
Aos capoeiristas.(o dom de dançar)
 
 
Da trasmissão de outras culturas e vivencias,
tambem se faz uma vida.
Trazemos todos connosco um dom,uma missão a cumprir,e cumpre-se essa missão das mais variadas formas artisticas.

Trazes no peito uma missão
de transmitir vários saberes
da cultura e da religião
dos escravos de outrora
e outros seres.
Vestes o corpo de branco
para adorar as divindades
escondes na alma o pranto
para esquecer
as barbaridades.

Para ti
que tens como dom dançar
numa roda de capoeira
Veneras tua mãe Imanjá
tua proctetora derradeira.

Dos escravos de pes atados
Sua história queres contar
desses homens nunca amados
eram só musculos para trabalhar
Há noite em suas sensalas
daçavam ao ritmo do berimbau
música feita na simplicidade
de uma cabaça e um pau.
Ao som desse ritmo
calmo e dolente
lutas,danças
nessa roda de samba
veneras os filhos
da mãe Africa
e seus santos protectores
transmites toda a sua hist´ria
ás gerações vindoiras.

São
19-02-2009
 
Aos capoeiristas.(o dom de dançar)