Poemas, frases e mensagens de Paula Correia

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Paula Correia

Preconceito

 
Então diz-me lá amigo,
Onde te leva tanto preconceito?
Aqueles que discriminas,
São seres humanos como tu
E a viver têm direito!
A caminho da escola,
Não dás uma esmola
A um pobre sem abrigo?
Ele não tem nada, perdeu tudo!
Poderia acontecer contigo...
Porque viras a cara à tua amiga
Que vês passar na rua?
Só porque é mãe solteira,
Não terá o direito
De ter uma vida igual à tua?
Pára de uma vez por todas de gozar
Com a rapariga gorda que vês passar!
Serás tão insensível,
Que não lhe consegues ver
A tristeza estampada no olhar?
E aquele rapaz a quem "deste" má fama
Só porque se veste de modo diferente?
Julgaste sem conhecer...
Será que pelo menos algum dia
Tentaste com ele conviver?
Porque carregas dentro da tua alma
Tanto ódio recalcado e revolta?
Carregas desde o berço um triste destino?
Será que tu também aguentarias
Apenas por um só dia vestir-lhes a pele?
Talvez assim reflectisses,
Sabendo como é duro,
Apenas por um só dia
Ser rejeitado, tal como eles...
 
Preconceito

Corpos Editora

 
Como que por magia,
O meu sonho amado
Renovou-se e tomou forma.
Perdida na emoção,
Os olhos rasos de água,
Senti bater o coração!

Entrei num mundo encantado, e
Deixei aberta a porta…
Inesquecível momento!
Tocou-me bem fundo na alma
Onde se solta o sentimento.
Recordo agora com saudade
A praia ao luar, eu e a eternidade.
 
Corpos Editora

Sina de amor

 
Apetece-me gritar pelas ruas
Teu nome, meu santuário.
E com palavras seminuas
Traçar um novo fadário.
Não quero mais ser tua.
Mas que mentira demente!
Por ti, roubaria a lua
E faria parar o tempo.
Que fantástico calvário!
Quanto mais tento apagar-te,
Mais te incendeias em mim.
 
Sina de amor

Grito de amor

 
Queria dizer-te quanto te amo,
Quanto te venero e necessito,
Mas fazes parte de um mero sonho.
Um sonho bom, um sonho angelical.
Queria fazer música com teu corpo
E transformar tua voz em poesia.
O tempo, de atroz maldade,
Caminha lento sobre meus dias.
A minha voz passeia no vento
Buscando ardentemente a tua.
Preencher-me-ás o eterno vazio
Que enclausurou minha débil alma?
Beijarás o Sol para que volte a sorrir?
Meu amor: se imaginasses quão te anseio!
Não sonhas o brilho do meu olhar.
É como eterna ferida de amor
Na voz de quem ama e sente,
Pois quem ama jamais mente.
Será que me queres tanto assim?
Sou anciã de longas caminhadas.
Enfrentei várias vezes a noite,
Suportei sorrindo dolorosos dias...
Não me ofereças sonho e fantasia,
Pois eu apenas anseio certezas.
Não quero nunca ser uma rosa!
As rosas têm espinhos que ferem.
Serei sempre uma tulipa negra,
De acetinadas e misteriosas pétalas,
Reflectindo somente a escuridão.
Foi assim que vesti a minh’ alma
Na melancolia da tua ausência.
Vem! Sou eu quem te chama.
Vem! São duas almas lastimando
A dor de não ter alguém...
 
Grito de amor

Helena sem nome

 
Por seres tão forte e corajosa,
Trazes no colo a amargura
De quem te quer mal. (Loucos!).
Esquecem que és quem nada teme,
Aquela que lhes ergueu monumentos
Com sonhos de bravura e dedicação.
A vida madrasta derruba-te,
Apenas para te voltar a erguer
Com muito, muito mais força!
Disfarças a guerreira
Debaixo de uma pele de mulher,
Como quem esconde do mundo
A sua enorme força de viver.
Não deixes nunca de ser quem és.
O teu ser em flor deu fruto
E é por ele que deves viver,
Para que nunca seque a seiva
Que te alimenta os sentidos.
Não importa o ódio dos outros.
Serás sempre a menina mulher,
De alma corajosa e intocável.
Isso, eles não podem mudar!
Porque a cobardia não tem nome,
Mas tem muitos rostos (os deles!).
Porque a frontalidade não tem medos,
Mas tem muitas vitórias (as tuas!).
Porque a amizade não tem fronteiras,
Mas tem muita cumplicidade (a nossa!).
 
Helena sem nome

Sonho

 
Lembrei-me hoje de ti, amor,
Como quem lembra da infância.
Senti nos pés as ondas do mar
E na cara, o sol quente de Julho.
Sentei-me então na fina areia,
Dei por mim errante, a chorar...
Por esse poema inacabado
Que a vida não me deixou recitar.
 
Sonho

LES (Lupus Eritematoso sistémico)

 
Borboleta que não voa,
Incerteza e desilusão.
Vaguear num mundo à toa,
Entre a dor e a solidão.
E nesses dias passados,
(Criança por Deus magoada!)
Viste o teu mundo ser mudado.
Instalaram-se em ti as trevas,
Amaldiçoas a luz que te fere
E odeias a vida que levas!
Clamas aos céus por justiça,
Buscando uma força divina.
O mundo perdeu-te nas voltas
E fez a poetisa, ainda menina
Para cantar tamanha revolta.
“Porquê eu? Porquê vocês?”
Pergunto a minh’alma dolorida,
Tentando manter a lucidez.
São tantas as portas que nos fecham,
Sem aviso prévio, nem motivo.
Quase como flechas que atravessam
Um pássaro que tomba, ferido.
Resta-nos somente a fé inabalável,
De Anjos de Luz, por nós velando.
Operando milagres no impensável,
Nos hospitais, as dores acalentando.
Sou menina mulher, louca e incompleta,
Que já não sente vontade de sonhar.
Lúpus: tens asas de borboleta,
Mas nunca me fizeste voar...
 
LES (Lupus Eritematoso sistémico)

Um pensamento

 
Pecamos quando rimos e
Só nos apetece chorar.
Pecamos quando choramos
Para esconder um sorriso.
Pecamos quando desistimos de tudo,
Deixamos de lutar pela vida e
Pelos nossos sonhos...
Pecamos quando atiramos a primeira pedra para destruir,
Quando deveria ser usada para construir.
Pecamos quando deixamos que nos calem a voz,
E quando deixamos que outros amem
O que deveria ser amado por nós!
 
Um pensamento

Em memória de mim

 
Abram-se as portas de par em par!
Tenham misericórdia... deixem-me passar...
Quero ser livre para voar,
Tomo em meus braços a liberdade.

Abram-se as campas de par em par!
Tenham piedade... deixem-me entrar...
Venha até mim o Anjo da Morte,
Findada a vida,acaba a má sorte.

Abram-se as campas de par em par!
Tenham piedade... deixem-me entrar...
 
Em memória de mim

Ao amor da minha vida

 
Esperei toda a vida por ti, e agora que chegaste já te perdi...
Dizes que jamais esquecerás "aquele" abraço. Eu digo-te que jamais esquecerei a primeira vez que te vi, o primeiro beijo trocado, o bater descompassado do meu coração antes de cada encontro, como se cada um fosse o primeiro e sentir-me uma miúda sempre que estava contigo. O teu lindo sorriso, as tuas doces palavras e a tua compreensão.
Jamais esquecerei que foste o primeiro que viu para além de tudo, que viu a minha verdadeira essência, a minha alma inteira, desnuda e transparente. Como esquecer as longas conversas ao telemóvel, os assuntos inesgotáveis, o quanto temos em comum? Esquecer os abraços, a tua voz serena, as juras de amor trocadas, os planos? O que fazer com tudo o que foi dito, sonhado, sentido? Se soubesses como me dói, como me fazes falta!
Agora encontro-me perdida e mais vazia que nunca. As lágrimas caem sem parar, a dor é terrível, devastadora! Sinto que mais uma vez me é arrancado um pedaço de mim, e apesar de pensar que não merecia isto, talvez esteja errada...
Não vou conseguir esquecer-te. Não vou! Não sei como ultrapassar isto. Só sei das tardes passadas contigo, de cada pôr-do-sol perfeito, da doçura dos reencontros e das tristes despedidas, do calor dos teus braços e o aconchego do teu peito. Dizias que quando me despedia eu virava costas, baixava a cabeça e seguia sem olhar para trás. Sabes, não conseguia sequer ver-te partir, ainda que soubesse que voltavas. Resta-me saber como seguir agora tendo consciência que não voltas.
Guardarei comigo cada momento precioso passado a teu lado e morro por dentro só de pensar que aquele dia foi o último toque, o último beijo, a última despedida, que a tua mão largou a minha e nunca mais voltará a chegar a hora de chegares... Amo-te...

Paula Correia (23/10/2007)
 
Ao amor da minha vida

Lua amiga

 
Lua, velha companheira
De noites frias e cerradas.
Velha feiticeira,
Que nos faz adormecer
Na calma das madrugadas.
Que fado é esse que cantas?
Porque nos enfeitiças
Com perfume de luar?
És rainha da noite,
A pérola mais brilhante
Que até hoje vi!
Olho-te maravilhada,
E tu aí no alto,
Resplandecente e majestosa,
Deixas-te admirar.
Só é pena que o teu encanto,
Me faça adormecer e não me deixe
Contemplar-te por mais tempo.
Velha amiga: Faz-me sonhar!
 
Lua amiga

Mulheres que amam demais

 
Mulheres que amam demais
São perigosas, inseguras,
Desenham amarguras
Em noites sem dormir.
Mulheres que amam demais
São violentas tempestades,
Os mais furiosos furacões,
São forças da natureza!
Essas mulheres são sofridas,
Vividas e loucas.
São pássaros sem ninho,
Mendigas de carinho…
Mulheres que amam demais
São ciumentas, descontroladas,
Não confiam em ninguém!
São mulheres sem auto-estima,
Não têm verso, nem rima,
Apenas prosa sem rumo.
Mulheres que amam demais
Vivem em eterna agonia,
Choram sozinhas no escuro,
Sempre com medo de perder.
São dependentes viscerais!
E, “mea culpa”, eu confesso!
Num caminho sem regresso,
De guerreira sem rivais…
Eu também sou uma dessas
Mulheres que amam demais!
 
Mulheres que amam demais

A nossa madrugada

 
Ainda permanece em mim o teu sabor,
O teu fervoroso toque, o teu cheiro...
Sinto em minh’ alma vigoroso fervor
De um amor, mui puro e verdadeiro.
As minhas delicadas mãos nas tuas,
O teu forte e impulsivo corpo no meu,
Foram belas quadras, soltas e nuas,
Foi doce poema que nos envolveu.
Amor, único e inesquecível amor!
Não mais sentirei temor em dize-lo:
“Amo-te perdidamente e com ardor.”
Nesta pálida e gentil madrugada,
Murmurou-me o vento em tons de gelo:
- Serás p’ra todo sempre a mais amada...
 
A nossa madrugada

Nos braços de Morfeu

 
Conhece-me o sabor das lágrimas
Quando a noite silenciosamente cai
Salpicando meus prantos de diamantes e prata.
A cabeça deitada em linho molhado,
O cabelo enfeitado de luz de luar…
Vem pois, Morfeu de mansinho,
Acalmar meu peito agoniado.
E os tristes olhos, marejados,
Gentilmente me fechar.
Então, finalmente sorrirei.
Dormindo, sou livre para sonhar!
 
Nos braços de Morfeu

Mágoas

 
As lágrimas escarlate que correram,
Não eram mais que todo meu pesar.
Nas asas douradas que se quebraram,
Foi deslizando o teu meigo olhar...
Perdi-te! Perdi-o! Perderei sempre!
Um e outro e outro… Perderei...
Nunca eu encontrarei o tesouro,
Que tanto nesta vida procurei.
De luto vestirei a minha alma,
De versos, o meu peito rasgarei.
Se não me mereceram os amores,
Então, só de poemas viverei!
 
Mágoas

Amor de irmãs

 
Amar com todo o amor que há no peito.
Sentir ferver o sangue de emoção.
E ver esse sorriso tão perfeito,
Que sempre faz tão bem ao coração.
Saber que serás sempre a Joaninha
A saltitar nas flores do meu jardim.
Amor de irmã nenhuma adivinha,
Tudo aquilo que tu és para mim!
 
Amor de irmãs

Tatuagem

 
Estarás sempre gravado em mim
Como tatuagem ou cicatriz...
Perdida entre álcool e drogas,
Bailava pela noite como louca,
Na ilusão maldita de ser feliz!
Hoje, ainda te sinto, não o nego.
Mas não tanto como outrora senti.
Meu coração, qual pássaro liberto,
Anseia bater asas noutro voo
De alguém que eu nunca conheci.
 
Tatuagem

Onde os poetas repousam

 
Eu queria morar onde os poetas repousam.
Disseram-me que lá as águas são mais puras
E as mais belas aves rasgam o céu azul.
Ouvem-se melodias suaves,
Há sempre tempo para criar novos poemas!

Eu queria morar onde os poetas repousam.
Onde a paisagem se estende para além da visão,
Onde não há tristeza, nem ódio ou solidão.
Todos podem ser finalmente felizes...
E se existem poetas é lá que eles moram!
 
Onde os poetas repousam

Pobre menina louca

 
Menina com olhos de céu
E ternura no olhar,
Alma escura como breu
Mente perdida a sonhar.
*
Rotina que amarga,
E que um dia tudo mudou,
A tristeza cobriu seus dias
E o desespero chegou.
*
Chorava noite e dia
Lágrimas com sabor a sal,
Nunca encontrando explicação
Para todo o seu mal.
*
Ninguém lhe dava carinho,
Ninguém lhe dava atenção,
Ia ouvindo palavras duras
Que feriam o seu coração.
*
Sentia-se um incómodo,
Não se alegrava vivendo.
Sem o apoio de ninguém,
Ela ia enlouquecendo.
*
No cúmulo da sua loucura
Foi ao encontro do mar,
Queria ser uma onda,
Sempre livre, a bailar.
*
Rosto lavado em lágrimas,
Por fim lançou-se ao mar,
Sonhou encontrar na morte
Caminho pr´a se libertar.
*
Suas lágrimas sentidas,
Ao mar salgado se juntaram.
Ela fundiu-se no mar
E as ondas por ela choraram.
*
Pobre menina louca!
Em onda se transformou,
Em loucura se perdeu
E em paz descansou.
 
Pobre menina louca

Sentimento oculto

 
Enquanto todos se divertem ela chora,
Relembra de tudo que já passou
E sabe porque não se vai embora…
Eu sei que ela tenta e tenta ser feliz,
Mas tudo o que consegue é dizer o que não diz!
Quando volta a tentar já passou a hora…
“Não vás ainda! Fica só mais um pouco!”
Soa então, a voz cruel de um homem louco.
E ela gira na roda, na roda a bailar.
Nestas voltas da vida, onde irá parar?
 
Sentimento oculto

Fui à floresta porque queria viver profundamente,sugar o tutano da vida e aniquilar tudo que não fosse vida.E não,ao morrer,descobrir que não vivi. (Dead Poet Society)