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Poemas, frases e mensagens de Esqueci

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Esqueci

Hieróglifos

 
Aquele meu medo de gatos enrolados ao pescoço, enquanto tu ias atrás de gatas.
Pobres animais,
A água sempre foi a sua sentença,
Todos os gatos são pardos.
Predadores
Hórus do horizonte em nossos olhos
Egípcios.
Como as cobras que se enrolavam
Pela cama. .
Nos hieróglifos que nos ficaram tatuados,

Hoje já escritos em livros de luz

Esqueci
 
Hieróglifos

Já te sabia as lágrimas

 
Naquela passagem
Em que me deitei sobre o teu corpo
No calor dos signos que se trocaram
Onde em meiguices
Temperámos o sangue que nos fluía
Nos descobríamos
Sem os olhos dos enganos
Pelo meu largo vestido azul que nos cobria.

Voaste para mim em passos largos
Daquela escada, onde de outrora análogo amor
De outros júbilos, também sorria.
Sorrateiramente já te sabia as lágrimas dos enganos,
Mas, jamais as imaginava a fluir de tão tristes
Por negros dias.

Esqueci
 
Já te sabia as lágrimas

Concordo em absoluto

 
Concordo em absoluto,
Existiu uma criança completamente iludida
Com tanta imbecilidade humana.
Felizmente essa criança ainda existe,
Só que melhor entende
Só que melhor se explica
Existe porque ainda sorri
Existe porque ainda ama
Existe porque não se prende
Existe preservando o bom que lhe deram.
Existe preservando o que de melhor guardou de si.
Só que já não vive iludida
.
Porque cresci.

Esqueci
 
Concordo em absoluto

Como quem lê um livro

 
Gostava de ser eterna
Para te ver,…
De agarrar no céu a lua, o mar
De ser horizonte em claro véu
De pipilar ao céu meu peito farto

Gostava de te espelhar mais de mil tempos
Correndo em prados pelos eflúvios,
Ver-te abraçado ao céu anil e às minhas flores

Beijar-te pelos jasmins e as madrugadas
Tornear teu corpo ao meu
No amanhecer.

Cantar alegre tão de gente
Como quem lê um livro
Em pele romã,
No tímido que mata a flor secretamente
Dando vida ao holocausto em pleno amor.

Mas não sou eterna infelizmente;

Um dia vais acordar e eu não estou cá,
Nesse dia quero que vivas
Agarrado aos poemas que me deste.

Com todo o amor que neste poema deixo cá.

Esqueci
 
Como quem lê um livro

Se,...

 
Se o amor me sorrisse
Se o olhar me cantasse
Se a vida me acordasse
Se alguém me esperasse
Naquele momento em que ceguei
Com os ciúmes de ontem, que hoje não tenho,...
Porque hoje apenas sinto
E sou,...
Sem desculpas,...
O acordar que ninguém viu
A sorte incerta de um destino
Que não me seguiu,...
Calei,lá atrás, sem perceber o silêncio,..
Dos castelos
Derrubei as muralhas do coração,
Ao abrir as portas do medo
E segui,...
Do que vi, se me viu estava cego,
De nada hoje enxergo
Além de mim.

Esqueci
 
Se,...

Consumismo

 
Acordei meio disforme
Com vontades loucas de galanteio
Consumida pelos teus Deuses alucinados
Que me cospem como lamas,
Morcegava-te os pés
Arrojava-te pelo mármore
Mais regelado dos ossos
Arrancava-te os olhos
Do choro.
Mordiscava-te as vestes das peles
Fora de ti,…
Até repousares sem acentos
Na mais longínqua das estrelas
Que te dormem.

Mas, não,
Não vale a pena.

Vou ali fazer compras.

Esqueci
 
Consumismo

Sem sentido

 
Sempre aprendemos com quem nos ensina, contigo aprendi a ser barco sem remos. Escrevo sem sentido aos céus, as nuvens são poemas sem verdades.
Renasço estátua de poesia de
morta com a cabeça aos pombos,
Já nada espero, além de quem passe por mim contando algumas histórias. Pouco me importa o passado, faço que acredito nos tolos, enquanto ainda interrogo o horizonte por onde nus ficámos.

A mudez do mármore já não me assusta,
habituei-me a ser o que nunca fui,
aprendi bem o que me ensinaste!

Pensa o que quiseres, da lápide do teu jardim.

Esqueci
 
Sem sentido

Sombra eloquente

 
De olhos fechados
Sinto a sombra
A enlouquecer
Rebuscada
Pelas imagens
Guardadas daquelas noites
De veemências
Com a mesma prepotência
Daquele solheiro
Sem tempo,
Guardado na minha pele,
De uma virilidade
abrupta e profunda
Melodiosa
Matreira de sílabas
Que o ânimo a sabe
Dócil
Aos olhos do céu
Com saudades

Esqueci
 
Sombra eloquente

Escarpadas melodias

 
Por detrás de um macho orgulhoso,
Ciumento,arrogante e áspero
Escondem-se quase sempre as carências
Em escarpadas melodias
Ruidosas,…
Nas mais sensíveis demonstrações de afeto
Incautas
Por onde se refugia, teimosamente poetizando as dores
Abruptas,
Como se a falta de espelhos se igualasse
A um método científico de adamastor
Por onde um cão raivoso se desencarna sem ossos
Ludibriando as presas.
Intangível num útero, vive almejando
Abscôndito das cóleras,
Ternurento
Fumegando e cantando apegos
Fugindo à morte

Esqueci
 
Escarpadas melodias

Quero lá saber

 
Não me venham chamar para discórdias de multidões
Quero lá saber da podridão que possa por aí vir
Nunca gostei de aplausos,
Nem de enfrentar multidões,…
Deixem-me só, que estar só é um bem!
Vivo de sorrisos sinceros e gargalhadas
Dos vícios mais loucos e alucinados
Daquelas mesas viciantes que me fazem sempre querer mais,...
Sou filha de um amor verdadeiro
Prefiro a puta que fizeram de mim
Às putas de soquetes brancos e saltos rasos.
Adoro foder cabeças, como me foderam os ouvidos
Dias e noite a fio,…
Escrever o que me apetece, ser gente!
Só as pessoas puras se transformam com a maleficência
Dos hipócritas,
E eu gosto de ser pura,...
Cobrem-me os impostos que quiserem por o ser
Façam de mim a farsa das vossas cabeças
No pente oleoso onde penteiam a vida
Que verdadeiramente só eu sei quem realmente sou,
E o que fizeram de mim.
Guardem as futilidades para vós
Não me embalem os sentidos com as coisas fúteis,
Levem-me até ao ponto mais alto da alucinação
Que eu sou o sangue que me faz voar.
A triste sina de quem nasceu castrado
Pelos demónios da imposição.

A liberdade.

Esqueci
 
Quero lá saber

Pedido de desculpas

 
Que nome é este tão estranho em mim
Se ainda me recordo,...
Do bom,…
e do mau,…

Quando me esqueço,
Ainda me atemorizo
E volto a recordar,...

Mas, a essa fragilidade
Não me quero agarrar,
Porque se bem me recordo
Há coisas que não entendo

Embora não vá nelas repisar

Por isso;
Deixo aqui um pedido de desculpas
Autografado pelas insónias
Que me fizeram passar

Selado com um beijo
Num envelope de desejo
Carimbado de perdão
Por neste sobrado andar,

Se um pombo o quiser levar
Pelo céu a voar.

Esqueci
 
Pedido de desculpas

Poema antigo

 
Faz de mim os farrapos da tua história
Os quiosques, as verrugas,
Inventa-me como quiseres
Impele-me para fora da tua boca
em desejo,...
Escreve-me como delito
Afoga-te de mim num grito.
Despede-te
e volta,...
Com a revolta.
Manda-me embora
de raiva
Não me respondas,
Fala sozinho
e grava
Depois, empurra-me a ir para não ir,...
Afoga o teu choro senil
Entre o ficar e o partir
O amar e o ferir
E paga a tua conta.

Farta

Esqueci
 
Poema antigo

Nos meus cadernos

 
Nos meus cadernos
O meu maior poema era o teu nome,
Grafitei-o como as luas em tamanhos,
Com a bic fiz castelos e dragões, estrelas e flores
e tantas coisas,...
Nos intervalos, por entre o giz e o apagador
e as gargalhadas,
de uma laracha que alguém me dava com humor,
Cresciam as paredes
Lá me sentia um gnomo cheio de calor.
Desenhei o teu rosto e fui gozada,
Escrevi nele as minhas frases meio maradas
Colei-o ao lado da minha cama sem corretor,...
Sonhei-te meio doida e meio calada
Assustava quem me queria com desamor.
Quando te via lá ficava atrapalhada
Fugia, e até escondia os meus calores
Do resto tu já sabes, falam as escadas,
Os brincos que perdi
Os medos ofegantes e os glamoures
As músicas
As danças
As pastilhas e os cigarros
Os ciúmes, os beijos dados,

Nas ruas estreitas, nos cantos mais apertados dos amores.

Esqueci
 
Nos meus cadernos

Quando estar só é o melhor local do mundo

 
Quando estar só é o melhor local
Do mundo, afasto-me,..
Porque além de estar só gosto de estar comigo.Cansei-me das estradas escuras dos irracionais
da vida,das frases obscuras e gastas, onde me procuro e nem sou.

[Alucinei sem morada, desencontrei-me, fiquei esquecida por onde me esqueci de mim].

Abraço-me a cada minuto por esta solidão tão dependente e minha, onde uma minúscula música, um pequenino texto, ou uma simples paisagem me entendem melhor que o mundo. Bato à porta de quem sempre me ouve e reconhece, desfaço a solidão e sigo sozinha.
Porque a solidão também é uma morada.

Esqueci
 
Quando estar só é o melhor local do mundo

Onde o sol ainda cantava como um galo

 
Ao começar pelos versos que passei
Onde o sol ainda cantava como um galo
Vou pelas sombras, já descalça pelos tempos em que pisei,...
Às tuas sombras estico os braços e resvalo
O que pisaste não foi menos
Sabes tu,…
E eu também sei.
Quem sabe os lagos, sem correntes
Nos intervalos
Solidifiquem o sol gelado que nos quer bem
Que das sombras ainda retiro o teu disfarce
Mesmo que te afirmes
Ao mundo com a tua lei.

Por mais que te afundes em lagos
Caminhando por essas estadas
Os teus olhos são correntes de estrelas
Que para mim vêm.

Esqueci
 
Onde o sol ainda cantava como um galo

O último autocarro

 
Apanhei o último autocarro
E parti,…
Sem olhar para trás,
Porque o tempo também não anda para trás,
Quer por ciúme ou mágoa
Mesmo que se recue em passos largos de dança
Com travagens bailarinas
Dentro dos autocarros.
Apenas segue,…
Assim sigo eu,…
Por entre os temporais e as calmarias
Como um cigarro que se fuma
Massacrando os pulmões,
Ou, um sorriso que se dá
Alegrado o coração do outro.

“Tentando” o germinar da segunda.

Sim. A memória vai comigo,
Lá guardo os vulcões, ou as serenas tardes
De diamantes por lapidar.
Os vinis, as cassetes, os pirilampos das noites quentes de luar.
As lágrimas alegres e as que me fizeram entediar. As noites prenhes e as funestas da vida
Até posso descrever, ler e criticar o tempo passado,…

Falar o que sinto dele,…

Mas, mesmo que os dias acordem escuros e enrugados tento sempre entender e renovar
Com compreensão, um esticar de mão ou uma conversa
amiga
Que acabe em entendimento, cresci o suficiente

Para um sim ou um não, ou um perdão.

Por mais que o tempo me massacre, não guardo o ódio dentro do meu coração.

Esqueci
 
O último autocarro

Já nem o sei

 
Ao meu tímido aproximar não te rendeste
Outro não sei, nem quero
Te oferecer,...
Hoje, já nem o sei, nem sei de mim,...
Já nada te ofereço apenas velo,
Velo por ti, por ele e por mim
Gostava de ainda hoje
o ser tão terno.
Mas nada na timidez tenho de belo,
Até o simples sorriso roubaste aqui
Da flor que já finou o ar singelo.

Da fruta e do amor já vindimados, só nos restou
a erva do acônito para algum elo.
Da nossa afeição pergunto se algo sobrou
desta testilha sem ser veneno?

Esqueci
 
Já nem o sei

Pântano de sol

 
A confiança foi um nó que nunca se deu, aliás a imaginação sempre voou mais alto que a fala. Os ciúmes sempre subiam mesquinhos pelas paredes, gostavam de se consumir, pintavam-se por todos os recantos, com as bruxas em luta com as santas a velar as noites e os dias.
As razões se desconheciam, os poemas não se acreditavam (ainda hoje se baralham) , viviam de outros olhos e outras bocas. As repulsas espreitavam, sedentas. Hoje, ainda confusas e desavindas, sem tempo e localização, já mortas se confundem por imagens que não veem. A amizade é um pântano de sol vestido de pantufas, imperfeito que se esconde nas saudades. As inseguranças são flores já mortas.

A confiança é um nó que nunca se vai consumar.

Esqueci
 
Pântano de sol

É pela calma dos dias

 
É pela calma dos dias que vagueio
Há palavras irónicas, ciumentas e provocadoras já gastas pelo tempo a quererem-me ferir como setas

que nem tocam,…

Olho o horizonte com a mesma serenidade
Com que aceito os dias com tudo o que me aparece,
Guardo os silêncios
Sem nada pedir,…

O fresco da manhã refresca-me a cara
Sem orvalhos,

Abraço as nuvens das almofadas
Pelas as espumas dos dias

Bebo o meu café açucarado
Enquanto aguardo o bulício do dia
A caminho da labuta,
observo
O rodopiar das cores à minha volta
E vou escrevendo o que o tempo me deixa.
Prossigo a mesma de sempre

De mãos dadas com quem me trouxer as nuances dos dias

Nesta busca por mim.

Esqueci
 
É pela calma dos dias

Gamela do gato

 
Vai mictar onde lavas
a gamela do gato
E quando apagares a luz
Recorda-te de mim,...
Sou uma estrela a zelar por ti
no céu,...
Num filme
Onde as gatas miam
dos telhados,
todas esfoladas
A lua está cheia,
e por lá os lobos uivam
à carne fresca
dos retalhos
atropelados.
Que os ratos
roem escondidos
dentro das sarjetas

Esqueci
 
Gamela do gato