O DIA CHEGARÁ (REVISTO)
Olha à tua volta
E que vês tu?
De crianças sem pais
E de pais sem crianças.
E que vês mais?
Uma Terra em fogo
E todo o teu povo
De olhos esbugalhados,
Imagem do desespero.
E que fazes tu?
Continuas a guerra,
Queimas esta Terra
Que não pede que Paz.
Mas tu não és capaz
Do que impor tua arrogância,
Teu poder, tua ganância.
Tu és tu e eu não sou eu!
Mas o dia virá
Em que nós seremos nós,
Tu serás sempre tu,
E o povo será teu algoz!
A. da fonseca
Entrincheirados
Nas últimas semanas, à defesa do covid.19, nesta guerra de trincheiras, que muitos dariam por ultrapassada, sobretudo depois do imenso sucesso do poder militar aéreo, o inimigo é mais insidioso e diabólico do que nunca.
É um inimigo que faz parar os aviões e guardar os mísseis e todos os arsenais de torpedeiros e manda as pessoas para os abrigos, mesmo sem bombardeamentos, submissas e abatidas.
Em vez de activar a economia, para-a, afunda-a.
Em vez de obrigar a mobilizar tropa rija e violenta, obriga a cuidados paliativos e, tragédia das tragédias para quem é senhor da guerra, é um inimigo que escolhe o campo de batalha e as armas e move-se à vontade, ataca em qualquer lugar, a qualquer hora, invisível aos radares e sem estrondo, inexpugnável e impune.
Um inimigo cobarde. Um terrorista da pior espécie. Desconhecido. Destituído de intenções. Um facto e não actos. Ao contrário de uma guerra.
Guerra é o que vamos ter de lhe mover. Guerra é coisa de humanos.
O Poeta e a Pena
O poeta não se acobarda
por mais que lhe arda
hoje
diante dos incendiários
não foge
nem esconde
da guerra
da verdade
o amor à terra
o poeta tem numa mão
a espada
com que responde
e na outra a pena.
Os Senhores da Guerra
Os Senhores da Guerra
Déspotas do destino dos povos
A palavra matar está nas vossas bocas
Caminhais lado a lado com a morte
As estrelas que trazeis ao peito
Estão manchadas de sangue
Fazeis a guerra
O terror apoderou-se dos homens
Incapazes de fugir ao destino traçado
No tabuleiro do xadrez Mundial.
Neno
"De nihilo nihil." (Lucrécio)
Se o Mundo fosse as Avessas
Se o mundo fosse às avessas;
Seriamos todos mestres, na arte de surrar;
Passaríamos nossas vidas tentando encontrar uma forma melhor de explodir outro ser humano;
Criaríamos máquinas de destruição em massa, enviaríamos nossos filhos às guerras com orgulho;
Seriamos cruéis por natureza, mataríamos por uma simples discussão, estupraríamos por simples prazer.
Roubaríamos só por querermos tal coisa;
Invadiríamos seu País, só porque lá faz mais sol;
Acordaríamos felizes, ao som da guerra, ao som das bombas explodindo;
Adoraríamos sentir o cheiro da carne humana sendo queimada pela manhã;
Seriamos pessoas doentias;
Seriamos loucos por Poder;
Mas, ainda bem...
...que não somos assim!
Orar, rezar etc.
Na ganância do homem o mundo de tão desumano fenece! Perecem as inocentes crianças, mas há um Deus que tudo vê. Para muitos, cada vez o sonho de um mundo melhor se torna distante! Meio ao desvario de nações com seu poderio horrendo tornando tudo num pesadelo.
O que o homem fez com o que Deus lhe deu? Usando de sua sabedoria para plantar a semente do mal! Dizimando, espalhando o medo, pavor e terror; ceifando vidas para seu bel-prazer, quem pode mais? Com armas poderosas e tantas outras; o que podemos fazer? Se compadecer!? Orar, rezar etc.
Apesar de tanta dor, temor, Deus na sua presciência sendo conhecedor de tudo, deixa que inocentes passem pelo vale da morte. Decerto que as crianças são do SENHOR isto é fato. Imagino que seja preferível que descansem nos braços do Pai!
Mas o que olhos não veem, o coração não sente. Tudo, é profético, Isaías 17/3 b “e o restante da Síria; serão como a glória dos filhos de Israel, diz o Senhor dos Exércitos”. 17/6 a, “Mas umas poucas pessoas ficarão vivas”, parece que Deus é mal, não é? Mas não é, ai de nós se não fosse Deus nas nossas vidas!
Por mais dorida que seja a situação do mundo atual. Existe o livre arbítrio e nisso Deus definitivamente não interfere. É da natureza humana a maldade. O apóstolo Paulo diz na carta aos Romanos 7/19 (Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço). Dessa forma, vai se cumprindo as profecias escrita na Bíblia Sagrada! Apocalipse 18/24 “ E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra”.
Mary Jun
Abril/18
Doença Terminal de Amor à Guerra
é de estrada curta
o choque frontal sem acidente
os esqueletos repousam
desprovidos de armários
olha-se sem abecedários
não há palavras
nem elas se ousam
escudam-se nos olhos
de si calados
o silêncio é dum vento frio
a congelar o momento
memorando inesquecível
a paz dos ossos
a carregar às costas
o sofrimento é dos que ficam
e nunca ergueram espada
mas se a palavra
fosse Extrema Unção
aos doentes terminais de amor à guerra
cruzava-lhes a testa
com a peçonha do inferno
e prescrição
a preceito
seria um paliativo de queimar língua
29-05-2025
faixa de gaza
Nas janelas os vidro baços e sobre o muro de pedras derrocadas
avencas secas no súbito esgar da partida, da fuga abrupta,
de gentes levando em braços
gestos destemidos e a mansidão doirada dos figos passas,
das frutas abertas e dos trigos
- promessas vãs de solstícios de sol tardio de paz pousado
em néctares e bagos de romãs.
na pedra das casas que foram brancas
já se não escutam risos serenos de crianças …
nos pátios das escolas, ora fechadas, de igual modo, as correrias,
nem sequer as águas correm libertas, fulminando a sede, se já é extinta,
em torno de lábios frios.
vertiginosa
a trajectória da bala não escolhe o alvo
nem se queda na fresta sombria de um olhar de poema.
a praça range em silencio de espera. a tropa avança.
na cidade que não é
num qualquer espaço da faixa de Gaza
existem ainda sonhos de quem fala demoradamente com
a correnteza inversa dos peixes na maré das águas.
um dia os homens serão pássaros sem fuligem de chumbo
por sobre as asas?
**
Nota: este poema foi feito com base da imagem que ilustra o mesmo poema em www.noitedemel.blogs.sapo.pt
resistente
entre pó e escombros
de guerras
(r)existe ainda
poesia
na lágrima
do sobrevivente
seja
culpado
seja
inocente
GUERRA E PAZ -
Guerra e Paz
Elen de Moraes Kochman
Um dia nós germinamos
duma mesma sementeira
e dela nós nos tornamos
ramificação cabal,
força, raiz axial
da videira verdadeira;
também caulificação,
-a galhaça- parte inteira
pra partilha da fração.
Temos o mesmo cariz,
prerrogativa arbitral
para fazermos o bem
ou escolhermos o mal,
e decidir de que lado
vamos ficar e com quem...
Por que escolher a guerra,
essa luta indecente
que assassina e sacrifica
o nosso irmão inocente?
Que mata por ideal,
que mata em nome de Deus,
que mata em seu próprio nome?
Se pra alguns, fazer a guerra
é motivo pra ter Paz,
desprezível é o homem
que no ódio se compraz!
Animal recalcitrante
que vive sem dedicar
amor ao seu semelhante,
Semente que foi plantada
pela mão do Criador,
o mesmo Deus e Senhor.
Não adiantam armistícios
se dentro de cada um
a guerra não for sanada,
nem tampouco artifícios
por essa paz ansiada,
se começa em nossos lares,
da guerra, as preliminares!
É tão triste e dilacera
ver criança explodida
por um míssil governado,
quanto ver um inocente
pelas ruas da cidade,
da violência, nos braços.
Também, ser assassinado,
por uma bala perdida,
pela droga consumida
que contamina seu corpo,
que transforma os seus órgãos
em descartáveis pedaços!
Maldito homem tenaz,
guerreando "em nome de Deus"!
Bendito homem da paz,
que acolhe "inimigos" seus!
Meu blogspot:
http://elendemoraes.blogspot.com.br/2 ... en-de-moraes-kochman.html