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Poemas, frases e mensagens sobre carnaval

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre carnaval

“Carnaval só nosso”

 
“Carnaval só nosso”
 
Vestidos de arco-íris vamos pelo salão
No compasso patente desse louco amor.
Ao conhecer na pele o toque da tua mão
Antevejo paixão nos teus braços, Pierrot.
Sem máscaras agora, somos apenas nós
Brincando na fantasia, que nos alucina
Esquecendo o tempo, esse nosso algoz
Recheamos de encanto cada verso, e rima.
O intenso brilho do teu olhar afiança
Que não haverá cinzas na quarta- feira.
E o sabor da boca acorda a esperança
Que chega vestindo a alma, sorrateira.
Alegria rara, de repente nos envolve
No enredo desse amor, rumo certeiro
Desatina o coração, embriaga, absorve
Diz que vai ser carnaval o ano inteiro.

Glória Salles
19 fevereiro 2009
23h06min

Flórida Pt - Meu cantinho...
 
“Carnaval só nosso”

Amanhã

 
 
.

Amanhã

Acordo e adormeço
impregnado do mais sôfrego não descansar
ó triste fado, por que falta o samba
e a bossa-nova para que possamos acreditar?
uni as mãos de “Disse-te Adeus e Morri”
às da “Manhã de Carnaval” ...
máscaras risonhas dissimulando negras cinzas
corpos mutilados em filas de espera-um-pouco
alinhados de perfil para a frente
almas rasgadas por transgressões legais
ao desmando arrogante e sobranceiro
dos que legalizam os crimes
e penalizam a legalidade
deste ou do outro lado
que é feição-espelho-simetria dos corações
em barricadas de gabinetes
com secretárias de cerejeira
morrem os nomes ...

(mas não morre o caminho...)

Luíz Sommerville Junior

* Inicialmente este poema chamava-se "É Pau , É Pedra" em alusão à canção Águas de Março cantada por Elis Regina(autoria de Tom Jobim-obrigado,SrMilton) e foi publicado neste site e em Távola de Estrelas em 2010.Reeditei-o hoje, 040320142204, mudando o título e também o poema.
 
Amanhã

Sinfonia de carnaval

 
Sinfonia de carnaval
 
Longe repousa a mente,

do outro lado do agito,

a alma parece doente,

dopado perece o espirito

o corpo querendo samba,

a boca guardando o grito,

balouça a rede bamba

em colisão com o finito

a trilha é sinfonia,

mesmice de todo dia...

a quietude compelida

é paz em revelia...

honey.int.sp

Imagem retirada do Google.
 
Sinfonia de carnaval

Alegoria

 
Alegoria
 
Minha alegoria está na poesia
No meu mundo sonhador
Doce mundo de fantasia
Nascida da verve interior!

Mary Jun
 
Alegoria

A máscara...

 
Máscara sem olhos…
Lantejoulas sem brilho
Deitadas ao abandono

Numa quarta-feira de cinzas
Envolta de arrependimento
De um corpo que desejou
Mas a máscara escondeu

A mentira que não doía…doeu
O cansaço que não sentia… cansou
A coragem que não desarmava… rendeu

E tudo acabou na terça-feira…

*Cöllyßry
 
A máscara...

Alegria de Criança

 
Alegria de criança, euforia de adolescente,
Êxtase que embota e entorpece a mente,
Nada que leve tão a sério, nem tanto mal,
Mal dissimulada certeza sobre o carnaval...

Folguedos que da inocência
Sequer têm a lembrança...
Não me digam do arrebatamento
De uma esperança!

Não me falem das dores
E dissabores de todo um ano!
Espinhos existem nas flores,
Sem perdão, eruditos e mundanos!

Não, não me digam do sonho fugaz!
Não me tragam o canto das sereias!
Estão nas praias, frios, sobre as areias,
Corpos inertes de tolos embriagados!

O álcool desvela os demônios cultivados
No cativeiro hipócrita da mera repressão!
Liberta pesadelos sonhados, desejados,
Ocultos na virtude mentirosa da ilusão...
 
Alegria de Criança

Á NOSSA AMIZADE...

 
Á NOSSA AMIZADE...
 
Á NOSSA AMIZADE...
A-manhã o dia é de festim,
M-as tenha consigo cuidado...
I-nimigos...Há os por toda a par-te...
G-ostando você da brincadeira carnavalesca
O-lhe bem quem por si passa...

M-aravilhosas são as escolas de Samba bem sei...
A-ndarão percorrendo avenidas...coloridas...
R-uas longas com carros alegóricos
T-udo aí é uma algazarra...
I-ndeciza Eu ficaria nesta altura do ano aí.
N-ossa...que confusão quando vejo a televisão...
S-into alegria...mas ao mesmo tempo tenho medo da invasão.

Mas, desde que saibam brincar então que viva bem o seu divertimento...
A vida são dois dias e o carnaval são três
já lá dizia o POETA...
Com um abraço poético
Luísa Zacarias
08-02-2013
 
Á NOSSA AMIZADE...

A NOITE GORDA

 
A NOITE GORDA

Discute bem no boteco
Em aquém-argumentos
Sua recém-alegria sem fundamento
De nem falar coisa com coisa

Bota pendura na conta
Das cervas geladas
Caçoa do calote na calçada
Et cetera, coisa e tal...

Desvia de porrada na cara
Foge d'um, dois tecos
De espingarda
Na descida da ladeira

Rumo à esquina da bocada
Ouve o batuque partido-alto
Um samba de responsa
Ao coro da velha guarda...

Suspira suspense
No silêncio do entreato
À espera do novo abre-alas
Na avenida lotada

Café amargo passado na cara
Pr’a quebrar a pingaiada
Na rua vira voyeur d'uma foda louca
De muro levar esporrada...

A água borbulhando sonrisal
A vida suspensa, inusual, se escancara
A noite bastarda é a gorda
De terça de carnaval

Por ora solto, o vagabundo
Veste nonsense em tudo
Inocente, fantasia-se de bacanal
Seu deleite banal de fim de mundo

: Que amanhã volta tudo ao normal

Gê Muniz
 
A NOITE GORDA

CINZAS DE CARNAVAL - Elen de Moraes Kochman

 
CINZAS DE CARNAVAL - Elen de Moraes Kochman
 
CINZAS

Elen de Moraes Kochman

Cinzas!
Afinal,
da alegria
e dos amores
de carnaval,
nem notícias,
nem sinal!

Colombinas,
Arlequins
e furta-cores
serpentinas,
fugiram
pelas esquinas...

Pierrô,
por favor,
recolha-se
aos bastidores
da sua dor...
Conforme-se
meu senhor!

Vida continua!
Põe na alma
outros valores!
Ou deixe-a nua.
A verdade
é sempre crua!

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CINZAS DE CARNAVAL - Elen de Moraes Kochman

Carnaval, a fantasia...

 
Carnaval, a fantasia...
 
"Não te embebedes na fantasia de cor e ritmo

Porque…

Te irás naufragar nas ondas do irreal"

Cöllyßry

"Alimentas o corpo para o Hoje...
Alimentas o Espírito para a Eternidade..."
 
Carnaval, a fantasia...

Carnaval ou Bacanal?

 
Carnaval ou Bacanal?
 
Carnaval ou Bacanal?
by Betha Mendonça

No dicionário:

bacanal
do Lat. bacchanale
s. m.,
festim dissoluto;
devassidão;
(no pl. ) festas em honra de Baco (grafado com inicial maiúscula);
adj. 2 gén.,
crapuloso, orgíaco.

Carnaval
do It. carnevale
s. m.,
tempo de folia que precede a Quarta-feira de Cinzas;folguedo;orgia; entrudo.

Muitos brasileiros ficam de bico quando no exterior ligam o Brasil à devassidão, mulheres fáceis e vulgares, prostituição e tido tipo de permissividade.

Pergunto eu: como essa imagem foi produzida? Respondo eu: basta ver os folhetos de turismo, os comerciais que vão de carros a cervejas e até aqueles para produtos destinados ao público infantil. A grande maioria tem sempre uma mulher com um devote que vai até o umbigo ou uma minissaia que mal cobre um rechonchudo bumbum rebolante.

Hoje ao folhear os jornais e ler sobre o Carnaval, parecia que eu estava a ver revistas de mulheres peladas. Peitos siliconados da todas as formas e tamanhos, que no samba nem balançam de tão empinados.Comissões-de-frente com minúsculos tapas-sexo (se é que não são só pinturas!) e retaguardas sem absolutamente nada nem o démodé fio-dental.

Atrás dos Trios Elétricos multidões de adolescentes, jovens e adultos na maior “pegação”. Há quem beije mais de 50 pessoas diferentes em um só circuito.

Um telejornal exibiu reportagem sobre meninas de 5 a 8 anos que “estudam” nas Escolas de Samba e desde cedo aprendem a ser passistas. Estavam vestidas com trajes sumários e rebolando de modo extremamente sensual como as suas “professoras”.

Eu disse meninas de 5 a 8 anos!Isso no tempo em que os pedófilos nunca estiveram em tanta atividade como hoje. Em época que abusos sexuais, prostituição infantil e tráfico de crianças com fins sexuais estão em alta.

Com tristeza reflito: os estrangeiros têm mesmo uma visão deturpada do Brasil ou essa imagem somos nós que criamos e passamos?

O Carnaval é sob o ponto de vista econômico muito lucrativo para nosso país. Gera incalculáveis empregos temporários diretos ou indiretos, trás fabulosas divisas com o turismo para todos os estados da Federação. Mas, as cinzas depois da quarta-feira, espalham-se e emporcalham nossa imagem o resto do ano.

(republicação)
 
Carnaval ou Bacanal?

O Último Pilar

 
O Último Pilar

Festa, música, foliões
Comemoremos seu nascimento
Cheio de emoções,
Um carnaval diferente
Vem mais um membro da gente!

Charles vem unindo multidões
A vida se enche
Todo mundo contente,
A família completa
Em cinco corações.

Em cinco verões
Tudo isso mudou
O carnaval ficou diferente
“Mudaram” até as canções;
Agora com a morte
do nosso ente,
O 24 ficou inconsistente
Numa festa seca
Com ricos, pobres indigentes...

Todos sem noções
Na comemoração momesca
Com tua ausência,
Pobres foliões!

Ruiu o último pilar
Foi a primeira peça
Para tudo implodir
E nada mais restar!

Marcelo de Oliveira Souza,iwa
 
O Último Pilar

CARNAVAL SÓ NOSSO (republicação)

 
CARNAVAL SÓ NOSSO (republicação)
 
Vestidos de arco-íris vamos pelo salão
No compasso patente desse louco amor.
Ao conhecer na pele o toque da tua mão
Antevejo paixão nos teus braços, Pierrot.

Sem máscaras agora, somos apenas nós
Brincando na fantasia, que nos alucina
Esquecendo o tempo, esse nosso algoz
Recheamos de encanto cada verso e rima.

O intenso brilho do teu olhar afiança
Que não haverá cinzas na quarta- feira.
E o sabor da boca acorda a esperança
Que chega vestindo a alma, sorrateira.

Alegria rara, de repente nos envolve
No enredo desse amor, rumo certeiro
Desatina o coração, embriaga, absorve
Diz que vai ser carnaval o ano inteiro.

Glória Salles

No meu cantinho...
 
CARNAVAL SÓ NOSSO (republicação)

Reflexão do Carnaval

 
Reflexão do Carnaval

No Brasil o Carnaval é uma festa primorosa, a mais amada e até odiada do mundo, pelas suas diversas vertentes, os que amam ficam desesperados para que não termine; os que odeiam, saem do sério, ficam enclausurados dentro da psicose, ódio à festa momesca.
Ser extremista nunca é bom, não existe verdade absoluta, precisamos analisar friamente os números e ver se a dita “Festa da Carne” tem a sua serventia, onde aqui em Salvador, o evento começa praticamente uma semana antes, na região da Barra, zona mais do que nobre da nossa capital.
Dizem aqui, que a melhor festa é justamente a que começa antes, menos pessoas, mais turismo para nossa soterópolis.
A grande dificuldade de muita gente aceitar essa festa, é muitas vezes sobre a questão da violência, num país que está dominado por esse sofrimento, de norte a sul; muitas pessoas ainda comentam que diante dessa crise toda, como fazer carnaval?
Só que esse evento, movimenta muito dinheiro na cidade, nosso “pequeno cabeçudo” que o diga, soube aproveitar o evento e fazer uma bela festa.
A nossa cidade está entre as mais visitadas nessa época, abaixo justamente do Rio de Janeiro, que tem um grande problema nas mãos, a má gestão, só para iniciar, mas não quer dizer que os nossos conterrâneos, estejam alheios a toda essa problemática, onde as duas escolas de samba, vencedoras desse ano fez um festivo relatório de todo sofrimento que passa o Rio e o resto do nosso país, onde aa letras serão temas para muita discussão e reflexão, mostrando todas essas mazelas pelo qual passa o nosso “gigante adormecido”
As escolas mostraram brilhantemente que Carnaval não é festa de alienado, infelizmente alienado tem em todos os eventos, até quem não festeja pode ser também alienado, alheio todos esses problemas nacionais.
Acredito que a nossa sociedade está mudando, devido a diversos fatores, inclusive a globalização é uma verdadeira revolução digital, as notícias caminham tão rápido que não conseguimos acompanhar, durante a questionável festa teve muita facilidade de informação, presenciamos atos jamais noticiados pela mídia, pois a mesma não pode estar em todos os lugares, a imagem é uma subjetiva reportagem, cada um vê e faz a sua reflexão sobre o Carnaval, onde muitas já oram, rezam, para que a festa não termine, outros imploram ao deus festivo, que não termine a gandaia, o mundo ilusório, pois após a quarta acinzentada, o “Gigante Adormecido”, desperta moderadamente para seus problemas.

Marcelo de Oliveira Souza,iwa
 
Reflexão  do Carnaval

Quarta-feira de cinzas

 
Quarta-feira de cinzas

É carnaval
Lá fora chove
O céu está cinza
O asfalto é úmido
A água escorre
Em direção aos bueiros
Carregam o brilho
Das serpentinas
O adereço do folião

Já é quarta-feira de cinzas
Lá fora chove
A alegria passou
Os sonhos foram vividos
A que voltar a realidade
Outros ainda viverão em sonho
Por não ter o original
É quarta-feira
Lá fora chove
Cinzas de sonhos.
 
Quarta-feira de cinzas

Nas asas da fantasia

 
Nas asas da fantasia
 
Um dia a máscara cai
Na passadeira do samba
E o povo que se retrai
Nas avenidas da vida
Dança, canta e não se cansa
Disfarçando a miséria
Travestido de alegria

A beleza já desfila
E nada pode deter
Os três dias de folia

Os corpos vertem suores
Rebolando horas a fio
Há um odor infernal
Nas ruas um cheiro a cio
Talvez um ajuste de contas
A morte jorrando sangue
No tempo dum desvario

Carnaval também é paz
No olhar de uma criança
mascarada de esperança
nas asas da fantasia

Maria Fernanda Reis Esteves
51 anos
natural: Setúbal
 
Nas asas da fantasia

Carnaval

 
Exaurido pelo exercício
de escrever o que não sinto
quedo- me a vislumbrar
o recorte bem nítido

das insídias que nos preparam
as mãos ágeis do destino.

Faustos gritos dos desesperados
que não se entregam aos desígnios
da derrota programada
do infortúnio prometido,

ressoam pelas adegas
em porres de melancolia.

A essência do ser
está além do que permitem visualizar
nossas frágeis máscaras
pudicas senhoras distintas,

pervagando solitárias
em camarotes de alegria.
 
Carnaval

BRINCAR A SÉRIO

 
Carnaval, para mim, é coisa séria, pois todos os demais dias do ano, eu passo brincando.
 
BRINCAR A SÉRIO

CARNAVAL DE SALVADOR: Axé e exclusão!

 
Zefa, Ana , Maria, Sebastiana, Paola, não importa o nome do personagem desta crônica, estarei aqui retratando a mulher afrodescedente, pobre da periféria.
Acorda ainda sonolenta e num salto, pula da cama, dirige até aos seus quatros filhos que dormem em um mesmo lugar, todos encolhidos para caber na cama, apesar de penalizada os acorda, ainda são cinco horas em uma linda manhã de verão na cidade de Salvador, onde o Sol se prodigaliza entre as frestas da janela no primeiro dia de Carnaval!

Requenta o café, pois já estava pronto de véspera (era preciso ganhar tempo) e com pressa pega os filhos e saia, tranca a porta e percorre à pé, algumas ruas empoeiradas, entre casas com paredes desbotadas e roscas, saindo e entrando em becos escuros e subindo escadas.

Ufa! chegamos, exclama ela, após duas horas , arrastando as crianças bastante cansadas,porém apesar de tudo, estavam radiantes, também não é todos os dias que há Carnaval em Salvador “ a maior festa de participação popular do mundo”. E lá estava a sua mãe entregou-lhe as crianças e mais que depressa saiu, que nem sequer se despediu, iria percorrer a mesma distância de volta para casa.

Levou pouco tempo para se vestir, era um abadá bem colorido juntamente com um boné para protegê-la do Sol. Nota-se que a sua vida é dura e ainda teria tempo para lazer?
Parou pensativa, mais logo depois sorriu, ela iria atrás do trio elétrico e brincar com as estrelas como: Ivete Sangalo, Daniela Mercury e os irreverantes como Carlinhos Durval Lelis e outros cantores que fazem a festa do Carnaval soterapolitano.

Chegou na avenida, olhou sorridente, lá estava o seu bloco, entrou, colocou as luvas para proteger as mãos, segurou a corda e com a outra mão um pacote de biscoito recheado com uma pequena garrafa de refrigerante, ela era cordeira, e iria receber R$ 20,00 por cada dia de trabalho, com uma grande responsabilidade, estaria ali para proteger e dar segurança a uma elite.

Ela é mais uma que faz parte da população de Salvador excluida da maior festa “popular”, porém o que se observa é o povo atrás dos bastidores, contribuindo para a beleza da festa espremidos pelas corda ou empurrando-a, alguns com caixa de isopor para comercializar cervejas, enquanto uma outra parcela cata latas de alumínios para vender ou reciclar.

Este é o Carnaval, da tão conhecida “terra do Axé”, o que existe na realidade é uma festa de segregação sócio racial, onde a desigualdade se encontram nos blocos, nos camarotes. A festa passa a ser privada, um Carnaval antidemocrático, transformado em uma festa de domínio econômico.

Portanto, estamos diante de uma festa onde há muros invisíveis do “apartheid”, onde as corda dos blocos separam e excluem o povo baiano.
 
CARNAVAL DE SALVADOR: Axé e exclusão!

As Voltas das Serpentinas (I)

 
Três dias. Três dias de festa. Ano após ano, reina a folia, mesmo para personagens menos prováveis. Aliás, o caso do Anselmo. Trezentos e sessenta e dois dias fazendo pela vida. Três para jogar ao Carnaval. Anselmo é homem pacato e esmerado. Para sua glória, disse-lhe um dia a Rita: - «Ai que original!» A exclamação soava a falso. Ir no corso com a associação cultural, dava-lhe uma pincelada de cor, ainda longe do arco-íris. A imagem do homem, alguns anos de trabalho em comum e muita conversa de circunstância desenganavam quase todos. Chegava a ser irritante, o anúncio do próximo aparelhinho de brincar, quando cantarolava as músicas da rádio mais ouvida, ainda sem alguém as ter notado, ou quando divulgava, pomposamente, o lugar mais badalado para beber um copo, uma reminiscência dos tempos juvenis. Um gosto popular, sem o ser ele próprio, pelo menos tal como gostaria.

Garrido Carvalho

Carnaval '10
 
As Voltas das Serpentinas (I)