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Poemas : 

Caravelo

 
Tags:  desordem  
 
O meu cais é o fundo do mar,
navego
à bolina do vento,
assim queiram o mastro e a vela.

Tendo o futuro por proa,
sei
que a bordo vai todo o pergaminho
do que me recordo,
tendo as ondas por caminho.

Lições de aritmética somando derrotas,
ocasionais vitórias,
raramente tomando notas,

memórias.

Esculturas de areia,
os castelos de cartas
de marear,
as estações das sementeiras semeando os ventos,
fartas sereias,

Tudo o que me resta, de punho cerrado,
com o tempero da maresia,
imagino.

Miro as dores do albatroz na faina,
o cruzeiro do sul,
e quando o céu no seu pino dá-me o norte,
envelheço.

Vou ancorar
no fundo do mar.



A minha pátria é a língua portuguesa.
Bernardo Soares
www.poemassagem.blogspot.pt

Por opção não uso o mais recente acordo ortográfico.

Saibam que agradeço todos os comentários, de coração...
Por regra não respondo.



 
Autor
Rogério Beça
 
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Enviado por Tópico
boxer
Publicado: 13/09/2018 19:57  Atualizado: 13/09/2018 19:57
Colaborador
Usuário desde: 21/01/2009
Localidade:
Mensagens: 628
 Re: Caravelo
.
Poema de grande beleza, ancorado na alegoria de um navio que envelhece à procura do seu próprio naufrágio, momento supremo de lucidez e de justiça, depois de um itinerário em que o destino residiria apenas no deslumbramento do oceano.
Abraço, amigo.