Sombras

 
 
Alcanço um som,
Leve, muito leve,
Não são harpas
Não são Anjos
São fantasmas descalços.
Sabem-se implicantes
Por tão antigos serem.
Vivem no sótão,
Nos medos e segredos
De quem nada sabe.
Inquietam, procuram,
Abanam,
Remexem o passado:
Matam as palavras,
As desculpas,
Os lamentos,
Os ais dos choros
Ainda vivos,
Sofridos no sangrar
Dos pulsos.
Nas sombras da noite
Onde sopra uma pitada
De luar,
Meus olhos sempre criança,
Gemem de pavor…
Nas mãos uma Cruz,
Na boca,
Um Anjo da Guarda.
O hábito veste de branco
Na luta contra o medo,
Quando partem,
Sem cuidado,
Advém a desarrumação.
Na parede,
Sem mais…
Um lembrete!
Amanhã, à mesma hora!
Cerram os suores,
Por fim, durmo.
 
Sombras

A GRANDE FESTA! (a todos os poetas do luso)

 
A festa começou! Os convidados são todos os poetas do luso. Muita poesia, música e alegria no lugar. Entrem todos, podem chegar! A Vóny é uma das primeiras a entrar: - que bom encontrar todos vocês no mesmo lugar! A Maria veio toda de verde, mas afirma: - verde mas amadurecendo sempre! É isso aí! diz Marlise. A Betha exclama: olha quem veio estar com a gente! O poeta do tempo! Ei Dill! Declama aí um “Eldisiano”! O Gil, poeta do bem, vem entrando... a Karla Bardanza recepciona-o e diz: - bem vindo, “amado!”. Boa noite! Diz Ângela Lugo. A Dolores também veio, com uma garrafa de vinho do porto. O José Silveira chega trazendo a batucada. A Helen com seu livro embaixo do braço, entra animada! a SofiaDuarte também faz parte. Ana Coelho chega com uma lufada de vento leve! A Fhatima levanta a bandeira! – Vamos brincar que a vida é breve. Lilian entra de mãos dadas com Zocha, estava no jardim de Sofia. O GLP, quem diria! Também chega e diz: obrigado pelo convite, gostei bastante! O Garrido, que andava sumido também apareceu. O Rodrigo veio em prol do evento “Coletivo”. Cão poeta adentra a festa, todo de preto. (Re)velata, blackbird e Ghoticun, estão elegantes, também vestem negro. Adelaide tá linda! Toda colorida! Haeremai exclama: - Falta mais azul na decoração! Celiac e Nanda trazem as flores. Renata e Márcia Oliveira acabam de mesclar as cores. Agélica Mattos e Alentejana organizam o sarau. Amora, Cherry e (blue)berry trazem as frutas! O Jaber e o José Torres chegam falando: - Vamos organizar o recinto! Ta faltando o violão! O Antônio M.R Martins responde: - Já chegou com o Paulo Galvão. O Henrique Pedro diz: A festa tá ótima, transcendental! Norberto concorda: É, tá muito legal! Roque Silveira também veio lá de Braga, da Vila verde. A Tânia Mara chegou, trazendo três poemas na mão. A Márcia Oliveira convida: - Já leram meu último poema!? A Vânia diz! Já sim! É uma beleza! O Regis Camargo trouxe os fotógrafos: - é importante registrar o presente para no futuro, rever o passado! A vera Silva, lá de Amadora também veio, chegou rápido, em um pulo. O Carlos carpinteiro, que novidade, veio sem a barba! Olha lá! diz a Ibernisse, aquele lá é o Ulysses? Frederico Salvo exclama! - Na foto é diferente. É ele mesmo, diz o João Marino Delize. A Cléo veio com o rosto pintado de palhacinho! O Paulo Alves com sua tatuagem e a Glória de salto alto. O Abílio Pereira diz: recita um soneto Ledalge! Tá aberto o sarau! Avisa o Amandu, lá do quintal. A Miriade pede ao CarlosTeixeiraLuis: diminui a Luz! O próximo a recitar é o Alberto da Fonseca, que antes, ganha um beijo na bochecha. Valdevinoxis pede silêncio. O trabisdementia elogia: aqui não tem ninguém onipotente! Só alegria. O Alentagus é o próximo. É muito aplaudido ao recitar seu poema. Em seguida o Luis F. e a Carolina. Felicity acende um insenso. O CSantos é aquele do sofá, super à vontade, nada tenso. O Flavio Silver exalta a liberdade de expressão, causando comoção. Muito bem! Diz Julio Saraiva. O José Manoel Brazão é o próximo, recita um poema bem clássico. Massacre sorri com a mão no queixo. Jessé, minha nossa! veio lá da Bahia para recitar poesia! A mim, também ta aqui, aplaudindo com alegria. Em seguida, declama o Marcelo zacarelli. Camões e Veríssimo Também vieram! Mas não confundam com outros poetas!! Avisa o Boxer. Para finalizar, um poema do João Marino Delize! Nesta festa que não tem hora para acabar, todos aplaudem e cantam felizes!

*O poema homenageia todos os poetas do luso, mas fica impossível citar ou lembrar o nome de todos! Assim, desde já, peço desculpas para quem não foi citado.
Com muito carinho e amor!
Maria verde
 
A GRANDE FESTA! (a todos os poetas do luso)

O MEU LUSO DO MÊS DE MAIO É TÂNIA MARA CAMARGO

 
 
Entrevistar é um ofício que não domino. Meu negócio é samba, pinga, e fazer voar por aí umas poesias. Mas como costumamos dizer, “se é um desafio; tocamos pra frente então”. É importante que haja continuidade dessa proposta reiniciada pelo brilhante poeta Fernando Saiote, o Alemtagus, e que está sendo mais uma vez concretizada, de; um autor promover a entrevista de uma autora e vice versa, e assim sucessivamente. Para eu, esta é uma oportunidade impar e prazerosa, poder mostrar para todos os amigos e irmãos poetas do Luso-poemas, quem é essa grande mulher, mãe e empreendedora. Entre tantas, uma escritora amadora brasileira conceituada, e com quem já nos acostumamos a conviver, mesmo que virtualmente, apreciando e aplaudindo suas obras literárias. Com vocês, o meu luso do mês de Maio: A guerreira. A vencedora. A poetisa neo-romântica, Tânia Mara Camargo.



- Quem é a autodidata Tânia Mara Camargo?

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Nasci em Presidente Prudente, interior de São Paulo, às 20:00 horas do dia 30 de julho de 1957. Meu pai então jogador de futebol, defendia o Corintihans da referida cidade, bem como era tipógrafo de profissão. Lá nasceram também o Régis e a Marília. Com 5 anos minha família mudou-se para a cidade de Marília, onde meu pai foi trabalhar com o irmão, o jornalista, fundador do Jornal do Comércio, Irigino Camargo. Em poucos anos, a família mudou-se novamente, desta feita para a cidade de Bauru, onde nasceu minha irmã Márcia. Já estava em idade escolar e cursava no SESI a quarta série, tinha quase 11 anos, quando vi um piano e senti vontade de aprender a tocar. Meu pai até conseguiu uma professora, mas a situação fez com que novamente nos mudássemos.
Cheguei a Jundiaí e terminei o então chamado Grupo escolar e fui a primeira aluna da classe. Prestei exames e entrei no ginásio (Geva), onde comecei a competir nos jogos abertos nas modalidades dos cem metros rasos e nos quatrocentos com bastão. Eram dias de treinamento rígido, diários, e eu me sagrei campeã. O troféu ficou com a escola. Mas com as dificuldades financeiras que nos atingia, precisei trabalhar e aos treze anos enfrentei meu primeiro emprego, fato que me levou a estudar á noite. Terminei o ginasial, fiz dois anos de colégio, já casada, e abandonei o curso para fazer o técnico em secretariado no Colégio Prof.Luiz Rosa, onde no primeiro ano consegui um estágio numa multinacional e em poucos meses, tornei funcionária. e daí a outros cargos que me fizeram a alcançar o cargo de secretária de presidência.
Deixei Jundiaí, em meados de 1984 fui morar em São Paulo, e lá em 1985 nasceu meu primeiro filho Alexandro e em 1986 a minha filha Mariane. Nessa época passei a visitar o Chile com certa freqüência, foi quando me apaixonei pela cultura local e por Neruda. Em 1996 surgiram alguns problemas de visão, e uma das crises durou 4 meses, então no meu desespero, apeguei-me á fé. Levava horas tentando ler uma linha da bíblia e passei então a escrever preces e cantos à Natureza. Não demorou muito para que fossem publicadas em jornais da região e deram surgimento ao meu primeiro livro. Edição doada a uma entidade que cuida de crianças abandonadas. Como pensador livre, participei de várias Antologias e até preparei o segundo livro no mesmo tema, e o projeto parou. No final de 2000 voltei a Jundiaí, para fixar residência e em seguida a TV Educativa com o programa Jundiaí Especial, levou ao ar o meu trabalho.
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Tendo que lutar para sobreviver, mais uma vez abandonei o projeto. Em 2006 abri uma página no Orkut e criei uma comunidade de incentivo a escritores e poetas. Lá postei o material do livro, “Uma rosa...Um beija-flor” e que chamou a atenção do Poeta João José Braga que me convidou a participar do site Planeta Literatura. Foi um desafio, pois eu jamais tinha escrito nada que envolvesse a paixão, o amor carnal, tanto que fui apresentada aos poetas com o texto “A morte”. Os primeiros escritos saíram com o meu eu lírico masculino, assim nasceu Rosa Vermelha, que foi comparada por alguns com as rosas de Maiakóvski eu nem sabia de quem se tratava. Foi por intermédio do poeta Jairo Nunes Bezerra que o meu eu lírico feminino despontou e “Perdoa-me por te amar”, causou a ele muita emoção. Tenho ainda por hábito em usar a terceira pessoa, no caso, a dama de vermelho, comparada ao estilo Baudelaire. Também desconhecia o poeta. Nesses anos de Internet, procurei estudar sozinha, buscando informações, pesquisando. Foi quando encontrei o Luso-poemas e resolvi me cadastrar.
Confesso que tremi na base, e foi excelente, pois era um outro desafio. Eu teria que tentar ser melhor do que já fora. E sem sombras de dúvidas algo fez com que em um ano, minhas leituras chegassem à marca dos 140.000 acessos. Sei que sou criticada e aceito, sempre tive humildade para saber que existem poetas aos milhões e não agradamos a todos. Deixo claro aqui, que quando houve certos problemas na interação com outros poetas, não houve crítica aos meus escritos e sim um envolvimento meu na tentativa de deter uma discussão injusta. Muitos confundiram o acontecido. Também sei que acabei influenciando outras autoras a escrever em ritmo sensual e isso me faz feliz. Sou grata ao Luso pela oportunidade de expor meus escritos, Aliás é dos sites que frequento é o mais completo. Não sei se serei poeta um dia, sei que em alguns estados brasileiros, tais como: Bahia, Maranhão, Ceará onde tenho muitos leitores, já em São Paulo, sou desconhecida e em Jundiaí, começo a ser notada e observa-me a Academia de Letras, onde já passei na avaliação dos juízes e estou á espera de outras candidatas, para a decisão da cadeira, é somente uma vaga.


Creio que voei alto para uma autodidata e vou deixar para a minha neta, Lara, um exemplo de força de vontade e luta e é isso o que realmente me importa.

- A partir daqui vou expor o meu trabalho investigativo. Escarafunchei a tua vida em algumas particularidades, aliás bem íntimas. (mas te deixo a vontade para responder ou não, é claro).

Todos cometemos erros. Sente dificuldade em aceitar ou não correções?
Cometo erros ortográficos e de concordância, e agradeço sempre quando um poeta amigo me alerta. Sem o saber ele está-me ensinando. Não tenho dificuldades, aquilo que não sei o google me ensina, as pessoas me ensinam, vivo em eterno aprendizado.

- Quando menina, pobre, você enfrentou uma infância com muitas dificuldades, inclusive de moradia e outras mais. O que você fazia para ajudar na sobrevivência e na subsistência da família? Que lembranças têm das suas idas aos refugos das fundições próximas a sua casa?
Todas as manhãs, precisamente às 06:00 horas, íamos, eu e o Régis às hortas dos japoneses do bairro comprar verduras para revendê-las, muitas vezes, por causa da neblina densa, acabava tomando um banho gelado nas manhãs frias, pois não enxergava os reservatórios de água. A febre reumática apareceu cedo, mas ainda não se tinha a idéia da minha doença descoberta há 3 anos. espondilite anquilosante e talassemia.

- A resistência adquirida para suportar perdas, e a força para perseverar nas coisas que programou para ser e conquistar tem alguma coisa a ver com o contato com pó de ferro que enegrecia a tua pele? Isso te prejudicou em alguma coisa; a infância, o estudo, a saúde? Ou só foi mais um sacrifício, uma coisa do destino, e que não poderia deixar de existir naquele período da sua vida.
A fundição fazia fundos com meu quintal, era comum o pó e até labaredas que se espalhavam e se não tomasse cuidado, queimava as roupas do varal. Ela fechou, mas ficou na lembrança aqueles dias difíceis, de pobreza. Tempo em que o sarampo quase nos mata a todos, eu o Regis e a Marília em casa e minha mãe com a Márcia e a Gisele internadas. Além do sarampo tínhamos também a gripe margarida. E me lembro de ter que preparar o almoço para todos e depois pegar um ônibus para levar comida á minha Mãe no hospital. Creio que Deus nos ajudou muito.

- Quando você saia à rua com aquela sacola verde para vender verduras... O contato com o público foi um ensinamento? Ajudou você a aprender interagir, dotou-a dessa desenvoltura, refletida hoje? Sabe-se que; quando isso acontece muito cedo com uma criança, a visão dela para o que é mundo, se abre muito. Aconteceu isso com você?
Tornei-me vendedora logo cedo e comecei a conhecer o mundo real, onde uns tem mais e outros menos. Saíamos eu e o Régis a vender pelos bairros, tínhamos nossos clientes e quando terminávamos as vendas, parávamos num boteco para tomar um copo de groselha, era a nossa alegria. Estava com 11 anos e lembro-me de ter feito uma redação que se chamava “Os Verdureiros”, a professora mandou para meu pai ler, ele se emocionou muito. Tudo na vida é lição, sofremos para sermos melhores, para compreender a dor alheia, para ajudar o próximo.

- É verdade que antes dessa habilidade com a pena, suas mãos eram hábeis no lenhar?
Com treze anos consegui meu primeiro emprego, numa loja de armarinhos e daí para frente nunca parei. Trabalho até hoje. Sou Sign Maker, I’am a woman sign maker. Tenho uma pequena empresa e o respeito das multinacionais da região, pois conheço a produção de todas elas, é necessário para aplicar as normas de Segurança do Trabalho em relação à sinalização de áreas de maior e menor risco humano.

- Você fala dos seus pais e da sua família com carinho. Declarou noutro dia num comentário que é descamisada quanto a torcer por determinado time. Mas, fez alusão a Portuguesa de Desportos por causa de uma paixão enraizada que o seu pai traz por essa agremiação. Só que há um hiato a ser esclarecido. Por que então você gostava tanto de usar aquele short do Flamengo? Quase não tirava ele pra nada. (riso) Essa foi pra descontrair mesmo (riso).
É eu tinha poucas roupas, e o calção do Flamengo era motivo de risos, até meu pai fazia piadas. Nem tudo era ruim.

- Pelo que se sente na sua escrita, ela é romântica, solta, própria. Benedita Arruda e o GEVA, suas escolas, primária e ginasial. Elas foram incentivadoras no seu estudo, nessa sua vontade de escrever, ou foi em razão do relacionamento com a Janice, Lilo, Cristina Cubeiros, a Lucia e a Regina, seus amigos?
Você é um bom detetive, O Lilo já faleceu era como um irmão para mim. Morávamos todos na mesma rua e crescemos juntos. Como sempre gostei de música, a Cristina tinha uma vitrola portátil e colocava os discos (vinil) para ouvirmos, lembro-me de Credence esgoelando na calçada e nós dançando feito doidas. No Geva me tornei campeã dos 100 metros livres e dos 400 em bastão e fui competir nos jogos abertos do interior. Treinei muito na época, andava 15 km a pé para chegar ao estádio, treinar a manhã toda e voltar para ir às aulas. Fui muito observada pelo então Professor Hélio Máfia, treinador de clubes de futebol, mas como todo atleta brasileiro é mal acabado, precisei parar para trabalhar.


- Bom, daí, escrever. Escrever mesmo; começou quando, e por quê?
Na primeira crise de uveíte que durou 4 meses, cheguei a pensar que não mais enxergaria. Desenvolvi a percepção dos cegos, andar no escuro hoje é fácil para mim, na vida tudo se aprende. Foi daí que surgiram as primeiras preces, os primeiros escritos, como Pensador Livre.

- Que emoção te dá à escrita? As perdas de deram subsídios? Alguma vez usou a escrita para fugir dos seus ais?
Dá-me muita emoção, hoje quando encontro blogs e fotologs com textos meus, fico feliz por saber que a minha escrita atinge também ao público jovem. É certo que muito do que escrevo é real, mas também crio fantasias. eu me casei quatro vezes, imagina isso, e eu que pensava que casamento era para sempre, uma casinha, marido e filhos. O padrão normal de vida, aquilo que condiz com tudo que aprendemos desde pequenos. Só que o destino preparou-me armadilhas e quando digo que sou cigana não minto. Estou a 9 anos casada com Mário Ademar, que muito me incentiva a escrever.

- Essa vida vivida é uma lição, uma grande lição de vida. Fez-te o que é você hoje?
Penso que o melhor ainda está para ser escrito, não sei, esse pensamento me acompanha diariamente. Creio que todo escritor ou poeta pensa assim. É uma busca constante transformar palavras dar-lhes vida.

- Valeu à pena? O que é a sua vida hoje?
Sempre estive adiante do meu tempo, apesar de não saber explicar do porque meus escritos por vezes parecem ser de outro século. Não que eu procure palavras no dicionário, elas vem simplesmente e ás vezes nem sei o significado delas e leva apenas cinco minutos para escrever um texto. A maioria deles são feitos à noite, ou durante meu período de trabalho. Valeu, viveria tudo novamente.

- Tens algum tema ou autor específico no qual mergulha na sua escrita, ou deambulas simplesmente ao ritmo da alma?
NERUDA foi e sempre será o grande Mestre. Quando o li pela primeira vez encontrei algo de força, de luta, de desafio, houve identificação, não no estilo, no exemplo de vida. Gosto muito de diversos autores consagrados e procuro ler bastante sem me deixar influir com os estilos.

- “O poeta é um fingidor...", concordas com essa afirmação?
Sim, somos humanos passíveis de erros e acertos, podemos transmitir alegria num momento em que a vida pode não estar a lhe sorrir.

- Tânia Mara Camargo, a poetisa. És poetisa queira ou não, não consigo enxergá-la como não sendo. Porque que não, como costuma mencionar?
Comecei como pensador livre e assim me considero. Hoje tenho a obrigação de cuidar mais daquilo que escrevo, estou sendo observada pela Academia, aliás, já fui aprovada, espero outras candidatas para concorrer comigo, visto que existe apenas uma vaga disponível.

- Cite uma poesia sua, que te emociona ou agrada.
“A morte”, pois foi com ela que adentrei ao mundo da poesia e é o primeiro que escrevi e que é real, é uma luta minha com a senhora morte.

A MORTE

A morte bateu em minha porta.
Um dia cinzento, noite de amargura.
Um aroma enfadonho no ar.
Chamou-me com sua boca morta,
Voz fria , pálida criatura.
Certa de sua missão, estendeu-me
Suas mãos , adagas geladas .
Olhava-me com os olhos de trevas,
Levando-me as profundas.
Encerrar em uma lápide as minhas esperanças?
Deixe me despertar, não sou permanente,
Hei de ir, busca-me outro dia.
Mas não agora que a vida brota
Em meus poros como água salgada.
Deixa-me respirar o tempo que me restar,
vá embora, ainda não é chegada a hora.

Pois se assim fosse ,
não seria você
que num doce abraço por toda a eternidade
far-me-ia adormecer.

- Suas considerações finais. Luso-Poemas, críticas e sugestões se há, em sua opinião, o que mais urge melhorar?
O criador do Luso faz ou não faz ideia, não sei, do quanto eu evoluí, do quanto aprendi nessa interação diária com poetas portugueses. Sou infinitamente grata a todos que comigo convivem virtualmente, meus queridos amigos de escrita. o Luso é o único site onde faço comentários em razão da grande qualidade de escrita dos participantes. Há polêmicas, mas também aprendi que elas acabam por nos fazer refletir e buscar aprimoramento. É como se o site tivesse vida própria, o grande Criador e nós as criaturas tentando alcançar uma perfeição. Utopia? A verdade nua e crua é: O Luso-poemas reconheceu o meu trabalho, foram desde a minha entrada 300.000 acessos, não considero leituras, mas veja; clicaram 300.000 vezes sobre escritos meus.
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- Quem é teu Luso do mês de Junho.
O Fernando teve a brilhante idéia de prosseguir as homenagens aos escritores do site, dando-lhes um incentivo na carreira. Comigo já são três brasileiros. Já deveriam figurar: Betha, Edílson, Jairo... Enfim são muitos a serem homenageados. Dos irmãos lusos, temos: Vóny, Ana Coelho, São, Alentejana, Mim, Nitoviana, Jaber, Roque, Antonio Martins.... É grande a lista, mas o meu luso do mês é: CARLOS CARPINTEIRO

NOTA.: Por motivos pessoais, o poeta Carlos Carpinteiro não aceitou ser entrevistado. Portanto, outro foi indicado; o nosso também amigo e poeta, EDILSON JOSÈ

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OUTRAS ENTREVISTAS
03/2009–Helen De Rose
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=70387
04/2009–José Silveira
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=76519
 
O MEU LUSO DO MÊS DE MAIO É TÂNIA MARA CAMARGO

Os Poetas Do Luso Na Festa De Halloween

 
A noite de Lua Cheia prometia calafrios de medo, quando cheguei ao castelo mal assombrado do TrabisDeMentia, fantasiado de Conde Drácula, com gel no cabelo, e os caninos pra fora, terno preto e uma capa preta de fundo vermelho, com os olhos arregalados (ele tirou o óculos e colocou lente...rs), recepcionando todos os poetas do Luso-Poemas para sua festa de Halloween.....hohohoho!

Mil Demônios! Os poetas do Luso estavam irreconhecíveis com suas fantasias de terror!! O pessoal da administração, Valdevinoxis, Godi, Vera Silva, Paulo Afonso Ramos, Pedra Filosofal chegaram num bloco (tipo de carnaval) fantasiados de preto com a máscara do Pânico na cara e o pedido de demissão na mão, deixando o Conde Drácula Trabis querendo sugar o pescoço de todo mundo na festa!!! Que horror!!

Depois chegou a madrinha da festa, a Luso do mês, a poeta Ibernise fantasiada de Abóbora do Halloween, num vestido laranja luminescente, que se destacava mais que todos, com seu brilho e sorriso, como quem diz: - Cheguei!!!

A música ao fundo era de terror, saída de um imenso orgão de três tubos, dedilhado por José-Ruda fantasiado de Dom Casmurro. Conforme eu ia entrando na sala, cheia de teias de aranhas e morcegos voando, reconhecia mais amigos do Luso. O José Silveira estava de chapéu preto, tipo o “Homem da Capa Preta”, declamando seus poemas em cima de um palco para várias poetisas fantasiadas de bruxas, entre elas a Betha, a Vóny, a Karla Bardanza, a Nanda, a Fatinha Mussato, a LuisaMargarida, a Roque Silveira e a ConceiçãoB, que levantavam sua vassoura em sinal de alegria!!! A Marlise, vestida de Anja de asas negras e vestido vermelho, jogava água benta em volta do palco.

Do outro lado da sala estava o poeta sedutor Alberto da Fonseca, fantasiado de Homem Morcego, com sua língua pra fora, querendo lamber a caçarola que estava em cima da mesa, onde estava toda a comida da festa. De repente, o Antonio Paiva, fantasiado de Diabinho Vermelho, deu um susto nele, cutucando-o com seu tridente afiado. O Alberto olhou pra ele, sorriu e apertaram as mãos. Quando o poeta LuisF, escondendo sua face com um capuz misterioso, se aproximou dos dois e perguntou meio desconfiado: Vocês são meus amigos??

Outras poetisas estavam dançando um rock estilo gótico no meio da sala: a Ledalge, fantasiada de Salamandra vermelha, com asas pra voar até seu amado, a protetora da fogueira da festa:; a Carolina de diabinha num vestido justíssimo de cetim vermelho; a Eliana Alves de Mulher Vamp e sedutora: a Glória Salles de óculos escuro num vestido roxo de cetim, com uma rosa vermelha na mão: a Zélia Nicolodi de Anjo Negro, com asas enormes nas costas; Ângela Lugo de Mulher Aranha e meia de arrastão e bota preta de verniz; ROMMA parecia uma Deusa da Grécia antiga; Vania de vestido de oncinha; todas dançavam no mesmo ritmo numa coreografia sensual.

Os amigos poetas ficavam em volta observando: Alemtagus, estava fantasiado de Príncipe das Trevas, com um cavanhaque misterioso e mostrava suas cartas que nunca enviou para Margarete, fantasiada de Mulher Gato, com um macacão colado no corpo, lambendo suas garras de vez em quando. O caopoeta ficava pelos cantos, com lentes brancas nos olhos, encorporando um fantasma.

De repente, alguém gritou: - O José Torres sumiu!! Ele estava fantasiado de Gasparzinho e ficava voando por cima de nossas cabeças, com a Maria Cura pra lá e pra cá, até que saiu pela janela e não apareceu mais, até o lançamento do seu último livro.

Enquanto isso, na biblioteca do Conde Drácula Trabis, estavam os intelectuais da festa: Henrique Pedro, fantasiado de Homem Esqueleto, mas não fez dieta; Jessé Barbosa de Zé do Caixão com unhas postiças, cartola na cabeça e capa preta; JSL com a bandeira do seu novo Partido, fantasiado de Zorro e sua espada de prata; Amandu de Padre Exorcista e água benta; o Júlio Saraiva fantasiado de Nero e escudo na mão: o Improvável Poeta de Bruxo Druida; Q14 de Cavaleiro do Apocalipse Now; Batista de Corvo; Luis Nunes e Bruno Villar abafaram com sua fantasia de “Tropa de Elite”; o fogomaduro veio a caráter com sua fantasia de Homem-Chama, investigando se tinha alguém plagiando sua fantasia...e a Sandra e a Amora se vestiram de dupla sertaneja, pois foram contratadas pelo Trabis, para cantar na festa. A Alexis estava fantasiada de secretária do Trabis, ficava anotando tudo o que todos falavam.

Quando as doze badaladas “ noturnicas “, começaram a tocar no relógio enorme e antigo de madeira no canto esquerdo da sala, o freudnaomorreu saiu de um sarcófago em pé do lado do relógio, fantasiado de Múmia e com um cheiro horrível de enxofre.

As fadinhas da festa serviam os convidados, todas vestidas de borboletinhas coloridas: Liliana Maciel de rosa; Cléo de laranja, Felicity de azul, MariaSousa de verde-água, Rosa Mel de amarelo; Rosamaria de violeta; Fhatima de dourado; Claudia Guerreiro de prateado; Maria Verde de carmim-cintilante; Fly de lilás; “ci” de vermelho; Sonia Nogueira de azul-marinho; Rosafogo de cobre. AnaCoelha estava de Sininho ao lado do Peter-Pan glp.

Duas convidadas lançaram seu livro na festa: Vanda Paz, fantasiada de Morticia, com uma peruca preta e uma mecha branca, trazendo “as brisas do mar” em suas mãos; Mel de Carvalho fantasiada de Madame Butterfly trazendo “no princípio era o Sol” em suas mãos. Enquanto isso, na porta do banheiro feminino, Avozita fantasiada de Maria Antonieta, "A Louca", estava entregando maçãs vermelhas para as moças sedutoras da festa, entre elas, HorrorisCausa fantasiada de Índia da Amazônia, com o arco e flecha na mão.

Engraçado foi ver o poeta Edilson José chegando na festa, fantasiado de “Elvis Presley” e óculos espelhado, dizendo pra todos: - Elvis não morreu, companheiros!!! A Luta continua!! E o poeta Jaber de Batman voando pra todo lado, tentando pegar o Coringa da festa, que surpreendentemente era a fantasia do poeta Carlos Ricardo. Morethanwords vestida de preto, com uma dália negra em seus cabelos, entregava velas vermelhas para os convidados.

Lá pelas tantas da madrugada a poeta Tânia Camargo, fantasiada de Viúva Negra, surtou de vez, pegou todos os seus pertences e foi acompanhada pra casa pelo poeta Gil de Olive fantasiado de “O Homem da Cobra “, aquele que não para de falar um só segundo. Trigo entregava os sobretudos na porta principal, vestido de Mordomo do Vampiro. Haeremai entrava e saia pela porta do palácio, num vestido esvoaçante azul, como se fosse uma modelo de passarela, tranzendo nas mãos A Intemporalidade dos Sonhos.

E, ainda fizeram uma serenata pra Lua Cheia, acompanhada pelos poetas: Carlos Teixeira Luis fantasiado de Fantasma da Ópera; Gyl de Pirata do Caribe; Flávio Silver de Zombie; Antonio Manuel R. Martins de Darth Vader, o vilão negro do filme Guerra Nas Estrelas; Sterea fantasiada de Joanna D’Arc; Quidam de Highlander; “Mim” de Maga Patalógica; Nitoviana de Romeu de Shakespeare e RosaDSaron de Julieta. Todos cantaram pra lua e ouviram o uivar do Lobisomem, que era a fantasia do Lustato.

Mas, no final, sempre tem que ter uma surpresa para deixar a festa inesquecível. O anfitrião Conde Drácula Trabis chamou a atenção de todos, mandou o DJ, que era a fantasia de Xavier Zarco, colocar um tango “La Comparsita” e chamou uma mulher misteriosa que estava no canto da sala, toda de preto, num vestido de fenda na coxa direita, com uma máscara de lantejoulas vermelhas e seus cabelos soltos cobrindo suas costas nuas. Eles dançaram calientemente, deram um show e quando terminou a música, ele inclinou o corpo da mulher, olhou nos olhos dela, aproximou seus lábios nos lábios dela e mordeu o pescoço da mulher, sugando seu sangue....Enquanto todos queriam saber quem era aquela mulher misteriosa, que estava morrendo nos braços do Conde Drácula Trabis, para virar uma Lady Vampira da Lua Cheia.

- Tire a máscara! Tire a máscara! - Todos pediam num só coro. Concordando, ele revelou a identidade da mulher. Todos ficaram em silêncio até quando a poeta Vóny Ferreira gritou:

- Olhos de Lince!!

*dedicado a TODOS os amigos do Luso-poemas, sem exceções, com carinho, com humor e amizade. Desculpe-me por não lembrar de todos, o Luso está crescendo todos os dias. Se você desejar fazer parte desta festa, mande uma PM pra mim, que incluirei seu nome e fantasia.

DIVIRTAM-SE!!!
 
Os Poetas Do Luso Na Festa De Halloween

SEM ESPAÇO

 
Preenches cada célula
do meu corpo
Deslizas em cada fio
do meu cabelo
Ocupas cada poro
da minha pele
E eu, habituada
à falta de espaço,
Caminho ao meu lado
…naturalmente.
 
SEM ESPAÇO

sabe-me a sal o teu porão

 
Deixa-me descer ao teu porão,
Não quero mais ser âncora,
Quero flutuar
Pelo mar bravio do teu corpo
E afundar-me no precipício da tua intimidade.
Rasgar-te o ventre
Como quilha contra a maré,
Enfunar as velas em contra ciclo
Do vento norte.
Tomar tua boca como gomo de citrino
Que refresca e sara as feridas
Da longa viajem,
Saciar em teus seios a sede de água doce
Do teu corpo que ondula a cada vaga do desejo
Que nos assola.
No teu ventre procuro a noite
De águas plácidas em calmaria,
Lua ao largo em reflexos de prata
Que se estendem pelas praias de areia
Quente do meu corpo.
Quando entro no teu porão
Em vagas ondulantes,
Sou pirata do teu mar,
Corsário destemido
Em busca de abrigo da longa jornada
Desse mar sem fim,
Cabo das tormentas
Que vira Boa-Esperança,
No reencontro cálido
Do Atlântico com o Indico,
Do Pacifico quente na dobra da patagónia
Ao encontro do frio do pólo.
Suavizamos as marés nesse encontro,
Celebramos cada reencontro
Em investidas ondulantes
Que bebemos nos lábios,
Regatos de amor que alimentam oceanos.
Sabe-me a oceano o teu porão salgado,
Sabe-me a infinito a quilha da tua vontade.
 
sabe-me a sal o teu porão

O Violino

 
No tempo que nasci,
Encontrei apenas um VIOLINO. ….
Já envelhecido,
Apenas o distinguia como um “L”.
As notas eram de vento
No seu filamento, o som era puro,
Palavras sagradas voavam
Sobre mim…
Ensinavam-me tudo o que uma criança pode saber…
Assim cresci.
Um dia, o VIOLINO calou-se.
Aprendi a chorar,
Mas eu multipliquei-me.
A magia voltou,
O VIOLINO voltou a tocar,
As notas ao princípio, eram apenas uma brisa.
Mas dia após dia, também elas voaram.
Elas e eles cresciam,
Tanto esplendor…
Afinal, eu também tocava.
As minhas notas também voavam…
Descobri que criança é toda igual,
E eu também lá estava…
Invisível.
Também as minhas iriam descobrir,
Que cada nota de nada vale…
Só juntas fazem milagres.
Fazem melodias,
Fazem famílias de notas,
Onde o som não é tudo.
Haverá dias, que o som se tornará apenas num toque,
E o amor será o seu guia
Onde apenas o belo tem som.
Mas eles crescem…
Cada dia são menos meus.
Como ensinar tudo?
Falar dos Deuses?
Ulisses,
Ele também ouviu notas falsas,
Mas o mar ainda é o mesmo.
Mas “estes marinheiros” ,
São meus…
Navegando em naus de BONDADE,
As cordas são notas da minha vida.
Passadas fio a fio com o saber do passado,
Experiências sempre entrelaçadas com o AMAR,
Serão elas capazes de resistir em continuar a navegar?
É tarde para mudar de oceano…
Resta-me que guardem o VIOLINO,
As notas continuam a ser de vento.
Serão sempre notas livres,
Terão lágrimas de SANGUE e SUOR,
Onde os “homens” que eu vi crescer,
Possam sem vergonha oferecê-las dizendo:
– São notas de família.
– São notas LIVRES e BELAS,
E de dentro do seu interior,
Todas as notas soarão a BELO.
Eu, poderei então colocar lá no alto uma cruz.
Também ela BELA,
E com palavras BELAS deixo escrito:
- Aqui, viveu um VIOLINO…
Com ele, aprendi a chorar em silêncio,
Mas de dentro dele,
Saíram todas as palavras belas
Que transformaram gerações de palavra em palavra.
Hoje, poderei partir em paz.
Hoje tudo será BELO.

(Todos os dias me esforço para que os meus filhos não tenham medo das palavras, que amem todos os dias intensamente, que gostem do belo e o possam dizer todos os dias em voz alta sem medos nem mitos.)
 
O Violino

Como é difícil!... Como é fácil!...

 
***

Como é difícil encontrar pessoas gentis
Que libertem flores nascidas no peito!...
Como é fácil descobrir alguém que diz
Palavras que brotam de qualquer jeito!

Como é difícil harmonizar a amizade
Que habita o imaginário do poeta!...
Como é fácil de cair na vulgaridade
E perceber o quanto se pode ser pateta!

Como é difícil desfrutar doce Amor
Que provoque o êxtase dos sentidos!...
Como é fácil obter abraços sem calor
Que mal apertam e já estão consumidos!

Como é difícil navegar um oceano vasto
Que represente os sentimentos do ser!...
Como é fácil prever um futuro sem rasto
De quem parte, sem chegar a viver!

06.08.2009, Henricabilio
 
Como é difícil!... Como é fácil!...

Morro-me

 
Morre-me a alma aos pedaços!
Perdi letras do sol e da lua...
perdi letras do azul e do mar...
da primavera...
da aurora.
Morre-me a alma aos pedaços
porque tu me morres.

01-08-09
vergílio
 
Morro-me

In Extremis

 
Há inquietantes cheiros no ar, fragrâncias intensas que nem a chuva consegue levar.
Cristalizações de plasma vivaz. Que cheiro adocicado, cadaverina negra flor de lírio.

O perfume desenha a leveza do desespero, que tem o brilho,a dor, o desejo.
Dou comigo às voltas na cama. Caio no mais profundo de mim.

Hoje é dia de exorcismo.
Confesso: “ Tenho uma amante”

Tento resistir, mas não consigo, não adianta, não quero.
Só de olhar para Ela, a sentir, uma dor trespassa alma.
É linda, poderosa, deixa-me completamente indefesa.
Seu encantamento é tão grande que me apetece ser possuída, ali mesmo, a todos os instantes.
Sentir seu frio, sua pele alba, sua língua vagarosa.
Quero-a, Quero-a.

Hoje percebi, que não consigo mais esconder este meu adultério moral,
Podes julgar-me. Estou aqui.

Entendo a natureza humana como incompleta, um puzzle no qual por cada peça colocada, revela duas em falta e quanto mais amo, mais preciso amar, ser amada, tu não?
Ela ama-me. Com toda a força que não tenho, como nunca ninguém me amou.
Está comigo desde o meu primeiro momento de existência mortal, nunca me abandonou.
Conheces alguém que esteja sempre presente onde estiveres? Eu não, mas ela está.
Quero-a só para mim. tenho ciúmes. Sei que ela é me infiel, a todos seduz, a todos quer e, no final ninguém a consegue negar.
Seu nome?
Queres saber o seu nome?
Morte, conhece-la?.
 
In Extremis

O MEU LUSO DO MÊS DE JULHO É NANDA

 
O MEU LUSO DO MÊS DE JULHO É NANDA
 
Maria Fernanda Reis Esteves, nasceu no Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, no dia 28 de Fevereiro de 1960. Filha de um casal de pequenos comerciantes, Fernando Ferreira Esteves e Maria Helena da Conceição Reis, frequentou o ensino primário na Academia de Música e Belas Artes Luísa Todi e o ensino secundário no Liceu de Setúbal. A par dos estudos, sempre ajudou os pais no café que estes possuíam no Mercado do Livramento, em Setúbal. O seu gosto e apetência para a área de humanidades, nomeadamente para as línguas estrangeiras e o português, em especial, fomentaram-lhe o gosto pela poesia que precocemente começou a escrever, mas, no entanto, por achar que nunca ninguém se interessaria por seus escritos veio a destruir mais tarde.
Casou aos 22 anos, já a trabalhar como escriturária, profissão que mantém até hoje. Aos 24 anos foi mãe pela primeira vez de uma menina, hoje com 25 anos, Inês Mares, jovem que ingressou no mundo das artes e tirou, em Espinho, o curso profissional de percussão e em Lisboa, na ACT, o curso de atriz. Aos 29 anos a maternidade brindou-a pela segunda vez com outra menina, Sara Mares, hoje com 19 anos, jovem que pretende entrar, no próximo ano letivo na Faculdade de Medicina Tradicional Chinesa, em Lisboa.
Aos 36 anos perdeu uma das pessoas mais importantes da sua vida, o pilar da sua existência, a sua mãe que faleceu vítima de atropelamento. Este acontecimento fatídico viria a ser responsável pela viragem na sua forma de ver a vida. Após uma longa temporada de reclusão pela enorme dor da perda, a pesquisa da leitura que aprofunda a temática da reencarnação devolveu-lhe a serenidade e aumentou a sua enorme fé e confiança em Deus.
Aos 39 anos começou a trabalhar como secretária da Direcção da APPACDM de Setúbal – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, Instituição de Solidariedade Social e de Utilidade Pública que apóia cerca de 400 cidadãos portadores de deficiência mental, através das suas dez valências e múltiplas atividades e dinâmicas. O contato e interação com estas crianças e jovens encheu de luz a sua vida e deu-lhe um novo sentido de missão. Hoje tem como máxima que “nada é por acaso”.
No ano de 1999 participou no concurso de poesia da APPACDM de Setúbal, subordinado ao tema “Um Olhar Diferente” e obteve uma menção honrosa. A partir daí descobriu que a poesia era uma forma de ascender a uma dimensão superior em busca da liberdade e felicidade.
É elemento do Coral Luísa Todi, um ex-libris da cidade de Setúbal, ao qual deve a realização de outro sonho, o canto que sempre a deslumbrou, desde criança e lhe permite alargar o seu leque de amizades.
- Em 2006 recebeu nova Menção Honrosa no Concurso da APPACDM ;
- 1º Prémio no Concurso de Poesia "Aprender Contigo" da APPACDM de Setúbal - ano de 2007;
- Menção Honrosa no XII Concurso de Poesia "Dar Voz à Poesia" da Escola Secundária Júlio Dinis (Ovar);
- 5º Prémio no XXV Concurso Internacional de Poesia "Casa Lembrada - Casa Perdida" das Edições AG
- Participação na Colectânea "Amar o Próximo" da ANEM - Associação Nacional de Esclerose Múltipla;
- Participação em várias Colectâneas de Poesia das Editora M.J.Real Imo
- 9º Prémio no XXVI Concurso Internacional de Poesia “Travessias” das Edições Ag;
- Prémio Destaque Internacional no Concurso de Poesia da Associação Artística e Literária Alpas XXI e Participação na Colectânea “Deslizes;
2º Prémio e Menção Honrosa no XIII Concurso de Poesia “Aprender Contigo” da APPACDM de Setúbal, ano 2008
Participação nas Antologias Literárias Internacionais “Amor e Paixão” e Eldorado da Editora, Celeiro de Escritores
Participação na 19ª Antologia Literária Internacional da Fundação Del´Secchi
- 6º Lugar no XXVII Concurso Literário Internacional “Rosa dos Ventos” das Edições Ag;
- Participação na Antologia “Poeta Mostra a Tua Cara” do Projecto Cultural Sur/Brasil;
- Prémio Destaque Internacional no III Concurso Literário Internacional Letras Premiadas;
Colaboradora da Luso-Poemas;
http://www.luso-emas.net/modules/news/article.php?storyid=85384
Colaboradora do Recanto das Letras:
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1619086
O lançamento do seu primeiro livro de poesia “Canteiros de Esperança”, a convite da Editora “Temas Originais” está previsto para 26 de Setembro, pelas 16 horas, na Sociedade Filarmónica Humanitária, em Palmela. “Canteiros da Esperança” é na íntegra a favor da construção do novo lar residencial da APPACDM.
http://www.temas-originais.pt/autores/fernanda_esteves.htm
Livro favorito: “Muitas vidas muitos mestres” de Brian Weiss
Autores favoritos: Brian Weiss, James Van Pragh e Mia Couto
Amuleto: Livro “Como comunicar com o Anjo da Guarda” de Haziel
Filme: “A cidade dos anjos”
Música favorita: “Eu não sei quem te perdeu” – Pedro Abrunhosa

Com tudo que foi exposto acima sobre a nossa querida Poeta e por saber de seu talento pelo acompanhado de suas criações literárias no luso, percebemos uma aura brilhante de generosidade, desprendimento e enorme talento que transcende as fronteiras hipertextuais, pairando sobre nossos corações. Sua sabedoria de vida reflete em seus poemas que sempre nos passam força, carinho e amor. Sua poesia procura nunca pairar por sobre umbrais revoltosos da alma, pelo contrário, procura sempre tirar uma lição otimista dos dissabores que a vida nos traz. Seus comentários e interação geral no site supracitado são expansivos e amigáveis. E é por isso, e muito mais, que aqui não caberia se estender, que Maria Fernanda Reis Esteves, ou simplesmente Nanda, é a poeta do mês de julho. Segue abaixo uma entrevista leve, objetivando sobretudo mostrar a essência humana, tão presente na nossa Nanda.

-Você trabalha em uma instituição que apóia pessoas portadoras de necessidades especiais. É muito fácil notar que a APPACDM é oxigênio vital para sua vida! Tem muita experiência nessa área. No geral, como você vê o tratamento que é dado à essas pessoas? São ainda muito discriminadas?

Eu faço o secretariado da Direcção da APPACDM de Setúbal há 10 anos. Desenvolvo o meu trabalho nos Serviços Centrais da Instituição e tive a sorte de estes partilharem o mesmo espaço físico com um CAO – Centro de Actividades Ocupacionais, o que me permite interagir e trocar experiências com jovens portadores de deficiência.
Com cada um dos utentes criei uma empatia especial, uma cumplicidade. Aprendo com eles todos os dias o valor da humildade, das coisas simples da vida, dos afectos e nunca antes me senti tão rica interiormente. Agradeço a Deus o facto de poder conciliar trabalho com uma missão à qual me entrego sem reservas.
A APPACDM tem um papel relevante na aceitação e integração destes cidadãos no seio da comunidade local que começa com a inclusão através dos projectos de parceria nas escolas bem como da promoção de actividades de cariz cultural e desportivas, que envolvem outras instituições congéneres, empresas, Lares de 3ª idade e um abrangente leque da cidadania, sempre com a preocupação de divulgá-las através dos órgãos de comunicação social.
A sociedade já não discrimina o cidadão portador de deficiência como antigamente. No entanto, muito há a fazer para a sua inserção no mundo do trabalho.
A Instituição candidatou-se ao Programa PARES da Segurança Social e dentro de dias terão início as obras de construção de um novo Lar Residencial/Residência Autónoma/Serviço de Apoio Domiciliário e ainda de adaptação para uma creche.

-Certa vez um dos meus professores disse que a poesia “é um pequeno círculo espremido, que nunca chegará ser um grande globo”. Claro, ele fazia referência à linguagem poética, restrita à poucos, afastada do grande público. Você concorda com a citação do meu antigo professor? E se concorda, qual seria a missão do poeta, se é que ele tem, para levar a poesia à horizontes mais amplos?

Concordo, na medida em que dentro dos géneros literários a poesia é o que menos vende, já que é uma obra de arte delicada, intimista e direccionada a pessoas sensíveis e que gostam de interpretar mensagens, de reflectir e aprender com elas.
Penso que pior do que não ter livros de poesia é adquiri-los e não os ler, porque são, sem dúvida, uma extraordinária fonte de enriquecimento cultural e humano.
A APPACDM de Setúbal é um bom exemplo de como se pode tornar a poesia mais abrangente. Anualmente promove um concurso de poesia que visa estimular a actividade criadora e sensibilizar a comunidade para a problemática da deficiência mental. O evento tem sido bem sucedido, conta com um crescente e interessado número de participantes, e neste momento é já de âmbito Nacional.

-Um dos seus autores preferidos é Mia Couto. Também é dos meus. Penso que aqueles que nunca o leram, poderiam ler, já, que é um escritor que mergulha nas raízes da natureza humana, de forma profunda e única. Até que ponto Mia Couto, tem influência neste seu lado humano tão estimado?

Mia Couto é um escritor que encanta pela leveza das palavras, algumas delas fruto do seu inesgotável imaginário, extraídas da constante e incansável observação e fascínio pela alma humana. Assim me revejo, sem capacidade para separar o lado humano da minha postura de contemplação e aceitação perante a vida, elegendo na minha escrita a expressão singela dos sentimentos que em mim afloram a cada momento.

-Uma filha atriz e outra pretendendo ser médica. Uma encantará pessoas praticando arte e a outra salvará vidas. O perfume humano da Nanda cobre as filhas! O que você poderia nos dizer sobre a maravilhosa escolha profissional das duas?

Às minhas filhas dei amor e liberdade, ensinando e transmitindo os inquestionáveis valores do amor e do respeito, enquanto vectores de equilíbrio e estabilidade do ser humano. A escolha da mais velha, Inês, de 25 anos, signo de gémeos, amante da liberdade de expressão, recaiu nas artes, tendo tirado um curso de percussão em Espinho e cinema, teatro e televisão na ACT, em Lisboa. Actualmente lecciona música e incorporou a “Companhia de Teatro do Elefante”, de Setúbal. Tem, ainda, a seu cargo o Grupo Cénico da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela.
A mais nova, Sara, de 19 anos, signo de Capricórnio, entrou este ano na Faculdade de Ciências da Comunicação, em Lisboa, tendo desistido do curso, preterindo-o a favor da Licenciatura em Medicina Tradicional Chinesa.
Sou a maior fã da carreira artística da minha filha Inês e aprovo a escolha da Sara não só por ser uma das profissões do futuro mas também pela riqueza do conhecimento ancestral das ciências orientais que procuram o bem-estar através do equilíbrio entre o corpo e a mente.

-Nanda, é notório que o mundo caminha cada vez mais para o individualismo e para a violência, em todos os sentidos. Além disso, os preconceitos se parecem mais com tentáculos imbatíveis! Diga-nos, o mundo ainda tem jeito? Espalhe para nós aqui, algumas diretrizes a partir deste seu enorme coração.

Quando o homem se consciencializar de que os bens materiais não chegam para o fazer feliz e se voltar mais para o seu interior, na busca do seu Eu Superior, onde finalmente encontrará a paz na sua própria essência.
Ao escolher viver na luz da sua centelha divina sentir-se-á pleno e feliz e aí deixará de viver de forma egoísta e adoptará o altruísmo como forma de se realizar e sentir útil a todos os seres da criação.

-Qual o grau de importância que você atribui ao luso-poemas para o seu crescimento como escritora?

O Luso é para mim um veículo de partilha da arte escrita que me permite crescer como pessoa valorizando e fomentando amizades e uma fonte de aprendizagem diária e a possibilidade de divulgar a minha poesia.
Agradeço à Luso Poemas os momentos mágicos que me tem proporcionado e a ti Edilson por te teres lembrado da minha humilde pessoa.

-Quem é o seu luso do mês de Agosto?

O meu luso do mês de Agosto é António Paiva.
 
O MEU LUSO DO MÊS DE JULHO É NANDA

"Nos teu dedos" Poema escrito e declamado por: Vóny Ferreira

 
 
 
"Nos teu dedos"   Poema escrito e declamado por: Vóny Ferreira

AS TARTARUGAS TAMBÉM VOAM*

 
Órfão milenar, a profissão a herdara dos pais,

Nela se mantinha, sem orgulho, nem credo,

Apregoando, baixinho, a exígua mercadoria.

E, assim, lá ia vendendo o seu ódio,

Quase a medo…

arfemo

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*Título de um filme escrito e realizado por Bahman Ghobad, ganhou o Prémio da Paz no Festival de Berlim, e o Golfinho de Ouro no Festróia, sobre a realidade das crianças curdas refugiadas durante a guerra, mas que se poderia aplicar, de igual modo, aos palestianos, enfim às crianças “que nunca foram, meninos”, cujo horizonte é a guerra e o ódio que ela gera, ou vice-versa.
 
AS TARTARUGAS TAMBÉM VOAM*

POEMA EM ABERTO (dedicado a todos os poetas do luso)

 
POEMA EM ABERTO  (dedicado a todos os poetas do luso)
 
Entrei
Na porta estava escrito:
"Recital Luso Poetas"
A sala estava quase cheia
Muitos ainda iriam chegar
Reconheci alguns nomes:

adelaidemonteiroalentajanaângelalugoangélicamattos
antoniormartinsanacoelhoamandublueberrycamelodasquintas
ceisacccleocoletivocheryedilsonjoséfhatimafredericosalvo
glpgildeoliveglóriasalleshaeremaihelenderosehisalena
henriquepedrojosésilveirajosémanuelbrandãoledalge
luisalpsimõeskryssfourkarlabardanzananda
norbertolopesmariaverdemarciaoliveiramiriade
onovopoetapaulogalvãorosymarianaroquesilveira
sofiaduartetâniamaracamargoulyssesveríssimovónyferreira

Silencio!
O recital vai começar!

"Poesia em aberto"

Os dias não são mais brancos
São pintados pelos que aqui estão
Se tornaram de uma beleza esmagadora
E ao cair da tarde
Subitamente
As noites se tornam eternas
Os dias com suas noites
Acariciam as idéias
Como uma flecha
Esse chão onde cresço
É um chão nunca vivido
Onde os dias não se rendem
As palavras brotam
De todas as mãos
Se juntam, fluem, mudam
É um chão entre aberto
Onde o amor esta sempre pronto
Um poema escrito a várias mãos
Pois nesse solo sempre
Vai vingar mais um
É puro movimento
Almas que amam
Se alguém tentar traduzir
Não se entenderá mais nada

Uma singela homenagem a todos do Luso nessa lista não constam os nomes dos que ainda virão...
Mas é de todos.
 
POEMA EM ABERTO  (dedicado a todos os poetas do luso)

Não sou poeta, sou sonhadora

 
Refugio a minha alma
nas palavras caladas
que tenho na mente
como búzios longe do mar
com som encantado,
derramo no branco do papel
entre linhas
sentimentos esculpidos
na ponta do lápis.

Não sou poeta, sou sonhadora
na elocução encontro flores
borboletas repletas de cores,
na ponta dos dedos
construo barcos de papel
contemplo o seu deslizar
rios de tinta, navegam nas veias
aquecem o meu corpo em utopia.
 
Não sou poeta, sou sonhadora

GOSTO DO GOSTO DA SAUDADE

 
GOSTO DO GOSTO DA SAUDADE
 
 
.
.
.
Tempos de menino.
Desconhecia as diferenças,
dos perigos espreitados da vida.
Mas talvez não as demências,
das ralhas dos velhos da família
Se é que velhos seriam!
Pois hoje sei o que é ser;
avô, avó, tio e tia.

Mãe e pai.

Piamente acreditava,
[ainda acredito]
Que nunca envelheceriam.
Para sempre; santas e heróis
Sendo assim; velhos jamais.

Mais os farrapos do baú
ficaram a mostra.
Não senti,
mas o tempo havia passado.
Moveu a roda da mó,
e o riacho o moinho,
que movia o monjolo
dia e noite, noite e dia.
para pilar o café
fazendo canjica quebrada
'pros passarinhos bicar'.

Ah! cheiro bom...
Perfumando a pradaria.

Passa aqui,
um filme na minha cabeça.

O carro de boi na estrada,
rangendo a roda ao vento.
Um canto, mais um lamento
ecoando na minha terra,
chão pisado de boiada,
barro ocre lamacento.

Liga não, dessa voz embargada.
É que a noite vem calada

e de chorar, dá vontade.

gosto do gosto da saudade,
do brilho nos olhos que isso traz.
Gosto do alumiar dos pirilampos
nos campos férteis da memória.
gosto de gostar disso,
de ser velho,
de tomar essa atitude,
dar adeus a juventude...
E ficar pra outra história.
.
.
.
 
GOSTO DO GOSTO DA SAUDADE

PALAVRAS DO POETA

 
 
Tenho dias que, sem saber escrever,
Arranjo um sonho para poder contar.
Dias que nada sou sem a utopia,
Daqueles que me impelem a escrever.
São os Mestres, os Poetas,
Donos na proficiência de domar letras;
Como seria se apenas eu escrevesse?
Seriam letras sozinhas, Chorosas,
Moribundas do desgosto,
E despidas de emoção da pureza das Ideias,
Letras privadas do contraste das cores.
E o amarelo, seria verde?
O florir dos campos
Seriam searas
Ceifadas em campos vazios de saber
Onde os pássaros voariam
Apenas baixinho…
E o poeta?
Poderia ele morrer?
Sozinho, entre palavras que nunca atracaram,
Palavras azedas, onde o pólen
Nunca voará.
Palavra que é palavra
Veste-se para ser ouvida,
Acarinhada, Açoitada,
Maltratada, Amada,
Riscada, desenhada,
Ou apenas um aceno
No coração de quem precisa.
Palavra honrada será sempre de todos,
Desde que traga com ela
O orgulho de Camões.
A nós compete-nos apenas
Mantê-las Virtuosas e Belas.
 
PALAVRAS DO POETA

FLOR DESEJADA

 
Nas asas do vento, criei uma flor

cercada de desejos e aguardei,

obstinado, a Primavera.

Passada a época das chuvas, liberta

a memória do silêncio das palavras, um

sorriso cúmplice, inebriante, anuncia

discretamente um novo tempo,

táctil e cálido, rodeado de aromas

inesperados.

O fogo dos sentidos, Cibele, necessita,

como o vidro, mil paixões.

arfemo

(rep.)
 
FLOR DESEJADA

Ouvir é ver (Dedicado)

 
 
A prioridade era ouvir
Ouvir em silêncio

E no filamento da tua voz
Amarrar o teu sentir.

Pedir ao escuro uma nesga
De saber olhar pelos sons

Uma voz é uma imagem
Um retrato emoldurado

E no silêncio das pontuações
Sorri o amigo perfeito
 
Ouvir é ver (Dedicado)

Decifra-me

 
Que importa meu rosto
Se é nas palavras
Que me encontras?

Que importa meu corpo
Se é nos versos
Que me revelo?

Decifra-me num Poema
E encontra-me por aí...
 
Decifra-me