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o resto são passarinhos

 
por vezes imagino o quão inútil é o meu conhecimento e meu desejo de conhecimento, e o conhecimento dos outros e o desejo de conhecimento dos outros. e imagino que não há nada entre a vida e a morte além disso mesmo, vida e morte, morte e vida, todos os dias e em todas as eras o mundo se resume nessas três palavras, vida e morte, e que me tornam quem sou até que eu parta e reste de mim apenas o que se souber de mim. não o que penso, mas o que pensam que penso, não o que sou, mas o que pensam que sou. e o que sou, de fato, além do que pensam que sou?

mas depois de idos os pensamentos sobre mim, não restará nada além de um corpo se putrefazendo, um bando de ossos baldios num saco de lona junto com outros ossos baldios, que muito provavelmente pertenceram a ditos parentes meus que serão esquecidos antes de mim, ou assim espero.

e pensar que tudo o que eu quis dizer ao começar a escrever era que você estava linda naquela tarde em que passeamos de mãos dadas rumo ao nada mais que passear de mãos dadas. e pensar que eu tinha tanto medo que o tempo chegasse, e agora só peço que passe, mesmo que eu morra antes de ver o sol nascer em seus olhos, e ver morrer a última flor da noite todas as noites quando você dorme e põe em mim todos os meus medos de anos atrás.

e pensar que poderia resumir tudo isto num poema insípido e completamente equivocado daqui a uma semana, mas que sempre traria nas vírgulas uma marca em cera abrasoando o quanto te amo, e a saudade que tenho do dia em que passeamos de mãos dadas e você acaba de dormir com a cabeça em meu colo, sabendo que mais tarde te levarei nos braços com todo o cuidado para que você não acorde num presente em que outro te segura nos braços e que o meu maior medo é que este não saiba te manter segura. mas isso já passou. o resto são passarinhos.
 
o resto são passarinhos

introspecção

 
dos olhos me despeço
só por alguns instantes
- partículas do tempo
em que se alinha o fio
da consciência

dou as costas
para os olhos estranhos
(são meus!)
pérfuros-cortantes
que as vezes
fazem-se lâminas de sol
para recortar iluminado
o que me agrada na intenção
de se postarem junto aos troféus
que me alçam

mas tantas vezes
fazem-se lâminas geladas
ardilosas e amoladas
(estes olhos)
despedaçando o que odeio,
o que dá náusea
e desespero

só por agora,
desmato cega
o útero da selva,
para limpar um naco e acampar
em nada que possa me acolher.
 
introspecção

Preciso Amar Alguém

 
 
Quando penso naquela noite

Tenho doces pensamentos de nós dois

Sinto me de volta naquela estrada,

que me leva ao teu ninho,

para cessar toda saudade que eu trouxe no caminho

Remonto te em meus sonhos mas...

Abordo te em nova ilusão

Amo te nas minhas memórias e recaídas do meu

coração!
 
Preciso Amar Alguém

aquarela

 
busco aquela qualidade indefinida
que se encontra nas melhores aquarelas
onde arde a luz solar e te convidas
a viagem matinal por barco a vela

e transporta além do espaço onde se abriga
solo fértil para manchas e procelas
em torrentes derramando-se aguerridas
à mão firme que pincela sobre a tela

não está no enquadramento ou nas cores
nem tampouco em seu traçado ou naquela
paisagem sempre em mente aonde fores

é a cria dos teus óleos em m'ia pena
a tornar uma moldura uma janela
onde enfim tu me encontras e me acenas

11 sílabas, tônicas 3-7-11, primos :)
 
aquarela

Os olhos de Karinna* #.#.#

 
Os olhos de Karinna

Os rubis seriam os mais caros
Se fossem da cor dos teus vitrais,
E as esmeraldas teriam valor infinito.
Assim seria com todas as pedras,
Se ganhassem o contorno de tuas pétalas azuis.

Ah!... mas o céu imita tuas persianas abertas,
Protegidas por teus cílios, tua face,
Tuas lágrimas e teus risos,
Cristais reverberando esta humilíssima poesia.

Fossem meus poemas
Da cor dos teus olhos,
Iriam dizer que sou verdadeiramente poeta,
O maior e o mais belo dos poetas.

E talvez me fosse feliz a vida,
E fosse essa gravidez azulada,
E eu creditaria.

Milton Filho/28.09.13
 
Os olhos de Karinna* #.#.#

Qual o Código Postal do céu?

 
Qual o Código Postal do céu?
 
Na escrita, os sonhos ficam mais próximos dos olhos,
abreviando a inglória sorte de estar só …

Por isso te escrevo cartas,
onde falo dos dias corriqueiros,
dos anoiteceres aluados de prata cinza,
das manhas lotadas de sol em franja …

Escrevo te da gentileza dos afectos,
dos projectos por realizar …

Da infância,
das viagens,
dos retratos em tinta fresca,
que borram na saudade
os silêncios…

Esvevo te simplesmente palavras que não chegaram a soar …

Até gostaria de as enviar pelo correio , mas sem código postal, se perderiam pelo caminho ...


Resta me esperar pelo nascer da morte …
Até lá, vou escrevendo com o coração ao coração,
esse lugar que nunca deixaste de habitar …
 
Qual o Código Postal do céu?

Aos poetas #.#.#

 
Aos poetas


Entre o que digo e o que você entende,
Há um istmo sobre esse abismo,
Um poema sombrio que nos separa.

Os teus olhos param no meio dessa ponte
E travam.
Olhos não pensam e não têm pernas,
Mas o cérebro, sim, tem asas... tensas!

Os covardes tremem diante
Da lancinante travessia,
Que não é longa, disso posso dizer.
O problema é ter que mirar o fundo
E descobrir que o fundo não tem fundo.

E ficamos assim, maltrapilhos,
Ouvindo ecos dos próprios dizeres,
Aprendendo em nós mesmos,
Nesse belo teatro de fala de(s)corada.

E para manter as máscaras (ou derrubá-las),
E para manter a esperança
Nessa comunicação insólita,
Construímos poesias, arremedos,
E viramos poetas de um mundo em chamas.

E alguns até se compreendem (ou pensam),
Raros porém,
Em momentos fugidios,
Como a um terno beijo roubado.

É assim que enviesamos as palavras,
Até virar no seu avesso, sua legítima expressão.
E a qualquer preço, estrídulos,
Arfamos no desejo de sermos compreendidos,
De sermos aceitos,
Mesmo dizendo, em lágrimas, do seu contrário.


Milton Filho/17.07.13
 
Aos poetas #.#.#

e, habitas-me

 
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Habitas-me
com as malas, as viagens, esses livros rasgados,
apocalipses teus, nossos, revelações em nevoeiros
que teimam em ficar,
como se só o tocar não fosse além de um nenhures uma vez imaginado,

única vez.

E, desarrumas-me,

não saberei escrever da coragem, da solidão,
das noites que se perdem, das que se bastam
quais andorinhas em voos rasantes,
tantas as palavras escondidas procurando significados ou imagens refletidas,

silêncios acompanhados.

E, toca-me a alvorada esquecida,

desassombra-me colando os pedaços,
estilhaços espalhados pelo chão de madeira,
um dia em árvore, um dia em barco
vogando conforme a direção dos ventos de norte em procelas sem fim.

E, desço,

pelas margens do mar , os mesmos lugares
que se repetem, as mesmas noites que ficam
paradas ansiosas, expectantes,

querendo que a luz não se extinga mesmo sabendo-me aprisionado.

Habitas-me,
e, desarrumas-me,

por uma última vez, única, revelo-me.

(Ricardo Pocinho)
 
e, habitas-me

Nada resta

 
Nada resta
 
Nada mudou nesta minha procura
Buscando por tudo fugir da solidão
Naveguei no mar de minha loucura
Tentando aquietar meu pobre coração.

Perco-me entre o tempo e o vento
Afogo-me neste mar silencioso sem fim
Triste pranto que molha meus sentimentos
A ausência de ti me faz ausente de mim.

Destas buscas sinto-me perdida
Em um labirinto de ondas de decepção
Nada resta além de minha partida
Ir pra longe desta angustiante escuridão.

No More Rhyme - Debbie Gibson
 
Nada resta

a fina estampa da sombra (...)

 
amassou as palavras na garganta
com pequenos silencios.
dissipou a ira com blush
(ira. o pecado que voce não ouve falar muito)
cortou. suturou e fechou os 'nadas'
com dois lances de perfume
inundou a alma.
inverteu a luz da sua foto
(para não ofuscar o amor)
abandonou as paredes do quarto
(era o próprio inferno na terra)
sorriu como uma ladra
cheia de sumiços...
deixou o eco, os gestos
para te juntar em consolo.
intimou a lua no céu
(...) a noite fechou os olhos de mansinho

fé e tequila
vamos ver de que lado Deus está...

Vania Lopez
 
a fina estampa da sombra (...)

O POETA A LUA E O IPÊ

 
O POETA A LUA E O IPÊ
 
Em ti me pego sempre pensando,
Olho a bela lua e começo a tecer.
Será que também esta inspirando
O poeta seus sonetos a escrever?

No farfalhar das folhas dançando,
Ela adora brincar e surpreender.
Em ti me pego sempre pensando,
Olho a bela lua e começo a tecer.

Pela janela tudo fica observando,
Por detrás do Ipê a se esconder.
No papel versos vão nascendo,
Sentinela até o poeta adormecer.
Em ti me pego sempre pensando.

Carol Carolina
 
O POETA A LUA E O IPÊ

ANDANDO NA CHUVA...

 
ANDANDO NA CHUVA...
 
ANDANDO NA CHUVA...

Andando na chuva
Numa tarde calma
Afoguei as mágoas
Eu e minha alma

Eu e minha alma
Aqui lembrando
De coisas minhas
Continuei andando...

Continuei andando
Sem ligar para nada
Vendo meu reflexo
Na calçada molhada

Na calçada molhada
Nada para descrever
Só o coração sentindo
Não vou te esquecer

Carol Carolina
 
ANDANDO NA CHUVA...

O balanço

 
Em uma árvore no alto da colina
Tinha um balanço que hoje é lembrança.
Lá ficaram os sonhos da menina
Se balançando em fantasias de criança.

A menina até ao céu cantarolava
E sua voz se espalhava na colina
Quanto mais o balanço balançava
Mais alto cantava a menina

A menina não sabia o q' era dores
Apenas se entretinha a balançar
Cantava sorrindo para as flores
E só com flores vivia a sonhar

Um dia deixou de ser criança
Mas não matou dentro del' a menina
Quis retornar a balançar naquela dança
Quand' o balanço já não está mais na colina.
 
O balanço

A leste das minhas mãos

 
Um dia apeteceu-me perseguir as palavras certas.
Aquelas que são feitas das coisas que nascem,
que vivem, que crescem, que fazem morrer.
Aquelas feitas da consistência dos sonhos,
do risco das asas, do prolongamento do olhar,
da fé dos silêncios, de sorrisos limpos
ou de pensamentos fáceis.
E das coisas fundas... ah, das coisas fundas,
como não querer achar a profundidade certa
onde se encontrem palavras que as saibam...?

Apeteceu-me a criação, a original forma de dizer.
Terras novas.
O puro descobrimento.
...
As palavras ardem. As palavras são cinza, são fumo a acontecer.
Queimam-me as mãos, reduzem-me ao nada, dispersam-se ao vento.
São sinais...
Só meros sinais.

Como dizer da indelebilidade dos gestos?
Como dizer da nitidez dos efeitos,
da heterocromia do olhar,
da essência das águas
que nos percorrem em grito?...
Como dizer da sede que nos fica, depois da vontade?...
Ou da fome que nos beija a boca, depois da saciedade?
Como dizer por palavras
que a vida não é feita de domínios, nem de fronteiras?
Que as frases não se reduzem a marés lavradas?
Que a vida não é feita de sinais, mas de Marcas...?

(ah, um dia ainda hei-de inventar palavras Verdadeiras...)

A vida é mar em desassossego, e as palavras que eu persigo
são a sua espuma viva
vestígios de luas a leste das minhas mãos
ilusões de vela náufraga
sangue sem pertença flutuando à deriva
pedaços de madeira onde me agarro
murmúrio indefinível dos lugares onde já fui
e onde não mais voltarei.

E o meu papel, o barco que abandonei.

...
 
A leste das minhas mãos

tenho sede de tempo...

 
tenho sede de tempo,
cai a tarde
como fruta madura
e à distância cantam os pinhais
o sol já não arde,
tocam os sinos dando sinais
e eu aqui oculta pela bruma
lembrando tudo,
tanta coisa uma a uma.

lembro o caminho da nascente,
com os risos de então
lembrança sempre presente
que não rejeito...não!

quero ser criatura
de alegria,
trazer à minha noite o luar
e eu e tu ser um só rio
a desaguar no mar...
extingue-se mais um dia
entre matizes amarelos
tenho sede de tempo
dum tempo primaveril
aquele que me vestia
a alma
e não este, que é prisão
e me corrói o rosto,
e esvazia o coração.

dá-me a mão,
vamos caminhar mais agéis
viver mais intensamente
onde o limite seja o céu
só tu e eu.
por algum tempo havemos de ignorar
o que de nós se perdeu
vivamos mais outro dia,
antes que a noite venha perturbar
ergamos nossa rebeldia

e quando a morte vier
num outro dia qualquer
pairando como um gavião,
sobre nós,
dá-me a tua mão
quando já nada haja para crer,
resta em mim a credulidade...
ainda assim vou sentir a doçura
da tua mão
na minha mão,
e levarei dela saudade.

natália nuno
rosafogo
 
tenho sede de tempo...

31 de boca

 
Sim,
sou uma em muitas, e então?
múltipla em só uma, porque não?
una e indivisível, e depois?...
sou todas, do todo que vós sois!

:

Sou frente, sou perfil,
Sou rente, mas asa, se quiser,
Sou gente ou animal!

Sou jovem, sou senil,
Sou homem, mas posso ser mulher,
Sou nome assexual!

Sou calma, sou febril,
Sou salmo ou mantra por escrever,
Sou alma e sou carnal!

Sou pimenta, sou caril,
Sou tormenta sem Adamastor saber,
Sou a semente do sal!



E se assim sou estas coisas,
tão diferentes e tão várias,
é só porque, em queda e glórias,
represento a Criação,
não me conformo com cópias
ditadas por frouxa mão!

E se me desdobro e reabro,
se me provoco e recargo,
é só porque este é meu fardo:
ser de ninguém e de tantos
que alguns haverá gratos
por lhes provocar espantos!

Não tentem dar-me um só nome!...
Acaso ARTE é pessoa?
Acaso LUZ é uma cor?
-
A Arte é aluna indómita!
Cor sem Luz é forma incógnita!


-e que é dos caleidoscópios?...
-que é da relatividade e dos binómios?...
-e que é dos heterónimos?...
(que falta fazes, Fernando!...)


Só tendes trinta dinheiros
que vos deram à nascença...
Ganhar mais um pro barqueiro,
faz parte da vossa crença…

(…ou dois:
o ler e o depois,
e o resto, não é excesso,
é diferença!)

...

Mas vos digo:
o eu-poético, reneguem,
em impudente heresia:
além daquilo que escrevem,
só existo - eu-Poesia!!!
 
31 de boca

Toca-me.

 
...
Não te aproximes mais,
fica aí,
à distância das memórias por não ser,
no limbo dos princípios,
no silêncio das coisas por dizer.
Fica,
não te aproximes mais
(de mim).
Poderás queimar-te no frio intenso da falsa lonjura,
poderás arrefecer as mãos no calor das reais aparências,
não vês...?

(Há três pelinhos brancos, a apagar-me as sobrancelhas, um enredo de atalhos a confundir-me os caminhos do rosto, erros do tempo manchando a minha pele.
E o cabelo, já não é feito do ouro antigo que a minha mãe usava ao peito, em delicada filigrana... Não, troquei-o por bijuteria moderna, de pouca dura, e brilho artificial.)

Não te aproximes mais,
fica aí,
à distância das palavras por escrever,
na fímbria dos indícios,
na certeza das coisas por viver.
Fica.
Não te afastes mais
(de ti).
Poderás magoar-te na saudade imensa da real ternura.
poderás curar-te do cómodo vício de falsas vivências,
não vês...?

(Há uma riqueza maldita, nos subterrâneos do meu ser, uma mina encantada que nunca chegarei a saber se é de ouro, de prata ou de pragas. Já me pisaram tantas vezes, que a minha pele se fez terra, os meus braços, árvores, os meus olhos, asas. Se sei voar, se te iludo azuis, lembra-te, trago por dentro ventos que os olhos não vêem, cores que ninguém inventou, restos de reconhecimento, encantos de ser próprio que ainda ninguém tocou.)

Aproxima-te, se quiseres,
vem aqui,
para perto do que há a perceber
ao alcance dos inícios,
na dúvida das coisas por saber.
Fica,
se ficar for permanecer
(assim)
respeitando os estragos como antigos livros de aventuras,
coabitando em mim sem luz nem guia, apenas por instinto de sobrevivência.

Eu sou o livro que sempre
tiveste,
mas que nunca
quiseste ler.

Toca-me.
 
Toca-me.

penduro o silêncio no quarto

 
Começas por ler, e habituo-me
a tomar
o café já tarde pelo teu
arco-íris.

Penduro o silêncio no quarto,
e a estação
de dormir as rosas foi já há
muito;
um vento levou-a com o giz dos
pássaros
e, por isso, não me escrevas nada:
a tua noite já me morreu
e agora
tenho rosas no
céu.

O que me fizeres será um lago
coroado nos lábios;
o que me fizeres será um barco
escrito a cinza,
e depois um Inverno
para quem me viu com
a tua sombra
a imprimir
o mar
 
penduro o silêncio no quarto

Quando a Chuva Passar

 
Quando a Chuva Passar
 
O vento gela meu coração

movendo a água da chuva

Com o frio

restos de sonhos são levados

assim como os antigos amores

Sigo solitária o meu caminho

Tentando alcançar o tempo

A vida vai correndo

Durmo nas paradas

Não desejo freiar nem chegar ao fim da estrada

Quero viver

Ir em frente

Posso até pegar atalhos

Molhada, danço ao vento para me secar

Nem tudo acaba em tempestade

Sei que nos trilhos de um novo dia

irei te encontrar

Teu mistério irá me aquecer

As nuvens dissipar

Em dias de Sol e noites estreladas

iremos bailar!
 
Quando a Chuva Passar

Teu corpo, meu poema

 
Atravesso as cordilheiras
do que me é impossível
vou desenhando suas fronteiras
horizontais,
enquanto sobrevoo sua geografia
e os traços marcantes em sua pele.
Suas planícies revelam seus arrepios
trazendo na brisa dos seus sussurros
tudo o que eu desejo ouvir.
Não há limites nas dobras do seu corpo
seus planaltos aquecidos se misturam
com a mata selvagem de sua derme.
Seu olhar intenso é o sol que nasce
no meio das montanhas dos seus ombros
mostrando o quanto me deseja nesta hora.
E depois desta sede imensa
que me dá descobrir sua natureza
em toques verticais,
derrama seu rio em mim
pelas nascentes do seu sorriso
e sensações vindas dos seus portais.
Diante do seu corpo,
eu virei céu.

*Poema escolhido na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos Vol 94 - CBJE - Rio de Janeiro - Lançado em 20/11/12.
 
Teu corpo, meu poema